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Toscana. Incomparável e inesquecível. (Parte 4- Cortona e Crete Senesi, por Karine Susan Oliveira Gomes)

Toscana. Incomparável e inesquecível. (Parte 4- Cortona e Crete Senesi, por Karine Susan Oliveira Gomes)

Esse relato foi todo escrito e fotografado pela Karine, que ficou muito empolgada com Cortona e o maravilhoso Crete Senesi, local de fotos espetaculares tiradas por ela, que inclusive são um capítulo à parte neste post. (Ela, que gosta tanto de fotografia, se esbaldou aqui…) Achei por bem que a tarefa de contar e mostrar essa parte da viagem lhe caberia por direito. Confira abaixo o resultado dessa fábula toscana. E se deleitem com as maravilhosas cenas capturadas para a eternidade:

E a viagem prosseguia como tinha de ser. Em nossos planos estavam a intenção de conhecer os principais locais da Toscana, de leste à oeste, e ainda a cidade de Assis, que fica na região da Úmbria. Isso sem contar Bologna, na Emilia-Romagna, por onde começamos. Portanto, para evitar percursos demasiadamente longos e desgastantes com muitas horas nas estradas, optamos, estrategicamente, por dividir o mapa da Toscana em dois.

Nos primeiros quatro dias nos hospedamos no Relais Aia Matonata e dedicamo-nos a conhecer os arredores de Siena (como foi descrito nos últimos posts) esticando uma tarde em Florença. Nos dias seguintes, ficamos baseados mais à leste, nas proximidades de Cortona, de onde partimos para visitar, Montepulciano, Pienza, Montalcino, Assis e, claro, a própria cidade de Cortona, além da deslumbrante rota do Crete Senesi.

Essa estratégia de mudar a base de apoio nos pareceu boa, embora muitos prefiram manter acampamento em um único ponto e fazer giros diários mais extensos. Depende de cada um. Não há regra para isso. Bem, finalizado nosso roteiro pelos arredores de Siena, já era hora de partir rumo ao segundo trecho. No meio do caminho, entre Siena e Cortona, um pouco mais ao sul, situa-se uma das regiões mais impressionantes e incríveis da Itália: O Crete Senesi.

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O “Deserto Toscano”, como é apelidado, tem uma beleza arrebatadora e inebriante. Cada panorama parece ter sido extraído de um quadro de Van Gogh, no qual os solos erodidos dos belos morros arredondados suportam hamoniosamente ciprestes, casas de fazenda e coloridas flores do campo. Tudo isso arrematado  por um céu límpido, de um azul intenso e raro, típico de locais não afetados pela poluição. As nuvens extremamente brancas parecem desenhadas a mão, de tão palpáveis que são suas formas. É o famoso cartão postal toscano, divulgado mundo afora!

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O mais incrível é que a beleza do Crete Senesi ocorre justamente pela fragilidade do terreno argiloso e pelo desgaste que sofreu ao longo de séculos de plantações e criação de rebanhos, tornando-o quase estéril. O forte processo erosivo esculpiu perfeitas ondulações no solo, que, não raro, nos remetem às formas desenhadas pelo movimento das águas do mar, apesar deste estar há muitos e muitos quilômetros de distância. Há inumeras fazendas, com belos casarões em estilo tipicamente toscano, pincelando a paisagem com tons avermelhados de terracota.

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Para protegê-los das fortes chuvas e ventos, muito comuns em paisagens desérticas, foram plantados ciprestes por toda região. A forma alongada e a cor verde escura dessa árvore tipicamente toscana, criam um agradável contraste com a paisagem quase monótona, fazendo uma composição perfeita. Em algumas passagens, pode-se ver grandes campos coloridos de flores nativas amarelas e vermelhas, tais como as macelas e os girassóis. Por mais que me esforce, acredito que jamais consegueria descrever a exuberância desse lugar e a emoção de estar lá. Portanto, espero que as fotos me ajudem nessa árdua tarefa:

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O passeio pela rota do Crete é delicioso. Dependendo do tempo disponível, pode-se passar por abadias antigas, vilas medievais, voar de balão (que sai de Montisi), passear de bicicleta ou mesmo fazer trilhas a pé. Há inúmeras rotas e formas de explorá-lo. O que posso afirmar é que é imperdível e que todo turista que almeja visitar a Toscana não pode deixar de trilhar esses caminhos. Será uma experiência inesquecível.

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Pretendiamos visitá-lo em um único dia, especificamente na ida para Cortona. Todavia, ficamos tão encantados com a beleza dessa região que, apesar do cansaço, voltamos mais uma vez no último dia a fim de visitar o restante do percurso que não havíamos feito. Nosso trajeto, que sugiro aos visitantes e que pode ser trilhado em uma tarde, foi o seguinte:

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Partimos de Siena até Asciano, passando por Chiusure, Petroio, Montisi, Trequanda, dentre outras. Subimos uma colina por uma estreitíssima estrada de terra, com espaço para somente um carro, até uma vila mínima chamada Cosona. Uma aventura, considerando que o local era tão rural que nem o GPS funcionava nesse trecho. Todavia, o panorama de lá captado pelos olhos coroou nossa viagem, marcando para sempre na lembrança e no coração a emoção palpitante de sermos felizardos espectadores dessa obra prima da natureza.

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Nesse roteiro sugestionado, passamos também pela charmossísima Abbadia di Monte Oliveto Maggiore, um convento medieval, construído em uma encosta ricamente arborizada. No grande Claustro tem afrescos sobre a vida de São Bento, fundador da ordem beneditina. Há também uma adega no local que pode ser visitada. Por volta das 18 horas, diariamente, os monges celebram uma missa com canto gregoriano. Uma beleza! Estávamos lá nesse momento e assistimos ao ritual. A vantagem dessa época do ano (junho) é que o sol se esconde após as 21 hs, o que permite a extensa exploração dos arredores. Fotos da Abadia:

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Agora, devidamente exaltado o Crete, dedicarei linhas à Cortona. Ficamos hospedados em outra propriedade espetacular, o hotel villa piazzano, um antigo palácio situado em uma área totalmente rural, a 7 minutos de carro das colinas de cortona. Com uma extensa área verde a seu redor, uma maravilhosa piscina, além de quartos enormes e com um pé direito de 4 metros ao estilo de antigamente, sugiro bastante a hospedagem nesse hotel e apresento fotos do próprio e de seus arredores.

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Cortona entrou no mapa do turismo quando a escritora “francesa” Frances Mayes publicou o livro “Sob o Sol da Toscana”, o qual, posteriormente, foi reproduzido no cinema e, com isso, essa bela cidade medieval, jóia rara da humanidade, foi divulgada internacionalmente. Na estória, a personagem principal, que enfrenta uma crise  de depressão pós divórcio, ganha de sua amiga uma viagem de excursão pela Toscana. Ao visitar Cortona, a personagem se encanta com uma casa/vila chamada Brassole. Agindo por impulso, ela desce do ônibus e compra aquela charmosa propriedade, na qual se desenrola toda a narrativa do livro. Fotos das vistas de Cortona, a primeira com vista do Lago, a segunda da subida para a cidade e a terceira com vista do Lago Trasimeno ao fundo:

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Ao visitar Cortona, é fácil entender tal encantamento. Cortona é boa pra não fazer nada. Para não ter compromisso. Pra ver a vida passar. E basta! Assim como as outras cidades toscanas já descritas nos últimos posts, Cortona é medieval, tem origem etrusca, grande influência romana e está debruçada em uma íngreme colina, cuja vista se descortina para paisagens exuberantes. No caso, o “vale” Valdichiana e o Lago Trasimeno. Todas as ruas deste local sao inclinadas, umas mais outras menos! É preciso fôlego para visitá-la. E chegar até o Santuário de Santa Margherita com visuais infinitos de 360 graus até o citado Lago, já na fronteira com a úmbria.

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Cortona é um lugar inesquecível e recompensador, pois além de sua belíssima arquitetura marcada por prédios históricos, igrejas e construções devidamente preservadas, tem um clima pitoresco, no qual se nota em cada canto a vida acontecendo no mais puro estilo toscano. Como se o tempo andasse mais devagar ou estivesse quase parando. Talvez porque lá estivemos por mais tempo ou porque não havia muitos turistas na cidade, Cortona foi muito generosa conosco e revelou-nos um pouco de sua alma, ou seja, pudemos visualizar como se desenvolve o dia-a-dia dos seus habitantes, a forma como interagem entre si, com a cidade e com a magnifíca e soberana natureza que lhe adorna. Privilégio total. Abaixo, algumas cenas do cotidiano desta vila:

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Após a longa caminhada pelas colinas íngremes de Cortona, sentamos sem pressa nas escadarias da Piazza della Republica para descansar.  Ao entardecer, a praça virava um verdadeiro anfiteatro, no qual cada habitante era personagem de si mesmo. Nós, como platéia, ficávamos contemplando o movimento das escadarias da “Igreja”, das mesas dos restaurantes e, ainda, de um belíssimo balcão, com vista para a Piazza.

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Observávamos o movimento de vai e vem de seus habitantes e, não raras vezes, o cenário mudava completamente. No primeiro ato, passavam crianças brincando, soltas, alegres, com aquele encantamento típico de uma infância bem vivida. Voltavam em grupos da escola e, na praça, encontravam um belo espaço de recreação. Algumas famílias sentavam para tomar um café, enquanto conversavam com muito entusiasmo.

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No segundo ato, aconteceu um casamento “sob o Sol da Toscana” (não resisti). Aquela praça, que possivelmente foi palco de inúmeros conflitos ao longo de sua história, agora era cenário para uma das cenas mais românticas que já vi. Estava repleta de gente bonita e elegante à espera dos noivos. Eles vieram descendo a ladeira numa alegria contagiante. A noiva, com dificuldade, recebia o apoio de seu amado, o qual gentilmente demonstrava os laços de cumplicidade que já os unia.

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No terceiro ato, apareciam senhoras e senhores bem distintos, finamente arrumados. Alguns dirigiam-se às igrejas, quando tocavam os sinos. Outros entregavam-se ao deleite com seus amigos, acompanhados de um bom vinho da “távola”. Um deles percebeu nossa presença e falou algo do tipo ” veja que maravilha o céu de Cortona. Já passam das oito horas e sol ainda está lá”. Era um convite à contemplação dessa exuberante natureza da Toscana, a qual seus olhos recusavam-se a se acostumar.

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Os habitantes da Toscana sabem encontrar a felicidade nas coisas simples da vida. Apreciam, com muito orgulho, a vida no campo, os vinhos artesanais, as oliveiras, suas tradições, o céu toscano. São solícitos e prestativos. Gostam de compartilhar seus sentimentos e valorizam muito a amizade. Na mesa, somente alimentos frescos, orgânicos e da estação compõem suas inigualáveis e saborosas refeições. Eles não tem pressa, demoram-se longamente nas conversas com os vizinhos ou com seus amigos nos cafés da cidade. O tempo arrasta-se nesse pedaço do mundo e eles aproveitam com sabedoria incomparável cada segundo vivido.

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Precisamos destacar ainda um almoco no restaurante trattoria toscana, sem duvida a mais impactante refeição da viagem (e olha que somente comemos em locais espetaculares). Muito recomendado. Pedimos o chamado menu trufado, que estava perfeito.  Bruscheta seguida de spaghetti alla tartuffi e escalopinho de vitela trufado com batatas! Tudo regado à Vino Nobile de Montepulciano.  E com direito ao garçon vir até a sua mesa e ralar trufas negras em seu prato. Após o café, uma caminhada pelo vilarejo visitando as lojinhas, tomando um gelatto e vendo o movimento. Uma rotina dificílima…

Agora entendo perfeitamente porque a frances mayes resolveu viver aqui sob esse sol quente e amarelo da toscana.

Bem, essa sequência italiana será finalizada no próximo post, com novos Vinhos, Val d’Orcia e Pienza (patrimônios da humanidade), queijo de cabra pecorino e São Francisco de Assis, dentre outros tópicos. Até breve…

Do Rio pro Mundo

12 pensamentos sobre “Toscana. Incomparável e inesquecível. (Parte 4- Cortona e Crete Senesi, por Karine Susan Oliveira Gomes)

Ana Emilia LilaPublicado em  5:58 pm - ago 21, 2013

Mais um belo trabalho, com fotografias lindissimas.

JUAN LUIZ SOUZA VAZQUEZPublicado em  2:54 am - set 4, 2013

Felipe,
O seu site está excepcional!!! As fotografias são maravilhosas! Parabéns pelo trabalho e continue dando essas dicas excelentes!

Abs

Ricardo VaronPublicado em  12:53 pm - set 4, 2013

Parabéns Karine, sua escrita e suas fotos me fizeram suspirar pelo prazer de estar vivo. Vc e o Felipe são pessoas excepcionais. Aproveitam a vida em sua plenitude dando verdadeira lição de vida, deixando para trás o turismo de massa, e aproveitando a natureza de todos os lugares visitados.

SONIA FORTESPublicado em  6:48 pm - dez 23, 2013

Felipe, você me mata de saudades da Itália. E pior. De uma Itália linda de morrer que há tempos não vejo, desde que passamos a viajar em outubro e novembro… quando a paisagem escurece e já não se vê esse deslumbramento da natureza. É, infatti, il Bel Paese… e ainda por cima, as fotografias têm a mão e o olho artístico de uma especialista sensível…Abraços e Feliz Natal. Sonia

Juan VazquezPublicado em  11:39 pm - fev 21, 2014

Vi as fotos novamente. São incríveis! Abs

N0emy Pinheir0 LimaPublicado em  7:45 pm - maio 30, 2014

Karine,
0brigada , p0r f0t0s tã0 lindas.
Estarei aguardand0 n0vas f0t0s e fat0s.
0brigada,
N0emy

Luiz FelipePublicado em  5:50 am - jun 30, 2014

Parabéns pela viagem! As fotos ficaram perfeitas.

É difícil achar um site ou blog que explique detalhadamente o roteiro para registrar essas belíssimas imagens. O pessoal posta uma foto e diz “toscana”, sem dizer exatamente em que ponto da viagem elas foram tiradas. Algo que vc fez muito bem. Estou indo para Toscana em setembro de 2015 como minha mulher. Por isso gostaria de saber o tempo necessário para passar pelos locais mostrados nesse post. De Siena a Cortona (O Crete Senesi) é possivel fazer em 1 dia?

Pelo que li, vcs passaram 2 dias. Mas, foram corridos ou deu para fazer sem pressa?
Consigo registrar essas imagens em 1 dia? saindo de manhã de Siena e chegando a Cortona à noite no entardecer? Ou realmente precisa de 2 dias? O meu foco seria nas paisagens naturais não muito nas cidades. O trajeto foi de carro?

Desculpe tantas perguntas. É que como será minha primeira vez na Europa quero que a viagem seja inesquecível e quanto mais informações tiver mais seguro estaremos para ir ^^

Agradeço desde já pela Atenção!

    Do Rio pro MundoPublicado em  8:32 pm - jul 7, 2014

    Prezado Luiz Felipe,

    Primeiramente, desculpe a demora em aprovar e em responder o seu comentário. Em tempos de copa do mundo, acabamos deixando o blog um pouco de lado para acompanhar os jogos. Muito obrigado pelos elogios. Principalmente em relação às fotos. Realmente, preparamos tudo aqui com muito cuidado, para dar ao leitor o máximo de fideldade possível a cada um dos lugares retratados. De Siena a Cortona, dá para fazer em um dia. Saiam de Siena bem cedo, de carro, e passem por toda a deslumbrante rota do crete senesi. Fazendo esse roteiro em um dia, DESDE DE MANHÃ CEDO ATÉ O FINAL DA TARDE, incluindo as paradas obrigatórias para as fotos, não haverá necessidade de mais que um dia inteiro. Penso que, com tranquilidade, poderão chegar a Cortona no final do dia e, de repente ainda poderão sair pra jantar na cidade.

    Um grande abraço, e sinta-se à vontade para novas perguntas.
    Felipe.

GustavoPublicado em  5:00 pm - ago 18, 2014

Fotos e artigos inspiradores! Desejo ir em maio com minha esposa e filha que terá um ano e meio. Pretendo ficar 18 dias na Toscana, reservando 3-4 dias apenas para Florença. O blog está sendo fundamental para decidir quantidade de estadias (3 ou 4), lugares para ir, etc.. A Publifolha tem um guia “estradas da italia” que é muito útil também. Parabéns!

    Do Rio pro MundoPublicado em  8:23 pm - ago 18, 2014

    Prezado Gustavo, muito obrigado por sua visita e seus comentários elogiosos. São mensagens como essa que nos dão o necessário incentivo a seguir buscando a qualidade que julgamos fundamental na confecção desse trabalho. Fique inteiramente à vontade para entrar em contato e pedir novas dicas e/ou sugestões para a elaboração de seu roteiro. Terei imenso prazer em te ajudar. Esclareço, por fim, que ainda falta a publicação de um derradeiro post sobre esta viagem, que estamos devendo há um ano, sobre Cortona, Val dórcia e as cidades de montalcino, Pienza e Montepulciano, além de Assis na úmbria. Em sua homenagem, prometo publicá-lo o mais breve possível.

    Um grande abraço, Felipe.

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