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O Norway in a Nutshell

A Noruega, segunda escala de nosso giro de 15 dias pela Escandinávia no início do verão de 2017, é uma terra conhecida por guerreiros vikings, trolls, paisagens naturais de cair o queixo, fiordes, pelos preços caríssimos (verdade absoluta), pelo filme “Frozen, uma aventura congelante”, o bacalhau, a pintura “o grito” de Edvard Munch, pelo prêmio Nobel da Paz, o sol da meia noite e pela aurora boreal. O mais rico país nórdico, após a descoberta de reservas de petróleo abundante na região em meados da década de 60, tem uma população próxima a 5 milhões de habitantes, que desfruta de uma das maiores rendas per capita do mundo, resultado de uma bem planejada distribuição da riqueza da nação. Se não bastasse tudo isso, ela sempre divide com os demais países escandinavos irmãos o posto de lugar mais feliz do planeta terra. Realmente não é pouca coisa!

Se a Noruega pudesse ser resumida sucintamente em uma única experiência, isso poderia ser o Norway in a Nutshell, que aliás foi criado com esse objetivo mesmo. Inclui belos visuais, trens cênicos, cruzeiros pelos fjordes e um pouco de tudo mesmo que esse país tem a oferecer. O tour é muito bem organizado e dividido estrategicamente entre passeios de trem, ônibus e barco, que acontecem em sequência e que são comprados antecipadamente, podendo ser cumprido em um único dia ou mais de um, dependendo apenas da vontade e da disponibilidade de tempo de cada pessoa. Não tem guia e é feito de forma independente pelos viajantes. Monta-se e compra-se o trajeto escolhido pela internet de forma muito prática, rápida e eficiente sendo que a pessoa pode ir customizando o giro da melhor forma que lhe aprouver, tudo no site próprio www.fjordtours.com.

Após finalizada a compra, a pessoa recebe um voucher eletrônico com um número de confirmação. Com esse número, na véspera do passeio ou até mesmo no dia, um pouco antes da partida, você deverá passar no quiosque da operadora, convenientemente localizado nas estações de trem de Bergen ou de Oslo e retirar todos os tíquetes impressos dos deslocamentos do trajeto escolhido. Abaixo explicarei melhor os detalhes de cada etapa. Assim, as possibilidades são múltiplas, sempre tomando-se como parâmetro o trajeto tradicional. Podem ser escolhidas várias opções. De Oslo para Bergen, de Bergen para Oslo ou mesmo partindo e saindo de Bergen ou partindo e saindo de Oslo. E mais. Pode ser feito o passeio de uma tacada só, ou seja, sem pernoite, ou então fazendo-se uma quebrada no meio do caminho, pernoitando-se em uma das cidadezinhas ao redor do trajeto, sendo nesse caso o pitoresco vilarejo de Flam o mais indicado. Foto da aproximação da chegada em Flam:

No nosso caso, fizemos o Norway in a Nutshell baseados em Bergen, local onde primeiro pisamos na Noruega vindos de Estocolmo. Assim, a nossa versão do passeio partiu e chegou pela segunda maior cidade do país. Optamos por esse formato porque não desejávamos ficar carregando as malas no caminho, embora muitas pessoas acabem fazendo dessa maneira e usando o roteiro também como um meio de se deslocar de Bergen para Oslo ou vice-versa.

Eu gostei da maneira que escolhemos fazer, partindo e voltando para Bergen no mesmo dia. Mas cheguei à conclusão que mesmo aqueles que optarem por levar suas bagagens em deslocamento entre as duas cidades norueguesas, tampouco passarão por grandes dificuldades já que todos os veículos que compõem a malha do trajeto possuem excelente infra-estrutura de armazenamento dos volumes dos passageiros, sempre minimizando o impacto de se estar carregando bagagens.

Partimos de Bergen cedo pela manhã e o primeiro trecho foi uma viagem de trem até Voss. Cerca de 1 hora de duração nesse trecho. Bonita a paisagem mas já sabia que era a parte “menos bonita” e então aproveitamos para tirar um cochilo. Após a chegada na estação de Voss, todos descem e já há sinalização expressa para os confortáveis ônibus de turismo que ficam esperando no estacionamento. É quase automática essa migração.

Esse ônibus leva as pessoas por uma linda e sinuosa estrada até o local onde partem os maravilhosos cruzeiros pelo SogneFjord, e que saem da cidadezinha de Gudvangen. Mais uma hora gasta nessa parte. Quem vai no sentido Voss-Gudvangen, desce pela estradinha num trecho sinuoso onde só passa um veículo por vez e que exige muita perícia do motorista. Se a opção for Oslo para Bergen, o trecho será em subida, Gudvangen-Voss. Aqui, sugiro que na hora de se customizar a montagem do roteiro, opte-se pelo cruzeiro no barco mais sofisticado. A diferença de preço é pequena e o barco é muito melhor, mais novo, mais confortavel, menos cheio e mais rápido.

A navegação passa pelo Sognefjorden, um fiorde altíssimo e muito extenso, Patrimônio Mundial da Humanidade Unesco, cheio de pequenas cachoeiras, vilarejos e muitas paisagens naturais deslumbrantes. O barco tem banheiros limpos, assentos confortáveis, uma razoável cafeteria, wi-fi grátis, 2 andares e um amplo deck externo que permite que os passageiros fiquem na parte de fora da embarcação curtindo os visuais e fotografando com entusiasmo.

Fiorde é uma grande entrada de mar entre altas Montanhas. Situam-se principalmente nas costas da Noruega, Chile e Nova Zelândia, onde são um dos elementos geomorfológicos mais emblemáticos da paisagem local, e têm origem na erosão das montanhas devido ao gelo. Formaram-se há cerca de 12 mil anos, devido à ação de imensas massas de gelo, chamadas glaciares (ou geleiras), que se movimentaram rumo ao mar como se fossem grandes rios congelados.

Após o fim do cruzeiro, chega-se à cidadezinha de Flam. Flam é minúscula e bela. Lotada durante o dia e quase deserta a partir do final da tarde, enfrenta diariamente essa bipolaridade digna de qualquer local de passagem de muitas pessoas. Uma delícia de vilarejo que deve ser minimamente curtido e aproveitado com calma e tempo. (Aqui, se fosse fazer o tour de novo, modificaria o que fiz e pernoitaria em Flam).

Apesar de não termos dormido, nós acabamos ficando bastante tempo curtindo Flam pois não partimos direto para o trem cênico após a chegada do cruzeito. (E aqui segue outra dica imperdível). Pois bem, mesmo que não se opte por um pernoite em Flam, é absolutamente mandatório fazer um fjord safari que parte de lá. Uma pequena empresa cujos barquinhos partem exatamente ao lado de onde chega e atraca o cruzeiro no pequeno porto de Flam.

É um passeio simplesmente maravilhoso com duração de 2.5 horas em speed boat de poucos lugares que percorre o fiord, pago à parte, mas que pode ser comprado e reservado no mesmo momento em que a pessoa compra o tour inteiro. Esse passeio, repito, vale qualquer esforço e é totalmente essencial. O preço pago já inclui as roupas impermeáveis, luvas e óculos especiais corta-vento!

Outra vantagem de ter feito o fjord safári foi o intervalo de tempo mais elástico que ganhamos em Flam. Para quem faz tudo numa tacada só, correndo, e aqui considero um erro fazer dessa forma, quase sempre sobra pouco, muito pouco tempo para curtir Flam de forma minimamente adequada. E isso geralmente acaba gerando arrependimento.

Findo o safári, ainda tivemos um tempo legal e razoável até a partida do trem cênico. Sentamos para comer e curtimos uma voltinha ao redor, passeando sem compromisso por pequenos museus, lojinhas, cafeterias e quiosques de informações turísticas, sempre com uma linda paisagem no entorno, esperando nosso próximo horário de embarque. No finalzinho da tarde, já era hora de seguir viagem. De lá da pequeníssima estaçãozinha ferroviária, a cada hora e quarto na alta estação, parte o famoso trenzinho cênico para o vilarejo de Myrdal, sendo esta uma das partes mais belas e fotogênicas do trajeto. Pegamos o último do dia, com o céu ainda muito claro e iluminado nesse início de verão nórdico.

Realmente, foi um dos mais belos e cênicos trechos do Norway in a Nutshell, passando por uma curta, porém das mais bonitas ferrovias de toda a Europa assim reconhecida. Dura cerca de 50 minutos esse ramal. Pode ser feito de Flam para Myrdal, para os que vem de Bergen, ou Myrdal x Flam para os que vem de Oslo. Não há diferença entre um ou outro, acredito. Fizemos a primeira alternativa. Tudo é mesmo lindo e de tirar o fôlego. O interior dos vagões é decorado num estilo antigo e o trem vai subindo e passando por cachoeiras, pontes antigas, fjordes, montanhas, rios e muita vegetação. Realmente deslumbrante com visuais maravilhosos. Quem vem de Myrdal também deve ter uma belíssima recompensa cênica chegando e avistando a bela Flam e o Fjord. A ferrovia sobe quase 1000 metros de altitude entre Flam e Myrdal e desce a mesma distância no sentido contrário.

Chegando-se em Myrdal há duas opções. Aqueles que seguem pra Oslo pegam o trem rumo à capital norueguesa num trajeto de outras 5 horas, patrte que não fizemos, mas que dizem ser muito bonita, passando por belas paisagens montanhosas. A nossa opção foi voltar pra Bergen, então pegamos o trem em Myrdal de volta pra Bergen num trajeto bem mais curto do que se fossemos para Oslo, e que dura apenas 2 horas. Chegamos em Bergen às 22 e 30 com o dia ainda bem claro. Abaixo, foto da estação de Myrdal com as montanhas de neve ao redor com dia ainda bem claro as 20 e 30 hs:

Aqui, um importante esclarecimento se faz necessário. Acho que essa alternativa de partir e chegar pela mesma cidade, só faz sentido se a pessoa optar pela base Bergen. Quem partir de Oslo deve fazer seguindo mesmo para Bergen, de preferência pernoitando em Flam para curtir tudo com mais calma. E a razão disso é que o trem entre Oslo e Myrdal leva cerca de 5.5 horas. Então, não faz muito sentido ficar 11 hs num trem partindo e voltando para Oslo.

Já finalizando esse pequeno relato, achamos tudo muito bonito e bem organizado. Se vale à pena? Muitíssimo. Faria de novo? sim. Mas como disse antes faria algo diferente se fosse repetir o passeio. Dormiria uma noite em Flam para curtir com calma esse vilarejozinho debruçado no fjord sem as massas de turistas que passam por lá durante o dia. E, obviamente, como já fiz o bate volta desde Bergen, seguiria de trem para Oslo por este belo (assim dizem) trecho desta famosa ferrovia que não chegamos a conhecer.

Importante ressaltar por fim que ninguém deve se inibir ou desanimar se tiver que carregar malas pelo trajeto, caso opte por fazer o norway in a nutshell da forma estendida e tradicional, ou seja, indo de Bergen para Oslo ou de Oslo para Bergen, eis que como já dito, todos os meios de transporte envolvidos no roteiro tem excelente infra estrutura para minimizar esse impacto.

O que acho interessante a se considerar nesse caso, repito pela terceira vez, é o pernoite em Flam, caso contrário a jornada em um só dia, embora tecnicamente viável, se tornará muito cansativa e exaustiva. Em resumo, para quem faz o passeio desde Bergen, acho que dormir em Flam é uma alternativa bacana, embora não essencial. Já para quem está vindo de Oslo, acho quase imprescindível o pernoite no meio do caminho.

Fim do texto. Espero ter ajudado. Tentarei falar em outros posts sobre Bergen, Stavanger, as trilhas e escaladas kjerag e pulpit rock e sobre as maravilhosas Estocolmo e Copenhagen. Até breve!!!