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Oktoberfest: A maior festa cultural da Europa.

Oktoberfest: A maior festa cultural da Europa.

No dia 20 de setembro de 2014, foi oficialmente aberta a 181ª (centésima octogésima primeira) festa anual dedicada à alegria e à confraternização do povo da Baviera, traduzindo a expressão maior de sua cultura e de seu modo de viver. A cada ano, já desde quase dois séculos atrás, durante duas semanas, geralmente entre a última do mês de setembro e a primeira do mês de outubro, Munique, capital desta bela região ao sul da Alemanha (e seus quase 1,5 milhões de habitantes) se transforma e se prepara para receber milhares de visitantes de todas as partes da Europa e do Mundo, ávidos por beber muita cerveja e comer iguarias típicas, trajando roupas próprias e circulando por múltiplos pavilhões estilizados, com estruturas montadas em uma área enorme (fotos noturnas abaixo, tiradas pela Karine).

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Tudo isso abrigando também ao redor um mosaico de atrações de entretenimento que, aglutinadas, formam um grande parque de diversões vintage, com brinquedos de antigamente como chapéu mexicano, expresso do amor, rotor, trem fantasma com monstros vivos, montanhas russas e rodas gigantes de madeira dentre vários outros, capazes de aguçar a memória e o coração de todo visitante que já tenha passado dos 30 anos. É como uma deliciosa volta ao passado para os mais velhos. O enorme pavilhão Wiesn, onde se dão os festejos, que tem uma área correspondente ao tamanho de 50 campos de futebol, fica a apenas 15/20 minutos de caminhada da Marienplatz, desde o centro de Munique.

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Essa reunião de gente bonita, festeira e alegre chama-se Oktoberfest e teve origem em 1810 com a recepção dos convidados por ocasião da celebração das bodas do rei Ludwig I, que foi tão concorrida e bem sucedida que acabou se transformando em um evento anual. Desde então, a festa só tem crescido e hoje representa uma das maiores manifestações culturais de toda a Europa, com versões menores espalhadas pelos quatro cantos do mundo. Não foi por acaso que um dos objetivos principais de termos feito essa viagem para Munique na última semana de setembro (assim como também se programaram milhares de outras pessoas ao redor do globo), deveu-se exatamente pela ‘coincidência’  de podermos estar na cidade no decorrer da primeira semana do evento mais famoso da Alemanha. Queríamos literalmente ‘beber cerveja na fonte’. E posso dizer que as expectativas (bastante altas) foram plenamente atingidas.

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A festa tem a sua abertura oficial realizada sempre ao meio dia do primeiro dia de celebração, quando o prefeito da cidade de Munique pronuncia a célebre frase “O´zapft is!”, algo como “que escoe a cerveja de dentro dos barris”. Em seguida ocorre uma famosa parada que também marca o início oficial da folia. A partir desse momento, durante cerca de 16 dias, são consumidos mais de 7 milhões de litros de cerveja, principalmente no interior das 6 enormes tendas das principais cervejarias da cidade (Augustiner, Hacker-Pschorr, Löwenbräu, Hofbräuhaus, Paulaner e Spaten), fazendo a alegria dos visitantes.

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Mas não são apenas os turistas que prestigiam e enchem o evento. Ao contrário, pude constatar in loco, que os próprios habitantes de Munique (e principalmente eles) amam demais a sua festa anual e são os maiores responsáveis por encherem a área de celebração todos os dias. Todos aguardam ansiosamente pela chegada da primavera, que marca o início da festa. Jovens casais, grupos de amigos, famílias inteiras, assim como idosos e crianças lotam as dependências dos pavilhões e do parque com muita alegria e entusiasmo, todas as horas do dia, durante 15 dias, mostrando ao mundo inteiro uma das facetas do que a Alemanha tem de melhor.

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Em relação ainda às cervejarias, algumas curiosidades. A Augustiner é a mais antiga de Munique e uma das mais antigas do mundo. Fundada em 1328, produzida por monges. A Hacker-Pschorr se gaba de ter sido a cerveja servida na recepção do casamento do rei Ludwig I, que deu origem aos festejos anuais. A Löwenbräu era a maior cervejaria de Munique até a segunda guerra mundial quando sua sede foi bombardeada. 3 anos após o fim do conflito, a produção foi retomada. A Hofbräu tem a maior tenda na festa e é a mais concorrida entre os turistas, muito pela fama de sua sede que fica no centro de Munique. A Paulaner é a mais nova entre as 6 principais e também teve sua origem na produção por Monges. E, finalmente a Spaten, onde a festa começa. Todos os anos, o prefeito abre o primeiro barril nesta tenda, a Schottenhamel, e somente depois disso as outras tendas podem passar a servir a bebida. Foto abaixo da tenda da paulaner. Por fora e por dentro:

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Um ou dois dias de visita são suficientes para conhecer todo o clima e a atmosfera da festa. E, como o pavilhão fica relativamente perto do Centro, é possível combinar metade de um dia na Oktoberfest com outros passeios pela cidade. Para quem não estiver disposto a ir ou voltar caminhando, há um excelente transporte público que leva a pessoa até lá. De metrô, sirva-se das linhas U4 e U5, saltando na parada Theresienwiese. Nas linhas U3 e U6, salte nas paradas Goetheplatz e Poccistrasse, respectivamente. Os Trams também levam ao local pelas linhas 18 e 19, nas paradas Hermann-Lingg-Strasse e Holzapfelstrasse, respectivamente. Na hora da volta, já tarde da noite e possivelmente meio alcoolizado, convém apanhar um táxi (muito fácil) nas filas que se formam em todas as saídas. Por cerca de 10 Euros, a pessoa volta confortavelmente até a porta de seu hotel ou hostel.

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A entrada no espaço do evento é gratuita, funcionando todos os dias de 10 da manhã até as 11 e 30 da noite. Mas a economia de dinheiro para por aí. Todos os brinquedos do parque de diversões são cobrados (média de 4 a 5 euros uma única vez). Há dias específicos e anunciados previamente onde as entradas para as atrações custam metade do preço, são os family-days. Geralmente, entre 10 da manhã e 3 da tarde todos os dias, as atrações também custam menos para serem exploradas. Evidentemente, comidas e bebidas também são pagas à parte. Poucos locais aceitam cartões de crédito, com exceção das lojinhas de souvenir. Portanto, leve dinheiro em espécie para gastar e não correr o risco de querer beber aquela última cerveja, botar a mão no bolso e descobrir que ele está vazio.

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Para sentar em uma mesa no interior dos pavilhões das cervejarias, há lugares livres, disponíveis e liberados até por volta das 15 horas. Após esse horário, quando a coisa começa a esquentar, a pessoa somente senta com reserva prévia de mesa (E os lugares são reservados e esgotados com 6 a 8 meses de antecedência, principalmente pela internet). Então, se pretender sentar em um desses pavilhões para comer, beber e assistir aos cânticos, brindes e celebrações dos locais, programe-se com bastante antecedência. Nós sequer sabíamos de toda essa dificuldade e não conseguimos sentar no período noturno. Contudo, em um dos 2 dias que visitamos a festa, conseguimos almoçar no pavilhão da cervejaria Paulaner, conforme foto acima. Abaixo, foto do pavilhão da Löwenbräu às 21 horas. Lotado. Como não tínhamos reserva, não conseguimos nos sentar e, por sorte, compramos uma caneca de cerveja para beber em pé:

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De resto basta seguir o seu instinto e curtir o máximo que conseguir. Não há segredos nem mistério. Dizem que a cidade fica ainda mais bonita nos dias em que a festa acontece (eu não tenho o parâmetro de comparação pois só estive em Munique nesta vez) mas também os preços ficam mais caros. E, como muitas pessoas estão com suas atenções voltadas para a região onde acontece o evento, várias outras atrações de Munique ficam menos concorridas, sendo assim um excelente momento para fazer um turismo mais vazio, naqueles dias alternados em que a pessoa não for ao pavilhão. Foto da montanha-russa recordista de ‘loopings’ em sequência. Acho que são 5 ou 6.

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Assim, se tiver a chance, não deixe de conhecer Munique no período em que estiver ocorrendo a Oktoberfest. A descontração é total, o povo é amistoso, não há brigas, como-se e bebe-se maravilhosamente bem, brinca-se como criança nos brinquedos do parque de diversões e o ambiente é muito seguro, sem contar o fato importantíssimo de haver uma logística perfeita e fácil para se deslocar de lá para a cidade e vice-versa. Repito, vá feliz e sem stress. E planeje com antecedência para tentar reservar uma mesa em uma tenda no horário noturno. Fora isto, não existe perrengue nenhum.

Só tem espaço para curtir muito e cultivar o desejo de querer voltar brevemente em um outro ano…

Do Rio pro Mundo

2 pensamentos sobre “Oktoberfest: A maior festa cultural da Europa.

GustavoPublicado em  12:45 pm - maio 7, 2015

Felipe, também já fui na festa e adorei. Éramos dois casais e o que mais me impressionou foi a dificuldade de encontrar lugar para beber dentro das tendas, já que não tínhamos reserva. Não tem conversa! Mas aí sentamos nas mesas externas e pudemos beber algumas boas cervejas, comer o excelente frango orgânico assado e interagir com pessoas de todo o lado do mundo. Achamos o clima da festa ótimo (exceto por uns moleques bêbados) e gostaria muito de voltar.. Saudações. Gustavo.

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