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Budapeste foi o lugar escolhido para iniciar a viagem pelo Leste Europeu. E, devo admitir, tinha uma expectativa apenas mediana em relação à cidade, malgrado algumas opiniões recentes de pessoas conhecidas se dizendo arrebatadas pela capital da Hungria. Não sei dizer a razão nem o porquê mas sempre achei que seria para mim aquela menos interessante do circuito obrigatório do trio de ouro Praga-Viena-Budapeste (No nosso caso ainda fomos à Cracóvia). Talvez pelo fato de sempre ter ouvido as pessoas falando muito mais sobre os encantos da República Tcheca e da Áustria. No entanto, mal sabia o quanto estava equivocado pois, para minha surpresa e deslumbramento, entre todas, ela acabou sendo a que mais gostei, ligeiramente a frente de Viena. Um lugar delicioso, mágico e inesquecível! Tentarei explicar com calma…

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Comecemos com um pouco de história. Pois bem, a Hungria é considerada uma ilha Magyar cercada por um oceano Eslavo. De fato, o simpático povo húngaro tem mesmo uma história muito peculiar, a começar pela descendência inédita entre os países europeus, oriunda das tribos bárbaras Magiares, provenientes da Ásia Central, dotadas de um espírito rebelde, feroz e falando um idioma totalmente babilônico, incompreensível e sisudo, a ponto do grande Chico Buarque, em seu livro homônimo, ter afirmado com rara felicidade poética que o húngaro é “segundo as más línguas, a única língua que o diabo respeita.” Os húngaros ou magiares são uma etnia originária dos Montes Urais no Continente Asiático, cujas tribos invadiram a Europa Central no final do Século IX (ano 896 d.c.) e se estabeleceram na Bacia dos Cárpatos fundando um Estado que seria posteriormente conhecido como Hungria. (foto minha: Galeria de arte fechada para reforma até 2017 na Heroes square)

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A língua húngara, embora admita pequenas diferenças etimológicas entre os termos “húngaro” e “magyar”, modernamente, para facilitar a compreensão, emprega os termos como sinônimos, tanto para designar o membro originário da etnia como o cidadão húngaro, indistintamente de sua região habitada, sendo a república atualmente composta por cerca de 13 milhões de cidadãos.

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Budapeste é uma metrópole absolutamente única, capital de uma nação também única. Cheia de peculiaridades, é um exemplo típico de cidade que obteve mais fama do que o próprio país e trata-se de uma das “salas de estar” mais elegantes da Europa. Tudo fruto de seu passado remoto, que apresenta uma história bem conturbada. Fundada por Magiares no século IX, se viu invadida pelos Otomanos no século XVI, e em meados do século XIX, foi unida ao Império Austro-Húngaro, quando Franz Joseph e Sissi foram coroados Reis da Hungria na Igreja de São Matias em Buda. Nessa época, começou um período dourado de modernização e de edificações de construções suntuosas e cheias de luxo, dotadas de traços característicos da arquitetura art-nouveau. Tudo com o objetivo de competir em pé de igualdade com a outra Capital do Império, Viena. Esse fervor, culminou com a inauguração do fantástico Parlamento Húngaro (réplica quase idêntica ao similar Britânico) em 1896, por ocasião da comemoração do milênio de fundação da nação Magyar.

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Com a queda das Monarquias europeias, a cidade experimentou um período de estagnação e leve declínio, sendo severamente bombardeada e quase inteiramente destruída na 2ª guerra mundial. E, se não bastasse esse infortúnio, por ter se aliado, ainda que tardiamente, ao lado perdedor, acabou sendo submetida ao jugo do comunismo por mais 45 anos. Hoje, renovada, toda reconstruída e se modernizando em ritmo frenético, a cidade recebe um fluxo incessante de turistas de todas as partes do mundo, ávidos por conhecer um país de cultura tão rica e peculiar e com uma capital tão monumental.

Talvez por força de sua rica e grandiosa história, o povo age com uma certa nostalgia, adotando uma postura “à moda antiga”, gostando de relembrar e exaltar as glórias do passado, e demonstrando muita educação, formalismo e polidez. Resumindo em poucas palavras, Budapeste é uma cidade muito elegante e com muita personalidade. Autêntica até dizer “chega”. Em minha opinião, superou Praga com folga, embora não goste de fazer esse tipo de comparação, pelas peculiaridades que cada uma possui. E essas características acima ressaltadas geram também, entre visitantes e cronistas, frequentes comparações positivas com a França, a ponto de Budapeste ser chamada de a Paris do Leste.

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Em Budapeste, as pessoas se sentam nos cafés e passam horas conversando, fumando, bebendo um expresso e lendo livros e jornais. Adoram consumir cultura em galerias e museus, assim como gastar tempo nas praças observando o vai e vem da vida. Admiram e muito se vangloriam de sua origem e de sua etnia. Nos restaurantes, percebe-se uma fidalguia por parte dos garçons e atendentes, que nunca se apresentam desleixados aos clientes, mas sempre com uma aparência impecável e distinta, orgulhosos de sua função. Todos os cidadãos se esforçam para se comunicar com os turistas e demonstram atenciosidade e disposição de ajudar, quando solicitados.

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A cidade é muito limpa e organizada, com boulevares amplos e arborizados, repletos de belos e suntuosos edifícios de arquitetura art-nouveau, típica do período Austro-Húngaro. Tem também várias pontes majestosas sobre o trecho mais belo do danúbio, que ligam os dois lados da Capital, estações de trem que mais parecem museus de tão ornamentadas e ricas, ruas alegres e cheias de bares e restaurantes, abertos a qualquer hora do dia. E, por não ter um litoral nem saída para o mar, possui mais de 50 elegantes banhos quentes abastecidos por fontes termais naturais, uma de suas marcas mais características. Estes estabelecimentos, introduzidos quando da ocupação Turca, reúnem piscinas quentes e frias, saunas, refeitórios e variada opções de massagem. Além de sua função original de entreter e refrescar no verão (quando eles diminuem a temperatura da água) e aquecer e abrigar no inverno, servem ainda como ponto de encontro e de socialização do povo húngaro.

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Budapeste conta também com uma vida noturna agitadíssima, principalmente no bairro judeu, onde a juventude se encontra para namorar, beber cerveja, ouvir música eletrônica e dançar nos chamados “ruin bars” (bares em ruínas) , dos quais falarei com detalhes mais adiante. E, em todo canto, vende-se ramos de paprika, camisas vintage de férenc puskas e garrafas de vinho Tokaji, três grandes símbolos do país.

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Pois bem, vamos aos aspectos práticos. Acredito que a melhor época pra ir é entre maio e junho ou entre setembro e início de outubro. Julho e agosto são meses de alta temporada e tudo estará mais cheio, caro e confuso. Em contrapartida, nos meses de inverno, a cidade fica vazia e escura, com dias chuvosos e cinzentos, e além disso faz bastante frio quase sempre com vento, às vezes chegando a nevar. Para chegar na Cidade, fizemos uma rápida conexão em Madrid, vindos do Rio de Janeiro pela Ibéria, e no meio da tarde chegamos no acanhado terminal do Aeroporto Ferenc Liszt, distante uns 20/30 minutos do centro. Todas as aéreas que voam do Brasil conectam rapidamente para Budapeste.

Não obstante, se iniciar a viagem por outra capital, saiba que a cidade tem uma excelente malha ferroviária e várias estações de Trem que conectam e são conectadas diretamente para vários pontos do Leste Europeu. Uma advertência importante. Não troque muitos Euros pela moeda local, o Florint, nos terminais de câmbio do aeroporto. Eles praticam péssimas taxas de conversão! Absurdas mesmo. Quando lá estivemos trocamos 1 euro por cerca de 247 florints, quando na verdade, em casas de câmbio oficiais, esse valor chegava próximo dos 300. Um táxi do aeroporto para o hotel na região de Buda ou de Peste é a maneira mais fácil e prática de se chegar na cidade. O percurso custará algo em torno de 35 euros. Há ainda um serviço de shuttle desde o terminal aéreo e que somente vale à pena se o visitante estiver viajando sozinho. 2 pessoas já pagarão quase o mesmo preço de um táxi. Por fim, para quem realmente esteja contando dinheiro, vale o sacrifício de pegar o ônibus #200E, que exigirá uma conexão com o metrô ou com um trem de superfície.

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Em relação ao planejamento, acho que três noites é o intervalo mínimo para a permanência. Menos do que isso, haverá arrependimentos, pois ficará tudo muito apertado e corrido. A cidade é bem grande e tem muita coisa pra ver e fazer nas suas 2 partes principais, Buda e Peste. Acho que 4 ou 5 noites é o ideal. Com esse tempo disponível, não haverá correria e a pessoa, além de cumprir as visitas turísticas essenciais, poderá ainda caminhar com calma pela rua, sentar pra tomar um café, ver o movimento, beber uma taça de vinho tokaji relaxado e estendido em um parque ou praça pegando um sol e fazendo um piquenique, ou até mesmo se permitir passar uma tarde em um dos banhos termais húngaros.

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Em seguida vem sempre aquela pergunta básica: “Em qual das duas ficar hospedado?”. Buda é mais vazia e residencial, mais cara para se morar, porque fica no alto da colina e dispõe de vistas deslumbrantes para o outro lado, notadamente do alto do morro gellerti, do castelo de buda ou do bastião dos pescadores. Lá ficam as residências oficiais do Primeiro-Ministro e do Presidente. Já Peste é o coração da cidade, na parte plana, onde a vida cultural e social acontece, onde mora a maioria das pessoas, onde ficam as grandes avenidas e ruas de comércio e onde se situa o Parlamento Húngaro. E, talvez o melhor de tudo, de onde se tem a vista para Buda, que é muito mais cênica e bonita do que Peste.

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Ficamos em dúvida até quase o último momento, pois tinhamos reservas que podiam ser canceladas até 48 hs antes em hotéis em ambas as partes. Acabamos nos decidindo por Peste, em um eatabelecimento bem próximo à famosa ponte das Correntes e com uma vista espetacular para o danúbio e para as colinas de Buda. Aproveitamos uma promoção de última hora no ótimo hotel sofitel e não nos arrependemos da decisão. Acho que Buda fica muito morta à noite e, por outro lado, suas principais atrações que são o Castelo, a igreja de St. Mathews e o Bastião dos Pescadores são facilmente acessíveis por escadas ou por um funicular bem defronte à ponte principal.

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Nas cercanias onde nos hospedamos, estava tudo muito próximo, a igreja de St. Stephen, o parlamento, este a uns 10/15 minutos de caminhada, o pequeno mas tocante memorial dos pares de sapatos de metal às margens do danúbio, simbolizando os judeus húngaros mortos na 2a guerra. Ao norte, a não mais que 10 minutos a pé, o Edifício da Ópera, que já fica na Andrassy Avenue, a Champs Elysées deles. Pro outro lado, também a uma distância plausível de ser percorrida a pé, o bairro judeu, com a famosa Sinagoga, bons restaurantes e vida noturna frenética, além do mercado central e a Váci Utca, uma das mais famosas e movimentadas ruas de pedestres de Budapeste. Foto da Karine destacando a fachada da ópera:

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A locomoção na cidade é bastante fácil, havendo 4 linhas de metrô que cobrem grande parte da zona urbana e ainda trams e ônibus que, virtualmente, podem levar o visitante para qualquer lugar na cidade, com segurança e tranquilidade. As linhas tem cores distintas e, uma curiosidade, a amarela é a mais antiga em operação do continente europeu. Tíquetes para o metrô devem ser adquiridos de acordo com a conveniência do visitante, havendo bilhetes unitários que custam aproximadamente 1 euro, cartelas com 10 bilhetes e ainda passes de 24, 48 ou 72 horas, todos podendo ser usados em conjunto com os ônibus e trams. As linhas de ônibus circular 16 e 16 A merecem menção por levarem diretamente (e retornarem depois da visita) ao castelo de Buda, um ponto muito turístico da cidade, de onde facilmente se visita o bastião dos pescadores e  a linda igreja de são mateus. Abaixo, mapa do metrô, lembrando que Pest fica à direita no mapa e Buda à esquerda:

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No primeiro dia, logo após o check-in no hotel, tínhamos ainda algumas horas de sol e fomos caminhar pela parte sudoeste de Pest. Começamos pelo calçadão (digamos assim) que existe às margens do rio danúbio e caminhamos umas 2 quadras até entrar para a concorrida Váci utca, uma das ruas mais famosas e turísticas da cidade, com lojas, boutiques, restaurantes e livrarias. Paralela ao danúbio, liga a famosa Praça Vorosmarty até o Mercado Central. A vorosmarty é uma pequena e concorrida praça que se situa no centro de Budapeste, bem no final da Váci Utca, antigamente conhecida como Gizella tér. Tér = praça. No centro da praça e voltada para oeste está uma estátua do homenageado, o poeta húngaro Mihály Vorosmarty, cujo pedestal se transformou em ponto de encontro dos budapestenses. Atrás do monumento há um pequeno jardim e uma fonte rodeada por leões de pedra, além da estação ponto final da linha 1 do Metrô, a mais antiga da Europa. Essa praça, que abriga ainda o famoso café gerbeaud, fica a não mais de 150 metros da ponte das correntes, a mais charmosa da cidade.

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Caminhamos pela Váci Utca e seguimos uma sugestão de roteiro nessa região, entrando incidentalmente em ruelas adjacentes e passando em visita pela igreja ortodoxa sérvia, pela sede da prefeitura (esta apenas a fachada externa) e por um pequeno tesouro escondido, o jardim mais antigo da capital húngara, o denominado Károlyi-kert. No passado, o espaço fazia parte de uma propriedade privada, mas atualmente, embora cercado, se tornou público todo em estilo francês, muito conhecido por suas belas plantas e flores, além de sua atmosfera bucólica e tranquila. Um lugar ideal para sentar e dar uma relaxada, observando as pessoas ao redor. Foi exatamente o que fizemos.

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Em seguida, percorrendo a completa extensão da rua Váci, fomos caminhando até a entrada do Mercado Central, o belo e antigo edificio construido também para a celebração do milênio de fundação da cidade, no ano de 1896, tendo sido inspirado na arquitetura de Gustav Eiffel. O mercado já estava fechado e voltamos em outro dia para conhecer o seu interior. E para finalizar esse reconhecimento inicial dos arredores, retornamos ao hotel pela orla, admirando um belíssimo visual do pôr-do-sol atrás das colinas de Buda. Neste dia, o da chegada, de tão cansados, apenas fizemos um rápido lanche antes de dormir. Deu pra perceber de cara que cidade tinha algo de muito especial.

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Havia ainda muito o que ver e fazer nos outros 4 dias na cidade. Sigo contando no próximo post…

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Esse post decorre de experiência adquirida em viagem recente à região, e tem como objetivo ajudar os viajantes a montar suas próprias estratégias ao decidirem visitar o que vulgarmente se denomina Leste Europeu. Aliás esse termo é bem abrangente, englobando cerca de duas dezenas de países situados entre a parte ocidental da Europa e a fronteira com a Ásia. Isso importa em falar de Rússia, Repúblicas Bálticas, Repúblicas dos Balcãs, Romênia, parte da Turquia, Moldávia, Bulgária, Ucrânia, Hungria, Eslováquia, Polônia, República Tcheca, Bielorrúsia, Macedônia, Albânia, e até mesmo algumas áreas da Alemanha e da Áustria. Read More →

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Em um dos dias que estivemos em Amsterdam, aproveitamos para fazer um outro tour e conhecer uma parte mais rural do pais e os famosos estereótipos Holandeses, que são os moinhos de vento, as fábricas de tamancos de madeira e as lojas de produção e venda de queijos gouda, aqueles redondos de casca amarela. Se tiver uma metade de dia sobrando na cidade, vale à pena escapar a esse lado mais ‘country’ da Holanda. Read More →

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A Holanda e as flores são quase indissociáveis. Pensar em uma imediatamente remete à outra. E o melhor momento para aproveitar esse esplendor da natureza é na primavera. Exatamente por isso, fomos pra lá nessa época. Do final de março até a segunda semana de maio, as flores plantadas meses antes nos diversos campos e jardins finalmente florescem e se exibem em um excitante caleidoscópio de cores. O período exato depende sempre do tempo e das condições climáticas de cada temporada. Mas, geralmente o melhor momento é na segunda metade de abril. Foi quando lá estivemos. Nesse ano de 2015, contudo, apesar de todo o planejamento, e como para deixar sempre claro que a natureza é quem sempre está no controle, houve um frio inesperado que durou mais tempo do que o normal, atrasando em alguns dias todo o processo. Mesmo assim, tivemos uma experiência deslumbrante. Read More →

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Quando pensamos na Holanda, imediatamente nos vem à cabeça imagens de moinhos de vento, de tamancos de madeira, de bicicletas e queijos redondos de casca amarela, de campos de tulipas, das camisas de cor laranja (que não está na bandeira mas que representa a casa real da dinastia dos Orange) e de uma paleta repleta de muitos tons pastel como nos quadros de Vincent Van Gogh. Tais elementos representativos são os estereótipos mais conhecidos dessa bela nação Parlamentarista-Monárquica que, hoje, com seu pequeno espaço geográfico composto de terrenos semi-encharcados e em grande parte situados abaixo do nível do mar, é a mais densamente populada da Europa assim como uma das mais ricas e bem organizadas do continente. Read More →

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Mostar foi nossa última parada na Bósnia-Herzegovina, após conhecermos a fantástica Sarajevo. Visitamos a cidade, no trajeto de retorno, quando rumávamos para Dubrovnik, na parte final de nosso giro balcânico. Ela já fica bem próxima à fronteira com a Croácia, na região da Herzegovina e, para aqueles que não fazem questão de Sarajevo, pode ser objeto de um day tour desde Split ou mesmo partindo de Dubrovnik. Talvez a cidade mais caracteristicamente muçulmana que eu já tenha visitado, Mostar, com a sua famosa e icônica ponte velha, sobre o leito do Rio Neretva, representa de modo bem sintético, o melhor e o pior da época da Iugoslávia. No período sob a regência de Tito, a cidade abrigava uma coexistência pacífica entre todas as religiões monoteístas e albergava uma comunidade rica e próspera, dotada de uma extraordinária miscigenação cultural e religiosa, com os diferentes grupos e crenças vivendo de modo harmônico e tolerante. Foto abaixo da ponte e do rio Neretva: Read More →

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Como finalizado no relato do post anterior, chegamos ao hotel em Sarajevo, no bairro de Baščaršija, deixamos nossos pertences e descemos ao lobby para encontrar Armina, a simpática guia turística local que iria nos mostrar a cidade: – É muito importante para nós recebê-los aqui. Sarajevo é uma cidade muita rica culturalmente e nosso povo tem muita história para compartilhar com o mundo. No entanto, infelizmente, a maior parte dos turistas, por diferentes razões, optam por visitar os países vizinhos e não incluem a Bósnia-Herzegovina em seus roteiros. De fato, a Croácia, Eslovênia e Montenegro são países lindíssimos, mas aqui também há muita beleza e cultura a serem descobertas. Nosso povo luta diariamente para reconstruir sua própria identidade, apagar as marcas do passado e estabelecer a paz. Não é fácil… temos vivido em período longo de aprendizado e de reconstrução buscando a melhor forma possível de coexistir, de entender e respeitar nossas diferenças para que todos possamos viver em harmonia dentro desse território. Hoje vivemos uma paz fria, estéril, mas sabemos que temos muito caminho pela frente. Falar sobre isso, no meu modo de ver, ajuda-nos nesse processo de superação e, por isso, tenho que agradecer a presença de vocês aqui.” Foto abaixo de Sebilj, a famosa fonte na praça dos pombos: Read More →

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Desde que iniciei esse trabalho de criar um blog de viagens, já foram até hoje quase 60 posts em exatos 02 anos. Sem um instante sequer de dúvida ou hesitação, afirmo que escrever e retratar Sarajevo, elaborando um texto que consiga traduzir minimamente o significado do que quero passar, será a tarefa mais difícil a ser trilhada até o presente momento. Dividirei esse relato em 2 posts. A capital da Bósnia-Herzegovina, cidade Olímpica dos Jogos de Inverno de 1984, é um daqueles lugares únicos no mundo, com peculiaridades históricas e culturais riquíssimas e ímpares, habitada por um povo simples, hospitaleiro e muito amistoso, marcado indelevelmente (para o bem e para o mal) com a tinta de todos os episódios de sua conturbada trajetória. Sarajevo mistura em sua biografia capítulos onde, ora simultânea, ora sucessivamente, se fazem muito presentes parágrafos recheados de tristeza, alegria, reconstrução, guerra, recomeço, desespero, morte, fraternidade, ódio, intolerância e, principalmente, esperança. Read More →

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No dia 20 de setembro de 2014, foi oficialmente aberta a 181ª (centésima octogésima primeira) festa anual dedicada à alegria e à confraternização do povo da Baviera, traduzindo a expressão maior de sua cultura e de seu modo de viver. A cada ano, já desde quase dois séculos atrás, durante duas semanas, geralmente entre a última do mês de setembro e a primeira do mês de outubro, Munique, capital desta bela região ao sul da Alemanha (e seus quase 1,5 milhões de habitantes) se transforma e se prepara para receber milhares de visitantes de todas as partes da Europa e do Mundo, ávidos por beber muita cerveja e comer iguarias típicas, trajando roupas próprias e circulando por múltiplos pavilhões estilizados, com estruturas montadas em uma área enorme (fotos noturnas abaixo, tiradas pela Karine). Read More →

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A nossa viagem pelo interior da Áustria e Baviera começou pela capital do Tirol, bem à sombra dos Alpes. Chegamos no aeroporto Franz Joseph Strauss em Munique e retiramos o carro para girar pelos 6 dias seguintes. Ato contínuo, pegamos a estrada e rumamos pelas belíssimas autobahns da região, já com o objetivo de cruzar a fronteira em direção ao nosso primeiro destino. Innsbruck, fundada em 1187 e que funcionou na idade média como um importante entreposto mercantil bem no meio de uma rota comercial que cortava a Europa. (Os Romanos também já usavam o local como ponto de passagem de seus exércitos). Isso trouxe riqueza ao lugar, mas também facilitou sempre as invasões dos inimigos que, vez por outra, queriam conquistar aquele ponto tão estratégico. Cidade central da região mais turística da Áustria, com sua privilegiada geografia formada por montanhas propícias à prática dos esportes de neve e gelo, já sediou duas Olimpíadas de Inverno em 1964 e 1976. Abaixo, foto do símbolo máximo de Innsbruck, o famoso telhado de ouro: Read More →

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Até bem pouco antes de começar a planejar o roteiro pelo interior da Áustria, nunca sequer tinha ouvido falar em Hallstatt. Certo dia, exercendo meu hábito compulsivo de folhear títulos sobre qualquer assunto em uma livraria, me deparei com o guia visual da Folha de São Paulo, edição 2014, estampando na capa uma foto espetacular de um lugar por mim até então ignorado, onde se via um cenário paradisíaco de uma pequena vila composta por, no máximo, duas dezenas de casas, igrejas e pequenos edifícios de arquitetura tipicamente saxônicas, todos quase colados uns nos outros. Read More →

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A Áustria (Osterreich), que já foi protagonista de um dos maiores impérios que governaram a Europa nos séculos passados e , posteriormente, no transcurso da II Guerra Mundial, se viu debilmente anexada à Alemanha em consequência de um projeto de poder desenvolvido por um ditador tirano e psicopata (curiosamente cidadão austríaco), já estava em minha mira há bastante tempo. Aproveitando um roteiro por Munique e pela Baviera, encontrei espaço para visitar Innsbruck, Salzburg e Hallstatt (Viena ficou para outra oportunidade). Valeu cada dia de visita. E isto é o que passarei a contar a partir desse post. Começarei por Salzburg: Read More →

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E o nosso giro de 16 dias pelos Balcãs se encerrou finalmente em Dubrovnik, considerada a jóia da coroa, a cereja do bolo, ou como eles mesmo dizem, a pérola dálmata do Adriático. Desfecho ideal para uma viagem extraordinária, permeada por tantas paisagens inesquecíveis. Local que justifica com sobras a sua fama. Um destino turístico singular, de uma beleza desproporcional, uma fábula antiga perdida nos tempos atuais. Em nenhuma hipótese pode deixar de ser visitada em qualquer roteiro que se pretenda na Croácia. Os muros altíssimos e as ruas de pedra com becos em desnível, interligados por escadarias de fôlego, os portões de ferro e suas pontes elevadiças permanentemente deitadas e abertas, se insinuando ao público, as torres estrategicamente localizadas, o caminho de pedestres no topo das muralhas, o mar translucido e azul do adriático, as ilhas e montanhas ao redor, as praias quase coladas nas rochas e a profusão dos telhados em terracota nas construções mesclando tons de bege e ocre, criam o cenário perfeito. Tudo em grande harmonia visual. Um verdadeiro deslumbramento! 

Croatia_Dubrovnik_59478013 Read More →

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Ainda estou devendo 2 posts sobre a série da Croácia. Esse penúltimo trata de um day tour desde Hvar. O último, tratará de Dubrovnik, a jóia da coroa dálmata. Pois bem, em um dos três dias que passamos em Hvar, fizemos o tour privativo das três grutas, que é um dos produtos mais vendidos na alta temporada, junto com o outro passeio também imperdível, à ilha de Brac/Bol para conhecer a praia mais famosa da Croácia, Zlatni Rat. Essa jornada de visita às três cavernas marinhas é o que vou contar neste post. Contudo, por mais que eu fale e escreva, nada nesse relato conseguirá superar ou traduzir as fotos. Por isso, colocarei pouco texto e muitas imagens. Fotos da entrada da gruta verde.  Read More →

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Conhecer Munique reforçou ainda mais minhas convicções já bem sedimentadas sobre a Alemanha, tanto como país quanto como destino turístico. Trata-se da melhor relação custo benefício da Europa. Limpa, organizada, alegre, segura, festeira, surpreendente e bela. Munique é, por excelência, a cidade tipicamente alemã onde nos reportamos mental e visualmente a todos os conhecidos estereótipos culturais bávaros e saxônicos. E isso é bem legal. Não custa pontuar sempre que a Alemanha me surpreende e me cativa mais e mais a cada retorno. Permitam-me essa alta dose carregada de subjetivismo. Me identifico e me simpatizo tanto com o lugar, que estou a ponto de começar a levar a sério o estudo do idioma, para poder me sentir mais familiarizado em minhas andanças cada vez mais frequentes por aquele país tão único. Read More →