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Carmel. Histórias de um lugar mágico, de um prefeito cowboy e de amizade pelos cachorros.

Carmel. Histórias de um lugar mágico, de um prefeito cowboy e de amizade pelos cachorros.

Carmel-by-the-sea, ou simplesmente Carmel, é uma cidade mágica. Parece que ficou esquecida no tempo. Tem uma aura quase mística. Imprescindível visitá-la em qualquer roteiro que sugira Califórnia. Para quem tiver tempo e disponibilidade, o ideal é permanecer nela por duas noites, para realmente entrar no clima do lugar. Mas mesmo que só tenha uma noite, como eu, não deixe de ir.

Fica na península de Monterrey, 190 km ao sul de San Francisco ou 530 km ao norte de Los Angeles, para quem esteja fazendo a rota subindo. Tem poetas, artistas e hippies dentre seus mais costumeiros habitantes, e apresenta um aspecto meio híbrido, já que ao mesmo tempo em que se parece algo com uma cidade de serra, como Gramado, Itaipava, Monte Verde ou Campos do Jordão, tem praia com boas ondas que permitem a prática do surfe. Afinal, a Califórnia, assim como o Havaí e a Austrália, é uma dos locais onde melhor se pratica esse esporte.

Clint Eastwood, o cowboy mais famoso do cinema, já foi prefeito de Carmel entre os anos de 1986 e 1988. Dizem que seu governo não foi grandes coisas. A cidade é conhecida como sendo ‘dog friendly’, ou seja, os cães foram alçados quase ao status de cidadãos, sendo que a maioria de seus hotéis permite a permanência deles com os seus donos. Vários restaurantes e galerias de arte emprestam charme indiscutível a esta cidade, que, à noite, quase não dispõe de luz elétrica em suas ruas, lembrando uma vila dos anos 50, típica dos filmes de Hollywood. Outra curiosidade sobre o local é uma estranha e bizarra lei dos anos 20, ainda supostamente em vigor, proibindo o uso de sapatos de salto alto com mais de 5 centímetros pelas mulheres. O objetivo seria evitar processos com pedidos de indenização por quedas em consequência do piso e do calçamento irregular e das muitas raízes de árvores presentes nas calçadas.

Em Carmel, o que se recomenda é apenas andar pelas ruas, flanando à vontade sem compromissos culturais ou de visitas importantes a lugares pre-determinados, bastando se deixar levar por suas esquinas calmas e bucólicas. O vilarejo fala por si só. Uma bela mistura entre cidade de serra e de praia. Passeie, visite as lojinhas, coma bem, beba um bom vinho, aprecie o entardecer e à noite durma um sono perfeito em qualquer um de seus tantos hotéis ou pousadas, preparando-se, se estiver descendo, para o próximo passo do roteiro, que é a rota do big-sur pela Highway n. 1. Carmel tem excelentes restaurantes de fina gastronomia. Basta olhar, escolher um e entrar.

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E, ao acordar na manhã seguinte, após tomar o desjejum, visite a praia da cidade, descendo pela avenida principal. Estacionamento disponível. Praia maravilhosa, com uma areia muito branca, onde casais namoram, crianças brincam de correr atrás de cachorros, turistas tiram fotos e surfistas exercem o seu ofício. Sente-se na areia e fique capturando o momento e o movimento ao seu redor. Olhe em volta, respire fundo e agradeça a quem quer que seja o destinatário de sua fé, por ter tido a chance de conhecer esse vilarejo.

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Muito se fala também na cidade que fica ao lado de Carmel, ligeiramente ao Norte, Monterrey, um pouco maior e que, apesar de possuir uma orla de praias, e talvez um dos melhores aquários dos Estados Unidos, o que por si só já vale uma visita, principalmente se a pessoa estiver com crianças ou for aficcionada pela vida marinha, não desperta nem metade da atração de sua vizinha mais famosa e exótica. Não se hospede aqui. Visite Monterrey, por metade de um dia e durma em Carmel.

Uma ótima sugestão de passeio para quem esteja viajando de carro, é conduzir pela “17 mile drive”, uma rota cênica com paisagens exuberantes do oceano e encostas, que liga as cidades de Carmel e Monterrey pela costa entre peeble beach e pacific grove, duas praias locais. O passeio é pago, cerca de 10 dólares por veículo e tem a extensão sinuosa de 17 milhas, ou pouco mais de 30 quilômetros. (Se o viajante optar em dirigir quase em linha reta pela estrada por dentro, as duas cidades ficam a cerca de sete quilômetros de distância) Vindo de Monterrey, a 17 mile scenic drive deixa o viajante dentro do Centro de Carmel. Para quem já veio ou ainda vai passar pelo Big-Sur, talvez não seja fundamental cruzar este caminho, pois em termos de paisagens e cenários, aquele é escancaradamente muito mais extenso e deslumbrante. Pra quem não pode ou não quer passar pelo Big-Sur, fica a dica.

Do Rio pro Mundo

4 pensamentos sobre “Carmel. Histórias de um lugar mágico, de um prefeito cowboy e de amizade pelos cachorros.

ana mariaPublicado em  11:15 pm - maio 6, 2013

Carmel é um sonho realmente e lendo o seu texto muito bem escrito, convidativo me deu vontade de voltar! bjs Ana também carioca

pattpiresPublicado em  3:38 pm - maio 8, 2013

Parabéns! Vc conseguiu materializar com esse texto o que meus olhos viram , meu coração sentiu, mas meu coração não conseguiria expressar…

Monica CostivellePublicado em  4:34 pm - maio 13, 2013

Poxa, que legal que você conseguiu aproveitar Carmel durante o dia. Essa praia é bem bonita, sorte que eu pelo menos consegui pegar o por do Sol! 🙂

AllinePublicado em  4:24 am - jun 9, 2014

To aqui sentada em Carmel de frente pro mar, tomando um Ghirardelli e revisando seu texto.
Impecavel!!!!
Mas gosto de Monterey tambem e da Cannery row. Gosto de tudo 🙂

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