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Dicas, motivos e sugestão de roteiro para viajar pelo Leste Europeu.

Dicas, motivos e sugestão de roteiro para viajar pelo Leste Europeu.

Esse post decorre de experiência adquirida em viagem recente à região, e tem como objetivo ajudar os viajantes a montar suas próprias estratégias ao decidirem visitar o que vulgarmente se denomina Leste Europeu. Aliás esse termo é bem abrangente, englobando cerca de duas dezenas de países situados entre a parte ocidental da Europa e a fronteira com a Ásia. Isso importa em falar de Rússia, Repúblicas Bálticas, Repúblicas dos Balcãs, Romênia, parte da Turquia, Moldávia, Bulgária, Ucrânia, Hungria, Eslováquia, Polônia, República Tcheca, Bielorrúsia, Macedônia, Albânia, e até mesmo algumas áreas da Alemanha e da Áustria.

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A fronteira informal para a região se dá nas cidades de Berlim e de Viena, marcos simbólicos de intercessão entre essas duas partes. Hoje, com o fim da guerra fria, a divisão serve mais para fins culturais, históricos e geográficos, não havendo razão, ao menos em tese, para se falar em distinções econômicas e principalmente políticas. Tudo já é muito mais homogêneo do que há meras duas décadas e meia atrás. E, atualmente, visitar aqueles países vai se tornando algo tão corriqueiro quanto ir para Paris, Roma ou Lisboa. As fotos na sequência que ilustram esse post são todas da viagem, e não terão legenda aqui, funcionando apenas como ‘teaser’ para os próximos relatos.

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A maioria dessas nações, embora muito distintas cultural, geográfica e etnicamente tem um traço em comum que as une, qual seja o seu passado vinculado à extinta União Soviética, entidade paradigma e baluarte do Comunismo, sistema vigente como regime de Estado em um período não tão longínquo e romântico em que o Capitalismo ainda teimava em ser desafiado pelo Socialismo. Essas ideias e teorias utópicas de igualdade a qualquer custo da pirâmide social e econômica de todo um bloco, sucumbiram paulatinamente a partir do final do século passado e hoje, a Europa, assim como o mundo, vive uma outra fase, muito mais integrada e uniforme. Contudo, no imaginário popular, assim como no dos viajantes, ainda remanesce, nostalgicamente, com uma aura misteriosa e enigmática, um certo desconhecimento e receio sobre esta região, talvez pela tênue sombra ainda projetada pela lembrança da extinta cortina de ferro.

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Até o ano de 1989, o Leste Europeu era de fato um local proibido e enigmático, um canto escuro e nebuloso do “Império do Mal”. Sorte que quase 30 anos após, essas ideias encontram guarida apenas em livros de história e em salas de aula e de museus, pois os países do antigo bloco comunista se tornaram objeto de desejo e de regozijo para turistas de todo o globo, por formarem uma região repleta de pessoas amigáveis, contando uma riquíssima história e dotada de belezas naturais fascinantes. Infelizmente, contudo, o tempo dos tais preços mais em conta dos produtos e serviços, quando comparados aos países europeus ocidentais, já vai ficando pra trás e se tornando apenas uma lenda.

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Apesar de a maioria daquelas repúblicas ainda não terem aderido à zona do Euro (embora já façam parte da Comunidade Europeia) e contarem com moedas próprias, todas de um modo geral já vem praticando preços similares e tão elevados como seus rivais. Não acredite naquela conversa fiada que todo mundo conta que os preços e serviços são muito bons e de baixo custo. Isso não corresponde mais à realidade. Pode ter sido assim há dez anos atrás. Hoje em dia, com a globalização, tudo está quase tão caro quanto na Alemanha, França ou Espanha.

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Estabelecida a apresentação deste texto, passo agora a elencar algumas boas razões para justificar várias viagens à região. A primeira delas é (1) o povo. O pessoal daquelas bandas, sejam húngaros, croatas, poloneses, tchecos ou quaisquer outros, parece agir inicialmente com frieza e distanciamento mas, na verdade, tem um espirito muito acolhedor, caloroso e divertido. Gostam muito de receber os turistas e fazê-los se sentir o mais em casa possível. Esse traço da hospitalidade é algo bem perceptível nas diversas culturas regionais. Deve decorrer da vontade de estabelecimento de laços, após décadas de afastamento forçado. Gostam de bater papo com os visitantes e contar histórias e casos representativos de sua trajetória e de sua cultura. Adoram o Brasil, sem exceção, não apenas pela fama mundial do futebol, mas por reconhecerem os brasileiros como um povo simpático, alegre e amistoso, mais ou menos como eles tentam ser.

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Graças à globalização e à intensa difusão da internet, além de uma forte influência da cultura americana, mormente nos campos do cinema e na música, a maioria das pessoas nas grandes cidades fala o inglês de forma bastante razoável, o que facilita a comunicação. É claro que essa regra não se aplica aos de mais idade, que abominam e recusam-se a estabelecer qualquer diálogo no idioma universal. Assim, se você fala um inglês razoável, a barreira da língua não deverá ser um problema na viagem. Outra bela razão para visitar a região é (2) a comida que, no leste europeu, é uma delícia.

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Saudável, saborosa e muito diversificada, tão variada quanto a própria história da região, fortemente influenciada por várias culturas como a mediterrânea, árabe, otomana e asiática. Obviamente existem as cadeias de lojas ocidentais de fast food, mas esse estilo de alimentação tão típica dos Estados Unidos e imitada em vários países do Oeste, ainda não fixou raízes por lá. Isto inclusive reflete na população, via de regra magra, esbelta e com uma aparência bem saudável. Portanto, abuse dos ingredientes e pratos típicos em sua viagem e desfrute as saborosas e generosas porções servidas nos restaurantes típicos de cada local.

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Outro motivo definitivo é a (3) ampla diversidade cultural e geográfica, que marca diferenças profundas entre nações muito próximas. Qualquer que seja o tipo de clima e/ou de geografia ou paisagem que você esteja procurando, certamente poderá encontrar no leste europeu. Ademais, cada país tem suas próprias e exclusivas heranças culturais, influências históricas e tradições seculares, que são orgulhosamente mantidas pelo povo, passando de geração em geração, como pode ser visto em rituais de música folk tradicional, vestimentas típicas e danças características. Em contrapartida, as pessoas mais jovens acolhem com fervor a cultura ocidental com elegantes e descolados clubes noturnos, bares, boates e discotecas que surgem a cada esquina nas maiores cidades.

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A razão final é a atual (4) facilidade de acesso, sendo que os principais aeroportos de cidades como Budapeste, Praga, Moscou, Varsóvia, Viena e outras tantas são servidos com ligações práticas e rápidas pela grande maioria das maiores e melhores empresas aéreas do continente, além de uma série de empresas low-cost, fruto de uma nova tendência do transporte mundial. Desde o Brasil, não há vôos diretos para essas Capitais, mas todas estão a uma simples conexão de aeroportos a nós facilmente acessíveis como Heathrow em Londres, Charles de Gaulle em Paris, Schipol em Amsterdam, Barajas em Madrid, Fiumicino em Roma ou Malpensa em Milão, apenas para citar alguns dos mais conhecidos.

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E, em lá estando, sirva-se do trem como meio de transporte principal entre as cidades. A malha ferroviária melhora a cada dia e já não deixa nada a dever aos países ocidentais do continente, oferecendo ligações diretas e conexões seguras e convenientes entre a maioria das cidades.  O carro também sempre será uma alternativa, mas acaba não sendo a forma mais eficiente de se locomover, a menos que você fique apenas em um país, o que acaba sendo difícil na montagem de qualquer roteiro. Além de não haver tanta oferta de veículos assim como nas capitais ocidentais, eles cobram taxas de devolução absurdas para entrega de veículo alugado em outro país vizinho e te induzem e acabam forçando a contratar seguros adicionais que encarecem muito o custo.

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Outro problema que me foi dito em Viena. Quase ninguém aceita alugar carro se você disser que circulará pela República Tcheca, conhecida (não sabia disso) pelo alto número de furto de veículos em seu território. Assim, acabam surgindo uma série de pequenos detalhes que, somados, se transformam em um grande inconveniente e acabam fazendo com que a maioria dos viajantes acabe optando acertadamente pela praticidade dos trens.

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Uma outra questão cultural deve ser levantada. Se você é daqueles antitabagistas xixitas e se acostumou com o atual tratamento rigoroso dispensado aos fumantes no Brasil e Estados Unidos que consideram essas pessoas como seres quase delinquentes, saiba que enfrentará problemas pois na Europa todo mundo fuma. Trate portanto de flexibilizar sua ojeriza e seu preconceito e relaxe. Em qualquer lugar e a qualquer hora tem fumaça ao redor. Pois essa onda repressora ainda não bateu por lá. E no leste europeu a coisa é mais intensa ainda. Poucas são as pessoas que se sentam em um bar ou restaurante sem se fazerem acompanhar de um pacote de cigarros e de um isqueiro. Prepare-se e evite assim maiores aborrecimentos. Até porquê você não vai deixar de viajar à Europa por isso né? Ou vai?

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E a melhor época pra ir? Bem, essa é fácil. Entre meados de maio e junho ou setembro e início de outubro. Nesses intervalos, o clima já estará bem mais quente e os dias mais longos, mas ainda não estará insuportável o calor do verão que ocorre nos meses de pico entre julho e agosto. Essa época também não é a melhor pelo exagerado aporte de turistas que via de regra descaracterizam os locais, até porque a maioria dos moradores fogem para o campo e interior nos meses de férias. Entre novembro e abril, se não tiver outra opção, ou se gostar muito de turismo de casaco, esteja preparado para sentir muito frio, enfrentar tempestades de neve e dias curtos, onde amanhece tarde e escurece cedo.

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Tecidas essas considerações você deve estar se perguntando sobre o trajeto. Bem, vamos apresentar o nosso roteiro. Obviamente, do mesmo modo que Roma não foi construída em um único dia, múltiplas viagens teriam que ser feitas para esgotar essa lista de lugares. Contudo, há maneiras de se priorizar alguns pontos chave, que merecem destaque inicial. Como tínhamos um tempo limitado de 16 noites e já tinhamos visitado os Balcãs (Croácia, Bósnia-Herzegovina e Montenegro) no ano anterior, dividimos o trajeto entre a Hungria, apenas com Budapeste, Polônia, com Cracóvia e as adjacentes atrações de Auschwitz/Birkenau e Minas de Sal WieliczkaViena, capital Imperial da Áustria e ponto essencial de interseção entre o Leste e o Oeste e finalizando com Praga, na região da Boêmia. Esse trajeto, apesar de incompleto (como seria qualquer outro) permite uma boa visão panorâmica e minimamente essencial da região. E Berlin? Você deve estar se perguntando. Bem, claro que teríamos incluído Berlin como escala fundamental em um roteiro básico e inclusive recomendo que todos considerem a cidade quando de uma primeira incursão. Porém, como já havíamos estado na Capital da Alemanha em 2 oportunidades anteriores, (ver os 2 posts sobre Berlin) resolvemos optar por explorar uma parte da Polônia.

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Começamos por Budapeste, tendo lá chegado após uma rápida conexão em Madrid, via Ibéria desde o Rio. Em dúvida até o final, acabamos nos hospedando em Peste por 4 noites, tempo absolutamente imprescindível. Nem pense em ficar menos do que isso, a menos que não possa mesmo, porque se não vai faltar. A moeda húngara é o florint que vale cerca de 300 para cada dólar. Não troque mais do que o valor do transfer sob nenhuma hipótese no aeroporto pois a taxa de câmbio é derrubada propositalmente para “dilapidar” os recém chegados turistas. Absurdo!  Budapeste é espetacular e surpreendente. Impossível não cair de amores. Não deixe de visitar o Parlamento, subir ao bastião dos pescadores em Buda, comer goulash, experimentar um dos múltiplos banhos termais da capital e fazer um imperdível cruzeiro noturno pelo danúbio para ver e fotografar os monumentos iluminados.

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De Budapeste rumamos para Cracóvia na Polônia, cidade medieval que ofereceu ao mundo o primeiro Papa não italiano. Há 2 formas de fazer esse deslocamento. Avião, voando Lot Airlines ou wizz air ou talvez a melhor opção, o trem noturno que liga as duas cidades (1 frequencia diária apenas) com opções de cabines com cama para 2 até 5 pessoas. 11 horas de trajeto. Foi esse que fizemos. Uma boa dica para comprar as passagens de trem em todos os itinerários é o site da companhia estatal de trens polonesa. Fiz a compra e as reservas nesse site e não tive qualquer problema.

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Em Cracóvia, chegamos bem cedo de trem e dedicamos 3 dias inteiros e 2 noites. Esse nos pareceu um tempo suficiente pra ver o que a Cidade oferece de atrações principais, quais sejam o centro histórico com a grande praça, o morro de wawel e o distrito judeu. Além desses pontos, 1 dia dedicado à visitas para Auschwitz/Birkenau e as minas de Sal Wieliczka. Ambas as atrações imperdíveis e que podem ser feitas juntas em um dia ou em metade de cada um de dois dias alternados. A Polônia nos pareceu um país fantástico e muito rico culturalmente. A moeda é o Zloty que vale quase a mesma coisa que o Real frente ao Euro, sendo a nossa discretamente mais valorizada. 1 zloty vale 4.10 Euros. Imperdível comer vários pierogis (uma espécie de ravioli assado com distintos recheios) nos restaurantes e visitar o museu da antiga fábrica de Oskar Schindler, o melhor museu europeu sobre o tema segunda-guerra mundial.

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De Cracóvia, deixamos a Polônia para trás, infelizmente sem tempo suficiente para conhecer Varsóvia, Tórun, Malbork Castle e Gdansk. Nos servindo de um outro trem noturno idêntico ao que nos trouxe de Budapeste, com cabine dupla com camas, fizemos a viagem de 9 horas até Viena, onde chegamos no início de uma manhã ensolarada. Viena dispensa apresentações por ser inequivocamente uma das Capitais mais nobres e elegantes da Europa e do Mundo. Respirando história, cultura, gastronomia e muita musica clássica, é suntuosa e monumental, repleta de parques, palácios, jardins e belos edifícios e monumentos antigos. Euro é a moeda corrente e alemão é o idioma falado no país. 5 noites e 5 dias completos foi um tempo quase ideal para conhecer a capital austríaca e concentrar as atenções nela sem dispersões, até porquê no ano anterior já havíamos estado em Salzburg, Hallstatt e Innsbruck. Suficiente para conhecer Hofburg, Belvedere, Schonbrun, além de parques, museus, restaurantes, confeitarias, óperas e casas de música. Uma delícia de cidade.

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Finalmente, rumamos também de trem para a derradeira escala da viagem, Praga, uma cidade pequena e bela tal qual um cenário perfeito. Pouco mais de 4 horas unem as 2 capitais. Praga, contudo, se tornou refém de um problema crônico e aparentemente insolúvel, qual seja o excesso (insuportável mesmo) de turistas abarrotando o seu secular centro histórico. Esse enxame de visitantes acaba afugentando os moradores e confundindo bastante a percepção autêntica sobre o lugar e, por via de consequência, diminuindo em parte a beleza da experiência. Talvez tenha sido a época, não sei (estivemos em junho). Ficamos 4, mas penso que 3 noites e 3 dias inteiros são suficientes para conhecer a linda cidade principal da República Tcheca. Se tiver mais tempo do que isso, vale focar em uma visita a uma outra cidade nos arredores como Cesky Krumlov, Kutná Hora ou Karlovy Vary. A moeda é a coroa tcheca que vale cerca de 27 unidades para cada Euro. De todos os países visitados, a boêmia foi o único que fez, em parte, jus a tão declamada fama de que os países do leste europeu seriam muito mais baratos do que os do oeste. Não deixe de degustar várias canecas da maravilhosa cerveja Pilsen da República Tcheca. Bem, de Praga voamos para Madrid e de lá de volta para o Brasil.

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São os detalhes e estórias dessa deliciosa viagem que começarão a ser contados em uma série de 8 reportagens a partir do próximo post, o primeiro dos 2 sobre a fantástica Budapeste. Espero que possa ter êxito em mais essa missão e ficaria muito honrado em contar com a companhia dos leitores nessa nova jornada…

 

Do Rio pro Mundo

4 pensamentos sobre “Dicas, motivos e sugestão de roteiro para viajar pelo Leste Europeu.

Rosangela ScheithauerPublicado em  12:20 pm - jul 14, 2016

Trabalho como Guia em Viena e arredores. Ofereco passeios lindos e inesquecíveis, dou boas dicas, levo para conhecer lugares onde sómente quem mora no país pode indicar.
Entre em contato. Terei muito prazer em ser sua Guia.

Maria Eny LanaPublicado em  7:56 pm - jul 19, 2016

Boa tarde!
Minhas amigas e eu estamos querendo fazer essa viagem.Quanto fica incluindo tudo passagem aérea e hospedagem?

    Do Rio pro MundoPublicado em  1:47 am - jul 20, 2016

    Boa Noite Maria Eny,

    A sua pergunta está muito genérica.Depende da época, do número de noites disponíveis, estilo de hotéis e modo de deslocamento entre os paises. Se vc fornecer dados mais precisos é possível termos uma estimativa mais real.

    Um abraço e obrigado pela visita.

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