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Londres. Uma fábula em três atos na cidade mais aristocrática da Europa, com pitadas de Beatles, ônibus vermelhos de dois andares, uma maratona, a Monarquia e os punks.

Londres. Uma fábula em três atos na cidade mais aristocrática da Europa, com pitadas de Beatles, ônibus vermelhos de dois andares, uma maratona, a Monarquia e os punks.

Londres sempre terá um lugar cativo em meu coração de viajante, pois foi meu primeiro contato com a Europa. No já longínquo ano de 2000, na viagem inaugural ao velho continente, desembarquei no aeroporto de Heatrow, em um vôo proveniente do Rio de Janeiro, com uma bagagem repleta de sonhos e expectativas. Tão logo cheguei, apanhei o metrô rumo ao Centro e, em uma das primeiras estações, um artista de rua entrou no vagão portando um violão e começou a executar maravilhosamente um belíssimo cover da canção “all my loving”, dos Beatles.

 Naquele exato momento, como que revisitando meu próprio passado em decorrência de um golpe do destino, percebi que viveria algo muito especial na cidade que, àquela altura, já havia conquistado minha simpatia, mesmo que eu nem ainda a conhecesse de fato.

londonnight

Nota: Aqui um breve parêntese para explicar o déjà-vu, pois foi quando criança, escutando e lendo os encartes dos discos rubber soul, revolver, sgt. pepper’s lonely hearts club band, abbey road e let it be, todos municiados com as letras e melodias poderosas de John Lennon e Paul Mc Cartney, que começei a aprender inglês, auxiliado por minha mãe, uma das maiores fãs que essa banda já teve. Então, teria sido esse encontro no metrô uma mera coincidência? Pois bem, assim sendo, o trem seguiu o seu caminho, até que saltei na estação de Marble Arch, em plena Oxford Street e, quando subi os degraus e me deparei de verdade com a cidade se exibindo e acontecendo, chorei (e olha que não sou de chorar). Lembro dessa cena com muita nitidez, como se tudo tivesse ocorrido ontem pela manhã. Me recordo do cheiro, das cores e até da textura do vento, meio frio, batendo um pouco incômodo no meu rosto. Bônus de quem viaja e vê por ver, e não por ouvir dizer, já que o que é captado pelos 5 sentidos, fica para sempre amalgamado, de modo indelével, no universo da memória próxima e remota! É o que chamo de patrimônio sensorial do viajante, algo que não se compra, por mais que se tenha dinheiro, mas apenas se adquire, de forma lenta e gradual, fruto das experiências reiteradas. Foto Oxford Street, um clássico londrino:

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A Europa finalmente se apresentava a mim, por intermédio de Londres, esta cidade elegante, culta, com ares de nobreza imponente, caríssima (a Libra não é brinquedo não) e tão peculiar, que oferece aos seus visitantes atentos um mosaico humano inimaginável e sem precedentes, composto por tipos tão distintos quanto executivos engravatados, punks autênticos e seus cabelos em cinco pontas, correntes, brincos e roupas rasgadas, (estilo Johnny Rotten), roqueiros rebeldes, indianos hindus de todas as castas e subcastas, com seus turbantes cobrindo as cabeças, senhores de idade sempre bem vestidos e de passo firme, além de várias senhoras e senhoritas brancas, de bochechas vermelhas, altas e quase sempre desengonçadas. Eu às margens do Tâmisa:

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Tudo isso ao longo de uma tradição milenar, sustentando a Monarquia mais poderosa e comentada de todo o mundo, com um sotaque inglês tão próprio que chega a parecer outro idioma e com os clássicos ônibus vermelhos de dois andares e os táxis pretos e antigos, circulando em imponentes vias de mão invertida. Só mesmo na Inglaterra pra isso dar certo. Meu deslumbramento atingiu patamares estratosféricos a ponto de experimentar reiteradas epifanias ao longo dos dias subsequentes. Fiquei tão impressionado com aquilo tudo que, cerca de uma semana após, quando cheguei em Paris, demorei um bocado pra me acostumar com a cidade luz e cometi a heresia de achá-la sem graça num primeiro momento. (lógico que essa impressão depois mudou radicalmente).

london red buspicassa2

Chegando no hotel e despachando as bagagens, fui logo dar uma volta para fazer um reconhecimento do local e, após recarregar as baterias com pizzas e saladas pagando menos de 10 libras no buffet “all you can eat” do pizza hut (na época, o orçamento era bem mais curto – sem que isso significasse menos diversão ou alegria), peguei o metrô e fiz o circuito palácio de buckingham, trafalgar square, national gallery, west end e picadilly circus, o equivalente ao times square novaiorquino. Vou explicar esse trajeto, que considero obrigatório pra qualquer visitante e, se for feito com calma, pode consumir um dia inteiro. Foto abaixo, da fonte e chafariz na trafalgar square:

London,_Trafalgar_Square

Aliás, por falar no metrô, não custa lembrar que “The Tube“, como os londrinos o chamam, é a maior,  mais extensa e a mais eficiente rede ferroviária subterrânea no mundo. Por si só, já é um programa, com estações decoradas e com belas pinturas, outras nem tanto, andares sobrepostos, altíssimas escadas rolantes, cartazes e propagandas rasgados e colados por cima uns dos outros em uma infinita sequência, pichações, comércio chique e underground (literalmente), frequentes performances de artistas plásticos, músicos de rua e pedintes,  ao ritmo de milhares de pessoas por todos os lados em um vai e vem frenético disputando cada espaço nos múltiplos vagões do trem cilíndrico tão característico, com a sua famosa frase de alerta: “mind the gap”.  Nota: O bilhete único custa 4,50 libras. Assim, se for ficar mais de três dias, considere comprar um passe, o Oyster, que dá direito à viagens ilimitadas pelas regiões 1 e 2, além dos ônibus e alguns ferries (onde fica a maioria das atrações) ao preço de pouco mais de 20 libras pelo prazo de 1 semana.

london tubepicassa

mind the gappicassa

Olhando para o portão do belo palácio de buckingham, quase em frente à pista rotatória que circunda o monumento dourado e alado bem em frente ao prédio, vi que seria inútil aguardar algum membro da família real aparecer na janela (e, na verdade, mesmo se isso acontecesse, não acharia a menor graça) e, então, dei uma volta pelo local, tirei as fotos básicas e sentei no gramadinho curtindo o movimento de vai e vem de pessoas, carros, ônibus, charretes e cavalos. Não fiz a menor questão de assistir a cerimônia da troca da guarda real. Isso só fui fazer na segunda vez que estive na cidade, já com a Karine, e achei bem sem graça o movimento coreografado e previsível. E, convenhamos, não sei nem porque eles dão tanta pompa a esse ritual, pois a chance de haver algum ataque sério que justifique essa parafernália beira o desprezível. Mas, isso valoriza e mantém o mito e o status da Monarquia, que consome uma bela fatia dos tributos arrecadados no Reino Unido.

Buckingham_Palace_and_Victoria_Monument_-_September_2006

Voltando ao meu trajeto, caminhei no sentido contrário em linha reta, margeando o famoso e imponente The Mall, o boulevard que liga Buckingham à Trafalgar Square. até cruzar o Admiralty Arch, (no extremo oposto do palácio) que separa esta avenida da citada praça, outro ponto turístico de muito destaque em Londres. Cidade planejada é bacana, porque fica muito mais fácil se orientar e se localizar nela. Fica bem no coração do centro de Londres e seu nome celebra a famosa Batalha ocorrida em 1805, quando a renomada Marinha Britânica, comandada pelo Almirante Nelson, considerado um dos maiores estrategistas militares da história do mundo, derrotou a França e a Espanha ao largo do cabo de Trafalgar, na costa ibérica, no decorrer das famosas guerras Napoleônicas. Outras fotos, a primeira da praça, sob outro ângulo e a segunda do arco (passando por ele, a praça fica logo à esquerda):

trafalgar picassa

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Neste local, visitei pela primeira vez em minha vida um museu ícone e referência em todo o mundo, The Nationall Gallery, com seu maravilhoso acervo de mais de 2 mil pinturas de artistas universais de distintos períodos como Leonardo da Vinci, Sandro Boticcelli, Caravaggio, Rubens, Rembrandt, Renoir, Monet, Van Gogh, Toulouse-Lautrec, Gauguin, Degas, Edouard Manet, Picasso e tantos outros. Imperdível a visita, embora seja impossível esgotar sequer a terça parte das salas. Ressalto ainda a beleza do edifício neoclássico com as colunas romanas na entrada e uma enorme cúpula.

Após a visita ao museu, segui caminho passando por West End, a zona dos teatros, até chegar ao Picadilly Circus. Uma região central da chamada city of westminster, onde ficam os enormes e famosos letreiros eletrônicos iluminados, tal qual uma times square londrina. Na primeira vez que estive lá, ainda havia a antiga e gigantesca loja da Tower Records em uma época pré-musica digital. Hoje este tipo de loja não mais se sustenta. Uma pena. Finalizei este giro no primeiro dia jantando no Rainforest Café, um restaurante temático com filiais em várias partes do mundo e que serve uma ‘junk food’ honesta e saborosa. Foto abaixo do Picadilly Circus e sua praça central com os letreiros e painéis luminosos.

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Cada vez mais interessante, Londres ia se revelando intensamente a meus olhos, berço de vanguarda cultural (pop, rock e hype), centro financeiro e de poder no velho mundo, cidade que lança tendências de moda e de comportamento ao redor de todo o globo, (e que, a meu sentir, só é desbancada neste aspecto por Nova Iorque). Aqui, uma das coisas que mais me chama a atenção e me faz gostar ainda mais dela é a sua vocação histórica para o rock’ n roll, seja qual for o estilo. É a Meca do gênero. Cenário perfeito, desde os icônicos Rolling Stones e Beatles (embora estes sejam de Liverpool) passando por Queen (uma de minhas favoritas), Led ZeppelinThe WhoThe SmithsThe Cult, Dire Straits, Def Lepard e The Police, isso sem falar no movimento NWOBHM (new wave of british heavy metal) que revelou ao mundo uma banda tão poderosa como o Iron Maiden ou então o estilo rock progressivo de Pink FloydYes e Marillion. Neste aspecto, é a disneylandia dos roqueiros.

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A cidade realiza seus mega shows e concertos no estádio de Wembley, que recebe também os jogos do English Team ou ainda na O2 arena, na nova área revitalizada ao sul da cidade bem na margem do rio. Em muitas ocasiões, os shows ocorrem em locais abertos, como o Hyde Park ou o Regent’s Park ao norte da cidade. Em uma das vezes que estive em Londres, tive o privilégio de assistir a um concerto de Eric Clapton no estrelado Royal Albert Hall, que é um destacado salão de espetáculos e concertos na região de south kensington, com capacidade para quase 10.000 pessoas, tendo sido inaugurado em 1871 ainda pela rainha Vitória. O edifício é muito conhecido, com sua grande abóbada de vidro, com sua fachada de tijolos em terracota, característicos da arquitetura na era vitoriana. Vários nomes do rock e da música pop já pisaram e realizaram performances memoráveis na casa. Foto abaixo de uma performance ao vivo de Robert Plant e Jimmy Page no local em algum final de semana dos psicodélicos anos 70.

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No dia seguinte, apontei o GPS para outras bandas e fui para os lados da torre de Londres, da catedral de saint paul e da famosíssima tower bridge. Antes, iniciei pelo lado direito do tâmisa dando um giro rápido pelo museu pelo Tate Modern, e suas exposições temporárias e acervo permanente de obras de arte moderna e contemporânea.  Depois, cruzei a ponte e voltei para o lado esquerdo, passando pela catedral de saint paul e rumando à Torre de Londres (passeio imperdível, que conta a história da cidade, de suas guerras e da monarquia, abrigando ainda exposições de mobiliários, indumentária, coroas e jóias da Monarquia) Misto de palácio e fortaleza, é um dos principais pontos de interesse turístico na cidade. Facilmente acessível pela estação circle line do metrô, que te deixa quase na porta.

Em frente à Torre tem a Tower Bridge, outro cartão postal famoso da cidade. Dizem que todo visitante deve cruzar a ponte a pé ou de carro ao menos uma vez na vida. Bem, eu  cumpri a obrigação quase uma década mais tarde quando de minha terceira visita à cidade, só que acabei deixando para cruzá-la junto com milhares de outras pessoas, correndo a famosa maratona de Londres. Aliás, você sabia que a distãncia oficial da prova da maratona, ou seja, 42.195 metros, foi assim determinada por conta da Monarquia Inglesa? Bem, vou abrir um pequeno parêntese e contar como foi. Foto abaixo morrendo de frio, aguardando a largada da prova nos subúrbios de Londres.

marathon

A maratona de Londres foi um projeto executado na companhia do grande amigo goiano, o Leonardo, experiente tri-atleta, casado com a Simone, que já correu várias das principais maratonas do mundo, além de provas de iron man e de ciclismo, que acabou me convencendo a cometer esse ato de insanidade. Foi bem difícil mas, após 6 meses de treino árduo e com 14 kg a menos no currículo, consegui terminar. Corri sem parar até o km 38, quase em frente ao London Eye, e então , quando chovia granizo, tive uma dor insustentável nas pernas e fui obrigado a caminhar por 2 kms, acometido ainda de uma sensação de paralisia facial em função do vento gelado que soprava. Ao final, após ter voltado a trotar na altura do km 40, sobrevivi à experiência e cruzei a linha de chegada bem defronte ao palácio de buckingham em 4 horas e 38 minutos.

Uma mera curiosidade, mas as primeiras maratonas disputadas não tinham uma distância exata fixa e, geralmente, por volta dos 40 km de distância, aproximadamente a distância entre Maratona e Atenas pela rota mais plana. Em 1908, nos Jogos Olímpicos de Londres, ficou decidido que ela deveria ter em torno de 40 km ou 25 milhas de distância. Com a largada marcada para ser em frente ao Castelo de Windsor e a linha de chegada em frente ao camarote real, o percurso inteiro foi alongado para a chegada ser em frente aos Monarcas, o que mediu exatos 42,195 km.  Disputada pela primeira vez neste formato em Londres (1908), acabou sendo assim oficializada em maio de 1921, pela Federação Internacional de Atletismo. Foto abaixo após a prova, com o Leozão, ambos medalhados:

medalha maratona

Contada a experiência da maratona, retorno uma década no tempo quando de minha primeira viagem e relato meu terceiro dia de passeios pela cidade, com as visitas (todas essenciais) ao Regents Park, British Museum, Leicester Square e o maravilhoso e animado Covent Graden, onde sempre voltei. O museu britânico dispensa maiores apresentações, com seu acervo multi cultural e histórico, com peças e relíquias antropológicas mundiais, com destaque para a a grécia, babilônia e o egito antigo. Percorrida uma parte dele fui adiante, pois meu limite em um único museus jamais supera os 150 minutos. Depois de duas horas e meia, ainda que queira, não absorvo mais nada. Tomei um metrô e fui caminhar pelas famosas Leicester Square. Leicester é a famosa praça em west end, o distrito dos teatros londrinos, com festivais de cinema e performances ao vivo de artistas de rua. Bem no centro do buxixo. Terminei no delicioso Covent Garden, cheio de gente bonita e suas ruas animadas, com destaque para uma praça onde funciona um mercado de flores, frutas, legumes e afins. Fotos abaixo, a segunda com exibições acrobáticas de artistas de rua que, não raro, convidam a audiência a participar:

covent garden

covent

No último dia fiz um passeio que sempre repito quando estou na cidade, que compreende a região de westminster. Outro clássico londrino. Começa na London Eye, a roda gigante em cápsulas ovais que te dá uma vista 360 graus da cidade a 125 metros de altura. Os bilhetes podem ser comprados pela internet ou no escritório na esquina da atração. Depois, cruzamos a ponte de westminster e nos deparamos com o centro do poder, as houses of the parliament, o legislativo do reino unido, compostas pela cãmara dos comuns e dos Lordes. Se você perder a hora, não se preocupe, isto é bem normal, basta olhar pra cima na direção da magnífica torre do big-ben e seu enorme relógio. Depois, caminhe pelas avenidas arborizadas das cercanias e das margens do tâmisa, finalizando esse giro com uma visita á abadia de westminster e suas duas torres góticas, local onde são coroados todos os reis britânicos desde o século XVI.  Foto abaixo deste cenário acima descrito, tudo muito perto entre si:

london 1

Não posso deixar de contar também a experiência vivida em um outro lugar chamado Camden Town, cuja visita recomendo pela excentricidade encontrada. Fica na cidade, mas um pouco pra fora do eixo mais turístico. Conta com mercados de comidas, de roupas, mercados de pulgas que vendem antiguidades e quinquilharias em geral, lojas de discos antigas, vendedores de rua, hyppies e gente alternativa. Essa zona também está repleta de bares e pubs, (assim como em todo o restante da cidade e do reino unido) equivalentes aos botequins brasileiros, onde as pessoas basicamente se reunem para beber muita cerveja e falar bem alto, quase gritando. Eu nem chego a ser um grande fã da bebida fermentada (prefiro o vinho) mas em Londres, é uma delícia sentar em um desses bares e tomar uma cerveja encorpada, de preferência assistindo a um jogo de futebol ou de rugby na TV. Infelizmente, não tive a sorte de me deparar com Amy Winehouse, na época ainda viva, em uma visita ao seu parque de diversões. Dizem que ela costumava aparecer assim, repentinamente e, se fosse um dia de sorte, ainda dava uma canja com sua voz de cantora negra de jazz.

Pois bem, estava em um desses pubs em Camden Town, tomado de dores por todo o corpo no dia seguinte à maratona, na companhia do Léo, o parceiro da aventura, quando repentinamente um punk anão totalmente embriagado, devidamente ornamentado como um roadie da banda sex pistols e provavelmente recém saído do túnel do tempo, ingressou no estabelecimento gritando com o garçom no balcão  e quebrando um copo bem próximo ao local onde estávamos. Superado o incidente, seguiu agindo ‘normalmente’ como se nada tivesse acontecido e passou a oferecer drogas aos clientes do pub, sem qualquer cerimônia. Recusei educadamente e agradeci, preocupado em não atiçar a raiva daquele pequeno monstro em transe. Pouco depois ele se retirou do local. Foi uma das cenas mais surreais que presenciei na minha vida de viajante, pelo ‘conjunto da obra’. Queria ter uma foto desse ser, mas não deu pra tirar naquela hora.

camden town

Pra quem quiser alguns comentários adicionais, já me desviando do formato da crônica, vou tentar lembrar de algumas outras dicas e notas, pois sei que muitos dados irão faltar. Assim, não deixe de conhecer a loja de departamentos harrod’s e seus caríssimos preços, passeie por Nothing Hill, um bairro residencial maravilhoso e que conta com feirinhas descoladas e convidativas ao turismo slow, principalmente aos domingos. Foi o cenário da comédia romântica homônima estrelada por Hugh Grant e Julia Roberts. Se for no meio do ano, tente planejar assistir a algum jogo na grama sagrada de Wimbledon, no All England Lawn Tennis Club. Quem sabe você não dá sorte e acaba assistindo a um jogo do Rafa Nadal, do Djokovic, Federer ou Andy Murray. Faça um tour ao estádio de Wembley, sede da seleção inglesa e, se estiver com as crianças visite o museu madame tussaud’s com suas cópias de cera de famosos e celebridades.

Penso que 5 dias é o prazo mínimo para se ter uma noção razoável da cidade. Vejam bem, eu disse “noção”! Nem se iluda porque esgotar suas opções é simplesmente impossível! Então, relaxa e vai vendo o máximo que der. Londres é uma cidade muito difusa e espalhada, o que acaba dificultando um pouco o seu aprendizado e sua compreensão, embora a maioria dos roteiros turísticos mais batidos e conhecidos se situem em uma área menor e mais concentrada. Isso acaba por facilitar a vida do turistão tradicional, aquele que quer tirar as fotos nos cartões postais e dizer que já foi (nada contra) mas, em contrapartida, dificulta a tarefa daquele estilo de viajante que se propõe a tentar entender o lugar e sair do lugar comum. Para esses, sempre haverá a necessidade de voltar.

Toda época do ano é interessante na ilha, pois sempre haverá muito o que ver, curtir e fazer, não importa se estiver um frio extremo, um calor degradante ou algo intermediário, o que acaba sendo o cenário ideal. Contudo, nestes períodos de equilíbrio e harmonia climática, os bosques estão mais floridos, as árvores repletas de frutos, a grama verde e os parques e ruas cheios de gente, todos contagiados pela alegria fugaz de uma primavera ou talvez de um outono. Para um país tão experimentado de invernos rigorosos e desacostumado com os calores impetuosos, essas pinceladas de clima ameno são recebidas como água no deserto e absorvidas à exaustão peça população carente e sequiosa. Nestas épocas, se estiver lá, curta os maravilhosos parques urbanos, como o Hyde e o Regents, ambos essenciais. Se largue na grama como um local, compre uma cerveja, faça um “pick-nick” e fique vendo a vida passar em inglês.

Nota: Minha segunda visita à cidade ocorreu no final do mês de novembro e fiquei bem decepcionado com os dias incrivelmente curtos e com pouquíssimo tempo de luz solar e claridade. Naquela ocasião, amanhecia por volta das 09 horas da manhã e às 16 horas já estava escurecendo. Pra mim não funcionou legal e rolou um baixo astral, pois nunca tinha me deparado com algo similar, salvo um eclipse total ocorrido no Brasil na década de 80, quando era criança, e que transformou o dia em noite. Se você também não curte esse astral de dias muito curtos, tão diferentes dos dias de final de agosto, quando de minha primeira estada, onde anoitecia por volta das 23 horas, evite a Inglaterra nos meses de inverno, principalmente no período compreendido entre final de novembro e meados de fevereiro.

London_Thames_Sunset_panorama_-_Feb_2008

Essa é, portanto, a minha pálida, mas honesta visão da capital da Inglaterra, onde já estive em três oportunidades distintas. Muito pouco ainda pois, como dizia o célebre pensador britânico Samuel Johnson, When a man is tired of London, he is tired of life; for there is in London all that life can afford.” Por isso, e de pleno acordo com o citado escritor, pretendo voltar em breve e sempre que puder, pois é um lugar efervescente, cuja cena está em permanente transformação, exigindo atualização constante para que não se perca o rumo de sua metamorfose, traço característico de sua própria identidade e história.

Acho que já se acerca o momento de encerrar essa crônica. Então, boa viagem, ainda que apenas em seus pensamentos e… “GOD SAVE THE QUEEN!”

Do Rio pro Mundo

13 pensamentos sobre “Londres. Uma fábula em três atos na cidade mais aristocrática da Europa, com pitadas de Beatles, ônibus vermelhos de dois andares, uma maratona, a Monarquia e os punks.

AllinePublicado em  7:17 pm - jan 11, 2014

AAAAAAAAHHHHH
AMEEEEIIIII ouvir seu coracao!!! Let it be, man!!

By the way, tenho uma fofoca pra voce. O guitarrista do Iron Maiden mora aqui em Maui e eu ja’ fui duas vezes em um barbecue na casa dele 😀

Boia PaulistaPublicado em  3:25 pm - jan 13, 2014

Oi. Tudo bem? 🙂

Seu post foi selecionado para a #Viajosfera, do Viaje na Viagem.
Dá uma olhada em http://www.viajenaviagem.com

Até mais,
Natalie – Boia

SONIA FORTESPublicado em  6:25 pm - jan 13, 2014

Achei uma delícia revisitar a exótica capital inglesa, agora pelos olhos e poderosas lentes fotográficas dos mais jovens… Antigamente a velharia procurava, sem esperança de encontrar, é claro, pura bobeira mesmo, a Baker Street 221B… rsrsrs Acho que nem sabem o que é… rsrsrs
Obrigada pelo passeio.

AmandaPublicado em  1:05 am - jan 15, 2014

Olá! Vou para Londres em abril e a ideia de ir pra lá partiu de meus amigos. Não estava nos meus planos visitar a cidade, famosa por seus dias nublados. Achei que podia ser meio deprê. Mas depois de ler esse artigo, estou empolgadíssima! Parabéns pelo seu relato!

    Do Rio pro MundoPublicado em  1:18 am - jan 15, 2014

    Bacana o seu feedback Amanda!

    Obrigado pelos comentários elogiosos. Não deixe de ficar muito feliz com sua viagem por um segundo sequer. Londres é tudo de bom e você vai constatar isso na prática. Boa viagem e, qq outra dica que precisar, não hesite em manter contato.

    Um abraço, Felipe

RitaPublicado em  3:44 am - jan 15, 2014

Oi Felipe!
Seu post, com texto contagiante e fotos belíssimas, trouxe-me lembranças agradabilíssimas dos dias que passei em Londres, no ano de 2011. Amei a cidade e pretendo voltar em breve.
Gostaria de saber de que local você tirou a foto em que são vistos, do alto, a London Eye, o Tâmisa e o Big Ben, pois gostaria de ir a esse “mirante” em minha próxima visita a essa cidade fantástica. Espero que seja um local aberto a visitação.
Obrigada e parabéns pelo blog!

    Do Rio pro MundoPublicado em  12:31 pm - jan 15, 2014

    Oi Rita.

    Fico feliz em saber que o meu relato de Londres te agradou. Valeu pelos elogios.

    Tem 4 fotos nesse post que não fui eu que tirei, que são as duas de música, com as performances do queen e do led zepellin, além da foto que você menciona e uma outra da cidade, todas retiradas do site wikipedia, que permite a divulgação. Não acredito que haja esse tal “mirante” que vc menciona até porque Londres é uma cidade plana e, provavelmente, essa foto foi uma foto quase aérea, tirada do alto de uma das torres da abadia de westminster. Além das torres, se você comprar um bilhete para dar um passeio no london eye, no final de tarde ou princípio de noite, poderá conseguir um visual bem parecido!

    Um abraço, Felipe.

VaniaPublicado em  9:28 pm - fev 2, 2014

Felipe, seu post veio bem de encontro à minha presente fase beatlemaníaca!!! É que acabei de passar TODOS os CD’s dos Beatles para o meu super iPod novo, de 32 Giga!!! É impressionante como esse conjunto não me cansa nunca! Aliás, adoro todos os outros conjuntos que você citou e tenho que parabenizar sua mãe por ter te influenciado tão bem!

Nunca entendi direito o porquê da Inglatera ter tantos grupos e cantores de rock tão bons, será que é genético ou endêmico??? Um amigo meu inglês disse que é por causa do fog, do frio, da chuva, do cinza, então o povo fica criativo, porque não tem outra coisa pra fazer! Então é tédio + cerveja = rock (palavras dele!). 🙂

Brincadeiras a parte, a cidade é um charme, mesmo com a breguice histérica em torno da família real! Sim, esse veneno é porque eu morro de inveja de não ter uma família real de verdade no Brasil…embora tenha certeza que isso nunca daria certo por aqui!

Curiosamente, quando estive lá teve sol todos os dias, então deu para gente andar muito a pé! Ver as suas fotos foi uma viagem no tempo! Loved it!

Agora, o que é a Baker Street 221B??? 😛

SONIA FORTESPublicado em  8:47 pm - fev 3, 2014

HAHAHA…
É o mais famoso endereço de Londres. Nunca existiu, a não ser nas páginas de Sir Arthur Conan Doyle, incomparável criador de Sherlock Holmes. Coisas do passado… Abs. Sonia

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