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Porque Amsterdam é ainda mais legal do que dizem.

Porque Amsterdam é ainda mais legal do que dizem.

Quando pensamos na Holanda, imediatamente nos vem à cabeça imagens de moinhos de vento, de tamancos de madeira, de bicicletas e queijos redondos de casca amarela, de campos de tulipas, das camisas de cor laranja (que não está na bandeira mas que representa a casa real da dinastia dos Orange) e de uma paleta repleta de muitos tons pastel como nos quadros de Vincent Van Gogh. Tais elementos representativos são os estereótipos mais conhecidos dessa bela nação Parlamentarista-Monárquica que, hoje, com seu pequeno espaço geográfico composto de terrenos semi-encharcados e em grande parte situados abaixo do nível do mar, é a mais densamente populada da Europa assim como uma das mais ricas e bem organizadas do continente.

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Sua capital é a acolhedora e multicultural Amsterdam, que destoa de qualquer outro paradigma Europeu. Uma cidade única, vanguardista e repleta de estimulantes peculiaridades que lhe conferem um semblante autêntico e sem precedentes. Em seu aspecto visual, não mudou muito desde o século XVII quando, durante a Era Dourada do país, atingiu seu apogeu como a cidade mais rica e desenvolvida do mundo, fruto principalmente de um intenso e próspero comércio marítimo em seus portos, que veio a permitir o surgimento de uma elite burguesa dominante e protagonista no cenário global.

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Embora muito já tenha sido escrito e dito sobre ela, vou tentar elencar uma série de razões pessoais para que você não se conforme apenas com o que já sabe e espera. Na verdade, a cidade oferece um toque a mais além disso. Mas para descobrir é preciso ir lá! E então você constatará pelos 5 sentidos, que todos os elogios e expectativas são insuficientes e sucumbem diante da incomparável experiência multi-sensorial de caminhar, em suas ruas, navegar por seus canais, cruzar suas pontes, desfrutar as praças e degustar seus museus. Em outras palavras: Amsterdam necessariamente te surpreenderá, mesmo que você espere muito dela. Não há mau humor suficiente que resista aos seus encantos. Deixe-se levar por suas centenas de vias fluviais e becos, pelos elegantes cafés, sentindo todos seus aromas e observando as seculares construções.

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E tenha cuidado! Ao andar pela rua preste bastante atenção ao movimento dos trams e, principalmente, com o vai e vem frenético das bicicletas, que estão por toda a parte, aos milhares. Até porque não seria nem um pouco agradável experimentar um atropelamento holandês. E não deixe de notar também as singulares casas barco, modalidade única de residências urbanas. São embarcações de pequeno e médio porte estacionadas nas margens dos canais que, na verdade, transformaram-se em residências fixas e, atualmente, são muito cultuadas e valorizadas no mercado “imobiliário”. Há até um museu para conhecer uma dessas moradias, o museu da casa flutuante, em Jordaan.

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A cidade fica exatos 3 metros abaixo do nível do mar e vem se protegendo ao longo de sua história de vários episódios de enchentes e alagamentos com o auxílio de um sofisticado sistema de diques, construídos e mantidos há varios séculos, impedindo que a subida abrupta do nível da água dos rios e do mar, destrua suas terras férteis. Outro artificio muito utilizado são os moinhos, que impulsionados pelas fortes e frequentes rajadas de vento frio, sopradas desde os confins dos mares do norte, ajudam na drenagem da água e do solo, viabilizando a agricultura, a pecuária e outras atividades econômicas afins. Foto abaixo de um por do sol visto dos canais e da Dam square que, no período de nossa visita, contava com um parque de diversões temporário:

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O nosso roteiro foi montado propositalmente na época em que as tulipas florescem na capital da Holanda e nos arredores (entre início de abril e meados de maio), quando se desfruta de um clima ameno, embora ainda um pouco frio no período noturno e se obtém visuais estonteantes dos campos de flores, nas margens das estradas, em parques como Keukenhof ou mesmo em jardins mais simples, que se renovam em qualquer canto. Amsterdam foi o ponto de partida dessa viagem e de onde, 4 dias após, seguimos para explorar a Bélgica, com passagens por Bruges, Ghent e Bruxelas.

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Ficamos cerca de 4 dias e 4 noites e, considerando a imprescindível visita ao parque das tulipas (post em separado), que se situa fora do perímetro urbano e toma ao menos a metade de um dia, acredito que permanecemos aquém do período ideal. Amsterdam, na mais estreita hipótese, merece 4 ou 5 dias exclusivos apenas para ela. Não fique menos, pois o arrependimento será certo, a não ser que você não ligue a mínima para arte e não faça questão de conhecer museus ímpares e maravilhosos como o Van Gogh, Rijks ou Stedelijk. De minha parte, como já tinha estado na cidade por 1 noite há cerca de 09 anos atrás, esse fato acabou mitigando um pouco a frustrante sensação de que faltou tempo. Nada que não possa ser suprido com uma nova visita.

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Pois bem, saibam todos que a cidade tem uma excelente malha de transporte urbano, sendo muito fácil se locomover do aeroporto Schipol para o centro, com variadas alternativas, desde a conveniência do táxi (cerca de 30 euros) até os trens (5 euros), que com 4 a 6 frequências por hora, ligam o terminal aéreo até a estação central e desta com ônibus de shuttle até os diferentes bairros. Com frequências regulares oriundas de todas as principais capitais Europeias, o visitante pode se servir da KLM, que voa sem escalas partindo do Rio de Janeiro ou São Paulo, bem como enfrentar uma rápida conexão a partir de Lisboa, Milão, Madrid, Frankfurt ou Paris, citando apenas algumas das cidades europeias com vôos diretos desde o Brasil.

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A Estação Central é mesmo o ponto de partida para conhecer a cidade, que é bastante pequena e compacta, se comparada com outras cidades europeias do mesmo porte e relevância. De lá o visitante pode sair caminhando pela Dam Square, alugar uma bike, ou pegar um tram para qualquer ponto ou bairro nas cercanias. Tudo muito rápido e prático. Não há a menor dificuldade, repito, em se perder e depois se reencontrar em Amsterdam. Foto abaixo da fachada imponente da Estação Central, uma das mais movimentadas do continente:

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Recomendo a hospedagem nos bairros de Jordaan ou perto do Museumplein/ Leidseplein/Vondelpark. Principalmente o primeiro citado, uma zona chique, vazia e muito residencial da cidade, repleta de bons restaurantes, bares e até mesmo museus, muito bem localizada e perto da maioria das atrações. Ficamos no excelente Hotel Sebastian’s, super confortável e bem defronte a um dos mais charmosos canais de Jordaan, com quartos espaçosos e um excelente café da manhã pago à parte. Na verdade, em relação à questão da proximidade entre as coisas, isso não chega a ser um problema em Amsterdam, pois como já mencionado a cidade é bem pequena e compacta o que acaba facilitando o deslocamento do visitante e o acesso a quase todos os locais de possível interesse.

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Outro assunto que merece um parágrafo à parte diz respeito ao engajamento maciço do povo com a bicicleta, veículo ecológico que funciona como meio de transporte principal. É algo impressionante, surreal mesmo. São milhares e milhares de bicicletas circulando para todos os lados e direções. Nunca vi nada igual. É uma cidade “verde”, que deve ter uma poluição atmosférica muito baixa se comparada a outras capitais de porte similar. Realmente a coisa funciona de forma bem eficaz, porque os cidadãos aderiram e encamparam a proposta. Posso estar dando um chute, mas imagino que 70% da população se serve desse tipo de veículo para sua locomoção diária, transformando Amsterdam na cidade mais ecologicamente correta da Europa. A cada esquina ou poste estão sempre dezenas ou centenas de bikes amarradas.

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Não fique alheio a essa realidade. Trate de alugar uma também (vários pontos na cidade) ou contrate um tour guiado e saia explorando Amsterdam em cima de uma ‘magrela’. Fizemos isso e alugamos 2 bicicletas com assentos traseiros acoplados para levar as crianças. E conhecemos quase tudo passeando por ela com o veículo de 2 rodas. É a maneira mais fácil e agradável de conhecer cada esquina e detalhe da cidade. Visite o blog Ducs Amsterdam e descubra como é fácil alugar uma bicicleta por lá. A primeira foto abaixo mostra a Karine com nossa filha mais velha na garupa, passeando pela ciclovia prestes a passar por dentro do prédio do Rijksmuseum:

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E as ciclovias estão mesmo por toda a parte. Quando você estiver na condição de pedestre, ou seja, na maioria do tempo, frequentemente receberá uma buzinada de um ciclista para prestar atenção e provavelmente sair da frente. Em certas vias mais congestionadas, por exemplo defronte à Dam Square ou à Estação Central, é preciso ter muita cautela e esperar algum tempo consideravel até encontrar uma brecha para atravessar. Confesso que a sensação acaba sendo dúbia, pois da mesma forma que se fica bem impressionado pelo nível de evolução e civilidade do povo, sente-se simultaneamente uma certa angústia por estar totalmente cercado por tanta gente pedalando, parecendo que a qualquer momento poderá sofrer um atropelamento, mormente se a pessoa estiver caminhando com crianças, como foi o meu caso nesta viagem. Se considerarmos o Tram, que também demanda atenção redobrada, cujos trilhos igualmente se espalham por todos os lados da zona urbana, acaba sendo proporcionalmente muito pequeno o contingente de veículos automotores em circulação.

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Amsterdam émuito conhecida também pelas polêmicas questões do Red Light District e dos Coffe Shops. De um lado, temos a prostituição absolutamente legalizada e regulamentada no país por uma lei nacional, atividade que, portanto, não precisa ser praticada às escondidas, contando inclusive com uma zona específica que é o distrito da luz vermelha. Como se estivessem em um estranho zoológico humano, mulheres (em sua maioria), a qualquer hora do dia, se exibem semi despidas em vitrines, de onde negociam diretamente os programas com potenciais clientes transeuntes. Se o acordo for fechado, cerram-se as cortinas e o serviço é prestado de imediato no próprio local. Não fotografe sob nenhuma hipótese, pois isso poderá causar problemas. Além desses locais, a região conta também com sex shops, museus sobre o tema e bares eróticos, abertos quase 24 horas por dia.

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Por outro lado, também não é novidade que o consumo de maconha é liberado na cidade. Muitos turistas e também moradores frequentam os chamados coffe shops onde, desembaraçadamente, escolhem em cardápios, seus “blends” favoritos. Os consumidores desse tipo de drogas leves geralmente se restringem a frequentarem esses locais. Raríssimo se deparar, principalmente nas zonas mais turisticas, com pessoas fumando maconha no meio da rua, o que é ilegal, embora tenha visto isso umas 2 vezes durante o período em que lá estive.

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Feitas essas considerações, não se permita ficar armado de qualquer preconceito negativo contra a cidade, pois não se trata de um local decadente muito menos perigoso, com prostitutas, traficantes e drogados. Muito pelo contrário, pois como essas atividades são legalizadas, deixam de ter aquela aura criminosa e, acabam ocorrendo de forma tranquila e discreta em áreas especificamente delimitadas para esse fim. Paradoxalmente, na verdade isso acabou conferindo uma maior sensação de ordem, segurança e respeito às leis na cidade. E os turistas que não estiverem buscando tais opções de lazer, provavelmente sequer notarão a existência desses “mercados paralelos”.

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Vale curtir a cidade com calma, e uma ótima maneira de começar a entrar no clima é com um passeio de barco por seus canais, que geralmente duram cerca de 1 hora e oferecem um bom panorama sobre a geografia e a marcante arquitetura do lugar, onde prevalecem as casas e sobrados geminados, geralmente com uma varanda pequena e sem garagem, tudo em nome do aproveitamento do espaço urbano, artigo de luxo na pequena capital. Não é preciso nenhuma dica especial sobre isso ou qualquer reserva prévia. Saia caminhando livremente, pois em algum ponto será inevitável se deparar com uma oferta de cruzeiro pelos canais, bastando comprar os ingressos e fazer o passeio. Nós fizemos essa aí embaixo e confesso que nem me lembro o nome pra indicar. Mas é tudo igual mesmo…

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Outro traço marcante em Amsterdam e em toda a Holanda, que justifica algumas visitas em dias subsequentes, é a Arte, que atingiu seu apogeu na já citada Era de Ouro do século XVII. Nesta época, despontaram pintores do quilate de um Rembrandt, apenas para citar o mais famoso, com seu inconfundível estilo Chiaroscuro, técnica que mistura magistralmente nas telas os contrastes entre luz e sombra na representação de um objeto ou de uma cena. Muitas obras desse acervo podem ser visitadas no Rijksmuseum, o maior e mais importante do país que contempla o maior contingente mundial de pintura holandesa do período barroco.unnamed (76)

Na primeira vez que estive na cidade, em 2006, o espaço passava por uma grande reforma, finalmente concluída no final de 2013. Tivemos então a chance de conhecer e visitar as novas instalações, contando hoje com um átrio interior moderno, amplo, de estrutura leve e funcional, dotado de ótima luminosidade viabilizada pelos vidros que cobrem o teto. O que há de melhor em arquitetura contemporânea. Com mais de 80 salas restauradas e cerca de 8 mil obras de arte, o belíssimo edifício fica em uma posição central e destacada na Museumplein, a esplanada dos museus, que abriga ainda o Van Gogh e o Stedelijk, de arte moderna. Fotos acima e abaixo do interior do Rijks:

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Compre tíquetes antecipadamente pela internet para evitar filas enormes nos guichês de compra de entradas, principalmente nas primeiras horas após sua abertura, quando multidões de turistas invadem suas dependências. Não tenha a pretensão de esgotar o seu acervo, pois isso é impossível. Passe 2 ou 3 horas curtindo as obras principais e mais famosas, como o espetacular Ronda Noturna de Rembrandt, a leiteira de Johaness Vermeer e a festa de São Nicolau, de Jan Steen. Termine comprando um souvenir ou bebendo um café expresso na livraria anexa. E depois, se estiver um dia de sol gostoso, vá se esparramar e curtir a preguiça no Museumplein.  Esse espaço público é uma bela e concorrida praça bem no centro da cidade.

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Difícil é tirar uma foto em frente ao famoso letreiro tridimensional ” I Amsterdam” em grandes letras vermelhas e brancas, pois centenas de pessoas tem sempre a mesma ideia ao mesmo tempo. No dia dessa visita, como em todos os domingos, havia tulipas expostas no lago da esplanada (em frente à suntuosa fachada do Rijksmuseum e uma feira com food trucks vendendo comidas e bebidas diversificadas. Compramos cerveja, porções generosas de salada de batata e espetinhos de carne e frango e improvisamos um delicioso almoço sentados no gramado e curtindo o calorzinho discreto de uns tímidos raios de sol, vendo o movimento frenético de vai e vem das pessoas e as performances de músicos e artistas de rua. Fotos acima e abaixo da esplanada e do Rijksmuseum ao fundo:

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Ainda dentro do tema sobre arte, fizemos também a visita ao fantástico Museu Van Gogh, na manhã do dia em que fomos para Keukenhof à tarde. Sem dificuldade, e com alguma experiência neste tópico, trata-se de um dos mais belos museus do mundo, que homenageia esse gênio e filho dos mais ilustres da pátria laranja! Entre os 3 programas absolutamente imperdíveis de Amsterdam. Também situado na Museumplein, dispõe de um acervo do mestre pós-impressionista que traça uma retrospectiva de todas as fases da carreira do pintor e mostra uma parte considerável de seu gigantesco legado artístico em favor da humanidade. Trata-se de um espaço compacto e bem organizado, fato que o torna ainda mais atraente e agradável. Tem cerca de 200 quadros deslumbrantes do artista como os famosos autorretratos em tons pastel, os girassóis, o famoso quarto em St. Rémy, a casa amarela, o comedor de batatas, de uma fase inicial menos colorida mas já marcada pelo seu traço inconfundível e o vaso de flores, além de várias outras obras que mereceriam um demorado aplauso e que reiteradamente causam um espantoso impacto visual em todo e qualquer visitante que se depare com elas.

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Tente a todo custo adquirir ingressos antecipadamente pela internet, se possível aqueles um pouco mais caros que oferecem hora marcada e evitam o incômodo de esperas em filas que podem chegar a 1 hora e 30 minutos. Outra boa estratégia para quem não conseguir essas entradas e pretender uma espera menor, opte pela visita na parte da tarde ou então para uma sexta-feira, quando o edifício fica aberto até as 22 horas. Acima e abaixo, para ilustrar o que foi dito, fotos da fachada, de uma sala e de um quadro do vaso de flores:

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Antes ou depois de visitar esses 2 museus mais famosos, e para relaxar na cidade, vá até o delicioso Vondelpark fazer uma parada na correria dos roteiros turísticos. Nele, as famílias holandesas brincam, fazem piquenique, jogam bola e se divertem nos dias de folga. O parque conta com trilhas de caminhada e corrida também, sempre divididas com os milhares de ciclistas que tomam todos os locais disponíveis. É a maior área verde de Amsterdam e serve como um refúgio e um retiro para os locais. Nos meses mais quentes, principalmente no alto verão, abriga concertos de rock, pop e orquestras, além de sempre oferecer performances de músicos e artistas de rua. Na primeira passagem, ficamos uns 35 minutos curtindo o parque porque fazíamos um tour de bicicleta pela cidade e tínhamos que seguir adiante. Mas, depois voltamos com mais calma para sentar perto de um dos lagos e fazer um lanche, comprando cachorros quentes nas carrocinhas e bebendo sucos e refrescos. Passeio muito agradável. Uma visita indispensável! 

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Para passear sem compromisso e curtir uma atmosfera relaxada, o bairro mais gostoso da cidade é mesmo o Jordaan. Fica delimitado no mapa a partir da Dam square, onde a cidade surgiu, orientando-se sempre no sentido oeste. Criado no século XVII, e servindo inicialmente como local de moradia para as classes trabalhadora, que precisavam morar perto do canal ring, onde lavoravam para particulares mas, principalmente, prestavam serviços ao Estado e à Nobreza. Também se tornou conhecido ao longo do tempo por abrigar movimentos políticos e sociais.

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No final dos anos 60 e início dos 70, apresentava uma aura decadente, com edifícios abandonados e necessitando de reformas nas fachadas. Mas, esforços reiterados da comunidade, aliados a iniciativas governamentais de revitalização da área foram transformando paulatinamente essa vizinhança, majorando o valor dos aluguéis dos imóveis e criando um bairro elitista e de vanguarda, hoje o mais charmoso e desejado de Amsterdam. Se puder, fique hospedado nele. Fica a dica. Acima, uma rua pacata e abaixo a famosa praça, ambas no coração do bairro:

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Nós ficamos e não poderíamos ter feito uma escolha mais acertada. Caso não possa ou não queira, ao menos dedique algumas horas de um ou mais dias na cidade para flanar por esta vizinhança, repleta de ruas arborizadas calmas, bucólicas e pouco agitadas com galerias de arte, brechós, deliciosos cafés e restaurantes. Um dos bairros mais agradáveis de toda a Europa. Ideal para entrar no clima slow travel. Para os que gostam de uma boa carne, sugiro uma refeição no restaurante argentino Luna Steakhouse Grill. Ótimos cortes de carne portenha com deliciosos acompanhamentos, além de vários vinhos malbec regionais e opções de cervejas holandesas e belgas. Fica numa rua muito tranquila e agradável bem em frente um dos sofisticados canais do Jordaan. Não deixe de fazer reserva previamente pois fica sempre muito cheio, e tenha paciência com o serviço, um pouco confuso e lento. No Jordaan fica também uma das atrações mais concorridas do país, o Museu Casa de Anne Frank. Foto da fachada do museu e as longas filas:

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Por sorte, fizemos o dever de casa e compramos o ingresso antecipadamente para essa atração, evitando a espera de quase 1 hora e meia em uma longa fila de aquisição de ingressos que dobra a esquina. Incrível a fama desse museu. Romarias de turistas de todo o mundo vem à cidade para conhecer o esconderijo dessa família judia que quase escapou do infortúnio durante a segunda guerra mundial. O museu é muito bem organizado e montado, mostrando a triste história de 2 famílias que ficaram escondidas por cerca de 2 anos no local tentando evitar o destino que acabou ocorrendo pela traição de um informante que alertou as tropas nazistas acerca da existência do esconderijo.

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Os ambientes do apartamento bunker, montados no fundo do edifício onde Otto Frank (pai de Anne) trabalhava, são impressionantes e claustrofóbicos, sendo possível sentir e imaginar toda a angústia dos que viviam ali. A passagem secreta existente a partir de uma estante de madeira falsa é o ápice da tensão na visita. Como se sabe, a experiência da menina Anne Frank, gerou um famoso diário que virou um dos maiores best-sellers da literatura mundial, publicado em mais de 60 idiomas distintos. O museu conta ainda com uma cafeteria/restaurante e uma loja de souvenir que também faz as vezes de livraria.

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Já vou finalizando esse longo relato não sem antes oferecer o melhor dos conselhos. Tente experimentar a capital holandesa tal qual um local. Ande de bicicleta, visite um moinho ou uma fábrica de tamancos de madeira, coma um stroopwafel (um sanduíche de biscoito crocante recheado com mel ou chocolate ou geléia), beba uma heineken se possível na Heineken experience ou então uma Amstel, faça um piquenique em um parque, ingira generosas porções de queijo gouda, repletos de calorias e colesterol, tome um café espresso no Jordaan, visite o mercado de flores e o beginjhoff, se surpreenda com o museu de arte moderna stedelijk, com o delicioso museu casa de Rembrandt ou com o museu Nemo de tecnologia. Abaixo, uma foto do famoso stroopwafel, doce mais famoso do país:

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Fomos muito felizes e superamos todas as altas expectativas em nossa passagem por Amsterdam. Foi como um sonho bom e rápido, tão bom que nos fez ficar com vontade de retornar e ficar um mês lá em um verão próximo qualquer, curtindo as delícias do país e saboreando cada detalhe da Holanda. Como já deu pra perceber, a cidade tem muitos segredos a serem desvendados. Não vale revelar todos, até porque estou longe de conhecê-los por completo. Os detalhes precisam ser explorados pelo próprio visitante, que se surpreenderá sempre em cada nova esquina desse inebriante lugar, descobrindo a qualquer tempo uma novidade única que só poderia mesmo ser encontrada por lá.

O próximo post será sobre Keukenhof e os coloridos campos de flores e tulipas… Deixo uma foto como ‘teaser’:

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Do Rio pro Mundo

8 pensamentos sobre “Porque Amsterdam é ainda mais legal do que dizem.

Maria Luiza de Freitas OliveiraPublicado em  7:32 pm - jul 10, 2015

Felipe, que texto maravilhoso! Obrigado por compartir com o publico. Me deu vontade de ir agora pra Amsterdã!. Parabéns demais. Você tinha que publicar um livro com essas suas descrições de viagem que são deliciosas de ler e curtir.

Um abraço para você e sua bela família.

Alline OliveiraPublicado em  10:04 pm - jul 10, 2015

AAAAAAAA…………..
msterdam…. quanta saudade !!!

BóiaPublicado em  10:57 am - jul 13, 2015

Oi, Felipe. Tudo bem? 🙂

Seu post foi selecionado para o #linkódromo, do Viaje na Viagem.
Dá uma olhada em http://www.viajenaviagem.com

Até mais,
Bóia – Natalie

gustavoPublicado em  4:49 pm - jul 16, 2015

Excelente post. Também considero Amsterdam uma das melhores cidades européias para passear, principalmente com crianças. O que pretendo fazer na próxima vez é alugar uma casa barco. Você chegou a ver essa opção? Outro lugar legal que conheci quanto fui e é perto de amsterdam é Voledam, pequena cidade portuária com um ar de interior muito bacana. Continue postando!!!

    Do Rio pro MundoPublicado em  9:31 pm - jul 16, 2015

    Valeu Gustavo. Obrigado pela visita e comentário. Não cheguei a cogitar um aluguel em casa barco. Mas deve ser uma experiencia bem interessante, principalmente no verão.
    Visitei Volendam e Marken, junto com zaansche schans. Farei um post em breve sob esse day trip.

    Um abraço.

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