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Zadar: Uma gratíssima surpresa, com ruínas romanas, histórias de dominação veneziana, catedrais e os inéditos órgão marítimo e painel colorido movido à luz solar.

Zadar: Uma gratíssima surpresa, com ruínas romanas, histórias de dominação veneziana, catedrais e os inéditos órgão marítimo e painel colorido movido à luz solar.

Quando estávamos planejando o roteiro, Zadar, apesar de sempre ter sido cogitada, acabou sendo incluída de forma definitiva apenas na revisão de última hora, quando faltavam 10 dias para a viagem, após decidirmos retirar os trechos da Eslovênia e da região da Ístria, para girar com mais calma pela Dalmácia. Originalmente, passaríamos metade de um dia em Plitvice, e pularíamos Zadar, indo direto para Split. Se essa tivesse sido a opção, acredito que teriamos cometido 2 grandes erros (não pernoitar em plitvice e riscar Zadar). Ainda bem que tomamos essa decisão e mudamos o roteiro! A cidade vale muito à pena e tem algumas atrações únicas, como o seu estranho órgão marítimo (clique no link e seja remetido para um pequeno vídeo desta atração no you tube) e o painel de luz solar. Abaixo, foto da segunda parte do trajeto:

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Descendo de Plitvice na direção sudoeste rumo ao litoral, ainda sob o enorme impacto do que havíamos experimentado no dia anterior, chegamos aos arredores de Zadar “brindados” por um dia feio, nublado e com uma chuvinha fina que insistia em marcar presença. Apesar de não termos o clima ideal, chegamos na simpática hospedaria, villa jelena, (de propriedade um casal que aluga o apartamento no andar de baixo ao que reside) e partimos para explorar a cidade. Foto com o casal estalajadeiro, proprietário de nossa aconchegante hospedaria:

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Zadar é uma cidade de médio para grande porte, dentro dos padrões croatas e, na verdade, suas atrações estão concentradas na parte antiga do centro histórico (stari grad), que fica em uma ilhota ligada ao litoral por 2 pequenas pontes. As fotos abaixo, retiradas da rede mundial de computadores, ilustram bem o que digo. Ao redor da ilha, no continente, também é Zadar, onde, inclusive, me hospedei. Na segunda foto, um círculo azul visível na parte de baixo é o painel luminoso alimentado pela luz solar.

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Zadar não tem o mesmo apelo de Dubrovnik nem de Hvar ou Split e somente agora vai começando aos poucos a entrar no mapa do turismo, sem sofrer ainda com a superlotação de visitantes (Ponto a seu favor). Isso muito embora tenha uma rica história com ruinas romanas e marcas da dominação veneziana, além das duas atrações singulares já mencionadas  (o órgão e o painel). A cidade é habitada desde o século 9 a.c, com registros históricos de povoação por tribos ilírias, passando ao domínio dos romanos e, posteriormente, já bem mais tarde, no século 15, pelo poder veneziano, (assim como o restante da Dalmácia) chegando ao domínio austro-húngaro pouco antes da criação do reino da Iugoslávia ao final da 1a guerra mundial. Gostamos muito de conhecer a cidade, que tem um clima bem legal, com bons restaurantes e cafés, igrejas, museus e um vasto calçadão cor de mármore carrara escancarado para o Adriático, sua grande marca registrada. (fotos abaixo que, com toda certeza, muito devem ganhar em beleza num dia de sol -a escadaria na primeira foto é o local exato do órgão marítimo).

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Vale muito mesmo a visita, que pode ser feita com tranquilidade em metade de um dia, com ou sem pernoite (claro que se a pessoa dormir, curte e vê tudo com mais calma, mas não é imprescindível pernoitar, ao contrário de plitvice, embora uma das principais atrações aconteça de noite, o painel luminoso). O centro da cidade não dispõe de hotéis, salvo pequenas hospedarias familiares. Geralmente, os visitantes se hospedam nos arredores do centro, como foi o nosso caso. Ficamos a pouco menos de 10 minutos de carro da região turística. Não ficamos em hotel tradicional, mas alugamos um pequeno apartamento pelo booking.com mesmo, a Vila Jelena. O hotel mais próximo ao centro, se chama Hotel Niko. Tudo muito fácil.

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Quem estiver de carro, poderá encontrar com bastante facilidade, muitas vagas para estacionamento em toda a faixa da rua que circunda a  ilhota que abriga o centro (stari grad). Pare o carro, pague em um dos múltiplos parquímetros (7 kunas a hora, cerca de 3,50 reais), caminhe por menos de 1 minuto e já estará na parte que interessa. O ideal para visitar Zadar é estar de carro, pela facilidade e pela independência de movimentação. Mas, caso não esteja motorizado, ônibus e táxis com tarifas bem baratas e corridas curtas resolvem bem a situação de qualquer visitante.

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Como já dito, pegamos um dia de chuvinha fina, o que deu um ar diferente à visita. Se por um lado não tínhamos a companhia do sol, por outro tínhamos a cidade muito vazia e quase somente para nós e para poucos outros visitantes. Após estacionarmos ao lado de fora do centro propriamente dito, cruzamos um dos muitos portões que lhe dá acesso, já que toda sua extensão oriental e sul é murada, desde a época de apogeu do império romano.

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A caminhada começou então pelo calçadão e pela visita a um dos pontos altos e principais do centro, as ruínas romanas e a bela catedral de São Donato com sua marcante planta circular, erguida ainda na idade média sob as próprias ruínas do antigo foro romano. São Donato foi um bispo da cidade que, segundo a lenda, mandou erguer a igreja no estilo bizantino antigo. Da riva (calçadão) obtém-se uma bela visão da igreja e dos vestígios das ruínas, com algumas peças ainda bem preservadas, como pedras, colunas e escritos originais.

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Após essa primeira passagem, caminhamos um pouco mais, sempre de guarda-chuvas aberto e então fomos almoçar em um ótimo restaurante, recomendado pelos locais e que serve uma saborosa comida mediterrânea, com destaques evidentes para os frutos do mar, as carnes, pizzas e massas. Chama-se Bruscheta e fica bem próximo ao início da Riva. Recomendo também! Em seguida, fomos caminhar próximo ao canto sul da ilhota, bem no lado oposto ao que fica o órgão e o painel de luz natural, e visitamos o principal e mais imponente portão de entrada de Zadar, o portão da cidade, construído em 1543, em estilo renascentista e devidamente ornamentado com o leão veneziano de são marcos, símbolo do poder então dominante. De um parque/jardim suspenso no canto da ilhota, tira-se uma bela foto do portão e da pequena marina que fica bem ao lado do muro que cerca Stari grad Zadar (não é a marina principal da cidade, que fica fora da área do centro histórico).

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Durante nossas andanças, fomos ocasionalmente surpreendidos por uma outra situação que não se apresenta tão frequentemente aos olhos dos viajantes, qual seja o longo ritual de uma típica cerimônia de casamento croata, com detalhes bem distintos de uma mesma cerimônia de casamento no Brasil. E onde estaria a diferença? Bem, primeiro os noivos reúnem os convidados em um bar ou restaurante com uma agradável e animadíssima música ao vivo tocada por um pequeno grupo, aí incluindo sanfonas, violão, acordeon e algum instrumento de percussão similar a um tambor. Ali todos celebram, tiram fotos, dançam, comem, cantam e bebem por um par de horas. No início, acreditei que tudo se resolvia ali.

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Em seguida, qual minha surpresa quando, visitando a Catedral de Santa Anastácia, nos deparamos com aquele mesmo  grupo, agitando com orgulho bandeiras da croácia e escoltando os noivos prestes a entrar na igreja para o início da cerimônia religiosa. Ou seja, eles bebem e celebram antes, casam e depois saem caminhando alegres pelas ruas da cidade e continuam fazendo a festa em outro lugar. Achei interessante e bem animado. A festa começa antes e segue depois da celebração na igreja, que acaba sendo apenas uma fase intermediária no ritual da celebração. Fotos dos noivos, padrinhos e convidados, prestes á ingressar na catedral, sob as bençãos do frenético e orgulhoso agitar da flâmula croata de três faixas simétricas e horizontais, pan eslavas, das cores alvi, rubra e anil, com um escudo central simbolizando o brazão de armas da república. Patriotismo demonstrado em proporções altíssimas.

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Após o casamento, visitamos o interior da belíssima catedral de Zadar, construída originalmente no século 5 d. c, e que foi muito danificada nos séculos 12 e 13 com o cerco e tomada da cidade pelos venezianos. Com sua bela fachada, a basílica foi reparada e reconstruída no século 13, e hoje, em seu formato definitivo ostentando um átrio dotado de três naves, junto com a catedral de Sibenik, integra o conjunto das duas maiores catedrais de toda a Dalmácia. Belíssimo interior, com um altar em estilo gótico e uma imponente imagem de cristo esculpida em madeira escura. Fotos da fachada e do interior:

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Finalizarei essa crônica com o que me chamou mais à atenção devido ao ineditismo da experiência. E, nesse sentido, como já dito, gastamos tempo (a maior parte dele) com os dois diferenciais de Zadar são o órgão marítimo e o painel luminoso. Andamos de lá pra cá e de cá pra lá, num vai e vem incansável admirando esse par tão excêntrico e criativo. Em relação ao incrível órgão do mar, achei a principal atração da cidade. Trata-se de uma engenhoca projetada por um arquiteto local, chamado Nikola Basic, com um sistema de tubos e apitos sonoros localizados na parte subterrânea de uma pequena escadaria de pedra perfurada junto ao mar, que sopram suspiros tristes e melancólicos, cuja intensidade sonora varia conforme a maré, a força da água e até mesmo pela vibração das ondas causada pela passagem de barcos. A água do mar entra pelos orifícios subterrâneos e empurra o ar dentro dos tubos, gerando um som hipnótico e quase desafinado, cativando uma grande leva de turistas e curiosos, que tentam compreender o inusitado da situação. Fotos abaixo dos degraus no exato ponto acima do órgão marítimo:

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Bem ao lado, fica o painel luminoso, um enorme círculo com cerca de 22 metros de diâmetro, acoplado ao chão e bem visível no período noturno, chamado de saudação ao sol. Foi projetado pelo mesmo arquiteto, e é formado por 300 placas de vidro que armazenam a energia solar e a claridade ao longo do dia, para então oferecer à cidade, à partir do pôr-do-sol, um contínuo espetáculo de luzes e cores noite adentro, entusiasmando o mais cético dos observadores. Quando lá estivemos, fazia um dia feio e chuvoso, e por isso não tivemos a chance de apreciar o ritual com todo o seu esplendor. Mas fica a dica para que não se percam essas duas fantásticas atrações. Abaixo, fotos do painel em um dia de luz e no entardecer do dia de nossa visita:

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Nos despedimos da cidade, assistindo à lenta partida de um ferry da Jadrolinija, que passou por nós bem em frente ao painel luminoso movido à energia solar. Ficamos debaixo de um pára-águas, devidamente protegidos da chuva, sentados no meio-fio e contemplando a cena, imaginando para qual destino estaria se dirigindo o barco.

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No dia seguinte, já tínhamos traçado o nosso, e rumaríamos para o Sul, visitando Skradin, Sibenik e o parque Nacional de Krka waterfalls. É o que seguirei contando no próximo post…

Do Rio pro Mundo

4 pensamentos sobre “Zadar: Uma gratíssima surpresa, com ruínas romanas, histórias de dominação veneziana, catedrais e os inéditos órgão marítimo e painel colorido movido à luz solar.

Antonio CarlosPublicado em  10:17 pm - jun 8, 2014

Otima a qualidade do texto e das fotos.
Vou pra croacia em julho e ja estou anotando tudo.
Obrigado por esses posts tao bons.

Antonio Carlos, Ribeirao Preto

Cristina PasqualettePublicado em  2:30 pm - jun 21, 2017

Bom dia. Suas informações foram muito úteis. Adorei a forma que escreve , sabe despertar o interesse no viajante e tem dicas práticas e bem importantes para quem irá para esta cidade.As fotos também estão ótimas e elucidativas. Irei com meus filhos em final de Agosto, espero ver toda esta linda cidade com sol. Um grande abraço e irei procurar suas dicas dos outros passeios na Croácia.

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