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Auschwitz/Birkenau: Um dos capítulos mais feios da História da humanidade

Na manhã de um dos dias que estivemos na bela cidade de Cracóvia, fizemos esse assombroso passeio que conta um dos capítulos mais horrorosos da história da humanidade. Entre 1941 e 1945, a cidade de Oswiecin foi o palco de Auschwitz I e Auschwitz II (Birkenau), os dois maiores e mais famosos campos de concentração do sistema de eliminação de vidas nazista, onde foram assassinadas quase 2 milhões de pessoas no decorrer do período citado. Fotos abaixo do fatídico e célebre portão de Birkenau por vários ângulos e distâncias, sempre cruzado pelo trecho final da linha do trem:

Nunca tinha visitado antes um campo de concentração pois bem sabia que essa dolorosa experiência tinha que ser vivida nesses dois símbolos máximos de tudo de terrível que esses lugares representaram. A Polônia, desafortunadamente, acabou sendo a maior nação hospedeira deste cenário de morte e de destruição. Ao final da segunda guerra mundial, apenas 300.000 judeus poloneses tinham sobrevivido, cerca de 10% da população original anterior ao inicio do conflito, sendo certo que apenas nesses dois campos de extermínio, morreram um total de 1.800.000 judeus, muitos deles trazidos de outros países europeus.

Por tudo isso e por todos os demais motivos imagináveis, é fundamental que essa história monstruosa não seja esquecida e que seja exaustivamente divulgada, para jamais se correr o risco de que ela aconteça de novo. A humanidade precisa estar sempre atenta e reiteradamente instada a refletir criticamente sobre a tragédia do holocausto. E Auschwitz cumpre muito bem essa função, abrigando um importantíssimo memorial em homenagem e respeito às vítimas. Abaixo retratos da área externa de Auschwitz I:

Estar em auschwitz/birkenau é muito diferente de ouvir falar ou ler sobre auschwitz/birkenau. Embora passados mais de 70 anos desde o fim do massacre e por mais que a pessoa julgue estar preparada para a visita, pisar lá é tarefa que exige nervos de aço. É como levar um soco fortíssimo na cara, sofrer uma queimadura grave e extensa ou mesmo como ser atropelado por um veículo. Não é um lugar agradável, por óbvio, muito menos recomendado para toda e qualquer pessoa. Quem se propuser a enfrentar o desafio precisa estar disposto a lidar com sentimentos de tristeza, de angústia e de raiva que se confundem e se multiplicam na mesma proporção, intensidade e velocidade. Nada te prepara suficientemente para o choque. Mas, apesar de tudo, é muito improvável que alguém se arrependa ou deixe de mudar um pouco sua visão de mundo após conhecer os campos. Impossível não se abalar ou ficar indiferente.

Nada substitui a sensação angustiante de entrar em um alojamento onde as pessoas ficavam amontoadas como animais à espera da morte respirando um ar úmido, viciado e putrefato ou então visitar uma sala onde estão expostos toneladas de restos de cabelo e milhares de pares de sapatos e roupas das pessoas mortas ou ainda ficar bem ao lado do final da fatídica linha de trem que trazia vagões insalubres e apinhados de carga humana, entregando diariamente centenas ou milhares de pessoas a um destino tão fúnebre quanto fugaz. Abaixo fotos desses vagões que traziam os prisioneiros condenados. Por vezes quase uma centena em cada um desses compartimentos escuros e sem ventilação adequada: Fotos também do fim da linha (e da vida) do trem. Era exatamente nesse ponto que o trem parava após cruzar o portão de Birkenau e eram ‘descarregados’ os passageiros.

De tudo que vi nos 2 campos, a pior parte que mais me chocou foi a denominada “sauna”, em Birkenau. Os prisioneiros separados após a chegada para morrer imediatamente eram obrigados a se despir e a ingressar em um simulacro de vestiário onde deixavam suas roupas em um armário e recebiam uma chave ao argumento de que tomariam um banho. Ao ingressarem nas áreas onde havia chuveiros, recebiam sobre suas cabeças doses de gás letal Zyklon-B ao invés de água. Os 4 ambientes deste grande galpão permitiam que 10 mil pessoas por leva fossem assassinadas a cada 20 minutos, sendo que muitas vezes esse ritual acontecia mais de uma vez no mesmo dia. Após o fim do massacre, um grande elevador subia do solo com os cadáveres que eram retirados às centenas e atirados em fornos de cremação que tratavam de rapidamente fazer desaparecer os vestígios materiais das atrocidades. Essa parte da visita foi dura demais. Algo sem precedentes. Fotos das ruínas da antiga sauna e crematório, mantidas como foram encontradas na data da liberação do campo:

Sofri um grande impacto emocional e assim permaneci por um bom tempo. Não sou um cara que chora com facilidade (e acho isso um defeito) mas confesso que derramei lágrimas nesse dia ao me deparar com tantas histórias tristes de vidas encerradas e famílias destruídas de modo tão abrupto, absurdo e desnecessário. Tudo como consequência de uma irresponsável ideologia esquizofrênica e megalomânica que tentava justificar o extermínio em massa de seres tidos como descartáveis e inferiores.

Sob a ótica deturpada deles, os judeus foram identificados como os grandes inimigos e responsáveis pelas desgraças do mundo e tinham que ser perseguidos e aniquilados. Além de sujeitá-los à morte, Hitler e seus comparsas nazistas, sob a desculpa de quererem criar uma suposta raça ariana perfeita e superior, não mediam esforços no arsenal de atrocidades, chegando ao extremo de obrar múltiplos experimentos médico-científicos com as pessoas, que eram submetidas a esses rituais macabros como autênticas cobaias humanas. Nesse mundo louco, não havia espaço também para quem tivesse qualquer deficiência física ou mental, ou ainda alguma sexualidade fora do padrão tido como normal. Foto de um paredão de fuzilamento para presos ‘indisciplinados’ em Auschwitz I:

Se é verdade que a cada vida que se perde injustamente, toda a humanidade acaba morrendo um pouco junto, certo é também que Auschwitz representa com exatidão esse período de holocausto moral de todos os seres humanos, que foram incapazes de usar os consagrados valores da inteligência, da ética e da bondade afim de evitar essa catástrofe de proporções universais.

Pois bem, tecidas as necessárias considerações introdutórias, passemos aos aspectos práticos. O passeio dura aproximadamente a metade de um dia e embora seja possível ir por conta própria, acaba sendo mais conveniente contratar um dos muitos tours guiados que partem diariamente de Cracóvia e que levam pouco menos de 1 hora até o ponto de partida da jornada, Auschwitz 1.

Antes da segunda guerra, o complexo servia de base para o exército polonês. Com a ocupação da Polônia, os alemães inicialmente tomaram esse espaço e transformaram-no em campo de prisioneiros para alocar seus inimigos políticos poloneses. A localização era ideal, próximo à linhas de trem e com rios ao redor que serviam como barreiras geográficas naturais. À partir do final de 1941, o lugar foi convertido em campo de extermínio em massa de seres “indesejáveis”.

Na chegada há sempre muitas filas mas tudo é bem rápido e organizado. Embora seja possível fazer a visita por conta própria, entre março e outubro, devido ao grande fluxo de turistas, as incursões somente são realizadas em grupos pequenos comandados por um dos muitos guias que trabalham no lugar, podendo ser escolhido o idioma de preferência. Pagando mais caro, também é possível a contratação de guias particulares. A ordem do percurso começa por auschwitz I e concluída essa etapa, ônibus especiais levam os turistas até Birkenau que finaliza a jornada. Foto de um sombrio alojamento de presos em Birkenau. Em cada buraco lateral desses dormiam 3 detentos amontoados:

Assim, feitas as apresentações de praxe, logo o grupo estará iniciando o roteiro quando passar pelo famoso e macabro portão de entrada que continha uma mensagem aos prisioneiros: “Arbeit macht frei”, ou “ somente o trabalho liberta”. De fato, ocorria exatamente o contrario com os concentrados, que acabavam morrendo pela exaustão, doenças e fome, cumprindo jornadas intermináveis de 16 horas de labor diário até o limite extremo de suas forças recebendo em troca uma miserável ração. Era o chamado extermínio lento por meio do trabalho. A foto do famoso portão contendo a hipócrita e mentirosa inscrição:

Ao cruzarem os portões, eram cruelmente recebidos por uma banda de música composta pelos próprios prisioneiros que tocavam marchas que facilitavam a contagem. Ato contínuo, tinham seus pertences imediatamente confiscados, os cabelos cortados e recebiam uma roupa listrada estigmatizada com uma estrela de David na manga. Chegavam achando que iam ‘apenas’ trabalhar forçadamente, não sabendo exatamente ainda que de lá jamais escapariam. Mas tão logo eram despachados para os alojamentos recebiam a verdadeira notícia, dando conta de que lá somente sairiam pelas chaminés do crematório. Foto tirada no local que faz um desenho charge de uma nova leva de prisioneiros entrando e sendo recepcionados por uma banda musical tocada pelos detentos mais antigos e ainda não assassinados:

A bem da verdade, na chegada era feita uma triagem. Separavam-se os que deviam morrer imediatamente e que eram despachados para as câmaras de gás, dos que poderiam ter alguma utilidade laborativa e que ficavam alojados nos pavilhões dos famosos edifícios de tijolo cor de ocre, pois somente morreriam com o passar do tempo. No primeiro grupo, geralmente ficavam as mulheres, crianças, idosos, pessoas que não gozavam de boa saúde e deficientes físicos e mentais. Tudo muito triste e terrível. Se não fosse a dura realidade seria um grande roteiro original de filme de terror. No restante da visita guiada, percorremos os vários pavilhões que hoje abrigam exposições que retratam a vida diária dos detentos, bem como as condições insalubres do lugar, assim como mostram os objetos e fotos deles ainda bem preservados, salas onde eram cumpridas punições a presos rebeldes, paredões de execução e o espaço dos chuveiros com gás e crematório.

Tudo bem protegido com cercas de arames farpado e avisos de risco de fuzilamento em caso de tentativa de fuga. Altas torres com guardas armados cuidavam dos 4 cantos do campo, sendo que estes tinham a ordem expressa de atirar em qualquer um que ultrapassasse a barreira do arame farpado. A tentativa de fuga para alguns acabava funcionando como uma mera alegoria em busca de uma morte mais rápida e moralmente menos dolorosa.

O terror começou com a sede em Auschwitz 1, mas a partir de finais de 1941, os nazistas queriam incrementar a velocidade da matança. Para tal, precisavam de um espaço maior e resolveram construir Auschwitz 2 ou Birkenau, cujo portão era atravessado pelos metros finais da linha de trem que trazia os prisioneiros de todos os cantos da Europa. Ou seja, eles eram recebidos pelos seus algozes já dentro do campo e muitos deles conduzidos imediatamente para a morte! Foto abaixo do crematório de Auschwitz I e sua respectiva chaminé, última parte da visita guiada:

Concluída a etapa em Auschwitz I, apanhamos o ônibus para Auschwitz 2. Trajeto rápido percorrendo 3.5 kilômetros, como dito antes. Birkenau, segunda parada do tour, não está tão bem preservado como Auschwitz pois foi destruído pelos próprios nazis quando da iminência do fim do conflito, numa tentativa de esconder um pouco as evidências materiais e vestígios de tanta infâmia. O portão de entrada está bem mantido, assim como apenas alguns pavilhões de alojamentos. A parte da sauna, do crematório e das covas foram implodidas e até hoje seus restos permanecem do mesmo jeito como foram encontrados. No local, funciona um memorial a céu aberto em tributo a todos os seres humanos assassinados em suas dependências.

Uma das coisas que mais fiquei pensando e refletindo enquanto estive lá no complexo foi tentando imaginar o incomensurável desespero que acometeia um homem de meia idade pai de família saudável, provavelmente judeu, enviado a um campo de concentração como um desses dois. Ele ia compulsoriamente, levado com sua esposa e filhos. Então pensava na sequência de atos. Retirados abruptamente de casa em qualquer canto da Europa, forçados a entrar em um vagão de trem que seria indigno até mesmo para carregar gado, eram então transportados como carga até essas sucursais do inferno. Lá chegando, esse homem era automaticamente separado e privado de sua família, sem ao menos ter a chance de se despedir de seus entes queridos e amados. Família esta que por ser composta na parte remanescente pela mulher e crianças, já estava previamente eleita para morrer tão logo chegasse ao campo. (Foto abaixo da chegada de famílias nos trens, traduzindo exatamente esse momento acima imaginado. O pai à esquerda da foto, sem saber, vive os últimos momentos ao lado da esposa e filho):

Se não bastasse essa dolorosa atrocidade, esse homem ainda era condenado a morrer aos poucos, tendo a sua dignidade surrupiada lentamente a cada dia com reiteradas humilhações e privações de toda sorte. Se não enlouquecesse, nem fosse fuzilado por descumprir alguma regra ou sofresse alguma experimentação científica como cobaia humana, morreria de todo modo por doença, inanição, fadiga ou todas essas circunstâncias somadas. Como lidar com essa realidade sabendo que isso aconteceu no auge da civilização moderna, há menos de um século? Impossível não sofrer junto e se compadecer com tantos casos de violência unilateral injustificada. Acredito que esse episódio se constituiu na maior infâmia de toda a história da humanidade. Mas, como sempre, a vida precisava prosseguir. Encerramos o tour com muita dor e perplexidade, mas cientes da importância de ter vivido a experiência e certos de que a dimensão de nosso sofrimento moral era apenas um átomo perto daquelas histórias reais experimentadas por tantas vítimas inocentes. Finalizando esse relato, fica a mensagem que precisa ser ecoada para sempre enquanto ainda houver pelo menos um único ser humano pisando no planeta terra:

“Forever let this place be a cry of despair and a warning to humanity, where the nazis murdered about one and a half million men, women and children, mainly jews from various countries of Europe.

Antes de concluir, agradeço como sempre à Karine pela extrema sensibilidade na elaboração e captura das fotografias, repletas de emoção e simbolismo.

Cracóvia: Jóia medieval polonesa que deu ao mundo o primeiro Papa não italiano.

A Polônia foi a segunda escala de nossa viagem pelo Leste Europeu. Chegamos em Cracóvia as 6 e 30 da manhã, após uma noite razoavelmente bem dormida na cabine dupla do trem noturno que nos trouxe de Budapeste. A antiga Capital do reino é o lugar onde João Paulo II, nascido na pequena cidade de Wadowice, se tornou arcebispo e surgiu para o mundo. Mas, além disso, é um lugar memorável que ficou acima de nossas expectativas e onde passamos 3 dias incríveis. Roteiro repleto de muita atividade cultural, idas à cafés e restaurantes modernos, livrarias, museus, igrejas góticas, parques, uma mina de sal, dois campos de concentração marcantes para a história da humanidade e ainda a maior praça da Europa.

Cracóvia é tão bonita mas tão bonita que até os nazistas que a ocuparam desde o início da 2a guerra mundial e lá montaram uma espécie de quartel general, tiveram pena de bombardeá-la e destruí-la. Ao contrário da Capital Varsóvia, totalmente aniquilada ao longo do conflito, a segunda cidade polonesa foi preservada e mantida em suas características originais, principalmente o seu precioso centro histórico, autêntica jóia medieval. Sorte da Polônia e também do resto da humanidade, que pode conhecer e desfrutar esse lugar delicioso e que permanece com sua parte antiga quase intocada como há 800 anos atrás.

É a “cereja do bolo” e principal polo turístico do país. Antiga e preservada, tem lugares variando entre a história e a modernidade, sempre repleta de visitantes e com um contagiante clima universitário e científico de encher os olhos e a alma. É o grande centro cultural e intelectual da Polônia e, guardadas as próprias peculiaridades e proporções, poderia ser comparada com Praga há 25 anos atrás, antes do boom de turistas que a tornou praticamente inviável.

Ficamos no ótimo Metropolitan Hotel Boutique durante 3 noites. O estabelecimento conta com um ambiente familiar e uma atmosfera muito agradável. Tudo é muito limpo e bem apresentado para os hóspedes. Quartos muito confortáveis e destacado café da manhã. A localização é boa e muito próxima do bairro judeu kasimierz, lugar moderno com a sua famosa vida noturna de bares, clubes de discoteca e restaurantes. Mas pode não ser a melhor opção se a pessoa pretende ficar ao lado de old town, wawell hill e da praça do mercado. Fica a cerca de 15/20 minutos a pé dessa parte. Nada que atrapalhe.

Cracóvia não integra o circuito básico do roteiro do leste europeu que os brasileiros costumam fazer e que geralmente passa apenas por Praga-Viena-Budapeste. Mas vale incluí-la nessa exata viagem porque encaixa perfeitamente bem no trajeto.

A cidade foi um importante entreposto comercial europeu medieval e era cruzada pela maioria das antigas rotas mercantis e estradas do velho continente. Sua fundação remonta ao ano de 700 d.c. e ela foi a sede administrativa e política do país entre 1320 e 1596. Pede entre 3 e 4 dias para poder ser conhecida. Melhor 4. Nesse intervalo, já pode contar um dia para conhecer os campos de concentração mais famosos da história ou uma das maiores minas de sal da Europa. Quem sabe até os dois passeios em conjunto, que podem ser conjugados num único dia bem comprido, se for o caso.

Começamos por Wawel Hill e seu denominado Castelo que fica bem no topo de uma montanha com belas vistas da cidade. Junto com o centro antigo e o bairro judeu, integra o conjunto das 3 principais visitas em Cracóvia. (Sem contar os tours para auschwitz/birkenau e para a mina de sal). Reserve aqui uma manhã ou uma tarde para fazer tudo com calma. Suba as encostas, visite a catedral e o panteão de pilsudski e demais heróis poloneses no subsolo da igreja, suba a torre e veja o sino mais antigo da região, visite o museu com objetos pessoais de João Paulo II, caminhe pelos jardins ao redor, visite o terraço interior atrás da igreja em estilo florentino renascentista e depois sente no bar/restaurante situado no local e relaxe tomando uma cerveja típica acompanhada por uma porção de pierogis, os bolinhos de massa assada poloneses com os recheios mais variados. E de lá fique curtindo o belo visual dos arredores quase debruçado sobre o rio vístula. Fotos do portão de entrada e dos arredores em Wawel Cattle Hill, o grande sino da catedral, a vista lá de cima e a taça de cerveja:

Uma curiosidade sobre a área situada no pátio interno do castelo de wawel. Trata-se de um lugar místico e sagrado para a religião hindu. De acordo com o conceito de chakra, como sendo uma energia poderosa que conecta todas as formas de vida, os seus adeptos creem em 7 pontos deste chakra situados no corpo entre a cabeça e os pés. E, espelhando esses 7 pontos do corpo humano, haveria 7 locais sagrados ao redor do planeta onde está energia vital estaria mais concentrada, conectada e potente. São eles Déli, Delfos, Jerusalém, Meca, Roma, Velehrad e Wawel!!! Sem dúvida, ainda que a pessoa não seja adepta do hinduísmo e ignore esse ritual, vai ser uma bela maneira de começar a jornada por Cracóvia. Foi por ali mesmo que começamos também. Foto abaixo do exato ponto no pátio interno onde, segundo a crença, a energia está em alta. É comum ver grupos de indianos peregrinando no lugar. Nós vimos alguns, mas por respeito, optamos por não fotografá-los no transcurso de seu ritual:

A Polônia é um dos países do mundo mais adeptos do Catolicismo e mesmo quem não é tão ligado nessa coisa de religião acaba se emocionando com toda a aura e o astral desse lugar. Wawel é uma montanha sagrada para os poloneses, onde tudo envolve e evoca, mormente no entorno da Catedral, o nome de um de seus filhos mais ilustres que se transformou no papa João Paulo II e depois em santo da igreja, Karol Wojtyla. Karol aliás é um pop star total na Polônia, o maior ídolo do povo e motivo de orgulho do país, sendo que sua imagem está por todos os lados.

Após o passeio por Wawel, descemos caminhando e fomos curtir o centro histórico passando pela Rota Real. Esta rota começa na famosa rua Florianska, uma das principais da cidade, onde fica a única das quatro torres que sobraram do antigo e original muro de proteção da cidade medieval.

Aqui vale sentar um pouco no meio-fio e ficar relaxado curtindo os quadros pendurados nos muros pelos múltiplos artistas de rua que expõem e criam uma verdadeira galeria de arte a céu aberto ao longo da famosa via.

Caminhando mais adiante a pessoa chega até a praça central, aquela que é a maior do continente. Um colosso! Essa praça é realmente demais. Linda e enorme. Seu nome oficial é Rynek Glowny. Ela é gigantesca mesmo. O bacana lá é ficar sentado e observando o movimento e a arquitetura do lugar. Tem que ir ao menos uma vez de dia e outra de noite. Tem de tudo lá. Igrejas antigas. Restaurantes e bares pega-turista, lojinhas de souvenir e um mercado que funciona no meio da praça em uma área coberta que parece dividir o espaço em duas grandes partes. Chafarizes. charretes com belos cavalos para que os turistas possam dar um passeio, artistas de rua executando suas variadas performances, pombos (sempre muitos deles) voando e pousando e voando novamente, além de jovens e belos estudantes poloneses de todas as idades que ao longo do dia nos intervalos ou no fim de suas aulas ficam de bobeira na Praça, curtindo um papo, uma brincadeira ou uma paquera. A grande praça é o point da cidade, onde todo mundo passa, vê e é visto. Dá pra ficar por lá o dia inteiro só vendo o movimento e curtindo.

Nesse dia, fomos visitar ainda um interessante museu na Praça que conta a história da cidade. Chama-se Rynek Underground e fica Localizado a quatro metros de profundidade sob o edifício que sedia o mercado da praça. Legal a visita neste museu localizado em uma escavação arqueológica que reúne exposições interativas, vídeos e itens procedentes dos tempos medievais para levar seus visitantes a uma viagem no tempo recriando a atmosfera do local em plena Idade Média, quando a cidade era um dos entrepostos comerciais mais importantes da Europa. Foto bem na entrada do museu que fica à direita e desce ao subssolo:

Quando bater aquela fome, ao redor da praça antiga, principalmente nas ruas próximas, dá pra se resolve bem pois lá funcionam vários bons restaurantes que servem comida típica e que permitem uma bela refeição. Nós fomos a alguns deles ao longo de nossos três dias na cidade e vale citar e recomendar dois deles. No primeiro dia, após intensa programação, fomos jantar no restaurante Miod Malina. Situado em uma rua adjacente e perpendicular à praça principal, seguimos a indicação de vários guias de viagem e fomos fazer nossa refeição noturna nesse restaurante ítalo-polonês. Fica no interior de uma construção mais antiga e oferece um ambiente muito aconchegante e acolhedor. Serviço um pouco lento mas a comida estava deliciosa! Pedimos uma sopa de entrada com linguiça, bacon e ovos cozidos servida dentro de um pão, que servia como tigela. Uma delícia. De entrada, a boa é pedir os famosos pierogis poloneses. Pra quem não sabe, pierogis são algo como uns pequenos pastéis de forno empanados de massa muito fina e com ótimos recheios de queijo, carnes e cogumelos. O restaurante tem uma ótima carta de vinhos e bebidas, sucos e refrigerantes. Além de tudo, outro ponto positivo é que não é muito caro, sendo uma ótima relação custo-benefício. Faça reserva pois está sempre bem cheio. Fotos do pão com a sopa dentro e de um prato típico de comida polonesa com os pierogis e muita carne de porco:

Outro restaurante que recomendo bastante foi um que almoçamos no último dia na cidade, chamado Pod Aniolami. Ele também fica perto de tudo e situado em uma das ruas principais da cidade, que liga wawell hill até a praça antiga. O ambiente é muito agradável, no interior de uma casa rústica e medieval. Tem mesas fora e dentro com dois ambientes distintos, um no primeiro piso no interior da casa e outro no subsolo, junto a uma bela adega subterrânea. A comida estava muito boa com destaque para a entrada tipicamente polonesa, a famosa pierogi mista. Boa carta de vinhos com boas opções locais de brancos, tintos e rosés. Pedimos um branco da uva Seyval Blanc que estava muito saboroso. Bons pratos de carne (destaque para um filé delicioso ao molho de gorgonzola, com espinafre refogado e batatas ao forno.) e peixes. Se estiver com pressa não vá, pois o local tem o objetivo de oferecer um serviço calmo e sem correria. Abaixo, fotos da linda Cracóvia e sua grande praça em momentos de fim de tarde e à noite:

No intervalo entre o primeiro e o terceiro dia na cracóvia fizemos um passeio nos arredores visitando duas atrações essenciais que podem ser conjugadas no mesmo dia. Os arrepiantes campos de concentração Auschwitz/Birkenau e as Minas de Sal Wieliczka. Ambos serão tema de relato próprio. Foto de Rynek Glowny e a catedral:

No nosso último dia, antes de voltar pra Praça e ficar largado por lá, fomos conhecer o outro lado da cidade e do rio. Os bairros judeus de Kasimierz e Podgorze, que estavam próximos ao nosso hotel. Antes da Segunda Guerra mundial, Kazimierz era o bairro que reunia toda a comunidade judaica na cidade. Com a chegada dos alemães e das tropas nazistas, todos os judeus foram paulatinamente forçados a deixar suas casas e se mudar para Pódgorze, onde foram segregados por um muro construído às pressas. Além dessa parte histórica, os bairros são conhecidos pelo agito noturno e pelo movimento de comércio, feirinhas, bares e restaurantes. Em Kazimierz, ficam três das seis sinagogas que restaram na cidade. Depois de visitar o bairro hebreu, fomos cruzar a ponte sobre o rio vístula. Fotos do bairro Kasimierz com a feira e produtos antigos (espécie de mercado das pulgas) e da ponte com os cadeados trancados.

Após cruzarmos a ponte, chegamos ao museu de Oscar Schindler, antiga fábrica que serviu de cenário para o filme A Lista de Schindler, que conta a história desse industrial que ajudou a esconder e salvar mais de 1200 judeus até o fim da guerra. Use um mapa após cruzar a ponte pois é meio complicado o caminho a pé pelas ruelas emaranhadas para chegar até o museu. Abaixo, duas fotos com alguns detalhes da exposição:

Foi o melhor museu sobre a segunda guerra que eu já visitei. Reconhecido em guias e sites como o melhor da Polônia e um dos melhores da Europa sobre este tema. A exposição funciona na própria fábrica onde o ex-nazi Oscar Schindler empregou uma série de judeus que viviam no gueto de cracóvia e acabou salvando suas vidas, como dito antes. O museu conta a história e retrata a situação da cidade (e principalmente da comunidade judaica) antes, durante e depois da guerra. Exposição muito bem organizada com fotos, vídeos, painéis interativos e objetos históricos além de alguns cenários otimamente recriados. Textos bem explicados em inglês otimizando a visita e relatando todo o drama, a tensão e a angústia experimentados pelos cidadãos da cidade, que foi invadida, ocupada e tomada, ficando sob o domínio alemão por quase 06 anos, já que os nazistas instalaram um quartel general de comando do terceiro reich nesta região. Vale muito a visita. Custa 21 zlots a entrada e tente reservar no mínimo 2 horas para poder cobrir com calma a exposição. Muitos textos para leitura e compreensão do panorama histórico. Não pode deixar de ser visitado.

Ao sair do museu, fomos visitar a Heroes of the Guetto Square, uma praça ocupada por várias esculturas de cadeiras coladas ao chão ao redor do espaço e que simbolizam os pertences dos judeus que, durante a mudança forçada de Kazimierz, foram abandonados e destruídos ali, pois não couberam nos apertados apartamentos destinados às numerosas famílias.

Cumprida a parte histórica, voltamos de táxi pra Rynek Glowny e ficamos matando o tempo restante até a hora de apanhar o trem para Viena, etapa seguinte de nossa turnê pelo leste europeu…