• fpcuesta@gmail.com

Paris. Sempre Paris…

Paris. Sempre Paris…

Entre o segundo e terceiro post da Toscana, resolvi fazer uma breve pausa na série italiana e oferecer aos leitores uma grande crônica sobre Paris.  Vejamos como me saio, já que os eventuais comentários melhor dirão. A proposta aqui é um pouco diferente, pois não se trata do relato de uma única viagem, como em regra faço. Mas, ao contrário, da síntese (um pouco extensa, perdoem-me) do que foi absorvido ao longo de várias visitas…

Fácil e difícil escrever uma crônica sobre a cidade luz. Por um lado é moleza, porque ela gera milhares de bons pensamentos, sensações e lembranças de deliciosas experiências, não lhe faltando belas palavras, adjetivos, elogios e devaneios. Em contrapartida, trata-se de uma difcílima e inglória tarefa, pois nunca me julguei preparado para falar dela com a necessária dimensão e amplitude de minha compreensão. E, ademais, convenhamos, o que poderia eu dizer de tão interessante que ainda não tivesse sido falado, escrito ou publicado um milhão de vezes? Tive então que decidir. Opção nº 1: Nunca escreveria sobre Paris, talvez por não ter nada de inédito a contar. Opção nº 2: Relaxaria e tentaria contar do meu jeito o que quase todo mundo já sabe, sintetizando as minhas próprias impressões e tentando delas extrair o melhor para passar algo de interessante ao eventual leitor, não me importando com o risco de, provavelmente, obrar com redundância, ao menos, na melhor das hipóteses, em algumas partes do texto. Abaixo, panorâmica de Paris à noite, como autêntica ville lumiére que é:

Paris_Night

Como sou teimoso, resolvi sair da “zona de conforto” e escolher a segunda alternativa, me aventurando a correr os necessários riscos. E me perdoem de antemão se, ao lerem essas linhas, sentirem uma inevitável sensação de “déja-vu”! Acontece com os melhores lugares. E com Paris, evidentemente, não poderia ser diferente…

Já estive na cidade em 5 ocasiões e, em cada uma delas, adquiri uma parcela considerável de admiração, experiência e conhecimento, desde a primeira vez, quando trilhei o roteiro turistão básico pelos longos 11 dias que lá fiquei, até a última visita, quando até me arrisquei por alguns cantos aos quais somente os parisienses descolados, em regra, tem acesso. Não que eu me ache um profundo conhecedor da cidade, muito pelo contrário, até porque nunca tive a experiência de lá ficar por um período mais prolongado de, digamos, no mínimo 30 dias, o que me gabaritaria a talvez começar a entendê-la como um nativo. Mas, não obstante, julgo ter algumas boas impressões para dividir com o público, o que farei sem qualquer pretensão de esgotar o tema, até porquê Paris é inesgotável. (foto retirada do site hoteis.com)

paris

Pra mim não é Roma, mas sim Paris a cidade eterna. Ela não deve ser visitada, mas sim, degustada. Aos poucos e com calma. Nada de pressa, correria, estresse, aqui não! A cidade pede um ritmo devagar, pelo qual o viajante flane e contemple cada gota de sabor e de cultura que ela oferece para, só assim, poder absorvê-la com exatidão. Sentar em uma mesa de café ou um bistrô na calçada, virado pra rua e ver a vida acontecendo é uma atividade primordial. Andar vagarosamente pelos enormes boulevares, observando as vitrines, ou então margeando o sena, e aclamando a fabulosa arquitetura desta soberba capital européia. Tudo isso ajuda na descoberta do verdadeiro sentido desse lugar mágico. Crie também as suas próprias maneiras e será agraciado com um deleite infinito do espírito.

Bem, não sei exatamente quantos dias você passará em Paris, isso vai depender de vários fatores pessoais de cada um. E, também, não acho que isso precisa ser fonte de preocupação já que, provavelmente, você vai voltar em alguma outra oportunidade. Então, veja e desfrute do que conseguir, até porque não seria possível ver tudo mesmo nem em 10 viagens pra lá. Em Paris, sempre estamos descobrindo alguma novidade. Esgotá-la é impossível, como tentar contar os grãos de areia de um deserto. Se a pessoa puder, sugiro para um basicão, uma permanência de 7 dias. Se for menos, paciência, otimize e enxugue seu roteiro. Se for mais, melhor, sorte sua.

Para chegar em Paris, há vôos diretos da TAM e da Air France mas, evidentemente, todas as empresas aéreas que voam do Brasil para a Europa dispõem de rápidas conexões para lá. Pode-se chegar também de trem vindo de vários lugares do velho continente, sendo que a viagem desde Londres é a mais famosa, pelo TGV que passa por baixo do canal da mancha. Quem chega de avião, seja pelo Charles de Gaulle ou por Orly, este mais usado para os voos dentro da Europa, tem uma ótima opção para chegar à cidade, que é o bilhete do Car Air France, um serviço de ônibus transfer de luxo, que pode ser comprado no próprio aeroporto e que oferece pontos finais em pontos estratégicos da cidade, como o ópera e a torre de Montparnasse.

Em relação à hospedagem, prefiro ficar em rive gauche, ou seja, à esquerda do Sena. Acho mais agradável e julgo como a parte mais bonita e mais verdadeira da cidade. Boas opções são os Bairros Quartier Latin, Montparnaisse ou St. Germais des Prés. No lado direito do rio, você pode tentar o Marais, o Champs Elysées (mais cara e mais lotada), Opéra ou a região do Trocadéro, que é mais residencial. Esses bairros ou ‘arrondissements’, como eles chamam, são os mais charmosos ao meu ver. Outro local também muito habitado por poetas, artistas, mochileiros, alberguistas e tipos afins é o Montmartre. Não ficaria lá, pois acho muito bagunçado. Mas tem belas vistas da cidade, ficando mais no alto. Lá se encontra também a belíssima Basílica de Sacre-Coéur. (foto abaixo).

sacre_couer_paris_shutterstock_83850490

Um dos programas culturais mais interessantes que se tem pra fazer na capital da França é ir aos Museus. Não posso deixar de falar deles. Aliás, poucas cidades no mundo dispõem de um acervo artístico e cultural tão vasto e rico como Paris. Lá você encontra todo e qualquer tipo de museu pra qualquer espécie de gosto e de visitante. Grande, enorme, pequeno, minúsculo, de ruínas, de vanguarda, em ambiente fechado, subterrâneo, a céu aberto, genérico, específico, feio, bonito e sobre quase qualquer assunto que se possa imaginar. Não sei se você gosta tanto assim desse programa mas, ainda que isto não seja a sua praia, permita-se uma visita a alguns dos que passarei a listar. Você só tem a ganhar.

Bem, primeiro, o Orsay, (se quiser ou puder ir somente a um, escolha este!) localizado em uma belíssima estação de trem antiga às margens do Sena, que concentra um acervo espetacular dos principais pintores impressionistas e pós impressionistas, tais quais Paul Cézanne, Edouard Manet, Claude Monet, Toulouse Lautrec, Dégas, Pierre Renoir e Vincent Van Gogh somente para se falar dos principais. Sempre que estive em Paris, não consegui deixar de visitá-lo. É como uma cachaça. Outro museu imprescindível, a meu sentir, é o Georges Pompidou, apelidado de Beaubourg, com um acervo de mais de 60 mil obras de arte moderna e contemporânea, em um edifício arquitetônicamente muito interessante com tubulações coloridas aparentes situado no bairro do Marais que, atualmente, é conhecido inclusive como o bairro GLBT de Paris.

Além desses dois museus com acervos genéricos, não posso deixar de mencionar o Museu Rodin, que fica em uma belíssima propriedade (Hotel Biron) próxima à estação de metrô Varenne, onde o artista manteve sua oficina de trabalho à partir de 1908. Várias das famosas esculturas do artista e de Camile Claudel, sua esposa, como o beijo, o pensador e as portas do inferno, ficam expostas no próprio jardim, gerando um clima bucólico e exuberante aos visitantes. Imperdível. Principalmente se for em um dia de sol. Além deste, vale muito também uma ida ao Museu Picasso, situado em uma ampla casa no Marais, exclusivamente dedicado ao renomado pintor e escultor espanhol, que optou por viver na cidade durante muitos anos de sua longa vida, na primeira parte do século XX. Junto com o de Barcelona e o Berggruen em Berlin, são os três museus que mais concentram trabalhos do artista em todo o mundo, embora a sua obra mais famosa, o dramático quadro Guernica, esteja situada no Centro de Artes Reina Sofia em Madrid.

E o Louvre Felipe? Você deve estar se perguntando. Bem, o Palácio do Louvre é gigantesco e, sua entrada é facilmente identificada como sendo naquela famosa pirâmide transparente, em frente ao Arco do triunfo do carrossel e as tulherias. Deve ser visitado em partes e com calma. Nunca vai se esgotar. É um museu de dimensões e proporções gigantescas, com um acervo monstruoso. Dizem que se o visitante ficasse olhando por 10 segundos para cada peça exposta, levaria 30 anos ininterruptos para cumprir todo o seu enorme acervo!!!! Foto abaixo da entrada:

IMG_0629

Assim, relaxa e, após uma breve estudada no mapa, escolha previamente uma parte que te interessa e se dedique a ela. Eu, por exemplo, gosto muito da parte da babilônia, com o original do código de hamurabi e a parte subterrânea das fundações originais do museu.. Não deixe de ver as obras mais famosas também, no caso as evidentes Monalisa de Leonardo da Vinci e as esculturas da Venus de Milo e a Vitória Alada de Samotrácia, esta situada na parte mais alta e ampla de uma escadaria de mármore que liga duas amplas galerias. Foto abaixo da pirâmide do Louvre em outra viagem diferente, esta no verão:

piramide louvre

Finalizando este tópico, outros dois locais de exposição permanente muito interessantes e menos concorridos. O primeiro, o Museu de L’ Orangerie, que fica na extremidade à esquerda do Jardin des Tuileries, onde era a estufa, quase em frente à Place de la Concorde, com obras impressionistas e pós impressionistas, destacando-se aqui os enormes quadros das famosas ninféias de Monet. Esta série de oito obras primas fica exposta em duas salas ovais, especialmente preparadas para receber estes quadros. Além deste, o Museu Marmotan, que também conta com um belo acervo de Monet e fica numa região muito bonita próxima ao 16º Arrondissement, quase encostado no parque ‘bois de boulogne’, em uma zona menos turística e mais residencial da cidade. É o maior acervo mundial de obras deste pintor. Abaixo, fotos de uma das ninféias de Monet, expostas no L’ Orangerie e da Karine apreciando as obras de Monet no Marmotan:

IMG_0660

IMG_0725

Agora, como esse assunto já está dando fome, passemos a falar de comida. Restaurantes e bons locais para comer são milhares, com opções que vão desde o pato numerado do luxuoso Tour d’ Argent e sua renomada adega com mais de 400 mil rótulos (nunca fui), até as mais simples e honestas creperias e pequenos bistrôs. Eu vou indicar três opções que me seduzem muito na cidade e que são de estilos bem diferentes. O primeiro é o Le Relais de l’ entrecôte, que fica quase na esquina com a igreja de Saint Germais des Prés. Sempre cheio e concorrido, serve um único prato, qual seja um maravilhoso filet mignon ao molho bernaise com batatas fritas, devidamente ciceroneado por uma deliciosa salada verde de entrada. Outro destaque parisiense, a meu ver, com um ambiente tradicional e antigo, estilo bélle-époque e uma deliciosa e requintada gastronomia é o Le Train Bleu, situado dentro de uma Estação de Trem, a Gare de Lyon. Um pouco caro, mas vale a experiência neste local centenário e muito concorrido. É como um jantar no início do século passado, nos arredores de 1900.

Por fim, pra não me tornar enfadonho, indico também o restaurante supostamente mais antigo de Paris, o Le Procope, situado na Rue de L’ Ancienne Comédie, 13, quase esquina com Boulevard Saint Germain. Metrô Odeon. Este restaurante tem pratos muito famosos como a sopa de cebola, as ostras frescas e a paleta de cordeiro, além de diversas outras opções destacadas, em um ambiente tradicional e de época, contando com um excelente serviço. Na entrada, veja a decoração com alguns chapéus que, segundo informaram, pertenceram a Napoleão Bonaparte, cliente assíduo do estabelecimento. Já estive lá duas vezes e em ambas comi maravilhosamente bem. Indico com os olhos fechados, então, esses restaurantes. São apenas sugestões. Mas, não se preocupe, pois caso você não possa ou não queira ir em nenhum destes, opções maravilhosas não faltarão para que você se delicie com refeições de sonho, regadas a vinho tinto e champagne.

Agora, vou abordar o tema “Passeando por Paris”. Quero indicar algumas opções de passeios ao ar livre, que podem e devem ser experimentados e aproveitados a pé pelos visitantes. Todos são roteiros previamente testados e aprovados por este que vos escreve, uns demandando uma maior, outros uma menor e menos desgastante caminhada. Nenhum deles, contudo, está a exigir uma forma física de maratonista, podendo ser tranquilamente experimentado por qualquer pessoa que não tenha um problema relevante de locomoção e mobilidade, até porque, evidentemente, todos eles contemplam uma série de paradas em seu decorrer que facilitam a tarefa.

IMG_0664

O primeiro roteiro é o seguinte: Em um dia de sol, se possível, comece com um piquenique (ou ao menos um snack) no Jardim de Luxemburgo, sentado ao redor do lago e olhando o edifício onde funciona o Senado Francês. Fique lá contemplando a paisagem, os passantes e a natureza deste belo parque parisiense. Se desejar, alugue uma bicicleta. Quando se der por satisfeito, saia do parque pelo portão da direita e desça caminhando vagarosamente pelo Boulevard Saint Michel, passando pelo Pantheon (onde cabe uma visita a esta maravilhosa igreja construída em 1764 com uma cripta no subsolo onde descansam vários renomados expoentes da cultura francesa como Victor Hugo, Alexandre Dumas, Rousseau, Voltaire, Foucault, Saint Exupéry, dentre outros). Após, ainda no Quartier Latin, siga a descida olhando as vitrines e passe pela Universidade de Sorbonne, desfrutando do delicioso ambiente acadêmico estudantil até chegar à esquina com o Boulevard Saint Germain.

Caminhando um pouco mais, às margens do Sena, cruze a Pont Neuf se dirigindo à Ile de la Cité. Paris tem duas ilhas fluviais urbanas dentro de si, a ile de la cité (maior) e a ilha saint louis (minúscula), esta, o único ponto não servido por nenhuma estação de metrô. Na primeira, não deixe de admirar a fachada e também visitar o interior da famosíssima Catedral Gótica de Notre Dame, um dos maiores cartões postais da cidade. (foto abaixo):

notre dame

Assim como não posso deixar de indicar, neste trajeto, uma outra jóia quase escondida, a pequena igreja de Sainte Chapelle, com seus dois andares tão distintos e cuja fachada não aparece ao grande público, estando localizada no interior das dependências do palácio da justiça, que também abriga o museu da conciergerie onde, antigamente, os presos políticos ficavam aguardando a decapitação, como Maria Antonieta.

E, fechando este giro, em seguida, permita-se uma esticada até a Ile Saint-Louis e veja as lojinhas de artesanato, patisseries, fromageries, livrarias, as belas sacadas nos prédios e tome um sorbet Berthillon, muito cultuado pelos parisienses, quase uma instituição permanente. Dizem que o sorbet de melão é o melhor do mundo! Curiosidade: A sorveteria fecha no verão, quando os habitantes da cidade, assim como os donos deste negócio, resolvem sair de férias. Aqui, na Ile Saint Louis, a despeito do Berthillon, também se tem uma bela visão do rio sena e da parte de trás da igreja de notre dame. Trata-se de um dos metros quadrados mais caros da cidade. Ouvi falar que Chico Buarque tem um apartamento nesta região, onde provavelmente encontra inspiração de sobra para compror suas canções e escrever suas obras literárias. Foto abaixo, bela vista do Sena, desde a Ile Saint Louis:

ile saint louis

O segundo roteiro sugerido, este um passeio visualmente muito impactante, e que exige um pouquinho mais de disposição para caminhar, tem como ponto de partida a Piramide do Louvre. A partir dela, você trilhará uma enorme reta sempre em frente, ou ‘tout a droit’ como dizem os franceses. Inicialmente cruze o Arco do Triunfo do Carrossel (não confundir com o grande arco do triunfo, pelo qual você também passará neste passeio) e, siga pelo Jardin des Tuileries. Aqui, dedique tempo à sua observação e contemplação. Qualquer que seja a época do ano, você encontrará muita beleza nesta bucólica esplanada, verdadeira sala de estar da natureza em pleno centro da cidade. Se tiver a sorte de visitá-lo na primavera, será brindado com flores e com sol, o que enriquecerá ainda mais a experiência.

IMG_0637

F Tuileries in Paris

Aprecie e constate a obsessão dos franceses pelas formas simétricas. É quase surreal. Se tem uma planta de um lado, a mesma planta estará no exato local do outro. Três árvores à esquerda, três à direita. Bancos em diagonal de um lado, os mesmos do outro. Idêntico desenho de corte e jardinagem das plantas. E assim sucessivamente… Se perca neste jardim, como que sem compromisso para mais nada. Após, siga caminhando e passe pela place de la Concorde, com o grande obelisco, presente para Napoleão Bonaparte do governo egípcio. À sua direita, você avistará o Hotel Crillon, um dos três mais chiques de Paris, próximo a uma estátua de bronze da heroína Joana D’ arc; Siga em frente e, passando o rond-point, então já estará na primeira parte da Avenue des Champs Elysées, aquela que tem apenas árvores e um promenade, ainda sem comércio.

IMG_0638

À esquerda, poderá avistar o belíssimo conjunto arquitetônico formado pelo petit palais, o grand palais e a ponte Alexandre III, a mais rica e ornamentada da cidade. O Grand Palais foi construído para a exposição universal de 1900, no estilo belas-artes, característico da Escola de Paris, que reflete o gosto pela rica decoração e ornamentação nas suas fachadas de pedra e pela prevalência de uma estrutura de ferro e aço aparente, toda em concreto armado. Além de serem belos exemplares arquitetônicos, sempre abrigam ótimas exposições temporárias. Seguindo adiante, e sempre reto, mantendo o foco neste roteiro, chegará o visitante na parte de lojas e boutiques da luxuosa Champs Elysées. Caminhe a seu tempo até o Arco do Triunfo magnífico, passando pelo suntuoso Hotel Georges V, um dos mais chiques desta Capital.

IMG_0644

Para visitar o Arco, é preciso atravessar um túnel subterrâneo que passa por debaixo da pista rotatória a seu redor. Dispõe de um mirante cujo acesso se dá após o percurso de algumas centenas de degraus. O principal monumento parisiense, junto com a famosa torre, se vê entrecortado por doze avenidas simétricas e circulares. Vá pela esquerda e ande pela residencial Avenue de Kleber, em pleno bairro do Trocadéro e caminhe até o Pallais de Chaillot, onde, ao subir as suas escadarias, você terá a visão mais deslumbrante possível da Torre Eiffel. Faça isso e dessa forma! Te prometo que não haverá arrependimentos. O visual é simplesmente monumental! As fotos ali são espetaculares.

IMG_0672

Desça, cruze o sena e então estará embaixo da torre. Vale subir lá? Se eu disser que não, tenho certeza que poucos me darão ouvidos. E porquê? Por ser o único lugar da cidade onde não se consegue ver…. a Torre! Não acho que pelas fotos dê para se ter uma noção exata, mas o rio sena passa exatamente neste ponto, um pouco antes da torre. Caminhe reto pelo gramado e chegue até o Champ de Mars, no edifício onde funciona a escola de militares franceses. Se estiver sol, vale sentar na grama em frente e relaxar, curtindo o visual, descompromissadamente. Abaixo, foto da Karine neste exato local. Note que, ao fundo, avista-se lá em cima o ponto exato onde foi tirada a foto anterior, com a melhor vista da torre:

torre eiffel

Entendo que essa sugestão de passeio, que deve durar mais ou menos umas 4 horas (contando as paradas, evidentemente), se encerra por aqui. Nada impede, contudo, que você reduza o trajeto ou então ainda o estenda, caso sobre fôlego. Perto dali, dá pra ir até o Domo Les Invalides, que na minha opinião não tem muita graça mas apenas para ver o túmulo de napoleão. É uma igreja muito bonita com uma cúpula dourada. Em frente ao domo, na sua parte de trás, está a Pont Alexandre III, toda ornamentada. E, ao cruzá-la, o visitante se depará frontalmente com os já mencionados Petit e Grand Palais, fechando então o ciclo dessa caminhada em definitivo.

Outra dica que não posso deixar de mencionar é o passeio de barco. Não deixe de fazer o ferryboat pelo sena. É um programa bem ao estilo ‘turistão’, mas é muito legal. Se puder, faça à noite para ver as luzes da cidade e de seus inúmeros prédios e monumentos. Algumas operadoras combinam o passeio com almoço ou com jantar à bordo. Não precisa reservar com antecedência, basta chegar aos muitos locais e comprar na hora. Recomendo a empresa Vedettes de Pont Neuf.

Vamos à terceira sugestão de passeio à pé. Pois bem, outro caminhar bem bacana, este um pouco mais curto, pela margem direita do Sena, consiste em partir do ponto em frente à praça da ópera de Paris, da qual o Teatro Municipal do Rio de Janeiro (não sei se vc. o conhece ) é uma cópia fidedigna. De lá, vale caminhar descendo até a Place Vendome e visitar as lojas das grandes e caríssimas boutiques da moda. Nessa praça, fica o suntouso Hotel Ritz. Você pode entrar lá para conhecer o seu belo interior e se programar para sentar no bar da piscina e tomar um chá com biscoitos e sanduiche ou um café. Pagará uns 30 euros ou um pouco mais e terá o gostinho de imaginar uma hospedagem nababesca naquele local. Foto do ópera:

IMG_0652

Saia do Ritz, visite as boutiques da place véndome e caminhe até a place de la concorde, ao lado do jardin des tuileries, mas, desta vez, não entre em suas dependências. Caminhe pela Rue de Rivoli, que fica exatamente paralela e acima do Jardin des Tuilleries e é facilmente reconhecível por ter uma calçada repleta de arcos. Caminhando por ela e indo na direção leste, você poderá chegar ao Marais, que é um bairro muito cult e com galerias de arte e lojas de design. Lá no Marais, não deixe de visitar os já citados Georges Pompidou e o Museu Picasso e dar uma passada também pela Place des Voges. Se ainda tiver fôlego, siga caminhando e cheque até o monumento que celebra a queda da bastilha, situado em uma praça onde foi construída a nova ópera de Paris, em um edifício modernoso e bem menos bonito do que a ópera antiga. Foto da place des voges:

IMG_0774

E, por fim, como quarta sugestão de passeio a pé, se tiver tempo e ainda fôlego, não deixe de visitar o bairro de Montmartre, ao norte da cidade e numa área mais inclinada, com seus artistas de rua, retratistas, caricaturistas, pintores e cabarés, esta uma zona mais ‘bagunçada’ e boêmia. Não deixe de subir as ladeiras e escadarias e visitar a estupenda basílica do Sagrado Coração de Maria, a Sacre-Coeur. Recomendo entrar na enorme igreja e, após umsa breve visita, sentar a sua frente, sem se preocupar com o tempo, nas famosas escadarias, desfrutando de uma vista arrebatadora de Paris e apreciando também a performance de músicos, artistas, poetas e tantos outros tipos de algum modo ligados ao universo da arte. Uma experiência singular e muito enriquecedora. Quase ao lado da basílica, se conseguir, visite o pequeno museu de Salvador Dali, num ambiente muito interessante e diferente, que te apresenta de uma maneira peculiar várias obras do renomado mestre espanhosl do surrealismo.

Além da própria cidade, devemos registrar a possibilidade de maravilhosos passeios de um dia ou mais, para fora do limite urbano, em locais próximos, acessíveis por Trem ou ainda via RER (outra espécie de trem que passa também por dentro da cidade, se servindo da mesma malha do metro). Não falarei da Euro Disney porque nunca estive lá. Ao contrário da Disney Orlando e da Disney Califórnia (estas que, inclusive, receberão um post em breve). Tenho duas sugestões outside Paris, ao meu sentir, indispensáveis.

A primeira é a ida ao maravilhoso jardim de Giverny, local que serviu de ateliê e fonte de inspiração para Claude Monet. Fica a aproximadamente 70 km de Paris na região da normandia e é um passeio perfeito de bate e volta. Cuidado, entretanto, que esta atração fecha durante uma parte do ano, geralmente no invero. Fica aberta de abril a novembro. O ideal é pegar o trem na parte norte da cidade no Gare Saint Lazare até Vernon. A viagem custa menos de 50 euros todo o trajeto e o bilhete já inclui o ônibus que se apanha da estação de trem em Vernon até a propriedade.

IMG_0730a

IMG_0740

Os destaques absolutos da visita são, obviamente, os jardins de Giverny e sua famosa ponte japonesa, retratada em tantas obras, além da casa do próprio pintor e um pequeno museu impressionista. O ideal é um dia de sol, mas esta opção traz como consequência um grande aporte de visitantes. Nós fomos em um dia nublado e com um pouco de garoa, o que acabou sendo uma boa opção, já que o local estava mais vazio e pudemos ver tudo com mais calma. Fica a dica, então.

IMG_0729

IMG_0753

O outro passeio altamente recomendado, evidentemente, last but not least, é uma ida ao magnífico Palácio de Versailles, com suas suntuosas dependências abertas ao público e com jardins gigantescos que se estendem a perder de vista na parte de trás da enorme propriedade. Acessível via RER, cujo bilhete pode ser comprado por cerca de 10 euros em qualquer estação do metrô. 45 minutos desde Paris, facílimo. Basta saltar do trem, o RER, e caminhar reto por uns 10 a 15 minutos que, à esquerda, o Palácio surgirá em seu campo de visão.

IMG_0689

Uma enorme demonstração de requinte, poder e suntuosidade da Monarquia Francesa, que lá assistiu ao apogeu de sua história, com o reinado de Luís XIV, o chamado Rei Sol, que cunhou a célebre frase: L’ État; Cést moi. (O Estado sou Eu). Além dos jardins, destaco também no interior do palácio os quartos do rei e da rainha e a sala dos espelhos, onde aconteciam os famosos bailes da corte. Fotos abaixo, sala dos espelhos e esplanada dos jardins:

IMG_0681

IMG_0697

Bem, acho que já falei demais. Se Paris é inesgotável, quem sou eu para ousar dar linhas definitivas a qualquer esboço sobre si. Quis apenas contribuir de meu modo ao infindável universo de textos disponíveis sobre este maravilhoso lugar e, se tiver ajudado um único leitor que seja a melhor se programar e a dela desfrutar, já terei tido êxito em minha árdua missão!

Au Revoir…

Do Rio pro Mundo

12 pensamentos sobre “Paris. Sempre Paris…

mimiPublicado em  6:59 pm - ago 4, 2013

Felipe, parabéns por mais este primor de post,que como sempre alimentam a nossa alma.Estou com viagem marcada para Paris e com certeza, levarei comigo todas estas dicas.Os museus, foram maravilhosamente selecionados,os parques também
e os restaurantes muito bons.Parabenize sua musa Karine por mim pelas fantásticas fotos…que bom acordar domingo, e ler um post deste,feito com tanta paixão,abs Mimi

    Do Rio pro MundoPublicado em  2:26 pm - ago 5, 2013

    Muito Obrigado Milka, por suas carinhosas palavras.

    Espero que as minhas dicas te ajudem a ter um belo passeio em Paris.

    Depois volte aqui neste espaço e conte como foi!

    Felipe

AllinePublicado em  1:24 pm - ago 5, 2013

Excelente Felipe!! Simples e pratico.

Quando eu voltar a Paris, com certeza vou fazer esse tour da Ile Saint-Louis e experimentar esses restaurantes que voce citou.
Brigadao pelas dicas!
Bju!

PS: To em Washington DC indo pra Chicago 😀

    Do Rio pro MundoPublicado em  2:28 pm - ago 5, 2013

    Valeu! Fiquei com medo de ficar meio grande, mas o pessoal tá gostando, me mandando emails e curtindo nas redes sociais. Bom sinal então! Essas respostas positivas vão me estimulando a seguir o projeto deste blog, em breve com grandes novidades…

    Felipe

      Alice StrauchPublicado em  1:18 am - ago 21, 2013

      Fi, me lembro da primeira vez que você foi a Paris. Estávamos lá, eu e Murilo, e pudemos te dar algumas dicas e transmitir aquela afeição que tínhamos pela cidade e que cresce a cada viagem. Paris continua sendo ponto de partida ou chegada de qualquer roteiro nosso. Deslumbrante, emocionante, surpreendente, admite clichês como nossos passeios repetidos de bateau mouche sob pretexto de levarmos um amigo pela primeira vez!Fi, adorei o blog! sou suspeita…mas ler sobre viagens e roteiros é sempre uma delícia pois viajamos juntos!você e Karine se completam!Bjs em toda família, Alice.

        Do Rio pro MundoPublicado em  2:03 am - ago 21, 2013

        É verdade Alice. Lembro como se fosse hoje. Vocês me deram dicas valorosas para aquele então turista estreante de Europa. Lembro até a data. Outubro de 2000. Desde aquela época já se passaram quase 13 anos e, muitos outros lugares foram visitados. Mas Paris, já 5 vezes por mim visitada, fica sempre marcada como uma tatuagem na memória e no coração tendo aquele gostinho de “o primeiro beijo a gente não esquece”. Obrigado pela visita, pelos comentários e elogios. Bjs em toda a família, principalmente para você, murilo, pedro, joana e stella.

        Felipe

Sonia FortesPublicado em  7:19 pm - ago 26, 2013

Felipe, caro amigo, você se supera a cada dia. Visitei Paris, através de seus olhos. Alguns lugares rememorei com saudades, vívidas. Outros, anotei em meu caderninho para a próxima viagem. Ao olhar atento, perspicaz, você alia sensibilidade e cultura, além de um bom gosto invejável. Parabéns pelo post. Continue a escrever para gáudio de todos nós, seus admiradores. Abraços, Sonia

    Do Rio pro MundoPublicado em  12:24 pm - ago 27, 2013

    Querida Sonia,

    Paris é uma cidade realmente especial e todos aqueles que já a visitaram, ficam com esse inegável sentimento de nostalgia e saudade. O jeito é voltar lá, sempre que der, para atualizar suas impressões.

    Uma vez mais, muito obrigado por seus elogios calorosos e um grande abraço!

    Do amigo Felipe

Haydée ClavéPublicado em  10:12 pm - set 4, 2013

Maravilhoso o teu blog!!!!
Senti-me em Paris, apesar de nunca lá ter ido!!!!
Tua escrita é perfeita e dá gosto ler!
Viagens magníficas, descritas fielmente por um olhar agudo e delicado ao mesmo tempo!
Parabéns!
Um abraço.

    Do Rio pro MundoPublicado em  10:36 pm - set 4, 2013

    Muito Obrigado Haydée!

    Fico muito feliz e lisonjeado com os seus elogios ao meu trabalho. Neste caso específico, então, onde você diz que nunca esteve em Paris mas se sentiu lá, essa minha alegria e satisfação fica ainda mais aumentada.

    Saiba que seu comentário muito me estimula a dar prosseguimento a este projeto, que, embora trabalhoso, vem sendo gratificante ao extremo, principalmente pela calorosa acolhida que venho recebendo junto ao público.

    Receba um grande abraço,

    Felipe

Thales Tebet da CruzPublicado em  1:51 pm - fev 4, 2014

Felipe,

Mais uma vez, por meio das suas descrições, senti vontade de sair correndo, pegar a minha esposa e viajar rapidamente. Somente consegui me segurar por um motivo: estamos de viagem marcada para Paris e Londres em maio.

Escolhemos essa data justamente por ser primavera, e como o grande sonho da Marseylle é conhecer os Jardins de Monet, tudo se encaixou perfeitamente.

Adorei as dicas dos museus e dos restaurantes. A propósito, você tem alguma coisa – boa ou ruim – para falar do Moulin Rouge? Pretendemos ir para lá…

Certamente vou fazer os roteiros das caminhadas; é a minha coisa favorita de fazer em lugares que não conheço.

Muito obrigado pelas dicas valiosas e tenha certeza de que quando voltar dividirei minhas impressões aqui.

Grande abraço!

Do Rio pro MundoPublicado em  11:14 pm - fev 4, 2014

Oi Thales!

Bem, primeiramente obrigado por seus gentis elogios que muito me estimulam a seguir escrevendo.

Sim, vá ao Moulin Rouge em Montmartre que é um ótimo programa. Eu nunca fui mas alguns amigos já foram e gostaram bastante!

Quando voltar de viagem, não deixe de deixar aqui seus comentários e/ou novas dicas.

Um gde abraço, Felipe

Deixe sua mensagem

5 × 1 =