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Sarajevo. A multicultural Jerusalém dos Balcãs. Uma cidade indispensável para entender uma parcela da história do Mundo. (Parte 2)

Sarajevo. A multicultural Jerusalém dos Balcãs. Uma cidade indispensável para entender uma parcela da história do Mundo. (Parte 2)

Como finalizado no relato do post anterior, chegamos ao hotel em Sarajevo, no bairro de Baščaršija, deixamos nossos pertences e descemos ao lobby para encontrar Armina, a simpática guia turística local que iria nos mostrar a cidade: – É muito importante para nós recebê-los aqui. Sarajevo é uma cidade muita rica culturalmente e nosso povo tem muita história para compartilhar com o mundo. No entanto, infelizmente, a maior parte dos turistas, por diferentes razões, optam por visitar os países vizinhos e não incluem a Bósnia-Herzegovina em seus roteiros. De fato, a Croácia, Eslovênia e Montenegro são países lindíssimos, mas aqui também há muita beleza e cultura a serem descobertas. Nosso povo luta diariamente para reconstruir sua própria identidade, apagar as marcas do passado e estabelecer a paz. Não é fácil… temos vivido em período longo de aprendizado e de reconstrução buscando a melhor forma possível de coexistir, de entender e respeitar nossas diferenças para que todos possamos viver em harmonia dentro desse território. Hoje vivemos uma paz fria, estéril, mas sabemos que temos muito caminho pela frente. Falar sobre isso, no meu modo de ver, ajuda-nos nesse processo de superação e, por isso, tenho que agradecer a presença de vocês aqui.” Foto abaixo de Sebilj, a famosa fonte na praça dos pombos:

Baščaršija_2006

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Com essas calorosas e contundentes palavras, Armina nos recebeu no lobby do hotel para fazer uma visita guiada pela histórica cidade de Sarajevo. A emoção impingida em sua fala revelava-nos a missão a que se impunha, a ser cumprida por alguém que trava, consigo mesmo, uma batalha emocional para esquecer os horrores vivenciados nos anos 90 e seguir adiante um busca da tão almejada paz, principalmente de espírito. Ela nos guiou por cada canto da cidade, contando-nos orgulhosamente sua história desde a época do Império Otomano até os dias atuais e por onde caminhava, mostrava e falava sobre as marcas deixadas pelas guerras, não somente nos prédios e monumentos, mas também as que restaram indeléveis em sua alma, como tatuagens emocionais permanentes. Feridas essas em pleno e lento processo de cicatrização. Assim, não vejo outra forma de passar a descrever Sarajevo que não seja pelos olhos de Armina, acrescentando aqui ou ali um pouco de impressões pessoais e relatos históricos que nossa curiosidade nos fez descortinar.

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Bascarsija_souvenirs

Inicialmente, caminhamos pela bela Baščaršija, bairro remanescente da época de dominação e da influência otomana, cujos costumes e modismos ficaram impregnados na cultura desse povo. É a maior atração turística e histórica de Sarajevo, localizada na parte norte do rio Mljacka. Na época de sua fundação, era a área onde ficavam os grandes bazares da cidade e o seu centro econômico, político e cultural. Bas significa principal e carsija, que decorre do carsi em Turco e significa bazar ou mercado. Portanto, o bazar principal ou mercado central. A cidade, desde sua época de fundação pelos Otomanos, não se expandiu muito até o século XIX. Com a ocupação e tomada do governo local pelo império Austro-Húngaro em 1878, arquitetos estrangeiros quiseram reconstruir Sarajevo como uma moderna cidade européia. E isso passou a ocorrer no bairro dos habsburgo. Um incêndio contribuiu para parte da destruição dos prédios otomanos mas, felizmente, embora com uma área bem reduzida do que a original, Baščaršija acabou sendo parcialmente mantida, permitindo que hoje se possa conhecer e admirar essas construções e esse estilo histórico outrora dominante na cidade. 

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A Turquia trouxe também a influência da religião Muçulmana, com suas mesquitas, minaretes e rezas tão características. Assim como naquele país, Sarajevo é uma cidade onde predomina uma população muçulmana. Armina nos explicou: – Aqui somos uma maioria de muçulmanos”. Uma versão do Islamismo muito equilibrada e interessante, sem radicalismos nem exageros típicos de fanáticos extremistas. Ainda há ruínas no centro da cidade que apresentam antigas construções da época de fundação, como prédios típicos, antigos bazares e hamams (as famosas casas de banho turcas), dentre outros. Cabe ressaltar que com a dominação Austro-Húngara, uma grande parte dos edifícios otomanos antigos foi derrubada em prol de uma ideia de implementação de visual mais europeu.

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Armina seguia nos explicando: “-Sarajevo, embora fundada pelos Otomanos e majoritariamente muçulmana, sempre foi conhecida por sua tolerância religiosa, respeito às diferenças e como lugar de coexistência harmônica entre todos aqueles que professam distintas religiões. Daí porque ter sido apelidada de mini Jerusalém dos Balcãs. Realmente, não é difícil descobrir essa vocação da cidade que, em um raio pequeno, ostenta importantes construções que representam 4 religiões distintas. Fotos abaixo da mesquita, da igreja ortodoxa, da igreja católica (com uma recém inaugurada estátua de João Paulo II na entrada) e uma sinagoga que atende a uma pequeníssima comunidade judaica ainda remanescente:

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No caminho, uma curiosidade perceptível. Em todas as lojas de souvenires e restaurantes, havia produtos relacionados à seleção da Bósnia-Herzegovina que, dentro de um mês, disputaria sua primeira copa do mundo de futebol, justamente em solo brasileiro, estreando no palco sagrado do Maracanã no Rio de Janeiro, contra a temida Argentina (que acabou se tornando vice campeã do torneio). Assim, propositalmente, em companhia de Armina, sempre que me deparava com um`objeto fazendo alusão à Copa, comentava com as pessoas na rua o fato de sermos brasileiros e isso gerava uma dose extra de simpatia e curiosidade, intensificada por esses laços futebolísticos. Por coincidência, acabamos conseguindo ingressos para a referida partida inaugural, quando a Bósnia-Herzegovina perdeu da Argentina por 2 x 1.

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Antes de seguirmos a caminhada na margem do Rio Milajcka, paramos para tomar um tradicional café turco, ainda em  Baščaršija. Armina explicou detalhadamente todas as etapas do ritual: –” O líquido escuro é preparado a partir de café moído com consistência de farinha. A bebida resultante fica muito concentrada, devendo ser servida tradicionalmente em chávenas pequenas, sem pega, adicionando-se açúcar eventualmente. Antes de consumir o café acabado de preparar, é aconselhável esperar cerca de 1 minuto, para que os grãos em sedimento se depositem no fundo. Uma vez servido, não se deve mexer o café, para evitar que os grãos se espalhem. Deve-se parar de beber quando se sentem grãos na boca, deixando a borra resultante no fundo da chávena. E, ainda segundo a tradição, a borra que fica no fundo da chávena, após o consumo, pode ser usada para ler a sina. A chávena é virada ao contrário, com o topo virado para o pires, para que a borra se espalhe e arrefeça. Depois de arrefecer, os padrões que tiverem aparecido podem ser lidos. Este processo é conhecido como kahve falı, em turco”. Admirados com os detalhes da explicação, bebemos o café. Contudo, confesso que pela mera falta de hábito, não me agradou a consistência quase viscosa do líquido. Muito forte para os meus padrões ocidentais.

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Com a cafeína reposta e dispostos a caminhar mais um bom bocado, seguimos pelas margens do rio e fomos conhecer um importantíssimo local histórico da cidade. A famosa esquina bem defronte à denominada ponte Latina, local onde em 28 de junho de 1914, ocorreu o Assassinato do arquiduque Francisco Ferdinando, herdeiro do Império Austro-Húngaro e de sua esposa grávida, Sofia, que desfilavam em um cortejo oficial de visita à cidade. Eles chamam o fato como ” O tiro que foi ouvido ao redor do mundo”. O crime foi cometido por um jovem separatista Sérvio, chamado Princip Gavrilo. Como se sabe, esse episódio acabou sendo o estopim para o início de um conflito de proporções globais, qual seja a 1ª guerra mundial.  Curiosamente, visitamos Sarajevo na segunda quinzena de junho de 2014, no aniversário de 100 anos do fatídico evento. Na foto, vê-se a ponte latina ao fundo e a esquina exata onde os fatos se deram, mais à esquerda nas margens do rio:

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A complicada política de alianças firmada entre as nações europeias no início do século XX, nos ajuda a melhor compreender o porque da morte do Arquiduque ter dado início ao conflito de proporções globais. Como já citado acima, quem assassinou o arquiduque foi um ativista radical separatista sérvio e, por este motivo, o Império austro-húngaro exigiu que a Sérvia tomasse providências e entregasse o culpado às autoridades. Como isso não ocorreu no prazo previamente determinado, o Império austro-húngaro declarou guerra à Servia. Ocorre que a Sérvia, por sua vez, era e é aliada histórica da Rússia, que então declarou guerra ao Império austro-húngaro. O Império austro-húngaro tinha uma aliança com a Alemanha que, por sua vez, se viu compelida à declarar guerra à Rússia. Inglaterra e França, ao final, compunham uma aliança estratégica com a Rússia e tiveram que declarar guerra à Alemanha (e ao Império austro-húngaro). Foi uma grande bola de neve! Foto abaixo da placa no local:

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Na tal esquina, funciona um museu que conta os 40 anos de dominação do império Austro-húngaro em Sarajevo e trata também com riqueza de detalhes e de objetos de época expostos, todas as circunstâncias do assassinato do herdeiro do império. Na fachada, fotos do assassino e do príncipe. E, no acervo interior, destaque para o automóvel em que o príncipe e a esposa desfilavam. Foi mais ou menos uma versão européia do homicídio de John F. Kennedy cerca de 50 anos antes. Fotos do museu e do veículo exposto:

FOTOGRAFIJE PRINCIPA I FERDINANDA NA ZGRADI MUZEJA SARAJEVA U ZNAK SJEĆANJA NA SARAJEVSKI ATENTAT

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Após essa visita voltamos para o centro da cidade, fomos a igreja ortodoxa que possui um magnífico interior e se situa numa praça onde senhores de idade ficam jogando um xadrez gigante. Repentinamente, estávamos em uma avenida que, dizem, marca a divisão entre a parte otomana e a parte austro-húngara. Há até uma “fronteira fictícia” delimitada na calçada, que faz menção à cidade como sendo um polo de culturas miscigenadas e que se encontram e se interligam. No local, fomos abordados por alguns adolescentes que nos pediam dinheiro. Nada agressivo, até porque estávamos com a guia, mas convém prestar atenção! Fotos abaixo:

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Armina nos contou um pouco também sobre sua experiência de criança, vivendo em um país comunista, a antiga Iugoslávia do Marechal Tito: “-Lembro minha enorme e genuína alegria ao ganhar a primeira calça jeans, item de luxo naqueles tempos e também da deliciosa e quase inédita sensação de mascar chicletes, algo que as crianças raramente podiam ter acesso.” Em seguida, sua fisionomia começou a mudar e passou a ficar bastante séria, introspectiva e fechada. Percebemos sem dificuldade que havia chegado o momento. O momento de falar sobre a guerra dos balcãs, um conflito étnico-armado decorrente da fragmentação das antigas repúblicas Iugoslavas, influenciado por múltiplos fatores, provavelmente desencadeados por um movimento nacionalista liderado pelo presidente sérvio Slobodan Milosevic, contra os grupos albaneses no Kosovo. O que se pode dizer, com certeza, é que Sarajevo sofreu demais. Ficou completamente destruída, sendo inacreditável que, passadas apenas 2 décadas, a cidade já esteja em grande parte reconstruída. Um espanto. Abaixo, 3 fotos emblemáticas por mim selecionadas, que bem retratam a lamentável destruição da cidade e o horror desta “guerra louca”. (retiradas de sites bósnios):

Sarajevo_Grbavica

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Gervasio-Sánchez

“-É tudo ainda muito presente. Eu tinha cerca de 20 anos quando estourou o conflito. Um ódio infundado e desmesurado. Não fomos pra guerra. Fomos cercados sem chance de defesa e agredidos reiteradamente. Os homens tinham que improvisar barricadas. Vizinhos e amigos perderam famílias inteiras. As vezes, caminhando por uma esquina, tropeçavamos em um corpo sem vida estendido no chão. O disparo ou a bomba fatal vinha das montanhas, de qualquer (e de todos) o (s) lado (s). Caminhar pelas ruas era um ato de coragem, pois a pessoa virava um alvo móvel para atiradores impiedosos. As escolas e os jovens improvisaram ambientes subterrâneos para poderem ter algum lazer. Constantemente faltava comida, remédios, roupas e até água. O frio do inverno rigoroso era um outro grande inimigo nos meses críticos.” A foto abaixo mostra e explica toda a vulnerabilidade de Sarajevo à bombas e tiros, em virtude de sua posição geográfica peculiar em um vale cercado por montanhas, que estavam ocupadas pelos Sérvios:

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Esse contundente relato não continha uma gota de ódio sequer, mas tão somente muita tristeza e incredulidade. Os Bósnios se referem ao período do conflito como “A Agressão”. Não falam em guerra. Segundo a versão deles, bastante plausível, guerra é uma luta armada em que as partes beligerantes se encontram em relativo pé de igualdade. Não teria sido o caso. E faz sentido. As milícias étnicas e depois o exército Sérvio, povo que sempre habitou as montanhas e povoados ao redor de Sarajevo, influenciados pela fúria louca do General Milosevic, promoveram um cerco covarde que durou aproximadamente 04 anos (o maior período desde a idade moderna da História do Mundo), isolando a cidade como uma desamparada vila medieval, sem poder receber suprimentos básicos de subsistência como comida, água, eletricidade, telefone, remédios e demais itens de primeira necessidade.

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Quando fomos ao alto das montanhas da cidade para ver e fotografar a mesma de cima, “invadimos” uma zona sérvia. Paramos o carro (com a placa da Croácia) próximos a um mirante. Coincidentemente ou não, um jovem de aproximadamente 20 anos se aproximou, viu a placa do país vizinho e se pôs a telefonar. Andrija e Armina ficaram atentos e, rapidamente, tratamos de sair do local para evitar qualquer problema, embora provavelmente nada de mais sério fosse ocorrer. Esse episódio evidencia, a meu sentir, a relativa fragilidade ainda existente na relação das distintas etnias, sendo um desafio para o povo manter um equilíbrio e controle mínimos na convivência, em prol da tão almejada paz.

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Voltando ao tema da guerra, apesar de todas as dificuldades, o povo manteve a esperança e lutou contra o cerco, conseguindo criar maneiras alternativas de fazer chegar o mínimo do necessário e de manter a sua própria dignidade. Nesse sentido, heroica a atuação de alguns engenheiros e voluntários que, contrariando a lógica e as possibilidades, conseguiram cavar e construir um túnel de pouco menos de 1 kilômetro, próximo ao aeroporto, por onde eram contrabandeados todos os suprimentos necessários para tentar assegurar a sobrevivência da maioria. Esse túnel passava pela região do aeroporto, controlada pela ONU, e levava até as montanhas, de onde se podia escapar, comprar e até mesmo contrabandear os itens necessários.

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Os sérvios tinham conhecimento sobre os rumores da existência do túnel. Mas nunca souberam onde seria o seu exato traçado e, por isso, jamais conseguiram bombardear ou destruir esse importantíssimo canal de passagem. Outra dificuldade é que ficava próximo a uma região que estava controlada pelas nações unidas, no caso o aeroporto da cidade como já dito. Ouvimos explicações da guia que, em dias de chuva e enchente, o túnel ficava alagado e enlameado, dificultando o trânsito. Mas, essa obra improvisada de engenharia acabou sendo um enorme diferencial e um marco na época da guerra, funcionando como caminho essencial de sobrevivência e de atenuação do sofrimento e da escassez de mantimentos do povo. Na manhã do segundo dia de nossa visita, visitamos a casa museu que conta a a história desse túnel e que ainda tem um trecho de cerca de 100 metros preservado para a visitação: Fotos acima e abaixo da fachada da casa e do túnel subterrâneo com altura de cerca de 1,35/1,40 metros ( ou seja, um adulto precisa caminhar agachado em seu interior).

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Outra marca emblemática que ficou na cidade foram as Rosas de Sarajevo. E o que seria isso? Vou explicar. Em certos instantes, o visitante está caminhando pela rua, olha pro chão e se depara com manchas de tinta vermelha propositalmente pintadas no asfalto, como mostra a foto abaixo capturada pela Karine:

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São homenagens ao sangue de cidadãos mortos pela explosão de bombas no exato local onde foram pintadas. E, complementando a cena, sempre defronte ao local onde estão pintadas e representadas as manchas de sangue das vítimas, um quadro com o nome das pessoas mortas em cada uma destas tristes ocasiões. A foto abaixo, mostra o local exatamente em frente a onde estão pintadas as manchas vermelhas acima, das pessoas que morreram naquela explosão. Nesta explosão lembrada abaixo, 26 pessoas inocentes perderam a vida simultaneamente:

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Tudo muito impressionante de presenciar. Tudo muito recente e vivo na memória daquela gente. Com o fim do conflito, o tempo foi passando e as feridas lentamente começaram a cicatrizar. E a cidade, desde então, sofre um contínuo processo de reconstrução, não sem o emprego de um enorme esforço e empenho por parte do povo e do governo. A Turquia tem ajudado muito, pelo que eu soube, assim como algumas outras nações europeias mais abastadas. Mas os cidadãos, de um modo geral, ainda reclamam bastante da falta de apoio internacional para a completa restauração de Sarajevo. E, como forma de preservar uma memória viva que não permita o esquecimento das atrocidades e agressões sofridas, fazem questão de manter inalteradas algumas fachadas de prédios com as marcas intactas dos bombardeios, como um grito de alerta e de lembrança! Outros edifícios ainda não foram restaurados pela falta de dinheiro. Eles reclamam um pouco também da corrupção de alguns governantes, criticam o sistema político e o desvio de verbas em alguns casos (acho que essa queixa é igual no mundo todo):

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Desse modo, com tantas informações novas na cabeça e tendo vivenciando experiências cuja assimilação ainda demandariam certa reflexão crítica, deixamos o museu onde fica o túnel de guerra e, de lá mesmo, pegamos a Estrada em direção a Mostar (tema de outro post). Sarajevo, sua história e seus personagens, ficaram gravados em nossos corações. E, antes de tecer minhas considerações finais, anexo uma foto de Armina, a personagem principal deste relato, ao lado da Karine, no belo belvedere austro-húngaro situado nos subúrbios da cidade. Obrigado Armina! Temos muito a te agradecer pela enorme paciência e interesse em nos mostrar a sua linda cidade e nos contar a versão Bósnia desta triste história:

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Nossa impressão sobre Sarajevo acabou sendo a melhor possível. Fantástica a história desse povo que, nitidamente, ainda ostenta um olhar triste em decorrência da tragédia recente. Porém, em contrapartida, nota-se também a enorme esperança nos olhos de todos e a fé em dias melhores para sua cidade e seu país, que hoje tenta se reerguer e afastar os fantasmas do passado. Os cidadãos Bósnios estão ávidos por contar ao mundo sua história e se reinserir no pólo do turismo de larga escala, viabilizando assim a sua completa reconstrução e recuperação econômica. Meta que, creio eu, em pouco tempo será alcançada. Sarajevo foi um capítulo à parte em minha história de viagens. Talvez não consiga aprender o idioma Bósnio, como fez o humorista Marcelo Adnet, que também se encantou pela cidade, mas certamente voltarei um dia para prosseguir e aprofundar esse relacionamento… 

Do Rio pro Mundo

2 pensamentos sobre “Sarajevo. A multicultural Jerusalém dos Balcãs. Uma cidade indispensável para entender uma parcela da história do Mundo. (Parte 2)

DanielaPublicado em  7:35 pm - maio 15, 2015

Olá, estava aguardando este post sobre saraievo! Passaremos um dia na cidade. O que vc recomenda fazer em um dia? Obrigada!!!

    Do Rio pro MundoPublicado em  11:20 am - maio 18, 2015

    Olá Daniela.

    Bem, a melhor opção e caminhar pelo bairro de Bascarsija, pelas margens do rio Mljacka e pelo distrito austro-hungaro. Se puder, contrate um guia local para um tour de caminhada pela cidade, com ênfase no seu aspecto historico.
    Se pernoitar, não deixe de visitar ainda o museu do tunel de guerra, com um trecho do próprio tunel passível de exploraçao.

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