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Auschwitz/Birkenau: Um dos capítulos mais feios da História da humanidade

Na manhã de um dos dias que estivemos na bela cidade de Cracóvia, fizemos esse assombroso passeio que conta um dos capítulos mais horrorosos da história da humanidade. Entre 1941 e 1945, a cidade de Oswiecin foi o palco de Auschwitz I e Auschwitz II (Birkenau), os dois maiores e mais famosos campos de concentração do sistema de eliminação de vidas nazista, onde foram assassinadas quase 2 milhões de pessoas no decorrer do período citado. Fotos abaixo do fatídico e célebre portão de Birkenau por vários ângulos e distâncias, sempre cruzado pelo trecho final da linha do trem:

Nunca tinha visitado antes um campo de concentração pois bem sabia que essa dolorosa experiência tinha que ser vivida nesses dois símbolos máximos de tudo de terrível que esses lugares representaram. A Polônia, desafortunadamente, acabou sendo a maior nação hospedeira deste cenário de morte e de destruição. Ao final da segunda guerra mundial, apenas 300.000 judeus poloneses tinham sobrevivido, cerca de 10% da população original anterior ao inicio do conflito, sendo certo que apenas nesses dois campos de extermínio, morreram um total de 1.800.000 judeus, muitos deles trazidos de outros países europeus.

Por tudo isso e por todos os demais motivos imagináveis, é fundamental que essa história monstruosa não seja esquecida e que seja exaustivamente divulgada, para jamais se correr o risco de que ela aconteça de novo. A humanidade precisa estar sempre atenta e reiteradamente instada a refletir criticamente sobre a tragédia do holocausto. E Auschwitz cumpre muito bem essa função, abrigando um importantíssimo memorial em homenagem e respeito às vítimas. Abaixo retratos da área externa de Auschwitz I:

Estar em auschwitz/birkenau é muito diferente de ouvir falar ou ler sobre auschwitz/birkenau. Embora passados mais de 70 anos desde o fim do massacre e por mais que a pessoa julgue estar preparada para a visita, pisar lá é tarefa que exige nervos de aço. É como levar um soco fortíssimo na cara, sofrer uma queimadura grave e extensa ou mesmo como ser atropelado por um veículo. Não é um lugar agradável, por óbvio, muito menos recomendado para toda e qualquer pessoa. Quem se propuser a enfrentar o desafio precisa estar disposto a lidar com sentimentos de tristeza, de angústia e de raiva que se confundem e se multiplicam na mesma proporção, intensidade e velocidade. Nada te prepara suficientemente para o choque. Mas, apesar de tudo, é muito improvável que alguém se arrependa ou deixe de mudar um pouco sua visão de mundo após conhecer os campos. Impossível não se abalar ou ficar indiferente.

Nada substitui a sensação angustiante de entrar em um alojamento onde as pessoas ficavam amontoadas como animais à espera da morte respirando um ar úmido, viciado e putrefato ou então visitar uma sala onde estão expostos toneladas de restos de cabelo e milhares de pares de sapatos e roupas das pessoas mortas ou ainda ficar bem ao lado do final da fatídica linha de trem que trazia vagões insalubres e apinhados de carga humana, entregando diariamente centenas ou milhares de pessoas a um destino tão fúnebre quanto fugaz. Abaixo fotos desses vagões que traziam os prisioneiros condenados. Por vezes quase uma centena em cada um desses compartimentos escuros e sem ventilação adequada: Fotos também do fim da linha (e da vida) do trem. Era exatamente nesse ponto que o trem parava após cruzar o portão de Birkenau e eram ‘descarregados’ os passageiros.

De tudo que vi nos 2 campos, a pior parte que mais me chocou foi a denominada “sauna”, em Birkenau. Os prisioneiros separados após a chegada para morrer imediatamente eram obrigados a se despir e a ingressar em um simulacro de vestiário onde deixavam suas roupas em um armário e recebiam uma chave ao argumento de que tomariam um banho. Ao ingressarem nas áreas onde havia chuveiros, recebiam sobre suas cabeças doses de gás letal Zyklon-B ao invés de água. Os 4 ambientes deste grande galpão permitiam que 10 mil pessoas por leva fossem assassinadas a cada 20 minutos, sendo que muitas vezes esse ritual acontecia mais de uma vez no mesmo dia. Após o fim do massacre, um grande elevador subia do solo com os cadáveres que eram retirados às centenas e atirados em fornos de cremação que tratavam de rapidamente fazer desaparecer os vestígios materiais das atrocidades. Essa parte da visita foi dura demais. Algo sem precedentes. Fotos das ruínas da antiga sauna e crematório, mantidas como foram encontradas na data da liberação do campo:

Sofri um grande impacto emocional e assim permaneci por um bom tempo. Não sou um cara que chora com facilidade (e acho isso um defeito) mas confesso que derramei lágrimas nesse dia ao me deparar com tantas histórias tristes de vidas encerradas e famílias destruídas de modo tão abrupto, absurdo e desnecessário. Tudo como consequência de uma irresponsável ideologia esquizofrênica e megalomânica que tentava justificar o extermínio em massa de seres tidos como descartáveis e inferiores.

Sob a ótica deturpada deles, os judeus foram identificados como os grandes inimigos e responsáveis pelas desgraças do mundo e tinham que ser perseguidos e aniquilados. Além de sujeitá-los à morte, Hitler e seus comparsas nazistas, sob a desculpa de quererem criar uma suposta raça ariana perfeita e superior, não mediam esforços no arsenal de atrocidades, chegando ao extremo de obrar múltiplos experimentos médico-científicos com as pessoas, que eram submetidas a esses rituais macabros como autênticas cobaias humanas. Nesse mundo louco, não havia espaço também para quem tivesse qualquer deficiência física ou mental, ou ainda alguma sexualidade fora do padrão tido como normal. Foto de um paredão de fuzilamento para presos ‘indisciplinados’ em Auschwitz I:

Se é verdade que a cada vida que se perde injustamente, toda a humanidade acaba morrendo um pouco junto, certo é também que Auschwitz representa com exatidão esse período de holocausto moral de todos os seres humanos, que foram incapazes de usar os consagrados valores da inteligência, da ética e da bondade afim de evitar essa catástrofe de proporções universais.

Pois bem, tecidas as necessárias considerações introdutórias, passemos aos aspectos práticos. O passeio dura aproximadamente a metade de um dia e embora seja possível ir por conta própria, acaba sendo mais conveniente contratar um dos muitos tours guiados que partem diariamente de Cracóvia e que levam pouco menos de 1 hora até o ponto de partida da jornada, Auschwitz 1.

Antes da segunda guerra, o complexo servia de base para o exército polonês. Com a ocupação da Polônia, os alemães inicialmente tomaram esse espaço e transformaram-no em campo de prisioneiros para alocar seus inimigos políticos poloneses. A localização era ideal, próximo à linhas de trem e com rios ao redor que serviam como barreiras geográficas naturais. À partir do final de 1941, o lugar foi convertido em campo de extermínio em massa de seres “indesejáveis”.

Na chegada há sempre muitas filas mas tudo é bem rápido e organizado. Embora seja possível fazer a visita por conta própria, entre março e outubro, devido ao grande fluxo de turistas, as incursões somente são realizadas em grupos pequenos comandados por um dos muitos guias que trabalham no lugar, podendo ser escolhido o idioma de preferência. Pagando mais caro, também é possível a contratação de guias particulares. A ordem do percurso começa por auschwitz I e concluída essa etapa, ônibus especiais levam os turistas até Birkenau que finaliza a jornada. Foto de um sombrio alojamento de presos em Birkenau. Em cada buraco lateral desses dormiam 3 detentos amontoados:

Assim, feitas as apresentações de praxe, logo o grupo estará iniciando o roteiro quando passar pelo famoso e macabro portão de entrada que continha uma mensagem aos prisioneiros: “Arbeit macht frei”, ou “ somente o trabalho liberta”. De fato, ocorria exatamente o contrario com os concentrados, que acabavam morrendo pela exaustão, doenças e fome, cumprindo jornadas intermináveis de 16 horas de labor diário até o limite extremo de suas forças recebendo em troca uma miserável ração. Era o chamado extermínio lento por meio do trabalho. A foto do famoso portão contendo a hipócrita e mentirosa inscrição:

Ao cruzarem os portões, eram cruelmente recebidos por uma banda de música composta pelos próprios prisioneiros que tocavam marchas que facilitavam a contagem. Ato contínuo, tinham seus pertences imediatamente confiscados, os cabelos cortados e recebiam uma roupa listrada estigmatizada com uma estrela de David na manga. Chegavam achando que iam ‘apenas’ trabalhar forçadamente, não sabendo exatamente ainda que de lá jamais escapariam. Mas tão logo eram despachados para os alojamentos recebiam a verdadeira notícia, dando conta de que lá somente sairiam pelas chaminés do crematório. Foto tirada no local que faz um desenho charge de uma nova leva de prisioneiros entrando e sendo recepcionados por uma banda musical tocada pelos detentos mais antigos e ainda não assassinados:

A bem da verdade, na chegada era feita uma triagem. Separavam-se os que deviam morrer imediatamente e que eram despachados para as câmaras de gás, dos que poderiam ter alguma utilidade laborativa e que ficavam alojados nos pavilhões dos famosos edifícios de tijolo cor de ocre, pois somente morreriam com o passar do tempo. No primeiro grupo, geralmente ficavam as mulheres, crianças, idosos, pessoas que não gozavam de boa saúde e deficientes físicos e mentais. Tudo muito triste e terrível. Se não fosse a dura realidade seria um grande roteiro original de filme de terror. No restante da visita guiada, percorremos os vários pavilhões que hoje abrigam exposições que retratam a vida diária dos detentos, bem como as condições insalubres do lugar, assim como mostram os objetos e fotos deles ainda bem preservados, salas onde eram cumpridas punições a presos rebeldes, paredões de execução e o espaço dos chuveiros com gás e crematório.

Tudo bem protegido com cercas de arames farpado e avisos de risco de fuzilamento em caso de tentativa de fuga. Altas torres com guardas armados cuidavam dos 4 cantos do campo, sendo que estes tinham a ordem expressa de atirar em qualquer um que ultrapassasse a barreira do arame farpado. A tentativa de fuga para alguns acabava funcionando como uma mera alegoria em busca de uma morte mais rápida e moralmente menos dolorosa.

O terror começou com a sede em Auschwitz 1, mas a partir de finais de 1941, os nazistas queriam incrementar a velocidade da matança. Para tal, precisavam de um espaço maior e resolveram construir Auschwitz 2 ou Birkenau, cujo portão era atravessado pelos metros finais da linha de trem que trazia os prisioneiros de todos os cantos da Europa. Ou seja, eles eram recebidos pelos seus algozes já dentro do campo e muitos deles conduzidos imediatamente para a morte! Foto abaixo do crematório de Auschwitz I e sua respectiva chaminé, última parte da visita guiada:

Concluída a etapa em Auschwitz I, apanhamos o ônibus para Auschwitz 2. Trajeto rápido percorrendo 3.5 kilômetros, como dito antes. Birkenau, segunda parada do tour, não está tão bem preservado como Auschwitz pois foi destruído pelos próprios nazis quando da iminência do fim do conflito, numa tentativa de esconder um pouco as evidências materiais e vestígios de tanta infâmia. O portão de entrada está bem mantido, assim como apenas alguns pavilhões de alojamentos. A parte da sauna, do crematório e das covas foram implodidas e até hoje seus restos permanecem do mesmo jeito como foram encontrados. No local, funciona um memorial a céu aberto em tributo a todos os seres humanos assassinados em suas dependências.

Uma das coisas que mais fiquei pensando e refletindo enquanto estive lá no complexo foi tentando imaginar o incomensurável desespero que acometeia um homem de meia idade pai de família saudável, provavelmente judeu, enviado a um campo de concentração como um desses dois. Ele ia compulsoriamente, levado com sua esposa e filhos. Então pensava na sequência de atos. Retirados abruptamente de casa em qualquer canto da Europa, forçados a entrar em um vagão de trem que seria indigno até mesmo para carregar gado, eram então transportados como carga até essas sucursais do inferno. Lá chegando, esse homem era automaticamente separado e privado de sua família, sem ao menos ter a chance de se despedir de seus entes queridos e amados. Família esta que por ser composta na parte remanescente pela mulher e crianças, já estava previamente eleita para morrer tão logo chegasse ao campo. (Foto abaixo da chegada de famílias nos trens, traduzindo exatamente esse momento acima imaginado. O pai à esquerda da foto, sem saber, vive os últimos momentos ao lado da esposa e filho):

Se não bastasse essa dolorosa atrocidade, esse homem ainda era condenado a morrer aos poucos, tendo a sua dignidade surrupiada lentamente a cada dia com reiteradas humilhações e privações de toda sorte. Se não enlouquecesse, nem fosse fuzilado por descumprir alguma regra ou sofresse alguma experimentação científica como cobaia humana, morreria de todo modo por doença, inanição, fadiga ou todas essas circunstâncias somadas. Como lidar com essa realidade sabendo que isso aconteceu no auge da civilização moderna, há menos de um século? Impossível não sofrer junto e se compadecer com tantos casos de violência unilateral injustificada. Acredito que esse episódio se constituiu na maior infâmia de toda a história da humanidade. Mas, como sempre, a vida precisava prosseguir. Encerramos o tour com muita dor e perplexidade, mas cientes da importância de ter vivido a experiência e certos de que a dimensão de nosso sofrimento moral era apenas um átomo perto daquelas histórias reais experimentadas por tantas vítimas inocentes. Finalizando esse relato, fica a mensagem que precisa ser ecoada para sempre enquanto ainda houver pelo menos um único ser humano pisando no planeta terra:

“Forever let this place be a cry of despair and a warning to humanity, where the nazis murdered about one and a half million men, women and children, mainly jews from various countries of Europe.

Antes de concluir, agradeço como sempre à Karine pela extrema sensibilidade na elaboração e captura das fotografias, repletas de emoção e simbolismo.

Do Rio pro Mundo

Cracóvia: Jóia medieval polonesa que deu ao mundo o primeiro Papa não italiano.

A Polônia foi a segunda escala de nossa viagem pelo Leste Europeu. Chegamos em Cracóvia as 6 e 30 da manhã, após uma noite razoavelmente bem dormida na cabine dupla do trem noturno que nos trouxe de Budapeste. A antiga Capital do reino é o lugar onde João Paulo II, nascido na pequena cidade de Wadowice, se tornou arcebispo e surgiu para o mundo. Mas, além disso, é um lugar memorável que ficou acima de nossas expectativas e onde passamos 3 dias incríveis. Roteiro repleto de muita atividade cultural, idas à cafés e restaurantes modernos, livrarias, museus, igrejas góticas, parques, uma mina de sal, dois campos de concentração marcantes para a história da humanidade e ainda a maior praça da Europa.

Cracóvia é tão bonita mas tão bonita que até os nazistas que a ocuparam desde o início da 2a guerra mundial e lá montaram uma espécie de quartel general, tiveram pena de bombardeá-la e destruí-la. Ao contrário da Capital Varsóvia, totalmente aniquilada ao longo do conflito, a segunda cidade polonesa foi preservada e mantida em suas características originais, principalmente o seu precioso centro histórico, autêntica jóia medieval. Sorte da Polônia e também do resto da humanidade, que pode conhecer e desfrutar esse lugar delicioso e que permanece com sua parte antiga quase intocada como há 800 anos atrás.

É a “cereja do bolo” e principal polo turístico do país. Antiga e preservada, tem lugares variando entre a história e a modernidade, sempre repleta de visitantes e com um contagiante clima universitário e científico de encher os olhos e a alma. É o grande centro cultural e intelectual da Polônia e, guardadas as próprias peculiaridades e proporções, poderia ser comparada com Praga há 25 anos atrás, antes do boom de turistas que a tornou praticamente inviável.

Ficamos no ótimo Metropolitan Hotel Boutique durante 3 noites. O estabelecimento conta com um ambiente familiar e uma atmosfera muito agradável. Tudo é muito limpo e bem apresentado para os hóspedes. Quartos muito confortáveis e destacado café da manhã. A localização é boa e muito próxima do bairro judeu kasimierz, lugar moderno com a sua famosa vida noturna de bares, clubes de discoteca e restaurantes. Mas pode não ser a melhor opção se a pessoa pretende ficar ao lado de old town, wawell hill e da praça do mercado. Fica a cerca de 15/20 minutos a pé dessa parte. Nada que atrapalhe.

Cracóvia não integra o circuito básico do roteiro do leste europeu que os brasileiros costumam fazer e que geralmente passa apenas por Praga-Viena-Budapeste. Mas vale incluí-la nessa exata viagem porque encaixa perfeitamente bem no trajeto.

A cidade foi um importante entreposto comercial europeu medieval e era cruzada pela maioria das antigas rotas mercantis e estradas do velho continente. Sua fundação remonta ao ano de 700 d.c. e ela foi a sede administrativa e política do país entre 1320 e 1596. Pede entre 3 e 4 dias para poder ser conhecida. Melhor 4. Nesse intervalo, já pode contar um dia para conhecer os campos de concentração mais famosos da história ou uma das maiores minas de sal da Europa. Quem sabe até os dois passeios em conjunto, que podem ser conjugados num único dia bem comprido, se for o caso.

Começamos por Wawel Hill e seu denominado Castelo que fica bem no topo de uma montanha com belas vistas da cidade. Junto com o centro antigo e o bairro judeu, integra o conjunto das 3 principais visitas em Cracóvia. (Sem contar os tours para auschwitz/birkenau e para a mina de sal). Reserve aqui uma manhã ou uma tarde para fazer tudo com calma. Suba as encostas, visite a catedral e o panteão de pilsudski e demais heróis poloneses no subsolo da igreja, suba a torre e veja o sino mais antigo da região, visite o museu com objetos pessoais de João Paulo II, caminhe pelos jardins ao redor, visite o terraço interior atrás da igreja em estilo florentino renascentista e depois sente no bar/restaurante situado no local e relaxe tomando uma cerveja típica acompanhada por uma porção de pierogis, os bolinhos de massa assada poloneses com os recheios mais variados. E de lá fique curtindo o belo visual dos arredores quase debruçado sobre o rio vístula. Fotos do portão de entrada e dos arredores em Wawel Cattle Hill, o grande sino da catedral, a vista lá de cima e a taça de cerveja:

Uma curiosidade sobre a área situada no pátio interno do castelo de wawel. Trata-se de um lugar místico e sagrado para a religião hindu. De acordo com o conceito de chakra, como sendo uma energia poderosa que conecta todas as formas de vida, os seus adeptos creem em 7 pontos deste chakra situados no corpo entre a cabeça e os pés. E, espelhando esses 7 pontos do corpo humano, haveria 7 locais sagrados ao redor do planeta onde está energia vital estaria mais concentrada, conectada e potente. São eles Déli, Delfos, Jerusalém, Meca, Roma, Velehrad e Wawel!!! Sem dúvida, ainda que a pessoa não seja adepta do hinduísmo e ignore esse ritual, vai ser uma bela maneira de começar a jornada por Cracóvia. Foi por ali mesmo que começamos também. Foto abaixo do exato ponto no pátio interno onde, segundo a crença, a energia está em alta. É comum ver grupos de indianos peregrinando no lugar. Nós vimos alguns, mas por respeito, optamos por não fotografá-los no transcurso de seu ritual:

A Polônia é um dos países do mundo mais adeptos do Catolicismo e mesmo quem não é tão ligado nessa coisa de religião acaba se emocionando com toda a aura e o astral desse lugar. Wawel é uma montanha sagrada para os poloneses, onde tudo envolve e evoca, mormente no entorno da Catedral, o nome de um de seus filhos mais ilustres que se transformou no papa João Paulo II e depois em santo da igreja, Karol Wojtyla. Karol aliás é um pop star total na Polônia, o maior ídolo do povo e motivo de orgulho do país, sendo que sua imagem está por todos os lados.

Após o passeio por Wawel, descemos caminhando e fomos curtir o centro histórico passando pela Rota Real. Esta rota começa na famosa rua Florianska, uma das principais da cidade, onde fica a única das quatro torres que sobraram do antigo e original muro de proteção da cidade medieval.

Aqui vale sentar um pouco no meio-fio e ficar relaxado curtindo os quadros pendurados nos muros pelos múltiplos artistas de rua que expõem e criam uma verdadeira galeria de arte a céu aberto ao longo da famosa via.

Caminhando mais adiante a pessoa chega até a praça central, aquela que é a maior do continente. Um colosso! Essa praça é realmente demais. Linda e enorme. Seu nome oficial é Rynek Glowny. Ela é gigantesca mesmo. O bacana lá é ficar sentado e observando o movimento e a arquitetura do lugar. Tem que ir ao menos uma vez de dia e outra de noite. Tem de tudo lá. Igrejas antigas. Restaurantes e bares pega-turista, lojinhas de souvenir e um mercado que funciona no meio da praça em uma área coberta que parece dividir o espaço em duas grandes partes. Chafarizes. charretes com belos cavalos para que os turistas possam dar um passeio, artistas de rua executando suas variadas performances, pombos (sempre muitos deles) voando e pousando e voando novamente, além de jovens e belos estudantes poloneses de todas as idades que ao longo do dia nos intervalos ou no fim de suas aulas ficam de bobeira na Praça, curtindo um papo, uma brincadeira ou uma paquera. A grande praça é o point da cidade, onde todo mundo passa, vê e é visto. Dá pra ficar por lá o dia inteiro só vendo o movimento e curtindo.

Nesse dia, fomos visitar ainda um interessante museu na Praça que conta a história da cidade. Chama-se Rynek Underground e fica Localizado a quatro metros de profundidade sob o edifício que sedia o mercado da praça. Legal a visita neste museu localizado em uma escavação arqueológica que reúne exposições interativas, vídeos e itens procedentes dos tempos medievais para levar seus visitantes a uma viagem no tempo recriando a atmosfera do local em plena Idade Média, quando a cidade era um dos entrepostos comerciais mais importantes da Europa. Foto bem na entrada do museu que fica à direita e desce ao subssolo:

Quando bater aquela fome, ao redor da praça antiga, principalmente nas ruas próximas, dá pra se resolve bem pois lá funcionam vários bons restaurantes que servem comida típica e que permitem uma bela refeição. Nós fomos a alguns deles ao longo de nossos três dias na cidade e vale citar e recomendar dois deles. No primeiro dia, após intensa programação, fomos jantar no restaurante Miod Malina. Situado em uma rua adjacente e perpendicular à praça principal, seguimos a indicação de vários guias de viagem e fomos fazer nossa refeição noturna nesse restaurante ítalo-polonês. Fica no interior de uma construção mais antiga e oferece um ambiente muito aconchegante e acolhedor. Serviço um pouco lento mas a comida estava deliciosa! Pedimos uma sopa de entrada com linguiça, bacon e ovos cozidos servida dentro de um pão, que servia como tigela. Uma delícia. De entrada, a boa é pedir os famosos pierogis poloneses. Pra quem não sabe, pierogis são algo como uns pequenos pastéis de forno empanados de massa muito fina e com ótimos recheios de queijo, carnes e cogumelos. O restaurante tem uma ótima carta de vinhos e bebidas, sucos e refrigerantes. Além de tudo, outro ponto positivo é que não é muito caro, sendo uma ótima relação custo-benefício. Faça reserva pois está sempre bem cheio. Fotos do pão com a sopa dentro e de um prato típico de comida polonesa com os pierogis e muita carne de porco:

Outro restaurante que recomendo bastante foi um que almoçamos no último dia na cidade, chamado Pod Aniolami. Ele também fica perto de tudo e situado em uma das ruas principais da cidade, que liga wawell hill até a praça antiga. O ambiente é muito agradável, no interior de uma casa rústica e medieval. Tem mesas fora e dentro com dois ambientes distintos, um no primeiro piso no interior da casa e outro no subsolo, junto a uma bela adega subterrânea. A comida estava muito boa com destaque para a entrada tipicamente polonesa, a famosa pierogi mista. Boa carta de vinhos com boas opções locais de brancos, tintos e rosés. Pedimos um branco da uva Seyval Blanc que estava muito saboroso. Bons pratos de carne (destaque para um filé delicioso ao molho de gorgonzola, com espinafre refogado e batatas ao forno.) e peixes. Se estiver com pressa não vá, pois o local tem o objetivo de oferecer um serviço calmo e sem correria. Abaixo, fotos da linda Cracóvia e sua grande praça em momentos de fim de tarde e à noite:

No intervalo entre o primeiro e o terceiro dia na cracóvia fizemos um passeio nos arredores visitando duas atrações essenciais que podem ser conjugadas no mesmo dia. Os arrepiantes campos de concentração Auschwitz/Birkenau e as Minas de Sal Wieliczka. Ambos serão tema de relato próprio. Foto de Rynek Glowny e a catedral:

No nosso último dia, antes de voltar pra Praça e ficar largado por lá, fomos conhecer o outro lado da cidade e do rio. Os bairros judeus de Kasimierz e Podgorze, que estavam próximos ao nosso hotel. Antes da Segunda Guerra mundial, Kazimierz era o bairro que reunia toda a comunidade judaica na cidade. Com a chegada dos alemães e das tropas nazistas, todos os judeus foram paulatinamente forçados a deixar suas casas e se mudar para Pódgorze, onde foram segregados por um muro construído às pressas. Além dessa parte histórica, os bairros são conhecidos pelo agito noturno e pelo movimento de comércio, feirinhas, bares e restaurantes. Em Kazimierz, ficam três das seis sinagogas que restaram na cidade. Depois de visitar o bairro hebreu, fomos cruzar a ponte sobre o rio vístula. Fotos do bairro Kasimierz com a feira e produtos antigos (espécie de mercado das pulgas) e da ponte com os cadeados trancados.

Após cruzarmos a ponte, chegamos ao museu de Oscar Schindler, antiga fábrica que serviu de cenário para o filme A Lista de Schindler, que conta a história desse industrial que ajudou a esconder e salvar mais de 1200 judeus até o fim da guerra. Use um mapa após cruzar a ponte pois é meio complicado o caminho a pé pelas ruelas emaranhadas para chegar até o museu. Abaixo, duas fotos com alguns detalhes da exposição:

Foi o melhor museu sobre a segunda guerra que eu já visitei. Reconhecido em guias e sites como o melhor da Polônia e um dos melhores da Europa sobre este tema. A exposição funciona na própria fábrica onde o ex-nazi Oscar Schindler empregou uma série de judeus que viviam no gueto de cracóvia e acabou salvando suas vidas, como dito antes. O museu conta a história e retrata a situação da cidade (e principalmente da comunidade judaica) antes, durante e depois da guerra. Exposição muito bem organizada com fotos, vídeos, painéis interativos e objetos históricos além de alguns cenários otimamente recriados. Textos bem explicados em inglês otimizando a visita e relatando todo o drama, a tensão e a angústia experimentados pelos cidadãos da cidade, que foi invadida, ocupada e tomada, ficando sob o domínio alemão por quase 06 anos, já que os nazistas instalaram um quartel general de comando do terceiro reich nesta região. Vale muito a visita. Custa 21 zlots a entrada e tente reservar no mínimo 2 horas para poder cobrir com calma a exposição. Muitos textos para leitura e compreensão do panorama histórico. Não pode deixar de ser visitado.

Ao sair do museu, fomos visitar a Heroes of the Guetto Square, uma praça ocupada por várias esculturas de cadeiras coladas ao chão ao redor do espaço e que simbolizam os pertences dos judeus que, durante a mudança forçada de Kazimierz, foram abandonados e destruídos ali, pois não couberam nos apertados apartamentos destinados às numerosas famílias.

Cumprida a parte histórica, voltamos de táxi pra Rynek Glowny e ficamos matando o tempo restante até a hora de apanhar o trem para Viena, etapa seguinte de nossa turnê pelo leste europeu…

Do Rio pro Mundo

Stavanger: Kjerag hike e suas paisagens de tirar o fôlego.

Após deixarmos Bergen para trás, seguimos rumando para o sul do país. Preterimos a Capital Oslo (que apesar de desejada, ficou para uma outra oportunidade) e priorizamos a manutenção de um viés de exploração das famosas belezas naturais, pelas quais a Noruega é mais conhecida e afamada. As capitais Nórdicas da viagem seriam apenas Estocolmo e Copenhagen. Queríamos ‘usar’ a terra dos Vikings para ver mais paisagens extraordinárias de fjordes e para percorrer algumas das mais famosas trilhas de montanhas norueguesas, reconhecidas mundialmente.

Dentro dessa proposta, fomos para Stavanger, uma cidade menor que Bergen, mas com um potencial turístico e de visitantes bastante considerável, em virtude de dois motivos: Primeiro os turistas que chegam em busca das maravilhosas paisagens do Lysenfjord e das super trilhas das redondezas, cuja exploração tem na cidade a sua melhor base e ponto de apoio. Segundo motivo, pelos visitantes que são trabalhadores da fortíssima indústria do petróleo, da qual Stavanger é a sede nacional, sendo aqueles advindos principalmente dos Estados Unidos e de países do Oriente Médio.  Foto abaixo do Centrinho da Cidade ao cair da noite:

A Noruega era um dos países mais pobres da Europa até meados da década de 60, quando foram descobertas enormes reservas de petróleo na sua costa dos Mares do Norte. Com isso, o país deu um salto de qualidade e se tornou um ‘case’ de sucesso, com um dos maiores PIBs per capita no mundo e com uma eficiente política estatal de distribuição das riquezas naturais por toda a afortunada população de pouco mais de cinco milhões de habitantes. É o que melhor aconteceu no mundo como exemplo prático do denominado “wellfare state”.

Pois bem, ficamos 02 dias e 03 noites em Stavanger hospedados no hotel Scandic Park Stavanger, o que nos permitiu fazer as trilhas de Kjerag e a de Pulpit Rock, duas das mais famosas do país. Deu pra conhecer pouca coisa da cidade em si, apenas o seu charmoso centrinho no ultimo dia, quando jantamos em um restaurante defronte a orla do pequeno Porto. Por qual razão fomos parar lá ao invés de irmos pra Oslo ou para o Norte? Pois quando estava fazendo as pesquisas de internet para decidir o roteiro da viagem, essas duas fotos abaixo me chamaram à atenção. Então encasquetei com isso e coloquei na cabeça que iria porque iria nesses dois lugares. Foi basicamente por isso que esticamos até Stavanger. Fotos de kjerag bolten (contada neste post) e pulpit rock (tema do próximo relato)

Pois bem, havia chegado o momento de transformar o planejamento em ação. O desafio inicial seria a trilha de Kjerag, no primeiro dia por lá. Acordamos às 4 horas da manhã, pois às 4:50 am o nosso guia Johaness, contratado junto à excelente empresa Outdoor Life Norway, da qual ele é um dos donos, empresa que inclusive muito recomendo, passou na porta do Hotel com a sua Van. Iríamos em um grupo de 06 pessoas, sem contar o guia, fazer a famosa trilha de Kjerag, de média para alta dificuldade. As duas fotos abaixo mostram o mapa do trajeto pelo fjord até o ponto de subida e as inclinações e distâncias na escalada:

A trilha para subir o monte kjerag é bastante desafiadora. Ida e volta são 12 km de caminhada com trechos alternados de subida e descida, alcançando-se 1020 metros de altura. Junto com a pulpit rock de prejkestolen (tema de outro post) e a trolltunga, formam a denominada “tríplice coroa” do hiking na Noruega. O trajeto é belíssimo, apesar de o dia estar um pouco nublado. Saímos de Stavanger, onde estávamos baseados, tendo contratado anteriormente um tour de grupo pequeno pela excelente agência Outdoor Life Norway, já mencionada. Após nos buscarem às 5 da manhã e então com o grupo completo no carro, apanhamos um ferry que percorreu toda a extensão do Lysenfjorden num trajeto que leva cerca de 1 hora passando por belos visuais, um pouco comprometidos naquele momento pela presença de uma certa neblina no começo da manhã.

Lá chegando, desembarcamos o carro de dentro do ferry e depois ainda foi preciso percorrer uma estradinha sinuosa por mais uns 20/25 minutos até a chegada ao acampamento/ponto de apoio base para se iniciar a trilha/escalada de Kjerag. Aqui, duas importantes ressalvas. Fotos abaixo do estacionamento base com um centrinho de apoio:

A primeira é que para fazer essa trilha, é de suma importância que a pessoa esteja razoavelmente preparada e gozando de boa condição física. A trilha não é das mais simples e castiga todos aqueles que acharem que vão tirar de letra. É preciso ter humildade e respeitar a natureza e os próprios limites. Fundamental o uso de roupas corta vento e sapatos adequados, de preferência botas rijas e impermeáveis para enfrentar os percalços do trajeto. E, se possível, o par de bastões de caminhada feitos de alumínio, fundamentais principalmente para poupar os joelhos nos trechos de descida, já que transferem parte do peso do corpo para os braços e ombros. A trilha, repito, exige um condicionamento físico minimamente razoável e tem trechos de muita exigência, passando-se por lama, barro, gelo, terrenos um pouco pantanosos e alguns trechos de subida técnica em pedra, embora não muito longos. As fotos abaixo não estão em ordem cronológica do relato e foram todas tiradas por nós no dia em que lá estivemos:

A segunda dica é contratar um passeio guiado. A dificuldade física e técnica do percurso já é algo suficiente o bastante para se preocupar. Não vale à pena ter que ainda por cima dividir seus esforços e concentração com o planejamento da viagem ( quase 2 hs desde Stavanger) e com o estudo do trajeto e das condições climáticas e de percurso. O guia, portanto, embora não imprescindível, acaba facilitando bastante o bom desenrolar da jornada.

Começamos o percurso instigados e motivados. De cara, nos primeiros 10 minutos, enfrentamos uma baixa. Uma menina japonesa que caminhava conosco pisou em falso e escorregou em uma pedra vindo a torcer o joelho. Fim de papo para ela. Teve que ficar na base aplicando gelo, descansando e aguardando por mais de 6 horas até o retorno do restante do grupo. Para se chegar ao ponto final do percurso, caminhamos por cerca de 3 horas e 30 minutos, contando as paradas. São trechos com subidas e descidas alternadas, passando por 3 morros e por pontos de muita beleza natural. Há também vários riachos e pequenas cachoeiras com água pura da montanha, deliciosa de se beber naquele momento de sede e de exaustão. Foto do momento em que a nossa companheira de grupo se machuca:

Outra questão interessante é que o tempo muda a cada instante. Podem acontecer as quatro estações do ano em poucas horas ou ao longo do mesmo dia. Embora não tenhamos tido sol forte, tivemos momentos de céu claro e limpo, depois fechado, nublado, neblina alta e baixa, cerração e vento, tudo indo e vindo alternadamente.

Após 3 horas de difícil caminhada e algumas paradinhas para descanso e fotos, chegamos no objetivo, sendo que o trecho final ainda apresentava neblina e resquícios de neve com gelo. No topo do kjerag, fomos recompensados com uma vista espetacular das montanhas e fjordes ao redor (sim, a neblina desapareceu). E bem lá no final, à beira do precipício, avistamos a cereja do bolo, o troféu da caminhada. A famosa kjerag bolten, uma pedra em formato de esfera com um diâmetro relativamente estreito e que fica presa entre 2 paredões, se sustentando acima de um vão em queda livre com cerca de 1000 metros de altura.

Vejam como o tempo mudou rapidamente no mesmo ponto em que estivemos num intervalo de 30 minutos:

As pessoas costumam ficar em pé na pedra e tirar uma famosa foto, mas no nosso dia, fomos instruídos e aconselhados a não subir pois além da pedra estar levemente molhada, devido à umidade do clima e de certa neblina, o vento estava muito forte no local e soprando em múltiplas direções, o que representava certo risco. Melhor assim porquê eu não precisei ficar na dúvida. 😁😁. Não valeria correr o risco de vida por uma foto, pois o menor escorregão em cima da kjerag bolten importa em queda livre e fim da linha. Ficamos no topo uns 30 minutos curtindo e contemplando extasiados os visuais arrebatadores que se tem de lá de cima. Depois o guia serviu um chá bem quente de ameixas vermelhas e a neblina retornou com força nos dizendo que era hora de partir.

A volta até o ponto base da escalada exigiu novas 3 horas de caminhada e na hora e meia final, o corpo já começava a dar sinais de cansaço e exaustão, tendo então sido preciso encontrar energia e concentração extras para concluir a jornada e não nos deixarmos vencer pela fadiga. As descidas da parte final do percurso foram, em minha visão, as mais sacrificantes para o corpo, até porque os joelhos depois de tanto tempo sendo exigidos de modo reiterado e constante, já não respondiam com a mesma eficiência. Além disso, há trechos de escalada técnica em pedra, dificultada por ser descida. Felizmente tudo acabou dando certo e ao final de 6.5 hs de passeio, 12 km de caminhada e mais de 1000 metros de subida, retornamos ao ponto original de nossa partida, cansados e entusiasmados com a experiência vivida. Foto abaixo da comemoração pelo iminente fim do percurso:

Trocamos as roupas, tiramos as botas, bebemos uma bebida quente e relaxamos com a sensação de dever cumprido. Depois sentamos no banco de trás do carro, relaxamos e dormimos no trajeto de 2.5 hs de retorno a Stavanger.

Recomendo muito esse passeio e insisto uma vez mais, apenas com o conselho para que a pessoa busque, para maior conforto e segurança, contratar um tour com guia especializado, como fizemos com a Outdoor Life Norway. E, obviamente, que seja feito no período do ‘verão’ nórdico, entre início de junho e final de agosto

Voltamos pro Hotel, jantamos em um restaurante próximo e depois desmaiamos ao retornar pro quarto. No dia seguinte, o desafio seria a trilha da pulpit rock em prejkestolen…

Do Rio pro Mundo

Bergen, cartão de visitas da Noruega, porta de entrada para os fjordes, com um clima louco e instável.

“Melhor se acostumarem. 90% dos dias em Bergen são como hoje, nublados ou chuvosos, podendo aparecer uma fresta eventual de sol tímido entre as muitas nuvens. Dias ensolarados são raros por aqui. Não tenham muitas expectativas, mesmo que estejamos no verão”

Foi assim que fomos recebidos pelo taxista com sotaque e jeito de imigrante que nos levou do Aeroporto até o Hotel Clarion, onde ficamos hospedados bem no centro da Cidade. Tínhamos acabado de chegar de Estocolmo num vôo direto de 1:20 hs de duração operado pela ótima e eficiente Norwegian.com. Eram 9 da noite e o céu ainda estava claro, apesar de repleto de nuvens e uma discreta garoa.

Chegando no hotel, rápido check in, tentamos sair pra comer em um restaurante qualquer e tivemos a nossa primeira lição. Todos os restaurantes na Noruega fecham impreterivelmente às 10 e 30 da noite, ao menos a parte da cozinha. Nem adianta tentar argumentar ou usar o seu jeitinho brasileiro porquê não rola mesmo!Restava-nos a alternativa das lojas de conveniência Deli Delluca ou Seven Eleven só para um iogurte, um cachorro quente, um pacote de doritos ou um muffin. Pegamos qualquer coisa e voltamos ao hotel pra dormir. O dia seguinte seria inteiro pra conhecer a cidade.

Bergen é uma cidade universitária, que respira música, cultura e gastronomia. Grande para os padrões Noruegueses, mínima se enxergada sob nossos parâmetros. Ela pede uns 3 dias pra ser explorada com “calma”. Mas 2 também dá para o essencial, meio na correria, mas dá. Nós ficamos 3 noites sendo que em um dos dias fizemos o “Norway in a Nutshell”. Foi suficiente. A cidade é mesmo linda e especial. E deve ser ainda mais bonita se estiver um solzão.

Mas com isso ninguém pode contar. Nós também não tivemos sol. Um mormação sem chuva. São muitas montanhas ao redor, o que causa sempre elevado nível de precipitações. O clima por lá é temperamental mesmo. Quase o tempo todo. Quem encontra sol em Bergen deve agradecer pelo tremendo golpe de sorte. Os Noruegueses repetem uma espécie de mantra: “Não há tempo ruim por aqui, o que existe são apenas roupas inapropriadas.”

Embora não seja apenas isso, a cara de Bergen é Bryggen, o charmoso distrito hanseático patrimônio da humanidade Unesco, situado na orla esquerda do porto, cheio de casinhas geminadas de madeira colorida que abrigam lojinhas de souvenir, museus, bares e restaurantes. Tem uma das fotografias mais conhecidas da Noruega, assim como as imagens dos fjordes e da aurora boreal. É o ponto mais famoso e visitado da cidade e por onde desembarcam os milhares de turistas que descem diariamente dos transatlânticos que lá aportam, visitantes que entopem os arredores e que ficam perambulando freneticamente pelos pontos turísticos até o final da tarde, quando de repente somem e se vão do nada com a mesma rapidez com que chegaram.

Quando as massas humanas se evaporam, Bergen fica mais com a sua cara verdadeira e se torna ainda mais charmosa e gostosa. Fica um burburinho agradável nos bares, restaurantes e nas ruas iluminadas, que passam a ser frequentados apenas pelos moradores da cidade e pelos turistas pernoitantes, que fazem tudo com um ritmo mais calmo do que a galera dos cruzeiros. Esse burburinho contrasta com o silêncio sepulcral de todos os fjordes ao redor dessa bela região.

Bryggen, o grande point local, tem na bagagem 900 anos de uma rica história marcada pelo domínio de mercadores alemães e por uma grande tradição de comércio marítimo de produtos, mantida desde a idade média, quando a cidade serviu como capital da região. Essa legião de Mercadores profissionais formava a denominada Liga Hanseática, sendo a maioria deles de origem germânica, que controlaram a região entre 1370 e 1754 e mantiveram o monopólio comercial nos Mares do Norte e Báltico.

Uma outra curiosidade do lugar é que ali no porto ocorreu uma das maiores explosões da segunda guerra mundial, quando um navio de guerra carregado com 120 toneladas de dinamite literalmente voou pelos ares de forma supostamente acidental, bem defronte à fortaleza Bergenhus. A explosão foi tão intensa e destruidora que pode ser medida pela simbólica “cabana da âncora”, situada nas montanhas ao redor a um ponto cerca de 2 milhas do porto. Ali foi o local exato onde a âncora pousou após ter voado em decorrência da detonação dos explosivos e então resolveram marcar o lugar, dando um abrigo ao gigantesco artefato náutico.

Em Bryggen vale uma rápida visita ao museu hanseático que fica em uma casa onde se reproduz a decoração da época, pra conferir toda essa história. Outro destaque da programação nos arredores durante o verão é o desfile da banda da marinha norueguesa, que sai todos os dias por volta das 11 e 30 da manhã da fortaleza, com todos seus integrantes elegantemente trajados e de posse de seus instrumentos, tocando números musicais e percorrendo um rápido trajeto até o monumento aos marinheiros erguido na praça central da cidade. Lá, duas a três vezes por semana, eles se apresentam por cerca de 40 minutos executando bonitas peças do repertório clássico e popular, entretendo os moradores e os turistas que se aglomeram ao redor.

Após começarmos a conhecer a cidade por Bryggen, fomos conferir o famoso fish market, que fica também no porto, na rua menor que liga as duas orlas perpendiculares. Sempre muito recomendado em guias e blogs de viagens. Então fomos dar uma conferida pra ver se valia mesmo à pena. Achei o lugar meio caricato, embora seja um ponto de exaltação da tradição pesqueira da Noruega. Uma babel urbana. Dezenas de barraqueiros e vendedores das tendas que se aglomeram ao redor ficam gritando em todos os idiomas tentando cada um ‘vender seu peixe’ e atrair parte das centenas de turistas que ficam andando de lá pra cá.

Falam italiano, inglês, espanhol, português, alemão e todo idioma que for preciso para fisgar um cliente desavisado. Não preciso nem dizer que os moradores da cidade não dão as caras lá sob nenhuma hipótese. Coisa bem de turista mesmo. Vale uma passada e um giro pra conhecer. Mas sem grandes expectativas perto da fama que tem. São tendas dispostas como em uma feira livre, coladas umas nas outras, vendendo toda espécie de frutos do mar, caranguejos gigantes, caviar, salsichas defumadas, paellas, queijos, copos cheios de frutas vermelhas e até mesmo a exótica carne de baleia. Todas as barracas tem um espaço anexo dotado de mesas e cadeiras de plástico onde os clientes compram suas ‘refeições’, sentam e esperam o pedido para comer.

Saciada a curiosidade de conhecer o renomado mercado de peixes, fomos fazer o melhor passeio de todos! Trata-se do Monte Floyen e o Floibanen, justificadamente uma das atrações mais populares e concorridas de Bergen. Paga-se 180 coroas e obtém-se um bilhete de ida e volta (pode comprar só o de ida e descer andando) para aceder ao funicular panorâmico que sobe em menos de 6 minutos os cerca de 350 metros até o mirante no topo dessa bela montanha, com as vistas mais deslumbrantes do porto, de toda a cidade, dos arredores e até dos fiordes, se o dia estiver claro.

No dia que subimos, apesar de não estar sol (como disse, sol é muito raro em Bergen) o céu estava aberto e sem neblina, então pudemos desfrutar do passeio, tirar boas fotos e curtir as belas vistas lá de cima do mirante. O local é geralmente bem cheio e concorrido e ainda conta com parquinho infantil que tem uma estátua divertida de um troll gigante (boa para uma foto), além de uma área de pique-nique, restaurante, barraquinhas de cachorro quente e uma lojinha de souvenires. Tem um poste bem legal que traça as direções para vários pontos e cidades conhecidas no mundo. Obviamente, o Rio de Janeiro estava marcado. A partir do mirante, partem algumas trilhas ao redor que são percorridas pelos visitantes mais empolgados e dispostos. É possível comprar apenas o tíquete de subida e descer caminhando por uma trilha bem fácil e bem pavimentada até a cidade, algo que creio deva levar cerca de uns 30 minutos. Ficamos umas 2.5 horas lá em cima curtindo os visuais, relaxando e tomando uma cerveja pilsen norueguesa no restaurante/cafeteria que funciona no alto. Depois descemos. Valeu bem à pena e é um passeio imperdível que não pode deixar de ser feito por quem esteja na cidade.

Em seguida, perambulamos um pouco mais e, já de noite, tentamos ir dormir cedo para fazer o Norway in a Nutshell no dia seguinte, passeio devidamente relatado em outro post. É meio difícil pegar no sono rápido na Escandinávia nessa época do ano, pois o corpo estranha a claridade de tudo ao redor, a noite demora e demora a cair e, na verdade, o céu nunca fica totalmente escuro. A esses fenômenos, dão-se os nomes de noites brancas e sol da meia noite. Não confundir com a aurora boreal ou luzes verdes do norte, fenômeno de extrema beleza e raridade que ocorre apenas durante o inverno frio e gelado. A foto abaixo foi tirada á meia-noite e quarenta e três. Céu nada escuro.

No dia seguinte ao passeio do Nutshell, ficamos em Bergen até o final da tarde e ainda deu tempo pra curtir bastante a cidade. Após o check out, malas largadas no hotel, demos mais uma perambulada boa por Bryggen, compramos os necessários souvenires e voltamos na fish market pro almoço. Depois, passeamos mais pelo outro lado da cidade e fomos visitar o Kode Museu.

O Kode é um centro de cultura que abriga 4 edifícios distintos de museus, todos próximos e fáceis de se caminhar entre si, situados nas proximidades do Lille Lungegårdsvannet, que é um pequeno lago em uma parte mais central da cidade. A visita é bem legal e vale à pena sendo que o tíquete permite ao visitante percorer as 4 unidades em até 2 dias. No momento de nossa visita, junho de 2017, o edifício 2, embora aberto ao público, estava com o acervo temporariamente indisponível para visitação, pois em obras de modernização do local. Os 3 outros edifícios desse Centro Cultural estão disponíveis.

Não fomos ao Kode 1 que concentra acervo de objetos de decoração antiga e de design. Focamos nos edifícios 3 e 4. O museu não é muito cheio e é possível explorar com calma o belo acervo disponível. No Kode 3, embora haja quadros de outros pintores noruegueses como Troldhaugen, o destaque absoluto fica para as várias obras contendo um resumo da carreira do grande pintor norueguês Edvard Munch, um dos maiores expoentes artísticos da história do país. Apesar de não estar exposto nenhum dos famosos quadros da série ‘O Grito’, o acervo é bem interessante e cobre as várias fases de sua carreira com destaque para o ciclo expressionista.

Muito bom! Passamos também pelo kode 4, com destaque para o segundo andar do edifício, contendo acervo considerável de obras de Pablo Picasso e Paul Klee, que pertenciam à coleção particular de um marchand magnata da cidade que doou as obras em testamento para toda a coletividade.

Depois de curtir as exposições, fomos relaxar ao redor do belo lago que tem uma pracinha no canto esquerdo, uma grande pista de caminhada, muita vegetação ao redor e ainda belas vistas para as montanhas que circundam a cidade. O local é de fato muito agradável para um passeio tranquilo fora do eixo mais turístico da cidade. Bom para andar de bicicleta também. Fica próximo da estação central de trem. Ali matamos o restinho do tempo que tínhamos sobrando e voltamos pra recepção do Hotel Clarion, buscar as bagagens e seguir pro Aeroporto. Voaríamos para Stavanger, próximo destino nos dois dias subsequentes, base de exploração para duas jornadas por trilhas e escaladas de tirar o fôlego…

Tentarei contar os detalhes desses dois passeios em outros artigos. Este aqui já está encerrado!

Ps: Faltou tempo e um melhor planejamento para fazer uma única coisa que não conseguimos, visitar a casa de Grieg, o maior compositor clássico norueguês. Fica a 20 minutos do centro e dizem q trata-se de um belo passeio que vale muito à pena. Nós não fomos,mas fica a dica pra quem se interessar.

Do Rio pro Mundo

O Norway in a Nutshell

A Noruega, segunda escala de nosso giro de 15 dias pela Escandinávia no início do verão de 2017, é uma terra conhecida por guerreiros vikings, trolls, paisagens naturais de cair o queixo, fiordes, pelos preços caríssimos (verdade absoluta), pelo filme “Frozen, uma aventura congelante”, o bacalhau, a pintura “o grito” de Edvard Munch, pelo prêmio Nobel da Paz, o sol da meia noite e pela aurora boreal. O mais rico país nórdico, após a descoberta de reservas de petróleo abundante na região em meados da década de 60, tem uma população próxima a 5 milhões de habitantes, que desfruta de uma das maiores rendas per capita do mundo, resultado de uma bem planejada distribuição da riqueza da nação. Se não bastasse tudo isso, ela sempre divide com os demais países escandinavos irmãos o posto de lugar mais feliz do planeta terra. Realmente não é pouca coisa!

Se a Noruega pudesse ser resumida sucintamente em uma única experiência, isso poderia ser o Norway in a Nutshell, que aliás foi criado com esse objetivo mesmo. Inclui belos visuais, trens cênicos, cruzeiros pelos fjordes e um pouco de tudo mesmo que esse país tem a oferecer. O tour é muito bem organizado e dividido estrategicamente entre passeios de trem, ônibus e barco, que acontecem em sequência e que são comprados antecipadamente, podendo ser cumprido em um único dia ou mais de um, dependendo apenas da vontade e da disponibilidade de tempo de cada pessoa. Não tem guia e é feito de forma independente pelos viajantes. Monta-se e compra-se o trajeto escolhido pela internet de forma muito prática, rápida e eficiente sendo que a pessoa pode ir customizando o giro da melhor forma que lhe aprouver, tudo no site próprio www.fjordtours.com.

Após finalizada a compra, a pessoa recebe um voucher eletrônico com um número de confirmação. Com esse número, na véspera do passeio ou até mesmo no dia, um pouco antes da partida, você deverá passar no quiosque da operadora, convenientemente localizado nas estações de trem de Bergen ou de Oslo e retirar todos os tíquetes impressos dos deslocamentos do trajeto escolhido. Abaixo explicarei melhor os detalhes de cada etapa. Assim, as possibilidades são múltiplas, sempre tomando-se como parâmetro o trajeto tradicional. Podem ser escolhidas várias opções. De Oslo para Bergen, de Bergen para Oslo ou mesmo partindo e saindo de Bergen ou partindo e saindo de Oslo. E mais. Pode ser feito o passeio de uma tacada só, ou seja, sem pernoite, ou então fazendo-se uma quebrada no meio do caminho, pernoitando-se em uma das cidadezinhas ao redor do trajeto, sendo nesse caso o pitoresco vilarejo de Flam o mais indicado. Foto da aproximação da chegada em Flam:

No nosso caso, fizemos o Norway in a Nutshell baseados em Bergen, local onde primeiro pisamos na Noruega vindos de Estocolmo. Assim, a nossa versão do passeio partiu e chegou pela segunda maior cidade do país. Optamos por esse formato porque não desejávamos ficar carregando as malas no caminho, embora muitas pessoas acabem fazendo dessa maneira e usando o roteiro também como um meio de se deslocar de Bergen para Oslo ou vice-versa.

Eu gostei da maneira que escolhemos fazer, partindo e voltando para Bergen no mesmo dia. Mas cheguei à conclusão que mesmo aqueles que optarem por levar suas bagagens em deslocamento entre as duas cidades norueguesas, tampouco passarão por grandes dificuldades já que todos os veículos que compõem a malha do trajeto possuem excelente infra-estrutura de armazenamento dos volumes dos passageiros, sempre minimizando o impacto de se estar carregando bagagens.

Partimos de Bergen cedo pela manhã e o primeiro trecho foi uma viagem de trem até Voss. Cerca de 1 hora de duração nesse trecho. Bonita a paisagem mas já sabia que era a parte “menos bonita” e então aproveitamos para tirar um cochilo. Após a chegada na estação de Voss, todos descem e já há sinalização expressa para os confortáveis ônibus de turismo que ficam esperando no estacionamento. É quase automática essa migração.

Esse ônibus leva as pessoas por uma linda e sinuosa estrada até o local onde partem os maravilhosos cruzeiros pelo SogneFjord, e que saem da cidadezinha de Gudvangen. Mais uma hora gasta nessa parte. Quem vai no sentido Voss-Gudvangen, desce pela estradinha num trecho sinuoso onde só passa um veículo por vez e que exige muita perícia do motorista. Se a opção for Oslo para Bergen, o trecho será em subida, Gudvangen-Voss. Aqui, sugiro que na hora de se customizar a montagem do roteiro, opte-se pelo cruzeiro no barco mais sofisticado. A diferença de preço é pequena e o barco é muito melhor, mais novo, mais confortavel, menos cheio e mais rápido.

A navegação passa pelo Sognefjorden, um fiorde altíssimo e muito extenso, Patrimônio Mundial da Humanidade Unesco, cheio de pequenas cachoeiras, vilarejos e muitas paisagens naturais deslumbrantes. O barco tem banheiros limpos, assentos confortáveis, uma razoável cafeteria, wi-fi grátis, 2 andares e um amplo deck externo que permite que os passageiros fiquem na parte de fora da embarcação curtindo os visuais e fotografando com entusiasmo.

Fiorde é uma grande entrada de mar entre altas Montanhas. Situam-se principalmente nas costas da Noruega, Chile e Nova Zelândia, onde são um dos elementos geomorfológicos mais emblemáticos da paisagem local, e têm origem na erosão das montanhas devido ao gelo. Formaram-se há cerca de 12 mil anos, devido à ação de imensas massas de gelo, chamadas glaciares (ou geleiras), que se movimentaram rumo ao mar como se fossem grandes rios congelados.

Após o fim do cruzeiro, chega-se à cidadezinha de Flam. Flam é minúscula e bela. Lotada durante o dia e quase deserta a partir do final da tarde, enfrenta diariamente essa bipolaridade digna de qualquer local de passagem de muitas pessoas. Uma delícia de vilarejo que deve ser minimamente curtido e aproveitado com calma e tempo. (Aqui, se fosse fazer o tour de novo, modificaria o que fiz e pernoitaria em Flam).

Apesar de não termos dormido, nós acabamos ficando bastante tempo curtindo Flam pois não partimos direto para o trem cênico após a chegada do cruzeito. (E aqui segue outra dica imperdível). Pois bem, mesmo que não se opte por um pernoite em Flam, é absolutamente mandatório fazer um fjord safari que parte de lá. Uma pequena empresa cujos barquinhos partem exatamente ao lado de onde chega e atraca o cruzeiro no pequeno porto de Flam.

É um passeio simplesmente maravilhoso com duração de 2.5 horas em speed boat de poucos lugares que percorre o fiord, pago à parte, mas que pode ser comprado e reservado no mesmo momento em que a pessoa compra o tour inteiro. Esse passeio, repito, vale qualquer esforço e é totalmente essencial. O preço pago já inclui as roupas impermeáveis, luvas e óculos especiais corta-vento!

Outra vantagem de ter feito o fjord safári foi o intervalo de tempo mais elástico que ganhamos em Flam. Para quem faz tudo numa tacada só, correndo, e aqui considero um erro fazer dessa forma, quase sempre sobra pouco, muito pouco tempo para curtir Flam de forma minimamente adequada. E isso geralmente acaba gerando arrependimento.

Findo o safári, ainda tivemos um tempo legal e razoável até a partida do trem cênico. Sentamos para comer e curtimos uma voltinha ao redor, passeando sem compromisso por pequenos museus, lojinhas, cafeterias e quiosques de informações turísticas, sempre com uma linda paisagem no entorno, esperando nosso próximo horário de embarque. No finalzinho da tarde, já era hora de seguir viagem. De lá da pequeníssima estaçãozinha ferroviária, a cada hora e quarto na alta estação, parte o famoso trenzinho cênico para o vilarejo de Myrdal, sendo esta uma das partes mais belas e fotogênicas do trajeto. Pegamos o último do dia, com o céu ainda muito claro e iluminado nesse início de verão nórdico.

Realmente, foi um dos mais belos e cênicos trechos do Norway in a Nutshell, passando por uma curta, porém das mais bonitas ferrovias de toda a Europa assim reconhecida. Dura cerca de 50 minutos esse ramal. Pode ser feito de Flam para Myrdal, para os que vem de Bergen, ou Myrdal x Flam para os que vem de Oslo. Não há diferença entre um ou outro, acredito. Fizemos a primeira alternativa. Tudo é mesmo lindo e de tirar o fôlego. O interior dos vagões é decorado num estilo antigo e o trem vai subindo e passando por cachoeiras, pontes antigas, fjordes, montanhas, rios e muita vegetação. Realmente deslumbrante com visuais maravilhosos. Quem vem de Myrdal também deve ter uma belíssima recompensa cênica chegando e avistando a bela Flam e o Fjord. A ferrovia sobe quase 1000 metros de altitude entre Flam e Myrdal e desce a mesma distância no sentido contrário.

Chegando-se em Myrdal há duas opções. Aqueles que seguem pra Oslo pegam o trem rumo à capital norueguesa num trajeto de outras 5 horas, patrte que não fizemos, mas que dizem ser muito bonita, passando por belas paisagens montanhosas. A nossa opção foi voltar pra Bergen, então pegamos o trem em Myrdal de volta pra Bergen num trajeto bem mais curto do que se fossemos para Oslo, e que dura apenas 2 horas. Chegamos em Bergen às 22 e 30 com o dia ainda bem claro. Abaixo, foto da estação de Myrdal com as montanhas de neve ao redor com dia ainda bem claro as 20 e 30 hs:

Aqui, um importante esclarecimento se faz necessário. Acho que essa alternativa de partir e chegar pela mesma cidade, só faz sentido se a pessoa optar pela base Bergen. Quem partir de Oslo deve fazer seguindo mesmo para Bergen, de preferência pernoitando em Flam para curtir tudo com mais calma. E a razão disso é que o trem entre Oslo e Myrdal leva cerca de 5.5 horas. Então, não faz muito sentido ficar 11 hs num trem partindo e voltando para Oslo.

Já finalizando esse pequeno relato, achamos tudo muito bonito e bem organizado. Se vale à pena? Muitíssimo. Faria de novo? sim. Mas como disse antes faria algo diferente se fosse repetir o passeio. Dormiria uma noite em Flam para curtir com calma esse vilarejozinho debruçado no fjord sem as massas de turistas que passam por lá durante o dia. E, obviamente, como já fiz o bate volta desde Bergen, seguiria de trem para Oslo por este belo (assim dizem) trecho desta famosa ferrovia que não chegamos a conhecer.

Importante ressaltar por fim que ninguém deve se inibir ou desanimar se tiver que carregar malas pelo trajeto, caso opte por fazer o norway in a nutshell da forma estendida e tradicional, ou seja, indo de Bergen para Oslo ou de Oslo para Bergen, eis que como já dito, todos os meios de transporte envolvidos no roteiro tem excelente infra estrutura para minimizar esse impacto.

O que acho interessante a se considerar nesse caso, repito pela terceira vez, é o pernoite em Flam, caso contrário a jornada em um só dia, embora tecnicamente viável, se tornará muito cansativa e exaustiva. Em resumo, para quem faz o passeio desde Bergen, acho que dormir em Flam é uma alternativa bacana, embora não essencial. Já para quem está vindo de Oslo, acho quase imprescindível o pernoite no meio do caminho.

Fim do texto. Espero ter ajudado. Tentarei falar em outros posts sobre Bergen, Stavanger, as trilhas e escaladas kjerag e pulpit rock e sobre as maravilhosas Estocolmo e Copenhagen. Até breve!!!

Do Rio pro Mundo

Budapeste: O que há de melhor no Leste Europeu. Parte 1

Budapeste foi o lugar escolhido para iniciar a viagem pelo Leste Europeu. E, devo admitir, tinha uma expectativa apenas mediana em relação à cidade, malgrado algumas opiniões recentes de pessoas conhecidas se dizendo arrebatadas pela capital da Hungria. Não sei dizer a razão nem o porquê mas sempre achei que seria para mim aquela menos interessante do circuito obrigatório do trio de ouro Praga-Viena-Budapeste (No nosso caso ainda fomos à Cracóvia). Talvez pelo fato de sempre ter ouvido as pessoas falando muito mais sobre os encantos da República Tcheca e da Áustria. No entanto, mal sabia o quanto estava equivocado pois, para minha surpresa e deslumbramento, entre todas, ela acabou sendo a que mais gostei, ligeiramente a frente de Viena. Um lugar delicioso, mágico e inesquecível! Tentarei explicar com calma…

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Comecemos com um pouco de história. Pois bem, a Hungria é considerada uma ilha Magyar cercada por um oceano Eslavo. De fato, o simpático povo húngaro tem mesmo uma história muito peculiar, a começar pela descendência inédita entre os países europeus, oriunda das tribos bárbaras Magiares, provenientes da Ásia Central, dotadas de um espírito rebelde, feroz e falando um idioma totalmente babilônico, incompreensível e sisudo, a ponto do grande Chico Buarque, em seu livro homônimo, ter afirmado com rara felicidade poética que o húngaro é “segundo as más línguas, a única língua que o diabo respeita.” Os húngaros ou magiares são uma etnia originária dos Montes Urais no Continente Asiático, cujas tribos invadiram a Europa Central no final do Século IX (ano 896 d.c.) e se estabeleceram na Bacia dos Cárpatos fundando um Estado que seria posteriormente conhecido como Hungria. (foto minha: Galeria de arte fechada para reforma até 2017 na Heroes square)

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A língua húngara, embora admita pequenas diferenças etimológicas entre os termos “húngaro” e “magyar”, modernamente, para facilitar a compreensão, emprega os termos como sinônimos, tanto para designar o membro originário da etnia como o cidadão húngaro, indistintamente de sua região habitada, sendo a república atualmente composta por cerca de 13 milhões de cidadãos.

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Budapeste é uma metrópole absolutamente única, capital de uma nação também única. Cheia de peculiaridades, é um exemplo típico de cidade que obteve mais fama do que o próprio país e trata-se de uma das “salas de estar” mais elegantes da Europa. Tudo fruto de seu passado remoto, que apresenta uma história bem conturbada. Fundada por Magiares no século IX, se viu invadida pelos Otomanos no século XVI, e em meados do século XIX, foi unida ao Império Austro-Húngaro, quando Franz Joseph e Sissi foram coroados Reis da Hungria na Igreja de São Matias em Buda. Nessa época, começou um período dourado de modernização e de edificações de construções suntuosas e cheias de luxo, dotadas de traços característicos da arquitetura art-nouveau. Tudo com o objetivo de competir em pé de igualdade com a outra Capital do Império, Viena. Esse fervor, culminou com a inauguração do fantástico Parlamento Húngaro (réplica quase idêntica ao similar Britânico) em 1896, por ocasião da comemoração do milênio de fundação da nação Magyar.

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Com a queda das Monarquias europeias, a cidade experimentou um período de estagnação e leve declínio, sendo severamente bombardeada e quase inteiramente destruída na 2ª guerra mundial. E, se não bastasse esse infortúnio, por ter se aliado, ainda que tardiamente, ao lado perdedor, acabou sendo submetida ao jugo do comunismo por mais 45 anos. Hoje, renovada, toda reconstruída e se modernizando em ritmo frenético, a cidade recebe um fluxo incessante de turistas de todas as partes do mundo, ávidos por conhecer um país de cultura tão rica e peculiar e com uma capital tão monumental.

Talvez por força de sua rica e grandiosa história, o povo age com uma certa nostalgia, adotando uma postura “à moda antiga”, gostando de relembrar e exaltar as glórias do passado, e demonstrando muita educação, formalismo e polidez. Resumindo em poucas palavras, Budapeste é uma cidade muito elegante e com muita personalidade. Autêntica até dizer “chega”. Em minha opinião, superou Praga com folga, embora não goste de fazer esse tipo de comparação, pelas peculiaridades que cada uma possui. E essas características acima ressaltadas geram também, entre visitantes e cronistas, frequentes comparações positivas com a França, a ponto de Budapeste ser chamada de a Paris do Leste.

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Em Budapeste, as pessoas se sentam nos cafés e passam horas conversando, fumando, bebendo um expresso e lendo livros e jornais. Adoram consumir cultura em galerias e museus, assim como gastar tempo nas praças observando o vai e vem da vida. Admiram e muito se vangloriam de sua origem e de sua etnia. Nos restaurantes, percebe-se uma fidalguia por parte dos garçons e atendentes, que nunca se apresentam desleixados aos clientes, mas sempre com uma aparência impecável e distinta, orgulhosos de sua função. Todos os cidadãos se esforçam para se comunicar com os turistas e demonstram atenciosidade e disposição de ajudar, quando solicitados.

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A cidade é muito limpa e organizada, com boulevares amplos e arborizados, repletos de belos e suntuosos edifícios de arquitetura art-nouveau, típica do período Austro-Húngaro. Tem também várias pontes majestosas sobre o trecho mais belo do danúbio, que ligam os dois lados da Capital, estações de trem que mais parecem museus de tão ornamentadas e ricas, ruas alegres e cheias de bares e restaurantes, abertos a qualquer hora do dia. E, por não ter um litoral nem saída para o mar, possui mais de 50 elegantes banhos quentes abastecidos por fontes termais naturais, uma de suas marcas mais características. Estes estabelecimentos, introduzidos quando da ocupação Turca, reúnem piscinas quentes e frias, saunas, refeitórios e variada opções de massagem. Além de sua função original de entreter e refrescar no verão (quando eles diminuem a temperatura da água) e aquecer e abrigar no inverno, servem ainda como ponto de encontro e de socialização do povo húngaro.

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Budapeste conta também com uma vida noturna agitadíssima, principalmente no bairro judeu, onde a juventude se encontra para namorar, beber cerveja, ouvir música eletrônica e dançar nos chamados “ruin bars” (bares em ruínas) , dos quais falarei com detalhes mais adiante. E, em todo canto, vende-se ramos de paprika, camisas vintage de férenc puskas e garrafas de vinho Tokaji, três grandes símbolos do país.

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Pois bem, vamos aos aspectos práticos. Acredito que a melhor época pra ir é entre maio e junho ou entre setembro e início de outubro. Julho e agosto são meses de alta temporada e tudo estará mais cheio, caro e confuso. Em contrapartida, nos meses de inverno, a cidade fica vazia e escura, com dias chuvosos e cinzentos, e além disso faz bastante frio quase sempre com vento, às vezes chegando a nevar. Para chegar na Cidade, fizemos uma rápida conexão em Madrid, vindos do Rio de Janeiro pela Ibéria, e no meio da tarde chegamos no acanhado terminal do Aeroporto Ferenc Liszt, distante uns 20/30 minutos do centro. Todas as aéreas que voam do Brasil conectam rapidamente para Budapeste.

Não obstante, se iniciar a viagem por outra capital, saiba que a cidade tem uma excelente malha ferroviária e várias estações de Trem que conectam e são conectadas diretamente para vários pontos do Leste Europeu. Uma advertência importante. Não troque muitos Euros pela moeda local, o Florint, nos terminais de câmbio do aeroporto. Eles praticam péssimas taxas de conversão! Absurdas mesmo. Quando lá estivemos trocamos 1 euro por cerca de 247 florints, quando na verdade, em casas de câmbio oficiais, esse valor chegava próximo dos 300. Um táxi do aeroporto para o hotel na região de Buda ou de Peste é a maneira mais fácil e prática de se chegar na cidade. O percurso custará algo em torno de 35 euros. Há ainda um serviço de shuttle desde o terminal aéreo e que somente vale à pena se o visitante estiver viajando sozinho. 2 pessoas já pagarão quase o mesmo preço de um táxi. Por fim, para quem realmente esteja contando dinheiro, vale o sacrifício de pegar o ônibus #200E, que exigirá uma conexão com o metrô ou com um trem de superfície.

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Em relação ao planejamento, acho que três noites é o intervalo mínimo para a permanência. Menos do que isso, haverá arrependimentos, pois ficará tudo muito apertado e corrido. A cidade é bem grande e tem muita coisa pra ver e fazer nas suas 2 partes principais, Buda e Peste. Acho que 4 ou 5 noites é o ideal. Com esse tempo disponível, não haverá correria e a pessoa, além de cumprir as visitas turísticas essenciais, poderá ainda caminhar com calma pela rua, sentar pra tomar um café, ver o movimento, beber uma taça de vinho tokaji relaxado e estendido em um parque ou praça pegando um sol e fazendo um piquenique, ou até mesmo se permitir passar uma tarde em um dos banhos termais húngaros.

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Em seguida vem sempre aquela pergunta básica: “Em qual das duas ficar hospedado?”. Buda é mais vazia e residencial, mais cara para se morar, porque fica no alto da colina e dispõe de vistas deslumbrantes para o outro lado, notadamente do alto do morro gellerti, do castelo de buda ou do bastião dos pescadores. Lá ficam as residências oficiais do Primeiro-Ministro e do Presidente. Já Peste é o coração da cidade, na parte plana, onde a vida cultural e social acontece, onde mora a maioria das pessoas, onde ficam as grandes avenidas e ruas de comércio e onde se situa o Parlamento Húngaro. E, talvez o melhor de tudo, de onde se tem a vista para Buda, que é muito mais cênica e bonita do que Peste.

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Ficamos em dúvida até quase o último momento, pois tinhamos reservas que podiam ser canceladas até 48 hs antes em hotéis em ambas as partes. Acabamos nos decidindo por Peste, em um eatabelecimento bem próximo à famosa ponte das Correntes e com uma vista espetacular para o danúbio e para as colinas de Buda. Aproveitamos uma promoção de última hora no ótimo hotel sofitel e não nos arrependemos da decisão. Acho que Buda fica muito morta à noite e, por outro lado, suas principais atrações que são o Castelo, a igreja de St. Mathews e o Bastião dos Pescadores são facilmente acessíveis por escadas ou por um funicular bem defronte à ponte principal.

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Nas cercanias onde nos hospedamos, estava tudo muito próximo, a igreja de St. Stephen, o parlamento, este a uns 10/15 minutos de caminhada, o pequeno mas tocante memorial dos pares de sapatos de metal às margens do danúbio, simbolizando os judeus húngaros mortos na 2a guerra. Ao norte, a não mais que 10 minutos a pé, o Edifício da Ópera, que já fica na Andrassy Avenue, a Champs Elysées deles. Pro outro lado, também a uma distância plausível de ser percorrida a pé, o bairro judeu, com a famosa Sinagoga, bons restaurantes e vida noturna frenética, além do mercado central e a Váci Utca, uma das mais famosas e movimentadas ruas de pedestres de Budapeste. Foto da Karine destacando a fachada da ópera:

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A locomoção na cidade é bastante fácil, havendo 4 linhas de metrô que cobrem grande parte da zona urbana e ainda trams e ônibus que, virtualmente, podem levar o visitante para qualquer lugar na cidade, com segurança e tranquilidade. As linhas tem cores distintas e, uma curiosidade, a amarela é a mais antiga em operação do continente europeu. Tíquetes para o metrô devem ser adquiridos de acordo com a conveniência do visitante, havendo bilhetes unitários que custam aproximadamente 1 euro, cartelas com 10 bilhetes e ainda passes de 24, 48 ou 72 horas, todos podendo ser usados em conjunto com os ônibus e trams. As linhas de ônibus circular 16 e 16 A merecem menção por levarem diretamente (e retornarem depois da visita) ao castelo de Buda, um ponto muito turístico da cidade, de onde facilmente se visita o bastião dos pescadores e  a linda igreja de são mateus. Abaixo, mapa do metrô, lembrando que Pest fica à direita no mapa e Buda à esquerda:

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No primeiro dia, logo após o check-in no hotel, tínhamos ainda algumas horas de sol e fomos caminhar pela parte sudoeste de Pest. Começamos pelo calçadão (digamos assim) que existe às margens do rio danúbio e caminhamos umas 2 quadras até entrar para a concorrida Váci utca, uma das ruas mais famosas e turísticas da cidade, com lojas, boutiques, restaurantes e livrarias. Paralela ao danúbio, liga a famosa Praça Vorosmarty até o Mercado Central. A vorosmarty é uma pequena e concorrida praça que se situa no centro de Budapeste, bem no final da Váci Utca, antigamente conhecida como Gizella tér. Tér = praça. No centro da praça e voltada para oeste está uma estátua do homenageado, o poeta húngaro Mihály Vorosmarty, cujo pedestal se transformou em ponto de encontro dos budapestenses. Atrás do monumento há um pequeno jardim e uma fonte rodeada por leões de pedra, além da estação ponto final da linha 1 do Metrô, a mais antiga da Europa. Essa praça, que abriga ainda o famoso café gerbeaud, fica a não mais de 150 metros da ponte das correntes, a mais charmosa da cidade.

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Caminhamos pela Váci Utca e seguimos uma sugestão de roteiro nessa região, entrando incidentalmente em ruelas adjacentes e passando em visita pela igreja ortodoxa sérvia, pela sede da prefeitura (esta apenas a fachada externa) e por um pequeno tesouro escondido, o jardim mais antigo da capital húngara, o denominado Károlyi-kert. No passado, o espaço fazia parte de uma propriedade privada, mas atualmente, embora cercado, se tornou público todo em estilo francês, muito conhecido por suas belas plantas e flores, além de sua atmosfera bucólica e tranquila. Um lugar ideal para sentar e dar uma relaxada, observando as pessoas ao redor. Foi exatamente o que fizemos.

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Em seguida, percorrendo a completa extensão da rua Váci, fomos caminhando até a entrada do Mercado Central, o belo e antigo edificio construido também para a celebração do milênio de fundação da cidade, no ano de 1896, tendo sido inspirado na arquitetura de Gustav Eiffel. O mercado já estava fechado e voltamos em outro dia para conhecer o seu interior. E para finalizar esse reconhecimento inicial dos arredores, retornamos ao hotel pela orla, admirando um belíssimo visual do pôr-do-sol atrás das colinas de Buda. Neste dia, o da chegada, de tão cansados, apenas fizemos um rápido lanche antes de dormir. Deu pra perceber de cara que cidade tinha algo de muito especial.

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Havia ainda muito o que ver e fazer nos outros 4 dias na cidade. Sigo contando no próximo post…

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Dicas, motivos e sugestão de roteiro para viajar pelo Leste Europeu.

Esse post decorre de experiência adquirida em viagem recente à região, e tem como objetivo ajudar os viajantes a montar suas próprias estratégias ao decidirem visitar o que vulgarmente se denomina Leste Europeu. Aliás esse termo é bem abrangente, englobando cerca de duas dezenas de países situados entre a parte ocidental da Europa e a fronteira com a Ásia. Isso importa em falar de Rússia, Repúblicas Bálticas, Repúblicas dos Balcãs, Romênia, parte da Turquia, Moldávia, Bulgária, Ucrânia, Hungria, Eslováquia, Polônia, República Tcheca, Bielorrúsia, Macedônia, Albânia, e até mesmo algumas áreas da Alemanha e da Áustria.

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Um dia de passeio pela Holanda Rural em Zaanse Schans, Marken e Volendam.

Em um dos dias que estivemos em Amsterdam, aproveitamos para fazer um outro tour e conhecer uma parte mais rural do pais e os famosos estereótipos Holandeses, que são os moinhos de vento, as fábricas de tamancos de madeira e as lojas de produção e venda de queijos gouda, aqueles redondos de casca amarela. Se tiver uma metade de dia sobrando na cidade, vale à pena escapar a esse lado mais ‘country’ da Holanda.

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Keukenhof e os Campos de tulipas: Um caleidoscócio de flores e cores.

A Holanda e as flores são quase indissociáveis. Pensar em uma imediatamente remete à outra. E o melhor momento para aproveitar esse esplendor da natureza é na primavera. Exatamente por isso, fomos pra lá nessa época. Do final de março até a segunda semana de maio, as flores plantadas meses antes nos diversos campos e jardins finalmente florescem e se exibem em um excitante caleidoscópio de cores. O período exato depende sempre do tempo e das condições climáticas de cada temporada. Mas, geralmente o melhor momento é na segunda metade de abril. Foi quando lá estivemos. Nesse ano de 2015, contudo, apesar de todo o planejamento, e como para deixar sempre claro que a natureza é quem sempre está no controle, houve um frio inesperado que durou mais tempo do que o normal, atrasando em alguns dias todo o processo. Mesmo assim, tivemos uma experiência deslumbrante.

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Porque Amsterdam é ainda mais legal do que dizem.

Quando pensamos na Holanda, imediatamente nos vem à cabeça imagens de moinhos de vento, de tamancos de madeira, de bicicletas e queijos redondos de casca amarela, de campos de tulipas, das camisas de cor laranja (que não está na bandeira mas que representa a casa real da dinastia dos Orange) e de uma paleta repleta de muitos tons pastel como nos quadros de Vincent Van Gogh. Tais elementos representativos são os estereótipos mais conhecidos dessa bela nação Parlamentarista-Monárquica que, hoje, com seu pequeno espaço geográfico composto de terrenos semi-encharcados e em grande parte situados abaixo do nível do mar, é a mais densamente populada da Europa assim como uma das mais ricas e bem organizadas do continente.

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Mostar: A cidade de maior apelo turístico da Bósnia-Herzegovina, e seu secular legado Otomano.

Mostar foi nossa última parada na Bósnia-Herzegovina, após conhecermos a fantástica Sarajevo. Visitamos a cidade, no trajeto de retorno, quando rumávamos para Dubrovnik, na parte final de nosso giro balcânico. Ela já fica bem próxima à fronteira com a Croácia, na região da Herzegovina e, para aqueles que não fazem questão de Sarajevo, pode ser objeto de um day tour desde Split ou mesmo partindo de Dubrovnik. Talvez a cidade mais caracteristicamente muçulmana que eu já tenha visitado, Mostar, com a sua famosa e icônica ponte velha, sobre o leito do Rio Neretva, representa de modo bem sintético, o melhor e o pior da época da Iugoslávia. No período sob a regência de Tito, a cidade abrigava uma coexistência pacífica entre todas as religiões monoteístas e albergava uma comunidade rica e próspera, dotada de uma extraordinária miscigenação cultural e religiosa, com os diferentes grupos e crenças vivendo de modo harmônico e tolerante. Foto abaixo da ponte e do rio Neretva:

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Sarajevo. A multicultural Jerusalém dos Balcãs. Uma cidade indispensável para entender uma parcela da história do Mundo. (Parte 2)

Como finalizado no relato do post anterior, chegamos ao hotel em Sarajevo, no bairro de Baščaršija, deixamos nossos pertences e descemos ao lobby para encontrar Armina, a simpática guia turística local que iria nos mostrar a cidade: – É muito importante para nós recebê-los aqui. Sarajevo é uma cidade muita rica culturalmente e nosso povo tem muita história para compartilhar com o mundo. No entanto, infelizmente, a maior parte dos turistas, por diferentes razões, optam por visitar os países vizinhos e não incluem a Bósnia-Herzegovina em seus roteiros. De fato, a Croácia, Eslovênia e Montenegro são países lindíssimos, mas aqui também há muita beleza e cultura a serem descobertas. Nosso povo luta diariamente para reconstruir sua própria identidade, apagar as marcas do passado e estabelecer a paz. Não é fácil… temos vivido em período longo de aprendizado e de reconstrução buscando a melhor forma possível de coexistir, de entender e respeitar nossas diferenças para que todos possamos viver em harmonia dentro desse território. Hoje vivemos uma paz fria, estéril, mas sabemos que temos muito caminho pela frente. Falar sobre isso, no meu modo de ver, ajuda-nos nesse processo de superação e, por isso, tenho que agradecer a presença de vocês aqui.” Foto abaixo de Sebilj, a famosa fonte na praça dos pombos:

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Sarajevo. A multicultural Jerusalém dos Balcãs. Uma cidade indispensável para entender uma parcela da história do Mundo. (Parte 1)

Desde que iniciei esse trabalho de criar um blog de viagens, já foram até hoje quase 60 posts em exatos 02 anos. Sem um instante sequer de dúvida ou hesitação, afirmo que escrever e retratar Sarajevo, elaborando um texto que consiga traduzir minimamente o significado do que quero passar, será a tarefa mais difícil a ser trilhada até o presente momento. Dividirei esse relato em 2 posts. A capital da Bósnia-Herzegovina, cidade Olímpica dos Jogos de Inverno de 1984, é um daqueles lugares únicos no mundo, com peculiaridades históricas e culturais riquíssimas e ímpares, habitada por um povo simples, hospitaleiro e muito amistoso, marcado indelevelmente (para o bem e para o mal) com a tinta de todos os episódios de sua conturbada trajetória. Sarajevo mistura em sua biografia capítulos onde, ora simultânea, ora sucessivamente, se fazem muito presentes parágrafos recheados de tristeza, alegria, reconstrução, guerra, recomeço, desespero, morte, fraternidade, ódio, intolerância e, principalmente, esperança.

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Oktoberfest: A maior festa cultural da Europa.

No dia 20 de setembro de 2014, foi oficialmente aberta a 181ª (centésima octogésima primeira) festa anual dedicada à alegria e à confraternização do povo da Baviera, traduzindo a expressão maior de sua cultura e de seu modo de viver. A cada ano, já desde quase dois séculos atrás, durante duas semanas, geralmente entre a última do mês de setembro e a primeira do mês de outubro, Munique, capital desta bela região ao sul da Alemanha (e seus quase 1,5 milhões de habitantes) se transforma e se prepara para receber milhares de visitantes de todas as partes da Europa e do Mundo, ávidos por beber muita cerveja e comer iguarias típicas, trajando roupas próprias e circulando por múltiplos pavilhões estilizados, com estruturas montadas em uma área enorme (fotos noturnas abaixo, tiradas pela Karine).

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Innsbruck: Uma gratíssima surpresa, misturando natureza, cultura, tradição e modernidade!

A nossa viagem pelo interior da Áustria e Baviera começou pela capital do Tirol, bem à sombra dos Alpes. Chegamos no aeroporto Franz Joseph Strauss em Munique e retiramos o carro para girar pelos 6 dias seguintes. Ato contínuo, pegamos a estrada e rumamos pelas belíssimas autobahns da região, já com o objetivo de cruzar a fronteira em direção ao nosso primeiro destino. Innsbruck, fundada em 1187 e que funcionou na idade média como um importante entreposto mercantil bem no meio de uma rota comercial que cortava a Europa. (Os Romanos também já usavam o local como ponto de passagem de seus exércitos). Isso trouxe riqueza ao lugar, mas também facilitou sempre as invasões dos inimigos que, vez por outra, queriam conquistar aquele ponto tão estratégico. Cidade central da região mais turística da Áustria, com sua privilegiada geografia formada por montanhas propícias à prática dos esportes de neve e gelo, já sediou duas Olimpíadas de Inverno em 1964 e 1976. Abaixo, foto do símbolo máximo de Innsbruck, o famoso telhado de ouro:

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