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Mykonos, de gregos e troianos. Parte 1. Por Vania Moreira, convidada.

Mykonos, de gregos e troianos. Parte 1. Por Vania Moreira, convidada.

A Vânia seguirá contando sua aventura pela Grécia, no último mês de setembro (2013). Neste segundo post, temos a primeira parte do relato sobre Mykonos, um dos lugares mais bonitos e badalados do planeta. Conta então Vânia:

Olhando pela janela do avião, a culpa e a tristeza por ter deixado Atenas para trás, com tanta coisa ainda por conhecer nos seus arredores, logo começaram a se desvanecer! Mais um dia belíssimo, de céu claro e sem nuvens, e as ilhas lá embaixo, pertinho, mostrando seus contrastes entre o solo escuro e vulcânico, e o azul turquesa do mar e das piscinas

dos hoteis!!! Como o percurso entre Atenas e Mikonos é feito em apenas 35 minutos, o avião não vai até a altitude de cruzeiro (uma benção para meus ouvidos!), então dava para ver tudo lá embaixo, com detalhes! Acho que as ilhas do arquipélago das Cíclades, de uma maneira geral, seguem à risca um 11º mandamento particular: “Pintarás tua casa de branco e as portas e janelas de azul, todos os anos, antes da chegada da alta temporada! E construirás, com o suor do teu trabalho de maio a outubro, uma linda piscina de borda infinita. E plantarás muitas buganvileas, para pincelar de carmim esse cenário bicolor… “, fiquei pensando nessa bobagem…

…e de repente ELA, a ilha da fantasia do inconsciente coletivo, a quintessência do paraíso, arquétipo do prazer e da luxúria, começou a ficar maior, e maior, e nossa, ela é grande mesmo! Pouso perfeito, apesar da ventania, avistando o mítico Mar Egeu pela primeira vez! No pequeno aeroporto, uma lufada agradável nos deu as boas-vindas, e percebi que, finalmente, havíamos aterrissado num dos mais famosos e badalados ícones da Terra!

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Ah, Mykonos…tão chique e sofisticada, mas ao mesmo tempo tão democrática e liberal, de gregos e troianos, dos gays e dos héteros, do jetset e da periguete, das famílias (sim!) e dos solteiros, e também de nós (eu e você), pessoas comuns e normais!!! Esta charmosíssima ilha é, de longe, a mais animada da Grécia e também a mais eclética, pois recebe todos os anos, de braços abertos, levas e mais levas de turistas de todas as tribos: desde os mais idosos, que descem dos enormes transatlânticos para passar apenas o dia, até os ricos e famosos, de fachada, de berço ou de ocasião. Também são bem-vindos, nessa alegre gaiola das loucas, os casais em lua-de-mel, os hippies e mochileiros, assim como os “mudernos” e antenados!

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Mikonos

E os descolados são muitos, divididos em categorias distintas, a começar pelos 1) gays (=) fortões e bonitões, que são muito machos para sair, em plena luz do sol, com brilhos mil, camisetas e shortinhos apertadéssimos e seus indefectíveis óculos espelhados Ray Ban (um must have na ilha!); 2) as moças lindas de doer de inveja, com seus olhos claros e cabelões loiríssimos ao vento, pele bronzeada, roupas etéreas e brancas (sempre) e cara de tédio (como assim???); 3) os italianos típicos, maioria absoluta, que acham que a ilha é o quintal da nona deles, e que apesar de super fashion e metidos a latin lovers, são “espaçosos”, falam alto e gesticulam muito (ok, nós também!); 4) as hordas de jovens de todo o mundo, alegres, independentes e deliciosamente inconsequentes, andando pra lá e pra cá naqueles quadriciclos barulhentos e “malas”, que empacam e empatam nas ladeiras mikonianas; 5) e claro, os brasileiros, que são figurinha fácil por lá, como se o “lá” fosse logo ali, em Búzios, Itacaré, ou Jeri!

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Se Mykonos fosse uma mulher, seria daquelas poderosas, de personalidade e atitude, que “causam” quando chegam, que são, que acontecem! Mas tudo muito cool, low profile, comme il faut numa it girl que se preze (não entendeu, procura no google). Porque ela sabe tudo o que representa e, como toda mulher, tem mil e uma faces: é brejeira (sim!) e sensual, acolhedora e selvagem, escancarada e misteriosa, permissiva e recatada! Tem um lado que tudo pode, e outro mais recolhido, provinciano, até! Só mesmo neste lugar mágico é que o grego ortodoxo, de cabelos brancos, roupas escuras e barba encaracolada, convive harmoniosamente, e há anos, com essa fauna sazonal tãããão exótica!

Nossa, me excedi, vou dar um passeio pela cidade pra espairecer e cair no texto novamente! Só que o nosso hotel ficava lááááá no alto, embora pelas fotos não pareça (1ª foto acima, ao lado da seta vermelha)! Então era sempre uma aventura divertida o sobe-e-desce de lá até a cidade e vice-versa! E o passatempo era esse: se achar e se perder, no meio daquele labirinto de ruazinhas estreitas e super charmosas, com suas casinhas imaculadas e cúbicas, suas lojas e restaurantes super transados e infraestrutura de primeira! Mais uma vez escolhi ficar no centro, em Chora (se pronuncia “Rora”, como rua), só que no topo, por causa da vista! É em Chora que ficam a maioria dos hoteis, restaurantes, lojas, joalherias, galerias de arte, as típicas e charmosas ruazinhas, várias atrações turísticas e o agito.

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No primeiro dia descemos até a orla, depois de nos perdemos muito, e fomos conhecer o Porto Novo e o Velho, num canto, e depois os famosos moinhos de vento e a romântica Little Venice, no outro canto. A beira-mar é fascinante e muito agradável, e percebi que, quanto mais brancas são as construções cúbicas da ilha, mais vibrantes e luminosas ficam todas as outras cores ao seu redor, especialmente as do céu e do mar!

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Aliás, muito se tem dito a respeito dessa arquitetura tão singular de Mykonos, e do impacto que ela causa em seus visitantes. É que estamos tão acostumados com os estilos rebuscados e monumentais do passado, e também com os excessos futuristas do presente, que usa muito vidro, alumínio e concreto, que quando nos deparamos com algo assim tão complexamente simples e despretensioso, o efeito é realmente devastador em nossa psiquê!!! É tudo tão relaxante e acolhedor, que queremos nos mudar para lá para sempre, ter uma casa branca de portas e janelas azuis, com flores na janela, de preferência de frente para aquele marzão com seus 50 tons de azul!

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Andando pela cidade descobri que, segundo a Mitologia Grega, Mykonos era neto de Apolo, o deus da beleza e da luz, e sua mãe era sobrinha de Dionísio (ou Baco), o deus do vinho e da alegria. O resultado não poderia ser outro: um lugar exuberante, repleto de cores, luzes e muita diversão! E pensar que o turismo começou a deslanchar de verdade somente após o término da II Guerra Mundial, quando o local serviu de porto para os aliados! Foi a partir daí que as suas belezas começaram a ser divulgadas mundo afora.

Mas isso não foi de imediato! Lá pelos idos de 1960, quando a ilha ainda não era destino dos voos da classe econômica, quem circulava por lá eram apenas os privilegiados passageiros de luxuosos iates, as estrelas de cinema, artistas plásticos e escritores em busca de inspiração. Algum tempo depois, juntamente com o primeiro serviço regular de balsas, começaram a desembarcar, também, os hippies e os mochileiros. E assim, pouco a pouco Mykonos foi se tornando um destino turístico popular e acessível, cumprindo sua predestinação de ser fashion!

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A grande guinada aconteceu em 1973, quando o artista plástico Piero AversaThe King of Mykonos, abriu o Pierro’s Bar, direcionado especificamente para a comunidade gay. O lugar era muito chique, vivia lotado e acendeu a primeira centelha da transgressão e da liberalidade, retomando para a ilha toda a atenção que antes estava voltada apenas para a vizinha, Delos. E aí o boca-a-boca se encarregou de espalhar para o mundo as delícias deste lugar idílico e democrático. Com um público gay cada vez mais crescente e exigente, Mykonos também cresceu e apareceu!

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Considerada por anos a fio como um destino predominantemente gay, nos últimos tempos a ilha tem conquistado novos visitantes: celebridades de vários segmentos, gente das artes, da moda e do design, que ajudaram a transformar o balneário numa espécie de Saint Tropez do Mar Egeu! Tudo isso graças à dupla personalidade da ilha, que oferece paisagens exuberantes e tranquilas para casais e famílias, de um lado, e uma vibe baladeira com uma frenética vida noturna, do outro!

Claro que isso tudo mudou consideravelmente os ares de Mykonos, e as casas simples de Chora começaram a dar lugar a charmosos hoteis, lojas, galerias de arte e elegantes restaurantes, e então esta pequena ilha se tornou uma referência em termos de refinamento e glamour! E hoje em dia, apesar de ter se transformado numa Babel pós-moderna, alegre e cosmopolita, que recebe celebridades de todos os quilates, este lugar mágico tem conseguido manter seu ar pacato de cidade do interior! Graças a Zeus!

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Quando chegamos lá embaixo, a cidade estava bem cheia e muito alegre, céu claro, brisa gostosa, comprinhas, fotos, por do sol de cinema, mais fotos, mas teve uma roubada por minha culpa: jantamos num daqueles restaurantes à beira mar, perto dos moinhos, e foi muito ruim! A comida era de carregação, do tipo engana-turista-trouxa, então não caia nessa, tome no máximo um drink, e só! Mas é que a vista de lá estava tão linda e romântica…quem manda ser piegas, é nisso que dá!

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Não que todo restaurante localizado num ponto turístico seja pegadinha, não é isso. Já fui em outros lugares super-hiper turísticos e comi muito bem. A questão é ter um mínimo de feeling e não estar esfomeado (era o meu caso!), pra sacar que pode ser roubada. É reparar na atitude do garçom (detalhe importante: em Mykonos eles são bem mais simpáticos do que em Atenas!), prestar atenção nos pratos das outras mesas (adoro fazer isso!) e dar sorte, também! Pra tentar fugir desse erro que cometi, pegue sempre sugestões nas revistas e nos guias de turismo, além de pedir dicas ao pessoal do hotel.
No dia seguinte, para compensar, tivemos um maravilhoso café da manhã, com o bônus da vista das fotos abaixo! Depois, pegamos o nosso lindinho Convertible Smart, que parece um cabritinho bravo, e finalmente fomos a la playa, ô, ô, ô, ô, ô! Acho que a combinação do solo vulcânico e areia branca, somada às águas cristalinas, com seus 50 tons de azul, mais o clima de para-sempre-férias, fez com que essas praias do Mar Egeu se tornassem realmente um lugar único e muito especial!

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Eu recomendo alugar um carro para rodar à vontade pelas várias praias da ilha, pois as mais bonitas e badaladas ficam ao sul e a sudeste de Chora. Para dirigir por lá é necessário ter carteira internacional de habilitação e, acima de tudo, ser bom motorista nas ladeiras! Um carro como o Smart dá conta muito bem, pois ele é possante para subir as íngremes ladeiras de Mykonos, além de ter modelos hidramáticos, conversíveis e com ar-condicionado! Se for na alta temporada, é imprescindível fazer a reserva com bastante antecedência, e a diária nesta época é meio salgada: 78 euros, mas vale muito a pena. Não há necessidade de GPS, pois a ilha é bem sinalizada, então um mapa e um(a) copiloto(a) já são suficientes. No início, confesso que é um pouco confuso, pois todas as placas estão escritas primeiro em grego, e depois em inglês, mas a gente acaba se acostumando.

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Prossegue no próximo, ainda com Mykonos e o passeio a Delos…

 

Do Rio pro Mundo

10 pensamentos sobre “Mykonos, de gregos e troianos. Parte 1. Por Vania Moreira, convidada.

AllinePublicado em  12:16 pm - dez 24, 2013

ESPETACULAR!!!!!
Chorei muito de tanto rir e de tanta saudade.
Vania, voce é simplesmente O MAXIMO!!
Ta proibida de parar de escrever
😀
Brigadao pelo prazer dessa leitura! Graças a Zeus!

    VaniaPublicado em  7:15 pm - dez 26, 2013

    Oi Aline, obrigada!!!
    Não vou parar não! Sabe por quê? Porque além de me divertir muito, dar dicas, ver as fotos de novo, o legal mesmo é que parece que estou lá de novo!
    Aguarde a parte 2, que já deve estar saindo do formo… te espero lá!
    Bjs,
    Vania

Boia PaulistaPublicado em  12:46 pm - dez 26, 2013

Oi, Vania. Tudo bem? 🙂

Seu post foi selecionado para a #Viajosfera, do Viaje na Viagem.
Dá uma olhada em http://www.viajenaviagem.com

Até mais,
Natalie – Boia

Carol AkemiPublicado em  7:13 pm - dez 26, 2013

Ola!
Gostaria de saber quantos dias vc ficou em cada cidade. Estou montando um roteiro la e queria saber um pouco mais do seu roteiro.
Obrigada
Bjos

    VaniaPublicado em  8:24 pm - dez 26, 2013

    Oi Carol,

    Eu fiquei 4 dias inteiros em cada cidade (Atenas, Mikonos e Santorini). Quando digo inteiros, quero dizer que os dias de chegada e de partida não contam. Mas, se você puder ficar mais, fique!!! Primeiro porque é muito looooonge, segundo porque é lindo e vale muito a pena, apesar de caro!

    Para mim, o ideal seria ficar 1 semana em cada ilha…mas 4 dias inteiros já são suficientes, embora eu tenha ficado com gostinho de “quero mais”! Então, pretendo voltar, pois teve passeios bacanas que não deu tempo de fazer.

    Como uma das coisas mais importantes em uma viagem é o tempo, ou melhor, a otimização dele, além da dica de alugar um carro, tenho outras duas: 1) fazer o trajeto Atenas-Mikonos de avião , pois é lindo ver o mar Egeu e as ilhas lá de cima, além de ser bem mais rápido (entre 200 e 300 euros só 1 perna); 2) fazer o trajeto Mikonos-Santorini de ferry-boat, que no verão oferece várias opções de horários, com partidas bem cedo. Dessa maneira, você pode ganhar quase que mais um dia, por chegar cedo no lugar! E a passagem é bem mais barata: 60 euros por pessoa. Abaixo vão os links para comprar o bilhete online, mas lembre-se que a partir de junho há mais opções de horários:

    http://www.ferriesingreece.com
    http://www.hellenicseaways.gr/index.php/en

    Além de revistas de turismo, que adoro, também uso guias, além da internet, claro! Volto a frisar que o Tripadvisor é a minha Bíblia, que sempre consulto nas minhas viagens, nacionais ou internacionais.

    É isso, espero ter ajudado! Se precisar de mais alguma informação, é só escrever novamente. E ler a 2ª parte do post de Mikonos e também meu próximo artigo sobre Santorini, quando darei mais dicas preciosas!!!

    Vania 🙂

Ana LauraPublicado em  2:33 am - jan 23, 2014

Oi Vania,

Vc reservou o carro antes de chegar às ilhas?
Obrigatória a carteira internacional?
Qual site vc recomenda?
Obrigada!

    VaniaPublicado em  2:34 pm - jan 23, 2014

    Olá Ana Laura,

    Se você for na alta temporada (julho/agosto/setembro) sim, eu recomendo reservar com pelo menos 2 meses de antecedência. É necessária a carteira internacional de habilitação.

    Eu fiz a reserva através do meu próprio hotel, que oferecia este serviço. Vários outros hoteis também oferecem locação de carros. Achei mais seguro, pois como eu estaria hospedada lá, seria bem mais improvável de alguma coisa dar errado!

    Boa viagem!!!

Isabelle Siqueira LimaPublicado em  9:59 am - jul 12, 2014

Vânia, amei suas palavras e descrições sobre Mikonos!! Simplesmente é o que vemos e vivemos aqui. Rir muito.. incrível tudo isso!! Rsrsrs.. fiquei maravilhada com tanta nacionalidade, pessoas de diversas culturas ocupando um mesmo espaço!! Estou agora de partida para Santorini. Pena ter programado pouco tempo lá.. apenas uma diária 🙁 Quero poder vivenciar o lugar de forma inesquecível, assim como foi Mikonos!! Mais uma vez, a parabenizo pelas palavras maravilhosas que descreve seus passos e visita por esses lugares mágicos!! Me identifiquei 🙂 Amo escrever! Grande bju :*

Do Rio pro MundoPublicado em  2:10 pm - jul 12, 2014

Olá Isabelle, agradeço pelo seu simpático comentário!
Mikonos é realmente um lugar de festa, acho que não tem como não gostar! 🙂
E Santorini merece mais dias mesmo, mas nada que uma segunda visita não resolva, não é? 🙂 Eu mesma quero, quero não, preciso voltar lá pra fazer o que não deu tempo, rssss.
Nossa, no próximo mês fará um ano que estive lá! E como passou rápido, por isso temos que aproveitar sempre que a vida deixar e sair por esse mundão afora, pois tudo é muito rápido!

Por que você não cria um blog, já que gosta tanto de escrever? É muito bom, sabia?

🙂 😛

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