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Roma e Vaticano. Glamour, moda, caos, monumentos, relíquias arqueológicas, gastronomia, história, cristianismo, fé católica e milhares de turistas disputando o mesmo espaço!

Roma e Vaticano. Glamour, moda, caos, monumentos, relíquias arqueológicas, gastronomia, história, cristianismo, fé católica e milhares de turistas disputando o mesmo espaço!

Vou me permitir inverter a ordem da viagem e contar sobre Roma antes de falar sobre a Toscana, embora esta tenha sido visitada primeiro. E a razão é simples. O único e enorme post de Roma (este aqui) já está pronto, ao contrário dos 5 ou 6 da Toscana. Pois bem, finalizando o nosso giro pela Itália, neste ensolarado junho de 2013, início de mais um verão europeu, após esquadrinharmos a Toscana, finalmente viemos parar em Roma, capital da bota, uma das cidades com maior importância no mundo desde a antiguidade, sendo um dos símbolos da civilização europeia.

Roma, assim, por tudo que ela representa, me parece intensa, mística, dramática, exagerada, barulhenta e caótica. E, apesar disto, é muito interessante! Não é nem de longe a minha capital preferida da Europa. Berlin e Paris brigam cabeça a cabeça por este posto, seguidas de perto por Lisboa e Londres, um pouco atrás. Mas, reconheço o seu grande valor, pois estar aqui, vendo suas tantas ruínas e monumentos, é como caminhar dentro de um livro de História, imaginando o Império que construíram, as perseguições aos cristãos, cessadas somente no governo de Constantino, as lutas dos gladiadores se enfrentando no coliseu, Rômulo e Remo sendo alimentados por uma loba nas montanhas do palatino, os tantos debates políticos, filosóficos e ideológicos travados no foro romano e as intrigas, traições e conclaves sediados no Estado do Vaticano, com a sua Basílica de São Pedro e Capela Sistina.

coliseu do palatino

Visitar Roma é também desfrutar de uma gastronomia e de vinhos de elite, assistindo a um grandioso desfile de modas a céu aberto na via del corso e na via dei condotti, que concentram vitrines de todas as grifes mais desejadas em qualquer templo de consumo mundo afora, como Armani, Versace, Prada, Fendi, Gucci, Ferrari, Salvatore Ferragamo, Zegna, Dolce e Gabbana, Valentino, Bulgari e tantas outras. A Itália é totalmente vanguarda. E Roma, a sua imponente e megalomânica capital, que transita com elegância entre passado remoto, presente e futuro, em harmonia plena, administrando o caos e com milhares e milhares de turistas a qualquer tempo e em todos os lugares, tentando encontrar um espaço, mínimo que seja, para registrar em uma foto, a sua passagem por aqui.

Roma, como dizem, é eterna, sem dúvida, mas se você não respirar fundo, a sua paciência pode ter fim. As filas de espera para visita às principais atrações da cidade são inigualáveis e sem precedentes. Ao menos que eu me recorde. Talvez na Disney na alta temporada, seja possível encontrar algo similar. De renovar a paciência de qualquer monge budista. Os italianos me disseram que os melhores meses pra visitar Roma são Abril e Outubro. Não serei eu que ousarei desmentí-los.

Outro detalhe que testa ao extremo o seu grau de suportabilidade a situações hostis, são as muito incômodas e reiteradas abordagens de imigrantes, como os oriundos da África, sempre oferecendo as famosas bolsas e relógios de marca sabidamente falsificados, por ‘excelentes preços’! E ainda outros em sua maioria oriundos de Bangladesh, conforme eles mesmo me contaram, em todas as esquinas, às dezenas, colocando flores na mão das pessoas e se debruçando e oferecendo para tirar fotos dos casais e depois querendo te extorquir dinheiro. Os caras são muito insistentes e cansativos na abordagem. Um saco!

Bem, feita essa reclamação, vamos adiante. Essa foi a minha segunda vez na cidade. Em 2004, ainda durante o pontificado de João Paulo II, já tinha aqui estado. Roma merece na mais estreita hipótese, uns 4 dias de visita, sendo que, para fazer as coisas com calma e ver todo o roteiro básico, o ideal seria pelo menos uma permanência de 5 ou 6 dias. Cheguei na cidade vindo de carro, proveniente da Toscana, mas, há vôos regulares daqui para todas as Capitais Européias, e da própria Alitália, que voa desde o Rio de Janeiro e São Paulo, regularmente. Também pode ser alcançada por trem, meio de transporte muito usado em toda a Europa.

Além disso, o seu sistema de metrô é bastante eficiente e barato (pouco mais de 1 euro o bilhete simples) cruzando as principais partes de interesse. A cidade é relativamente pequena em extensão territorial, o que faz com que caminhar seja uma alternativa viável e recomendada, não apenas para fugir do trânsito no centro, como também para contemplar os principais pontos turísticos. Mas vá com um mapa na mão, senão você estará perdido, literalmente.

No dia em que chegamos, sábado, fizemos o check in no simples e otimamente localizado hotel Roma Kings Relais, e partimos para um passeio a pé pelas cercanias. Nessa tarde de muito sol e calor, quente até para padrões cariocas como o nosso, caminhamos pela piazza di spagna e pela scalinata di spagna, que estava completamente tomada pelos turistas. Sem um degrauzinho sequer disponível. Impressionante! Assim, a contemplação na escadaria ficou para outra hora, até porque estávamos hospedados muito perto dela e retornar lá não seria nada trabalhoso como efetivamente não foi. Fotos com a visão que se tem defronte e na escadaria, esta com a via dei condoti ao fundo.

scalinata di spagna

viadei condoti de scalinatta

Continuamos nossa peregrinação e andamos sem nada comprar pela já mencionada via dei condotti chegando até a via del corso, uma das avenidas principais no centro, que interliga dois importantes extremos, a piazza del popolo e o monumento Vitorio Emanuelle. Tentando inutilmente nos esquivar do sol, que estava castigando, entramos em uma transversal e passamos pela fontana di trevi, belíssima como na primeira vez que a conheci, mas que estava insuportavelmente abarrotada de visitantes.

 fontana res alta

 Não contei o número, mas posso estimar que umas mil pessoas se espremiam sofridamente com um incômodo sol de três horas da tarde na cara tentando tirar uma foto do monumento, a maior fonte barroca de toda a Itália, cenário da famosa tomada de fellini, em “La Dolce Vitta”, quando Anita Ekberg entra na água e convida Marcello Mastroianni para um banho a dois. Dizem que para ver a fontana de trevi vazia, é preciso passar por ela às seis da manhã. Confesso que não tive disposição para encontrá-la tão cedo, em nenhum dos dias subsequentes. Abaixo, Eu, Karine e a fonte:

o casal na fontana

Seguindo a nossa jornada, já fora do horário, fomos almoçar e encontramos a indicação próxima da spaghetteria dell archetto, na via dell archetto, 26 ( a 2 minutos de caminhada da fontana) onde comemos uma típica e honesta pasta italiana de boa qualidade. Um ponto negativo aqui foi o serviço, sofrível e demorado. Mas se você não estiver com muita pressa, vale a dica. Vantagem por ficar próximo do buxixo e por ficar aberto o dia todo, sem fechar entre o almoço e o jantar, algo muito comum nos restaurantes italianos.

Próximo destino, cruzando novamente a via del corso para o outro lado, foi o panteão romano, construido em 27 a.c., um dos mais belos e preservados monumentos da cidade, misto de igreja e museu, com uma abertura no teto, de espetacular solução arquitetônica. É um enorme domo de concreto não armado, sem qualquer sustentação, feito, segundo consta, com cinzas vulcânicas para ficar o mais leve possível, e preparado para ser mais fino no topo, assegurando que a base, desprovida de qualquer outro apoio, pudesse sustentar o restante da impressionante estrutura. Vale muito a visita! Admirável monumento. Já o conhecia da primeira vez e fiz questão de revê-lo.

karine e o panteão

Como não somos de ferro e temos desejos quase instintivos, após deixarmos esta bela igreja, fomos tomar um sorvete numa gelateria que fica na rua bem ao lado esquerdo do panteão, recomendada até pelos locais, e que se chama Cremeria. Passe por lá e se permita uma doce pausa. Com o calor que estava fazendo, a experiência ganhou ainda mais sentido. Sabor stracciatella. (Flocos) Sempre! Pra mim o melhor de todos. Inigualável e delicioso. Gosto tanto que nem me permito mudar e tentar outro. Foto abaixo com a visão lateral do panteão, bem em frente à sorveteria.

lateral panteao

Saciada a vontade e renovada a fé, a energia e a disposição, estando ainda claro, apesar de já passar das oito e meia da noite, seguimos a caminhada, não sem algumas bolhas nos pés e discreta dor nas pernas, então rumando para a bela piazza navonna, que tem um especial significado para nós brasileiros, pois lá fica a sede da embaixada de nosso país na Itália, no magnífico Palácio Pamphilli, construído no século XV, e que desde 1920 serve como representação diplomática máxima do governo brasileiro.

embaixada na piazza navona

Esta praça é um espetáculo por si só. O espaço possui alguns elegantes bares e cafés, e outros nem tanto assim, onde se pode tomar uma bebida apreciando esse ambiente aristocrático que, entretanto, já está mais democratizado ultimamente pela presença maciça dos turistas, como também dos vários artistas de rua, dentre os quais expositores informais de pinturas, músicos, estátuas humanas e os clássicos vendedores de bolsas e relógios falsificados e dos brinquedinhos de bichinhos que viram geléia. Isso é Roma! Aristocracia e anarquia. Luxo e simplicidade. Pão e circo.

Já passava das dez e meia da noite quando, estafados, encerramos o nosso giro a pé e fomos dar uma trégua ao corpo no hotel. O dia seguinte seria cheio. Em Roma, não há tempo a perder. O ritmo da cidade é muito apressado e, por isso, o visitante acaba ficando bem pilhado também a querer abraçar o mundo com as mãos.

Domingo de sol e calor. Manhã. Duas opções de programa. A primeira, mais óbvia, seria disputar espaço a cotoveladas e tapas com os outros turistas nos concorridos monumentos romanos. A segunda, imprimir um ritmo mais calmo e visitar a Villa Borghese, o jardim botânico deles. Optamos por esta última e tenho convicção de nosso acerto na escolha.
Este local, um belo parque, é um dos lugares de lazer preferidos das famílias romanas, para fugir um pouco do intenso movimento das ruas.

villa borghese monumento

Pais e mães passeando com filhos em quadricíclos, crianças andando em cavalinhos e em pôneis, namorados remando em barcos alugados no lago próximo ao centro do parque, pessoas brincando com seus cães, inúmeros cidadãos pedalando, andando de skate e outros correndo, todos em busca da manutenção da forma e da saúde. Alugamos bicicletas e fizemos um passeio de uma hora e meia explorando quase todos os cantos deste grande pulmão romano.

villa borghese bicicleta

Após, deitamos no gramado e ficamos relaxando, vendo os italianos se divertirem. Uma dica: aqui há um dos principais museus da capital, o Museo e Galleria Borghese, com um espetacular acervo de arte renascentista e barroca, um dos mais importantes do mundo. Não estávamos em ritmo de visita a museu naquele domingo ensolarado e, resolvemos deixar passar. Ficou pra próxima. Como se vê, é preciso criar alternativas para não se perder na multidão de gente a disputar cada centímetro quadrado da cidade.

Saímos da villa borghese e, após passar por uma loja onde comprei algumas gravatas, fomos caminhando até a piazza del popolo, em uma das extremidades da via del corso e almoçamos no indicadíssimo restaurante ‘Dal Bolognese’, localizado em um dos cantos da praça. Muito agradável o ambiente e deliciosas as ‘pastas’. Destaque absoluto para a insalata caprese, a lasagna e o tagliatele al ragu, nossos pratos. Recomendo totalmente esse restaurante. Preço médio, de um soberbo prato de massa, na faixa dos 15 euros. Surreal a leveza da massa, que quase não se sentia ao mastigar, derretendo na boca sem esforço. Sublime.

Obviamente, tomamos vinho tinto, apesar do calor, um sangiovesi 2009 da Emilia- Romagna, que estava delicioso e harmonizou perfeitamente com o molho de carne e tomate. Após o almoço, deixamos o restaurante e cruzamos novamente toda a via del corso, em outros 30 minutos de uma lenta e pausada caminhada, chegando então ao seu outro extremo, onde está o enorme monumento Il Vittoriano. Parece um bolo de noiva!

vittorio emanuelle

De lá, após a pausa para comprar a água mineral nos caminhões trailler, e rumando para a esquerda, entramos e caminhamos na Via dei Fori Imperiali, onde já avistávamos, com estupefação, na outra extremidade, cerca de 700 metros adiante, o monumental Anfiteatro Flaviano, mais conhecido como Coliseu. Um pequeno detalhe: O sol machucava a pele como no sertão nordestino e os vendedores de água enchiam os bolsos às custas dos desesperados e sedentos visitantes. Eu mesmo devo ter comprado umas dez garrafas de 500 ml ao longo do dia, para dividir com a karine, e assim evitar a desidratação. Mas fomos adiante, com obstinação. Se você hesitar em Roma, a cidade te engole! Foto da visão que se tem do coliseu, desde a via dei fori imperiali:

visão coliseu via dei fori imperiali

A visao do coliseu é grandiosa. Um impacto visual extremo. O monumento é tão imponente e histórico que não há como ficar indiferente a ele. Centenas e centenas de turistas andavam em sua direção, como nós, e outros tantos faziam o trajeto de volta, já o tendo reverenciado. O sol e o calor estavam no auge nesse dia de clima desértico e, com a cabeça bem quente, quase me imaginei um gladiador rumo ao encontro com as feras no palco do enorme circo. Sorte que havia pessoas a nos vender água gelada no percurso, o que permitia a retomada completa da razão.

coliseu de fora colunas

Pronto, mais dez minutos de caminhada e estávamos defronte ao anfiteatro. Quem chega por este lado vindo do leste da cidade, enxerga a parte mais bonita e preservada da fachada, ainda com os três níveis originais de arcos sucessivos e suas respectivas bases de sustentação viabilizadas na forma de fileiras escalonadas de magníficas colunas, jônicas, dóricas e corínticas, nesta exata ordem desde a planta mais baixa até a mais alta. Uma obra de arte colossal a céu aberto. Bati palmas efusivamente. Fotos descansando do sol no primeiro andar do coliseu, totalmente exaustos, bem como duas outras de seu magnífico interior:

descansando no coliseu

coliseu roma

coliseu inside a melhor

Após a soberba visita ao coliseu, seguimos a nossa via sacra e cumprimos o roteiro pelo palatino, uma da sete montanhas onde foi fundada a cidade de Roma, e pelo magnífico Foro Romano, local da política, das discussões dialéticas e das intrigas. Como o amigo sol continuava em fúria, tivemos que otimizar nossa visita, ante o evidente desgaste físico que já nos acometia e perturbava. Cruzamos o palatino e o foro na metade do tempo que seria aconselhável, mas, tínhamos em nosso favor a circunstância de já tê-los conhecido em 2004, quando de nossa primeira vinda à cidade. Fotos no Foro:

foro romano e a karine

foto foro romano e o felipe

Chegamos ao hotel, caminhando, por volta de 18;30 horas, dia ainda comendo solto, bem claro e quente. De tão exaustos, dormimos por cerca de três horas e, quando acordei, ainda tonto, assisti na TV a estréia da squadra azzurra na copa das confederações, jogando contra a seleção do México, em pleno Maracanã. Para um carioca da gema do ovo, como eu, foi bacana ouvir os narradores e comentaristas exaltando com bastante ênfase o fato da seleção italiana estar tendo o privilégio de jogar no ‘maior e mais místico estádio do mundo, santuário do cálcio‘. Fiquei orgulhoso do Rio de Janeiro e do Brasil. E, de longe, lá da Europa, lembrei com alegria das tantas centenas de tardes de domingos indo ao Mário Filho para ver o meu Flamengo jogar. Me emocionei, não posso negar!

Dia seguinte, segunda-feira de muito sol, somente pra variar, saímos bem cedo para visitar o Vaticano. Na nossa primeira vez em Roma, fizemos todo o fantástico roteiro de ida aos espetaculares museus e à Capela Sistina. Imperdível. já tinhamos feito o tour completo em nossa primeira vinda aqui e não repetimos pelas longas filas. (Nota: faça a reserva prévia pela internet, pois caso contrário, você poderá enfrentar até 4 horas de fila aqui.) Capela Sistina esta que, desde então, foi palco de dois conclaves, aclamando Joseph Ratzinger e, recentemente, Bergóglio como o novo e carismático Papa Francisco. Chegando na praça de São Pedro, encontramos por acaso uma sombra e ficamos sentados uns dez minutos, observando a famosa janela em cima da basílica, de onde há cerca de dois meses antes, uma multidão presenciara o protodiácono do Vaticano apresentando ao mundo o novo papa argentino. Foto abaixo:

janela de francisco vaticano

Tive uma bizarra sequência de pensamentos supostamente escalonados. Coincidências evidentemente sem qualquer relação lógica, mas que povoaram minhas ideias naquele momento. Tive o seguinte devaneio; Eu, cidadão carioca, na praça de São Pedro, olhando a janela de onde tinha sido apresentado o novo papa da terra de Diego Maradona, este o maior jogador da história do futebol argentino, rival máximo do futebol brasileiro, Brasil que, por sua vez, receberia o Papa em sua primeira viagem internacional, exatamente para o Rio de Janeiro, minha terra, de onde sempre parto para minhas viagens, ‘Do Rio pro Mundo’. Fechado o ciclo!!Como se constata com facilidade, estava enlouquecendo e perdendo a razão, influenciado pelo sol escaldante que fritava nossos miolos, pelo terceiro dia consecutivo.

Bebemos água gelada e fomos em frente, fazer uma incrível e imperdível visita, que talvez poucas pessoas saibam que existe, mas que vale DEMAIS à pena, com o perdão da hipérbole proposital e deliberada. Fomos à necrópole do vaticano. O tour pode ser feito em vários idiomas (fizemos em inglês), sendo que no final, o visitante é deixado dentro da cripta da basílica, o que faz com que você fure as enormes filas. Mas não pense que você vai chegar lá e comprar o bilhete. Em cima da hora não rola, impossível. Tudo exige uma via crucis, ou seja, um procedimento prévio de envio de mensagem ao escritório do vaticano, solicitando o agendamento do tour, scavi@fsp.va, onde você deve informar a data de sua viagem e quando pode lá estar, sendo que todo o procedimento é tratado no email, inclusive a confirmação. 

Peço então licença para relatar em 4 parágrafos um pouco da interessantíssima história do local, que nos foi passada pelo fantástico guia que nos levou pela Necrópole. Acho que vale à pena. Abaixo, foto das filas na praça para visita à Basílica e do túmulo de João Paulo II dentro da Igreja maior:

fila basilica II

 TUMULO JOAO PAULO ii

 Necrópole (“Cidade dos Mortos”), onde se encontra o túmulo original de São Pedro. Segundo informações fornecidas a nós no decorrer da visita, depois da crucificação de Jesus Cristo, na segunda metade do primeiro século da era cristã, conforme registado no livro bíblico de Atos dos Apóstolos, um de seus doze discípulos, conhecido como Simão Pedro um pescador da Galileia, assumiu a liderança entre os seguidores de Jesus e foi de grande importância na fundação da Igreja Cristã. Seu nome era Pedro “Petrus” em latim e “Πέτρος” (Petros), em grego, decorrente de “Petra”, que significa “pedra” ou “rocha” em grego.

Pedro, por sua obra, depois de um ministério com cerca de trinta anos, viajou para Roma e evangelizou grande parte da população romana, sendo executado no ano 64 d.C durante o reinado do imperador Nero, crucificado de cabeça para baixo a seu próprio pedido, por não se achar digno de crucificação do mesmo modo de Cristo, perto do Obelisco onde funcionava o Circo de Nero, famoso e folclórico imperador que botou fogo em Roma e culpou os cristãos. No século II depois de Cristo, o local foi dividido em partes que foram vendidas a famílias para a construção de seus mausoléus, já que as pessoas queriam ser enterradas perto do local onde se sabia que Pedro havia sido crucificado e sepultado. Com o  passar de um século e sob iniciativa do Imperador Constantino, que anistiou e se converteu ao Cristianismo, resolveu-se finalmente lá erquer a primeira basílica de Pedro, muito mais modesta que a atual, desapropriando então os mausoléus.

Literalmente, a passagem Bíblica estava sendo cumprida : “Pedro, tu és Pedra, e sobre esta pedra edificarei minha Igreja”. Esta primeira basílica existiu até a idade média quando a igreja católica, concluiu em 18 de novembro de 1626, durante o pontificado de Urbano VIII, a atual basílica, muito maior e mais suntuosa, epicentro de peregrinação cristã em todo o mundo

Cerca de duzentos e cinquenta anos depois, o último desejo do Papa Pio XI, foi ser enterrado o mais próximo possível do túmulo de São Pedro, sendo que seu sucessor, em homenagem ao pontífice que o antecedeu, determinou a realização de escavações pois era voz corrente que a Basílica tinha sido construída no exato local de crucificação de Pedro, Como consequência dos trabalhos, foi descoberta uma necrópole romana dos tempos pagãos bem embaixo da atual Basílica de São Pedro. A escavação prosseguiu secretamente até que, em um altar existente nessa necrópole foram encontrados restos mortais anunciados como sendo de São Pedro.

Segundo nos foi relatado pelo guia na visita, os ossos eram de uma pessoa com setenta anos, com marcas de crucificação nos pés (São Pedro foi crucificado de cabeça para baixo, a seu próprio pedido, porque ele que não se sentia digno de ser crucificado da mesma maneira que Jesus Cristo) e que estava enterrado no altar principal de uma igreja, o que seria uma evidência cabal, até porque em frente a este, há um pequeno trecho de muro ainda preservado, que se vê na visita, onde constam antigas inscrições dos fieis, relatando que “aqui Pedro está enterrado”, ou seja, era desde a antiguidade um centro de peregrinação. 

Após este grandioso programa, retornamos ao Hotel para descansar. À noite, finalizando nossa viagem, fomos passear a pé pelo bairro do Trastevere, que tem uma agitada cena gastronômica e de badalação, com muitos bares e restaurantes, para todos os gostos e bolsos. Imperdível também. Jantamos no bar de vinhos Roscioli, no Campo dei Fiori, local espetacular que muito recomendo, dispondo de uma maravilhosa adega e com uma aprimorada gastronomia. Finalizamos harmonizando com um super, magnífico Vino Nobile de Montepulciano, riserva.

Dia seguinte, retornamos para Lisboa, e de lá, voamos TAP, de volta para o Brasil.

Para quem tiver tido paciência de ler até aqui, agradeço toda a atenção dispensada e faço um convite para a próxima sequência de posts, quando relatarei minha magnífica e inesquecível experiência pela Toscana, o ponto mais alto dessa grandiosa viagem.

Até breve….

Do Rio pro Mundo

14 pensamentos sobre “Roma e Vaticano. Glamour, moda, caos, monumentos, relíquias arqueológicas, gastronomia, história, cristianismo, fé católica e milhares de turistas disputando o mesmo espaço!

Neide VenturiniPublicado em  2:09 am - jul 6, 2013

Felipe, adorei os posts sobre Roma! Seus textos são leves, divertidos e anotei suas dicas pois vamos em setembro, para Roma, Toscana e Veneza. Gostei do blog e vou ler sobre todas suas viagens. Obrigada.

    Do Rio pro MundoPublicado em  2:25 am - jul 6, 2013

    Poxa Neide, muito obrigado! Fico muito feliz com os seus elogios e em saber que te ajudei com as dicas. Vc. fará uma linda viagem em setembro, pelo que disse. A Itália é realmente um país espetacular! Não deixe de ler os próximos posts sobre a toscana, pois acredito que poderá ainda aproveitar várias outras dicas.
    Um grande abraço,
    Felipe

Boia PaulistaPublicado em  1:46 pm - jul 8, 2013

Oi, Felipe. Tudo bem? 🙂

Seu post foi selecionado para a #Viajosfera, do Viaje na Viagem.
Dá uma olhada em http://www.viajenaviagem.com

Até mais,
Natalie – Boia

PatriciaPublicado em  2:13 am - ago 1, 2013

Oiiiee! Vou pra Roma em novembro e vou anotar tudinho!!! Oba, tô adorando! Beijos nos 2

Regina LyraPublicado em  2:51 pm - ago 15, 2013

Descobrimos na ultima vez que estivemos em Roma um lugar incrível: o apartamento onde morou De Chirico. Pra quem gosta das obras dele e um prato cheio. Fica na Piazza di Spagna, tem uma vista linda. Esta montado como quando ele morou lá, o maior bom gosto, inclusive o atelier onde ele pintava. A visita e gratuita, só precisa ser agendada pelo telefone. Vale a pena!

    Do Rio pro MundoPublicado em  2:56 pm - ago 15, 2013

    Oi Regina,

    Obrigado pela visita e pela excelente dica. Tenho certeza que eu, assim como vários de nossos leitores, poderemos aproveitá-la quando novamente em Roma.

    Um beijo e volte sempre!

    Felipe

ROSANGELA STENGEL SANTIAGOPublicado em  1:53 am - ago 25, 2013

Olá felipe! Gostei muito de saber do seu passeio pela italia – Roma, vou embarcar pra lá em 27 de outubro ate 2 de novembro, e acho q vou pegar outono lá, estou insegura com as roupas q levo, não sei se levo roupas de frio ou se levo roupas de calor. Será q vc pode me ajudar?
Obrigada,
Rosângela/

    Do Rio pro MundoPublicado em  11:25 pm - ago 25, 2013

    Oi Rosangela, obrigado por comentar no meu blog. Espero que vc esteja gostando e siga me acompanhando e divulgando o trabalho.

    Pelo que me foi dito pelos próprios italianos e romanos especificamente, vc estará em Roma na melhor época, onde a cidade está menos quente e menos cheia. Acho q vc fará uma viagem espetacular.

    Frio muito intenso acho q vc não vai pegar, mas também acredito que não vai estar calor. Leve uma roupa de inverno médio no brasil, tipo, calças, casacos médios e sueteres. Vc estará bem esse jeito. Nada de roupa de frio muito pesada.

    Um grande abraço, Felipe

marcia ehrlichPublicado em  1:01 am - ago 21, 2014

Oi Felipe,

Obrigada por suas postagens e digas maravilhosas de roteiros e viagens.
Estou indo à Roma em outubro e tenho 20 dias para aproveitar minhas férias.
Minha companheira de viagem pensa em dar um pulo na Grécia. Que outros lugares vc aconselharia fazermos? Será que daria para ir até a Croácia, pois fiquei maravilhada com seus posts sobre o país.
Um grande abraço,
Marcia

    Do Rio pro MundoPublicado em  4:11 pm - ago 21, 2014

    Muito obrigado Marcia pela visita, pelo prestígio e pelos elogiosos comentarios em relação aos posts deste blog. São comentários como os seus que seguem nos inspirando a cada vez mais melhorar a qualidade do trabalho aqui desenvolvido. Em relação à sua dúvida, acho que, em tese, daria para você visitar a Croácia a partir de Roma. Contudo, em outubro, a temporada turística já se encerrou no país e você encontraria tudo meio morto. De minha parte, sugeriria a você um giro conjunto por alguma outra região da Italia, conjugada com Roma, tipo a Toscana, ou a Umbria, ou a Emilia-romagna, que tem a fantástica bologna. Caso você ache melhor ficar apenas em cidades grandes, sugeriria que vocês conjugassem a estada em Roma com alguns dias em Milão, Zurique, ou Barcelona ou ainda Porto em Portugal. Tirando Milão, as outras opções exigiram conexões aéreas, o que, talvez, poderia encarecer um pouco o seu orçamento. Enfim, são opções para vc considerar.

    Mas, insisto, se não se importar com o final da temporada na Croácia, e com um clima um pouco distante do ideal, seria perfeitamente possível a conjugação da visita entre Roma e o país balcanico.

    De todo modo, se quiser maiores esclarecimentos, fique inteiramente à vontade para me mandar um email particular pelo contato do site. Espero ter ajudado.

    Um abraço.

Pedro PereiraPublicado em  12:12 pm - ago 29, 2014

Excelente artigo!

Vou adicionar o seu blog para posterior contacto 😉

Caso alguém esteja interessado em comprar ingresso antecipadamente poderá fazê-lo no nosso website direcionado para o Brasil – http://selectitaly.com.br/

Os meus cumprimentos,

Pedro Pereira

Monca GuimaraesPublicado em  5:56 pm - mar 17, 2017

Você escreve muito bem e nos auxilia enormemente ao buscarmos roteiros e passeios para as viagens. Parabéns!

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