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Bergen, cartão de visitas da Noruega, porta de entrada para os fjordes, com um clima louco e instável.

“Melhor se acostumarem. 90% dos dias em Bergen são como hoje, nublados ou chuvosos, podendo aparecer uma fresta eventual de sol tímido entre as muitas nuvens. Dias ensolarados são raros por aqui. Não tenham muitas expectativas, mesmo que estejamos no verão”

Foi assim que fomos recebidos pelo taxista com sotaque e jeito de imigrante que nos levou do Aeroporto até o Hotel Clarion, onde ficamos hospedados bem no centro da Cidade. Tínhamos acabado de chegar de Estocolmo num vôo direto de 1:20 hs de duração operado pela ótima e eficiente Norwegian.com. Eram 9 da noite e o céu ainda estava claro, apesar de repleto de nuvens e uma discreta garoa.

Chegando no hotel, rápido check in, tentamos sair pra comer em um restaurante qualquer e tivemos a nossa primeira lição. Todos os restaurantes na Noruega fecham impreterivelmente às 10 e 30 da noite, ao menos a parte da cozinha. Nem adianta tentar argumentar ou usar o seu jeitinho brasileiro porquê não rola mesmo!Restava-nos a alternativa das lojas de conveniência Deli Delluca ou Seven Eleven só para um iogurte, um cachorro quente, um pacote de doritos ou um muffin. Pegamos qualquer coisa e voltamos ao hotel pra dormir. O dia seguinte seria inteiro pra conhecer a cidade.

Bergen é uma cidade universitária, que respira música, cultura e gastronomia. Grande para os padrões Noruegueses, mínima se enxergada sob nossos parâmetros. Ela pede uns 3 dias pra ser explorada com “calma”. Mas 2 também dá para o essencial, meio na correria, mas dá. Nós ficamos 3 noites sendo que em um dos dias fizemos o “Norway in a Nutshell”. Foi suficiente. A cidade é mesmo linda e especial. E deve ser ainda mais bonita se estiver um solzão.

Mas com isso ninguém pode contar. Nós também não tivemos sol. Um mormação sem chuva. São muitas montanhas ao redor, o que causa sempre elevado nível de precipitações. O clima por lá é temperamental mesmo. Quase o tempo todo. Quem encontra sol em Bergen deve agradecer pelo tremendo golpe de sorte. Os Noruegueses repetem uma espécie de mantra: “Não há tempo ruim por aqui, o que existe são apenas roupas inapropriadas.”

Embora não seja apenas isso, a cara de Bergen é Bryggen, o charmoso distrito hanseático patrimônio da humanidade Unesco, situado na orla esquerda do porto, cheio de casinhas geminadas de madeira colorida que abrigam lojinhas de souvenir, museus, bares e restaurantes. Tem uma das fotografias mais conhecidas da Noruega, assim como as imagens dos fjordes e da aurora boreal. É o ponto mais famoso e visitado da cidade e por onde desembarcam os milhares de turistas que descem diariamente dos transatlânticos que lá aportam, visitantes que entopem os arredores e que ficam perambulando freneticamente pelos pontos turísticos até o final da tarde, quando de repente somem e se vão do nada com a mesma rapidez com que chegaram.

Quando as massas humanas se evaporam, Bergen fica mais com a sua cara verdadeira e se torna ainda mais charmosa e gostosa. Fica um burburinho agradável nos bares, restaurantes e nas ruas iluminadas, que passam a ser frequentados apenas pelos moradores da cidade e pelos turistas pernoitantes, que fazem tudo com um ritmo mais calmo do que a galera dos cruzeiros. Esse burburinho contrasta com o silêncio sepulcral de todos os fjordes ao redor dessa bela região.

Bryggen, o grande point local, tem na bagagem 900 anos de uma rica história marcada pelo domínio de mercadores alemães e por uma grande tradição de comércio marítimo de produtos, mantida desde a idade média, quando a cidade serviu como capital da região. Essa legião de Mercadores profissionais formava a denominada Liga Hanseática, sendo a maioria deles de origem germânica, que controlaram a região entre 1370 e 1754 e mantiveram o monopólio comercial nos Mares do Norte e Báltico.

Uma outra curiosidade do lugar é que ali no porto ocorreu uma das maiores explosões da segunda guerra mundial, quando um navio de guerra carregado com 120 toneladas de dinamite literalmente voou pelos ares de forma supostamente acidental, bem defronte à fortaleza Bergenhus. A explosão foi tão intensa e destruidora que pode ser medida pela simbólica “cabana da âncora”, situada nas montanhas ao redor a um ponto cerca de 2 milhas do porto. Ali foi o local exato onde a âncora pousou após ter voado em decorrência da detonação dos explosivos e então resolveram marcar o lugar, dando um abrigo ao gigantesco artefato náutico.

Em Bryggen vale uma rápida visita ao museu hanseático que fica em uma casa onde se reproduz a decoração da época, pra conferir toda essa história. Outro destaque da programação nos arredores durante o verão é o desfile da banda da marinha norueguesa, que sai todos os dias por volta das 11 e 30 da manhã da fortaleza, com todos seus integrantes elegantemente trajados e de posse de seus instrumentos, tocando números musicais e percorrendo um rápido trajeto até o monumento aos marinheiros erguido na praça central da cidade. Lá, duas a três vezes por semana, eles se apresentam por cerca de 40 minutos executando bonitas peças do repertório clássico e popular, entretendo os moradores e os turistas que se aglomeram ao redor.

Após começarmos a conhecer a cidade por Bryggen, fomos conferir o famoso fish market, que fica também no porto, na rua menor que liga as duas orlas perpendiculares. Sempre muito recomendado em guias e blogs de viagens. Então fomos dar uma conferida pra ver se valia mesmo à pena. Achei o lugar meio caricato, embora seja um ponto de exaltação da tradição pesqueira da Noruega. Uma babel urbana. Dezenas de barraqueiros e vendedores das tendas que se aglomeram ao redor ficam gritando em todos os idiomas tentando cada um ‘vender seu peixe’ e atrair parte das centenas de turistas que ficam andando de lá pra cá.

Falam italiano, inglês, espanhol, português, alemão e todo idioma que for preciso para fisgar um cliente desavisado. Não preciso nem dizer que os moradores da cidade não dão as caras lá sob nenhuma hipótese. Coisa bem de turista mesmo. Vale uma passada e um giro pra conhecer. Mas sem grandes expectativas perto da fama que tem. São tendas dispostas como em uma feira livre, coladas umas nas outras, vendendo toda espécie de frutos do mar, caranguejos gigantes, caviar, salsichas defumadas, paellas, queijos, copos cheios de frutas vermelhas e até mesmo a exótica carne de baleia. Todas as barracas tem um espaço anexo dotado de mesas e cadeiras de plástico onde os clientes compram suas ‘refeições’, sentam e esperam o pedido para comer.

Saciada a curiosidade de conhecer o renomado mercado de peixes, fomos fazer o melhor passeio de todos! Trata-se do Monte Floyen e o Floibanen, justificadamente uma das atrações mais populares e concorridas de Bergen. Paga-se 180 coroas e obtém-se um bilhete de ida e volta (pode comprar só o de ida e descer andando) para aceder ao funicular panorâmico que sobe em menos de 6 minutos os cerca de 350 metros até o mirante no topo dessa bela montanha, com as vistas mais deslumbrantes do porto, de toda a cidade, dos arredores e até dos fiordes, se o dia estiver claro.

No dia que subimos, apesar de não estar sol (como disse, sol é muito raro em Bergen) o céu estava aberto e sem neblina, então pudemos desfrutar do passeio, tirar boas fotos e curtir as belas vistas lá de cima do mirante. O local é geralmente bem cheio e concorrido e ainda conta com parquinho infantil que tem uma estátua divertida de um troll gigante (boa para uma foto), além de uma área de pique-nique, restaurante, barraquinhas de cachorro quente e uma lojinha de souvenires. Tem um poste bem legal que traça as direções para vários pontos e cidades conhecidas no mundo. Obviamente, o Rio de Janeiro estava marcado. A partir do mirante, partem algumas trilhas ao redor que são percorridas pelos visitantes mais empolgados e dispostos. É possível comprar apenas o tíquete de subida e descer caminhando por uma trilha bem fácil e bem pavimentada até a cidade, algo que creio deva levar cerca de uns 30 minutos. Ficamos umas 2.5 horas lá em cima curtindo os visuais, relaxando e tomando uma cerveja pilsen norueguesa no restaurante/cafeteria que funciona no alto. Depois descemos. Valeu bem à pena e é um passeio imperdível que não pode deixar de ser feito por quem esteja na cidade.

Em seguida, perambulamos um pouco mais e, já de noite, tentamos ir dormir cedo para fazer o Norway in a Nutshell no dia seguinte, passeio devidamente relatado em outro post. É meio difícil pegar no sono rápido na Escandinávia nessa época do ano, pois o corpo estranha a claridade de tudo ao redor, a noite demora e demora a cair e, na verdade, o céu nunca fica totalmente escuro. A esses fenômenos, dão-se os nomes de noites brancas e sol da meia noite. Não confundir com a aurora boreal ou luzes verdes do norte, fenômeno de extrema beleza e raridade que ocorre apenas durante o inverno frio e gelado. A foto abaixo foi tirada á meia-noite e quarenta e três. Céu nada escuro.

No dia seguinte ao passeio do Nutshell, ficamos em Bergen até o final da tarde e ainda deu tempo pra curtir bastante a cidade. Após o check out, malas largadas no hotel, demos mais uma perambulada boa por Bryggen, compramos os necessários souvenires e voltamos na fish market pro almoço. Depois, passeamos mais pelo outro lado da cidade e fomos visitar o Kode Museu.

O Kode é um centro de cultura que abriga 4 edifícios distintos de museus, todos próximos e fáceis de se caminhar entre si, situados nas proximidades do Lille Lungegårdsvannet, que é um pequeno lago em uma parte mais central da cidade. A visita é bem legal e vale à pena sendo que o tíquete permite ao visitante percorer as 4 unidades em até 2 dias. No momento de nossa visita, junho de 2017, o edifício 2, embora aberto ao público, estava com o acervo temporariamente indisponível para visitação, pois em obras de modernização do local. Os 3 outros edifícios desse Centro Cultural estão disponíveis.

Não fomos ao Kode 1 que concentra acervo de objetos de decoração antiga e de design. Focamos nos edifícios 3 e 4. O museu não é muito cheio e é possível explorar com calma o belo acervo disponível. No Kode 3, embora haja quadros de outros pintores noruegueses como Troldhaugen, o destaque absoluto fica para as várias obras contendo um resumo da carreira do grande pintor norueguês Edvard Munch, um dos maiores expoentes artísticos da história do país. Apesar de não estar exposto nenhum dos famosos quadros da série ‘O Grito’, o acervo é bem interessante e cobre as várias fases de sua carreira com destaque para o ciclo expressionista.

Muito bom! Passamos também pelo kode 4, com destaque para o segundo andar do edifício, contendo acervo considerável de obras de Pablo Picasso e Paul Klee, que pertenciam à coleção particular de um marchand magnata da cidade que doou as obras em testamento para toda a coletividade.

Depois de curtir as exposições, fomos relaxar ao redor do belo lago que tem uma pracinha no canto esquerdo, uma grande pista de caminhada, muita vegetação ao redor e ainda belas vistas para as montanhas que circundam a cidade. O local é de fato muito agradável para um passeio tranquilo fora do eixo mais turístico da cidade. Bom para andar de bicicleta também. Fica próximo da estação central de trem. Ali matamos o restinho do tempo que tínhamos sobrando e voltamos pra recepção do Hotel Clarion, buscar as bagagens e seguir pro Aeroporto. Voaríamos para Stavanger, próximo destino nos dois dias subsequentes, base de exploração para duas jornadas por trilhas e escaladas de tirar o fôlego…

Tentarei contar os detalhes desses dois passeios em outros artigos. Este aqui já está encerrado!

Ps: Faltou tempo e um melhor planejamento para fazer uma única coisa que não conseguimos, visitar a casa de Grieg, o maior compositor clássico norueguês. Fica a 20 minutos do centro e dizem q trata-se de um belo passeio que vale muito à pena. Nós não fomos,mas fica a dica pra quem se interessar.

O Norway in a Nutshell

A Noruega, segunda escala de nosso giro de 15 dias pela Escandinávia no início do verão de 2017, é uma terra conhecida por guerreiros vikings, trolls, paisagens naturais de cair o queixo, fiordes, pelos preços caríssimos (verdade absoluta), pelo filme “Frozen, uma aventura congelante”, o bacalhau, a pintura “o grito” de Edvard Munch, pelo prêmio Nobel da Paz, o sol da meia noite e pela aurora boreal. O mais rico país nórdico, após a descoberta de reservas de petróleo abundante na região em meados da década de 60, tem uma população próxima a 5 milhões de habitantes, que desfruta de uma das maiores rendas per capita do mundo, resultado de uma bem planejada distribuição da riqueza da nação. Se não bastasse tudo isso, ela sempre divide com os demais países escandinavos irmãos o posto de lugar mais feliz do planeta terra. Realmente não é pouca coisa!

Se a Noruega pudesse ser resumida sucintamente em uma única experiência, isso poderia ser o Norway in a Nutshell, que aliás foi criado com esse objetivo mesmo. Inclui belos visuais, trens cênicos, cruzeiros pelos fjordes e um pouco de tudo mesmo que esse país tem a oferecer. O tour é muito bem organizado e dividido estrategicamente entre passeios de trem, ônibus e barco, que acontecem em sequência e que são comprados antecipadamente, podendo ser cumprido em um único dia ou mais de um, dependendo apenas da vontade e da disponibilidade de tempo de cada pessoa. Não tem guia e é feito de forma independente pelos viajantes. Monta-se e compra-se o trajeto escolhido pela internet de forma muito prática, rápida e eficiente sendo que a pessoa pode ir customizando o giro da melhor forma que lhe aprouver, tudo no site próprio www.fjordtours.com.

Após finalizada a compra, a pessoa recebe um voucher eletrônico com um número de confirmação. Com esse número, na véspera do passeio ou até mesmo no dia, um pouco antes da partida, você deverá passar no quiosque da operadora, convenientemente localizado nas estações de trem de Bergen ou de Oslo e retirar todos os tíquetes impressos dos deslocamentos do trajeto escolhido. Abaixo explicarei melhor os detalhes de cada etapa. Assim, as possibilidades são múltiplas, sempre tomando-se como parâmetro o trajeto tradicional. Podem ser escolhidas várias opções. De Oslo para Bergen, de Bergen para Oslo ou mesmo partindo e saindo de Bergen ou partindo e saindo de Oslo. E mais. Pode ser feito o passeio de uma tacada só, ou seja, sem pernoite, ou então fazendo-se uma quebrada no meio do caminho, pernoitando-se em uma das cidadezinhas ao redor do trajeto, sendo nesse caso o pitoresco vilarejo de Flam o mais indicado. Foto da aproximação da chegada em Flam:

No nosso caso, fizemos o Norway in a Nutshell baseados em Bergen, local onde primeiro pisamos na Noruega vindos de Estocolmo. Assim, a nossa versão do passeio partiu e chegou pela segunda maior cidade do país. Optamos por esse formato porque não desejávamos ficar carregando as malas no caminho, embora muitas pessoas acabem fazendo dessa maneira e usando o roteiro também como um meio de se deslocar de Bergen para Oslo ou vice-versa.

Eu gostei da maneira que escolhemos fazer, partindo e voltando para Bergen no mesmo dia. Mas cheguei à conclusão que mesmo aqueles que optarem por levar suas bagagens em deslocamento entre as duas cidades norueguesas, tampouco passarão por grandes dificuldades já que todos os veículos que compõem a malha do trajeto possuem excelente infra-estrutura de armazenamento dos volumes dos passageiros, sempre minimizando o impacto de se estar carregando bagagens.

Partimos de Bergen cedo pela manhã e o primeiro trecho foi uma viagem de trem até Voss. Cerca de 1 hora de duração nesse trecho. Bonita a paisagem mas já sabia que era a parte “menos bonita” e então aproveitamos para tirar um cochilo. Após a chegada na estação de Voss, todos descem e já há sinalização expressa para os confortáveis ônibus de turismo que ficam esperando no estacionamento. É quase automática essa migração.

Esse ônibus leva as pessoas por uma linda e sinuosa estrada até o local onde partem os maravilhosos cruzeiros pelo SogneFjord, e que saem da cidadezinha de Gudvangen. Mais uma hora gasta nessa parte. Quem vai no sentido Voss-Gudvangen, desce pela estradinha num trecho sinuoso onde só passa um veículo por vez e que exige muita perícia do motorista. Se a opção for Oslo para Bergen, o trecho será em subida, Gudvangen-Voss. Aqui, sugiro que na hora de se customizar a montagem do roteiro, opte-se pelo cruzeiro no barco mais sofisticado. A diferença de preço é pequena e o barco é muito melhor, mais novo, mais confortavel, menos cheio e mais rápido.

A navegação passa pelo Sognefjorden, um fiorde altíssimo e muito extenso, Patrimônio Mundial da Humanidade Unesco, cheio de pequenas cachoeiras, vilarejos e muitas paisagens naturais deslumbrantes. O barco tem banheiros limpos, assentos confortáveis, uma razoável cafeteria, wi-fi grátis, 2 andares e um amplo deck externo que permite que os passageiros fiquem na parte de fora da embarcação curtindo os visuais e fotografando com entusiasmo.

Fiorde é uma grande entrada de mar entre altas Montanhas. Situam-se principalmente nas costas da Noruega, Chile e Nova Zelândia, onde são um dos elementos geomorfológicos mais emblemáticos da paisagem local, e têm origem na erosão das montanhas devido ao gelo. Formaram-se há cerca de 12 mil anos, devido à ação de imensas massas de gelo, chamadas glaciares (ou geleiras), que se movimentaram rumo ao mar como se fossem grandes rios congelados.

Após o fim do cruzeiro, chega-se à cidadezinha de Flam. Flam é minúscula e bela. Lotada durante o dia e quase deserta a partir do final da tarde, enfrenta diariamente essa bipolaridade digna de qualquer local de passagem de muitas pessoas. Uma delícia de vilarejo que deve ser minimamente curtido e aproveitado com calma e tempo. (Aqui, se fosse fazer o tour de novo, modificaria o que fiz e pernoitaria em Flam).

Apesar de não termos dormido, nós acabamos ficando bastante tempo curtindo Flam pois não partimos direto para o trem cênico após a chegada do cruzeito. (E aqui segue outra dica imperdível). Pois bem, mesmo que não se opte por um pernoite em Flam, é absolutamente mandatório fazer um fjord safari que parte de lá. Uma pequena empresa cujos barquinhos partem exatamente ao lado de onde chega e atraca o cruzeiro no pequeno porto de Flam.

É um passeio simplesmente maravilhoso com duração de 2.5 horas em speed boat de poucos lugares que percorre o fiord, pago à parte, mas que pode ser comprado e reservado no mesmo momento em que a pessoa compra o tour inteiro. Esse passeio, repito, vale qualquer esforço e é totalmente essencial. O preço pago já inclui as roupas impermeáveis, luvas e óculos especiais corta-vento!

Outra vantagem de ter feito o fjord safári foi o intervalo de tempo mais elástico que ganhamos em Flam. Para quem faz tudo numa tacada só, correndo, e aqui considero um erro fazer dessa forma, quase sempre sobra pouco, muito pouco tempo para curtir Flam de forma minimamente adequada. E isso geralmente acaba gerando arrependimento.

Findo o safári, ainda tivemos um tempo legal e razoável até a partida do trem cênico. Sentamos para comer e curtimos uma voltinha ao redor, passeando sem compromisso por pequenos museus, lojinhas, cafeterias e quiosques de informações turísticas, sempre com uma linda paisagem no entorno, esperando nosso próximo horário de embarque. No finalzinho da tarde, já era hora de seguir viagem. De lá da pequeníssima estaçãozinha ferroviária, a cada hora e quarto na alta estação, parte o famoso trenzinho cênico para o vilarejo de Myrdal, sendo esta uma das partes mais belas e fotogênicas do trajeto. Pegamos o último do dia, com o céu ainda muito claro e iluminado nesse início de verão nórdico.

Realmente, foi um dos mais belos e cênicos trechos do Norway in a Nutshell, passando por uma curta, porém das mais bonitas ferrovias de toda a Europa assim reconhecida. Dura cerca de 50 minutos esse ramal. Pode ser feito de Flam para Myrdal, para os que vem de Bergen, ou Myrdal x Flam para os que vem de Oslo. Não há diferença entre um ou outro, acredito. Fizemos a primeira alternativa. Tudo é mesmo lindo e de tirar o fôlego. O interior dos vagões é decorado num estilo antigo e o trem vai subindo e passando por cachoeiras, pontes antigas, fjordes, montanhas, rios e muita vegetação. Realmente deslumbrante com visuais maravilhosos. Quem vem de Myrdal também deve ter uma belíssima recompensa cênica chegando e avistando a bela Flam e o Fjord. A ferrovia sobe quase 1000 metros de altitude entre Flam e Myrdal e desce a mesma distância no sentido contrário.

Chegando-se em Myrdal há duas opções. Aqueles que seguem pra Oslo pegam o trem rumo à capital norueguesa num trajeto de outras 5 horas, patrte que não fizemos, mas que dizem ser muito bonita, passando por belas paisagens montanhosas. A nossa opção foi voltar pra Bergen, então pegamos o trem em Myrdal de volta pra Bergen num trajeto bem mais curto do que se fossemos para Oslo, e que dura apenas 2 horas. Chegamos em Bergen às 22 e 30 com o dia ainda bem claro. Abaixo, foto da estação de Myrdal com as montanhas de neve ao redor com dia ainda bem claro as 20 e 30 hs:

Aqui, um importante esclarecimento se faz necessário. Acho que essa alternativa de partir e chegar pela mesma cidade, só faz sentido se a pessoa optar pela base Bergen. Quem partir de Oslo deve fazer seguindo mesmo para Bergen, de preferência pernoitando em Flam para curtir tudo com mais calma. E a razão disso é que o trem entre Oslo e Myrdal leva cerca de 5.5 horas. Então, não faz muito sentido ficar 11 hs num trem partindo e voltando para Oslo.

Já finalizando esse pequeno relato, achamos tudo muito bonito e bem organizado. Se vale à pena? Muitíssimo. Faria de novo? sim. Mas como disse antes faria algo diferente se fosse repetir o passeio. Dormiria uma noite em Flam para curtir com calma esse vilarejozinho debruçado no fjord sem as massas de turistas que passam por lá durante o dia. E, obviamente, como já fiz o bate volta desde Bergen, seguiria de trem para Oslo por este belo (assim dizem) trecho desta famosa ferrovia que não chegamos a conhecer.

Importante ressaltar por fim que ninguém deve se inibir ou desanimar se tiver que carregar malas pelo trajeto, caso opte por fazer o norway in a nutshell da forma estendida e tradicional, ou seja, indo de Bergen para Oslo ou de Oslo para Bergen, eis que como já dito, todos os meios de transporte envolvidos no roteiro tem excelente infra estrutura para minimizar esse impacto.

O que acho interessante a se considerar nesse caso, repito pela terceira vez, é o pernoite em Flam, caso contrário a jornada em um só dia, embora tecnicamente viável, se tornará muito cansativa e exaustiva. Em resumo, para quem faz o passeio desde Bergen, acho que dormir em Flam é uma alternativa bacana, embora não essencial. Já para quem está vindo de Oslo, acho quase imprescindível o pernoite no meio do caminho.

Fim do texto. Espero ter ajudado. Tentarei falar em outros posts sobre Bergen, Stavanger, as trilhas e escaladas kjerag e pulpit rock e sobre as maravilhosas Estocolmo e Copenhagen. Até breve!!!