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Barcelona, amor à primeira vista! Crônica de viagem a uma cidade única, com toques de Gaudi, Messi, Barça, Miró, Ramblas, Montjuic e Picasso, além de outros tópicos.

Barcelona, amor à primeira vista! Crônica de viagem a uma cidade única, com toques de Gaudi, Messi, Barça, Miró, Ramblas, Montjuic e Picasso, além de outros tópicos.

Barcelona é uma daquelas cidades espetaculares que povoam os sonhos de todos os viajantes. A capital da Catalunha, tão amada pelos brasileiros e, seguramente,  atual referência do bem jogar futebol no planeta terra, é um lugar vibrante, belo e de vanguarda. A cidade mais atraente da Espanha em minha visão, (apesar de Madrid e Sevilla também estarem no páreo, correndo por fora) seria fácil aquele local que todo mundo poderia escolher como opção, caso tivesse que ir viver na Europa. Para os que são do Rio de Janeiro, então, como eu, essa escolha seria até bem óbvia, pois em Barcelona enxerga-se à exaustão muitos traços de semelhança com a Guanabara. De fato, aquela parece ter um pouco da alma carioca, por ser uma cidade descontraída, ensolarada, com praia, (um esboço de praia, na verdade) muita gente jovem, cores em profusão, além de uma vida noturna e cultural intensa. Achou pouco? Então siga lendo que ainda vou te dar vários motivos…

Estivemos em Barcelona por 5 noites, ao longo de uma viagem para a Espanha que também nos levou à Madrid e à Andaluzia. Gostei muito de conhecer a capital do país e também a terra dos gitanos e flamencos, outrora povoada e invadida pelos árabes, especialmente Granada mas, Barcelona, de longe, foi a maior experiência neste giro, ficando marcada em minha lista dos “lugares que preciso voltar várias vezes”. Seus largos e extensos boulevares por vezes me fizeram lembrar de Paris, com um pouco mais de estilo, onde o povo caminha despreocupado, curtindo a vida e valorizando a arte, a gastronomia, os vinhos e o futebol, falando um idioma belo e sedutor, o catalão, mistura de francês com espanhol e com pitadas de português.

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Acho que, com 5 dias, como eu fiz, você consegue ver o básico e começa a entender melhor a dinâmica do local. Mas, se puder, fique mais tempo, pois há muito o que ver e fazer lá. Considero como bons locais para Hospedagem a região das Ramblas e suas adjacências, incluíndo a Praça da Catalunha e o Passeig de Gracia, avenida equivalente ao Champs Elysées. Outras boas opções podem incluir o Bairro Gótico, o Eixample, onde nos hospedamos ou também Montjuic, esta um pouco mais afastada do centro. Vamos tentar abordar agora e dedicar linhas sobre os destaques, atrações, locais e passeios imperdíveis.

No nosso primeiro dia em Barcelona, fomos direto a um de seus mais famosos cartões postais. Bem, sabe quando você está na praia e coloca um punhado de areia molhada nas mãos e deixa escorrer pelos dedos construíndo castelos de areia? Ainda que isto tenha um longínquo sabor de infância, lembra? Lembra??? Pois bem, esses castelos tem a exata textura e o visual da fachada mais visível da igreja Sagrada Família, emblema maior de uma cidade que se pretende exclusiva, única, destacada das demais, pelo idioma, pelos monumentos, pelos templos e pelo jeito de ser. Repleta de simbolismos, a maioria deles intercalando elementos religiosos com temas da natureza, causa uma significativa perplexidade aos turistas, não acostumados a ela. Visitá-la foi, por necessidade de se atenuar uma grande expectativa, como já dito, a primeira providência que tomamos tão logo chegamos.

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É o maior reduto católico da cidade catalã, projetada, pelo famoso arquiteto local, Antoni Gaudí e considerada por muitos críticos como a sua obra-prima. Financiada unicamente por contribuições privadas, a construção teve início em 1882 e foi tocada pelo próprio Gaudí em seu início. O artista/arquiteto dedicou todo o restante de seus derradeiros 40 anos de vida à obra, até o dia de sua morte, quando foi atingido por um bonde no centro da cidade. A construção foi suspensa em 1936, por ocasião da ocorrência da Guerra Civil Espanhola de Franco. Até hoje encontra-se por concluir, o que se estima ocorra não antes de 2026, tamanha a complexidade do que ainda precisa ser feito, apesar de o projeto original já ter sofrido reiteradas simplificações. Que igreja mais absurda! E espetacular! Um eterno canteiro de obras. Bela, parece um cenário! Inacabada, acho que vai ficar assim pra sempre. Apenas a fachada central, a denominada fachada da natividade me pareceu pronta, com suas diversas torres cônicas principais. Destaco também o acesso às torres e às galerias superiores, de onde se desfruta uma vista diferenciada de Barcelona, valendo todo o esforço físico da desgastante subida por uma sinistra escadaria de degraus muito íngremes ou então a infindável espera na fila dos elevadores. Foto da Karine lá de cima:

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No dia seguinte que estivemos na cidade, fizemos um outro passeio completo e imperdível. (todos os passeios digo que são imperdíveis né? Fazer o que, se todos os passeios dos quais falos são imperdíveis…) Primeiro, demos uma volta pelo Barri Gótic, o bairro Gótico, de ruelas, becos e labirintos, talvez o verdadeiro centro da cidade. Visitamos a magnífica catedral de Barcelona, que fica ofuscada pela Sagrada Família.

Em seguida, caminhamos pelo famoso boulevard, o Passeig de Grácia, espécie de Champs Elysées barcelonês, com edifícios vanguardistas, muitos em estilo art-déco e boutiques da moda, quando chegamos até a Praca de la Catalunha, coração da cidade e local de reunião de estudantes, namorados, amigos, idosos e torcedores de futebol. Foto abaixo da praça.

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De lá, após o almoço, pegamos uma reta e caminhamos pelas famosas Ramblas, uma rua de pedestres que liga a praça da catalunha ao Port Vell (Porto Velho). Cheia de turistas passando, cheia de vida e de movimento, 24 horas por dia, 7 dias por semana. Bancas de Jornal, barracas de flores, e de comida, além de bancadas múltiplas com pessoas lendo tarô e outras em que artistas e retratistas te abordam e tentam te convencer a fazer suas caricaturas e pinturas. Neste célebre local, também ocorre uma exposição de estátuas humanas, cada uma com um tema mais bizarro do que a outra, desde cleópatra, até Darth Vader, passando por árvore humana, cowboy, bailarina, soldadinho de chumbo e tantos outros. Autêntica fauna.

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Ao final das Ramblas, passamos pela célebre estátua/monumento em honra à Cristóvão Colombo. Tiramos a fotinha clássica (que não ficou boa e por isso não posto), atravessamos a rua e já estávamos em plena Orla, no porto Velho. Aqui, dedique tempo ao ócio criativo e à contemplação do mar mediterrâneo e dos pequenos barquinhos estacionados no porto.  Vimos, ademais, enormes navios transatlânticos e trando e saíndo da pequena baía, rumo às baleares (Ibiza, Mallorca e Minorca), à Grécia, à Itália.

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Em seguida, fizemos uma caminhada por dentro do porto até a outra extremidade onde se avista o teleférico que liga esta área ao bairro de montjuic e uma faixa de areia, a praia da barceloneta que, entretanto, segundo nos disseram, não é lá muito boa para o banho. Como temos a nosso dispôr, faixas como Ipanema, Leblon e Copacabana, confesso que nem arriscamos…

barceloneta

Barcelona tem também, como toda cidade que se preze, seus museus espetaculares, alguns inclusive muito característicos, que merecem parte de seu tempo. Destaco três deles, imperdíveis a meu ver. Primeiramente, o Museu picasso, uma das mais concorridas atrações culturais da cidade, que fica em um local magnífico, ao longo de 5 palácios na Carrer Montcad. Conta com um acervo de cerca de 3000 obras do mestre Malagueño e abriga trabalhos do início da carreira do pintor, e a exposição completa da série Las Meninas, inspirada na obra de outro gigante, Diego Velázquez. Pablo Picasso chegou em Barcelona quando tinha 14 anos e lá ficou até o início da década de 20 do século passado, quando resolveu ir viver em Paris. Outro museu muito caracterísitico de Barcelona é o Museu Fundação Joan Miró, localizado em Montjuic, com várias das obras estilo surrealista de cores vivas, com as famosas formas abstratas de tonalidades de azul, amarelo e vermelho, quase sempre misturadas.

Por fim, também em Montjuic, o interessante Museu de Poble Espanyol, que foi criado com o escopo de mostrar os vários estilos arquitetônicos e as diversidades culturais existentes na Espanha. Estilos de construção do país inteiro estão expostos em mais de uma centena de casas simulando um grande mosaico ibérico de residências, dispostas em ruas íngremes que fluem a partir de uma praça principal. Encerrando este tópico, não deixe, por óbvio, de passear pelo próprio bairro de Montjuic, com suas colinas e seu magnífico castelo, funciona como a maior área de lazer de Barcelona, muito procurada por locais e por turistas, em virtude de seus museus, restaurantes, galrias de arte e diversos outros atrativos. Visite também, se tiver tempo, o antigo estádio olímpico de Barcelona. Diferente e interessante. Foto deste museu do povo espanhol, que fica em Montjuic:

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Mudando o tema, e avançando mais um dia de viagem, você por acaso já ouviu falar no Parc Guell, situado na parte mais alta da cidade? Pois bem, se não ouviu, deveria ter ouvido, pois está entre os top 3 passeios mais imperdíveis de toda a sua temporada barcelonesca.

O Parc Güell é um grande parque urbano dotado de vários elementos arquitetônicos e bucólicos, situado em uma belíssima área natural no distrito de Grácia, virado para o Mar Mediterrâneo, bem no alto do Monte Carmelo. Mais uma das fantásticas criações de Antoni Gaudí, aqui por encomenda expressa do empresário Eusebi Güell, com o objetivo inicial de ser um centro comercial onde seriam construídas residências para pessoas endinheiradas. Esta meta, para sorte de todos os cidadãos de barcelona e também de todo o mundo, ao final, revelou-se um fracasso comercial e o espaço foi vendido à Municipalidade, quando então foi inaugurado como parque público em 1926.  Desde 1984 foi classificado pela UNESCO como Patrimônio da Humanidade, devido ao conjunto das obras de Gaudí.

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O parque apresenta a preferência de seu idealizador por colunas inclinadas e também pela fusão de elementos de diferentes estilos (romano, barroco, dórico, pré-romano, etc.). Outra característica fundamental do Parque Güell é o nítido contraste entre as texturas e as cores dos diferentes materiais de construção , como por exemplo a cerâmica brilhante e multicolorida face à pedra rústica e frisada, ambas convivendo em harmonia de estilos, somente plausível neste espaço único. A visita ao parc Güell é uma delícia, não perca sob nenhuma hipótese.

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De entrada franca, ouvi dizer recentemente que passaria a ter ingresso cobrado, medida adotada para tentar conter o excessivo e desproporcional número de visitantes, que acabam por descaracterizar a própria harmonia e funcionamento do espaço. Se você der sorte de estar lá em um dia de sol e claridade, então a sua experiência será ainda maior. Lá de cima, se tem uma vista completa da cidade e do mar mediterrâneo (foto abaixo do mirante, desfavorecida por um dia de névoa, o que impede a visão ao fundo, do azul do mar).

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Há cerca de uma década atrás, Djavan, um dos grandes da MPB, gravou um DVD de seu show ao vivo e, no decorrer de seu depoimento à obra, gravou sentado exatamente neste lugar e, na ocasião, fazia um dia espetacular. Fácil perceber neste vídeo, todo o esplendor da visão de Barcelona do alto, e o azul turquesa do mar mediterrâneo ao fundo.

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Outro local que visitamos e que preciso destacar neste texto foi o sensacional Palau de la Música Catalana, espécie de teatro municipal da cidade, situado em um apertado entroncamento entre duas ruas muito estreitas (Saint Pere e Amadeu Vives), fato que inclusive dificulta muito a completa visão de sua soberba fachada, dotada de uma série de elementos icônicos e representativos. Infelizmente, não haveria nenhum concerto no período em que estávamos na cidade e a visita acabou não sendo do jeito mais especial, ou seja, no decorrer de um espetáculo.

palau fachada belissima

Seu interior é ricamente ornamentado, com destaque para o teto, dotado com a enorme claraboia de vidro transparente multicolorido que, funciona simultaneamente como artifício decorativo e ponto de entrada de luz externa. Projetado pelo arquiteto Lluís Domènech i Montaner para servir como sede do Orfeu Catalão, um importante grupo de Coral da Catalunha, o auditório foi originalmente destinado para concertos de música  erudita, orquestral e instrumental, bem como para interpretações vocais e recitais, como corais, récitas, óperas e operetas.

Mas, no Palácio, que acabou se transformando em um dos símbolos e motivo de maior orgulho da cidade, também ocorrem atos culturais, políticos, peças de teatro, além da performance das mais variadas atrações musicais. O prédio é um ícone do estilo arquitetônico moderno catalão e, a sala de concerto apresenta uma acústica excelente. Muitos dos melhores intérpretes e maestros do mundo do último século como Richard Strauss, Daniel Barenboim, Igor Stravinski, Arthur Rubinstein, Pau Casals, Maria Callas, Sergei Rachmaninov, Vladimir Ashkenazy, dentre outros, realizaram performances iesquecíveis neste auditório, verdadeiro santuário da música da Catalunha, de visitação imperdível. Abaixo, foto com detalhes dos pilares coloridos e decorados, no segundo piso do monumental edifício.

palau musica catalana

Visitamos também outra obra imperdível de Gaudi, a casa Milá, ou ‘la pedrera’, com seu terraço de estátuas e formas abstratas surpreendentes. Trata-se de um edifício residencial projetado por Gaudi (sempre ele) com sua fachada ondulada e vanguardista e um terraço com formas abstratas de esculturas desconexas. Visita importante, se não me engano o bilhete para o tour completo custa 11 euros. É uma das principais obras do mestre catalão. Funciona como um edifício residencial normal, e pessoas moram nele. O bilhete dá direito à visita ao museu, ao vão principal interior da construção e a um dos apartamentos, mantido ainda no formato e decoração original, que é aberto à visitação, funcionando como museu, dotado de mobília vintage. No terraço, também inclu[ido na visita, formas curiosas compõem chaminés que escondem dutos de ar, apelidados de espanta bruxas, por suas formas curiosas e, por vezes ameaçadoras. Foto de sua bela fachada, por nós tirada em um dia bem nublado:

la pedrera

Em outro dia de passeios, não perca a conta, estivemos pedalando pelo porto Olímpico (revitalizado para servir de vila de atletas durante os jogos de 1992) no extremo oposto da cidade, no outro lado da mesma orla que passa pelo porto Velho e também fomos pelo excelente Parc de la Ciutadella, que é muito procurado pelos nativos, que ficam ao redar de seu grande lago, e de seus vastos jardins, dançando, fazendo pique-nique, praticando esportes e múltiplas atividades ao ar livre, tomando sol no verão e na primavera, refrescados por muitas sombras das árvores laranjeiras aqui plantadas em profusão, neste autêntico bosque urbano. No local, funciona também o edifício sede do parlamento catalão. Fotos no parc de la ciutadella, a primeira em frente ao parlamento:

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É preciso, por fim, falar um pouco agora sobre futebol. Peço licença aos que não são tão afetos a este tema. Mas, o Barça é quase uma religião, com seu estandarte azul grená e um enorme e mundialmente famoso templo, o Camp Nou. O estádio recebe semanalmente milhares de devotos para um ritual catártico de histeria, alegria e degustação, onde jogadores do quilate de Lionel Messi, Andrés Iniesta, Xavi e agora também Neymar, tratam a bola com um refinamento de antigamente e criam reiteradamente com seus pés, verdadeiras obras de arte em movimento, deleitando e fazendo sonhar uma legião de entusiasmados seguidores mundo afora que, hipnotizados, consomem avidamente a marca, gerando uma receita bilionária ao Clube.

Um delicioso círculo vicioso para o povo catalão, que tem garantida a presença contínua dos maiores astros do esporte por essas bandas. Basta dizer que Cruyff, Maradona, Ronaldo, Ronaldinho Gaúcho, Rivaldo, Luís Figo, Deco, alem dos já citados acima e tantos outros ícones da bola já desfilaram por aqui.

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Como não me excluo deste grupo de fanáticos e também sou devoto do bom futebol, criado que fui nas arquibancadas do Maracanã vendo o ídolo maior Zico liderando o meu Flamengo pelos caminhos da glória e da fama, levei a Karine ao templo em duas ocasiões. A primeira, em uma visita guiada, com o estádio vazio e direito à passagem pelas cadeiras numeradas com visão da cancha, museu, galeria de troféus, vestiários e uma nesga de campo. Na outra, em grande estilo, conseguimos ingressos para assistir a uma partida do Barça válida pelo Campeonato Espanhol, ‘La Liga Primera’ como eles chamam, experiência que guardo com destaque e carinho na memória e no coração.

camp nou jogo

Acho muito importante que o visitante dedique um tempo a conhecer o Nou Camp e suas histórias, ainda que não seja um entusiasta do futebol, pois este clube e sua vitoriosa saga fazem parte da própria cultura da cidade. E isto é indiscutível! Não há como contestar.

Barcelona é isso! Essa mistura de estímulos sensoriais. Uma dose de bom futebol, uma pitada de cultura pela ida a um museu ou ao Palau, uma troca de olhares curiosos no curso da caminhada pelas Ramblas e suas múltiplas estátuas humanas, um deslumbramento interrogativo ao se deparar com qualquer das maravilhosas obras do visionário Gaudi, uma paella harmonizada com um vinho do Priorato em um bom restaurante, um final de tarde com direito a pôr-do-sol no Port Veill, uma subida pelas colinas de Montjuic, passando pelo portal onde ocorre um fantástico balé de águas coloridas, ou quem sabe talvez uma pedalada sem compromisso pelo porto olímpico e parque de la citadela. O que quer que você faça, fará em grande estilo!

Vá para Barcelona o quanto antes. Você não sabe o que está perdendo!

Do Rio pro Mundo

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