“A viagem não acaba nunca. Só os viajantes acabam. E mesmo estes podem prolongar-se em memória, em lembrança, em narrativa. Quando o visitante sentou na areia da praia e disse: “Não há mais o que ver”, saiba que não era assim. O fim de uma viagem é apenas o começo de outra. É preciso ver o que não foi visto, ver outra vez o que se viu já, ver na primavera o que se vira no verão, ver de dia o que se viu de noite, com o sol onde primeiramente a chuva caía, ver a seara verde, o fruto maduro, a pedra que mudou de lugar, a sombra que aqui não estava. É preciso voltar aos passos que foram dados, para repetir e para traçar caminhos novos ao lado deles. É preciso recomeçar a viagem. Sempre. (do livro VIAGEM A PORTUGAL, José Saramago)

Invocando o magistral Saramago, prêmio Nobel de Literatura, peço vênia para falar, com respeito e admiração, do país que nos descobriu. Portugal é um país fascinante. Impossível não se render a ele. Portugal é moderno e antigo. Portugal, apesar de seu pequeno território, tem duas cidades cosmopolitas e históricas, como Porto e Lisboa, destacadas no cenário Europeu e mundial. Portugal tem praias, litoral, serras, múltiplas regiões vinícolas e um povo mais que gentil e hospitaleiro. O país respira história, cultura, gastronomia e vinho. E, apesar de pequeno, tem uma enorme diversidade cultural, apresentando uma série de micro regiões, cada qual com caracterísiticas muito próprias e especiais! E, melhor de tudo, eles ainda falam português, o original, de uma espécie meio difícil de entender, é verdade, mas de qualquer modo, soa familiar.

Sejamos honestos em admitir que a maioria dos brasileiros, quando pensa em roteiros pela Europa, muitas vezes deixa Portugal em segundo ou terceiro plano, por acreditar que a visita à terrinha não seria uma prioridade. Eu mesmo devo confessar que já tive em um passado remoto esse pensamento tão equivocado. Mas, acredite, é uma nação fantástica, com vocação turística de primeiro mundo e uma vasta gama de extraordinários locais para se visitar.

Dispõe de uma culinária riquíssima, além de estar se tornando, nos últimos 20 anos, após uma silenciosa revolução ocorrida no país, um dos principais produtores mundiais de vinhos finos de mesa, notadamente em regiões como Douro, Dão, Alentejo, Bairrada e Setúbal, dentre tantas outras. Isso sem contar no secular e universalmente famoso vinho do porto, um dos principais produtos de exportação lusos, que tanto identifica o país nos quatro cantos do planeta. De se registrar também, que Portugal tem o sistema de apelações vinícolas mais antigo do mundo, sendo abençoado com uma infinita diversidade de uvas e castas autóctones dos mais distintos tipos e sabores.

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E, se não bastassem todos estes atributos, está ainda umbilicalmente ligado ao Brasil e aos brasileiros, por Cabral, por Camões, por Fernando Pessoa, por Saramago e por tantas outras personalidades que tanto nos influenciaram ao longo da história, desde o descobrimento. O melhor a se fazer é dedicar uma viagem inteira para conhecê-lo. Não precisa misturar com Espanha, nem com França ou Itália. A sua viagem somente pra Portugal, será tão ou mais divertida e enriquecedora do que para quaisquer desses países.

A TAP voa diariamente para a Europa (lisboa e Porto) partindo de mais de dez destinos no país, como Rio, São Paulo, Salvador, Porto Alegre, Belo Horizonte, Brasília e outros. O país está a nove horas de vôo do Rio e São Paulo e ainda menos do que isso, se o ponto de partida for a região nordeste. Muito menos cansativo do que ir para Paris, Londres ou Frankfurt, por exemplo.

Se conseguir, e desejar um bom apanhado geral em uma única tacada, fique no mínimo duas semanas e alugue um carro. Todos os lugares são perto, pois a extensão territorial do país é pequena e as estradas são excelentes. Portugal tem vias expressas e secundárias dignas de primeiro mundo e sua malha rodoviária me pareceu uma das melhores em que já trafeguei. Para se ter ideia de sua fácil acessibilidade, imagine que, hipoteticamente, se uma pessoa resolver dirigir sem parar, conseguirá cruzar a parte lusa da península ibérica de norte a sul, em menos de seis ou sete horas o que, evidentemente, cito como exemplo apenas para se constatar quão curtas são as distâncias entre suas inúmeras atrações. Foto da magistral Porto e a ribeira:

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E, quais são os lugares imprescindíveis em um roteiro turístico? Tudo, é claro, vai depender do número de dias disponíveis e da prioridade específica de cada um. Mas, de um modo geral, julgo fundamental que se busque conhecer os seguintes pontos, deixando claro que, dificilmente, entretanto, essas sugestões se esgotarão em uma única viagem:

Primeiramente Lisboa, óbvio, e suas três mais famosas adjacências, Sintra, Estoril e Cascais. Ponto de partida das caravelas e dos descobrimentos, a capital do país é uma cidade linda e culturalmente muito rica, sendo, inegavelmente, o melhor ponto de partida para sua exploração. (veja aqui o post sobre a magnífica Lisboa). Moderna e histórica, Lisboa é imprescindível. Pra mim, sem exageros, uma das mais bonitas capitais européias.

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Évora, capital do Alentejo também merece uma parada.  Com sua rica história que remonta há mais de dois milênios e ao período do império romano, ostenta riquezas e patrimônios arqueológicos e culturais reconhecidos pela Unesco. Se não bastasse isso, é a região do Pêra-Manca, do Cartuxa e do Esporão, alguns dos vinhos mais apreciados em terras brasileiras. Ao sul, a magnífica região do Algarve, com a sua capital, a cidade de Faro e uma riviera de praias com um mar cor azul turquesa que, hoje em dia, estão entre os destinos mais concorridos do velho mundo.

E, rumando para o Norte da capital, a cidade Universitária antiga de Coimbra, o santuário de Fátima, notadamente para os peregrinos, e Óbidos, com seu belíssimo castelo e suas muralhas históricas. Todos esses locais de destacado interesse turístico, ficam no eixo Porto-Lisboa. E, evidentemente, falando nela, não perca a cidade de Porto (incluíndo-se aqui a sua outra margem, Vila Nova de Gaia) uma linda pérola portuguesa, pela qual me apaixonei perdidamente,  (veja aqui minhas impressões sobre a cidade) famosa pelo seu vinho fortificado e próxima à soberba região vinícola do Douro,  considerada uma das mais belas do mundo,  o que pude atestar com meus próprios olhos em visita recente a este lugar mágico. (veja aqui este post, o campeão absoluto de acessos do blog) Lá o enófilo se esbalda com Barca Velha, Quinta do Crasto, Quinta do Vallado, Vale Meão, Portal, e tantos outros produtores dessas obras de arte líquidas. Que país abençoado! Abaixo, foto deste que vos escreve contemplando o Douro:

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No norte, o visitante dispõe também da cidade de Braga, a oeste de Porto, uma cidade milenar e universitária na zona dos deliciosos e frescos vinhos verdes do Minho, com aromas e acidez característicos de seu solo granítico. E, por fim, falo de uma jóia lusa talvez menos conhecida, a pequena cidade de Tomar, que fica bem próxima a uma saída da estrada que liga Lisboa a Porto, a A-1. Por que Tomar? Você deve estar se perguntando.

Apenas por ter, em seus domínios, o Convento de Cristo. E o que seria esse tal convento, a ponto de justificar um aparentemente inexplicável desvio de rota? Trata-se de uma magnífica construção que atualmente alberga um espaço multi-cultural, turístico e ainda devocional, com uma arquitetura que partilha traços românicos, góticos, manuelinos, renascentistas, maneiristas e barrocos. Abrangendo o Castelo Templário e o Convento da Ordem de Cristo – cuja construção decorreu entre os séculos XII e XVII – o monumento, inscrito na lista do Patrimônio Mundial da UNESCO, integra alguns dos mais expressivos testemunhos da história da arquitetura portuguesa, como a Charola românica da igreja, o claustro de D. João III e a famosa janela manuelina da Sala do Capítulo.

Este é Portugal Continental. E olha que eu nem falei da exuberante e selvagem ilha da Madeira (para onde desejo ir em breve) explorar as suas muitas possibilidades de turismo de aventuras, de cultura, de fotografias e tomar o delicioso vinho homônimo. Uma curiosidade é que a ilha da madeira é a terra de nascimento do ídolo futebolístico português, o metrossexual Cristiano Ronaldo. Outra curiosidade sobre este lugar é que eles falam um português ainda mais rapido e ‘comendo’ as sílabas. Peguei um táxi certa feita em Lisboa e o taxista era de lá. Posso dizer que foi um esforço tremendo para entender algo do que aquele senhor dizia.

Pois bem, se você, assim como eu, ama e se interessa por Portugal, não deixe de ler os outros textos, especificamente para falar de Lisboa, Porto e a região vinícola do Douro. Foto abaixo da bandeira lusa:

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À guisa de curiosidade, para encerrar esta crônica, vemos que a bandeira portuguesa é composta por duas faixas verticais. Uma verde na parte esquerda, representando as florestas do território e outra vermelha, que representa o espírito conquistador, a virilidade e a alegria do povo português. na parte direita. Na divisa entre as duras cores há o escudo de Armas de Portugal, assentado na esfera armilar manuelina, a representar as descobertas marítimas portuguesas realizadas nos séculos XV e XVI.

Agora que você já sabe um pouquinho mais sobre Portugal e até sobre sua bandeira verde rubra, planeje o quanto antes sua viagem. Não faça dele apenas uma rápida escala em solo Europeu. Sirva-se de suas tantas maravilhas e atrativos como destino final. Nós, brasileiros, fomos descobertos por eles. Já passa da hora de fazermos o caminho inverso, redescobrindo e reverenciando nossa pátria mãe. Posso assegurar que você viverá momentos de intensa felicidade, paz e alegria…

53 Thoughts on “Portugal. Destino obrigatório para todos os brasileiros na Europa! Uma visão geral

  1. OLA!!!
    LINDO BLOG!
    ME DIGA, É INTERESSANTE CONHECER PORTUGAL NO
    MÊS DE DEZEMBRO??

    OBS: …descontando o frio, que gosto, os dias são ensolarados?

    ATT,
    CARLA

    • Do Rio pro Mundo on 22 de maio de 2013 at 3:26 said:

      Prezada Carla,
      Obrigado por seus elogios. Dezembro é sempre um mês de inverno na Europa. Então, certamente vai estar frio. Mas como vc gosta, acho que a questão dos dias ensolarados depende da sorte e de circunstancias específicas de momento. Eu iria em setembro ou maio. Mas, se vc só pode ir em dezembro, vá com certeza. Portugal é um excelente local de turismo e recebem muito bem os brasileiros.
      Um abraço, Felipe.

      • Olá,
        sim, dezembro é um mês de inverno mas Portugal é bonito na mesma. Uma vista à Ilha da Madeira é também obrigatória, além das belezas naturais o clima é muito ameno e quase não temos inverno.
        A Madeira é uma ilha fantástica, estamos à vossa espera!

    • Paulo Cravo on 1 de setembro de 2013 at 7:49 said:

      Olá, em Dezembro existe em Portugal muito comércio pois aproxima-se o Natal. Em Lisboa é possivel fazer muitas compras. No entanto para se apreciar as nossas belas praias os melhores meses são o Julho até 15 de Setembro. Aqui existem muitas coisas que se pode fazer pois o país está a receber milhares de turistas. Existe a sensação que o mundo veio passar férias a Portugal.
      A partir de 15 de Setembro aconselho a visita ao Douro pois é a época das vindimas.
      Espero que goste, nós estamos cá para vos receber.
      Facebook:
      Paulo Cravo / Jipe UMM amarelo

  2. OBRIGADA FELIPE!!
    GRATA,
    CARLA

  3. Muito bem outra vez Filipe.
    Obrigado por referenciar a minha cidade natal e onde sempre vivi, Tomar. Tens razão por referenciá-la, ela é uma descoberta que vale qualquer desvio de rota, é uma cidade histórica por excelência: Celto/Lusitana, Romana, Sueva, Visigótica e cristã. Sede da famosa ordem dos Templários e do seu magnifico castelo que contem no interior das suas muralhas a jóia maior: o convento de cristo que foi construído ao longo de pelo menos 500 anos com todos os principais estilos arquitectónicos disponíveis num único lugar. A baixa de cidade também é muito bonita, arrumada, limpa e tradicional. Um must, até fico emocionado a descrever a minha terra onde há mil anos fixaram raízes os meus antepassados.
    O teu roteiro é excelente mas no norte eu acrescentaria dois a três dias para visitar duas coisas que eu, pessoalmente, acho incontornáveis:
    1) A cidade de Guimarães, o berço da Portugalidade. É uma cidade lindíssima e que respira história em cada poro, adoro ir lá e ver aquelas bandeiras portuguesas da cruz azul (estandarte de Afonso Henriques) penduradas nas janelas em vez do verde e vermelho, aquelas praças, monumentos, castelo, muralhas, palácios e logo ali ao lado a Citânia de Briteiros onde se percebe quem eramos e como vivíamos antes das invasões romanas que destruíram o nosso modo de vida original.
    2) A rota do românico no Douro Litoral/Minho, mais precisamente no interior de um triângulo traçado com os vértices em Celorico de Basto – Paços de Ferreira – Cinfães nas margens dos rios Douro, Tâmega e Sousa. Obviamente que se trata de um percurso exigente para pessoas elas mesmo exigentes e que apreciem este estilo arquitectónico que em Portugal é diferente de outros países da Europa, sobretudo do românico Alemão e Francês. Neste mês de Agosto saiu uma reportagem na National Geographic Portugal com mapas e destacáveis muito boa. Tenta comprar por correio, vale a pena. Entre pontes, castelos, capelas, mosteiros e igrejas são 58 monumentos dispersos numa pequena área de grande beleza natural enriquecida pelos rios, pelos verdes campos e pelas aldeias pitorescas.

    Grande abraço.

    • Do Rio pro Mundo on 18 de agosto de 2013 at 3:36 said:

      Muito obrigado Manel, tanto por seus elogios, mas também pelas suas valorosas dicas, especialmente a cidade de Guimarães, para cujo meu interesse ainda não tinha sido despertado anteriormente à sua sugestão. Realmente Tomar é uma jóia que precisa ser descoberta por todo viajante que esteja em Portugal.

      Valorosa a sua contribuição meu amigo. Um grande abraço e espero que você siga nos acompanhando.

    • Felipe Gonçalves on 31 de agosto de 2013 at 23:27 said:

      Boa Manel ! Assim que puder, pretendo visitar Tomar, Guimarães e as dicas do Felipe. E ainda, a cidade natal de minha bisavó, Viseu. Abraço e viva o Benfica, o Flamengo de Portugal !

      • Do Rio pro Mundo on 31 de agosto de 2013 at 23:45 said:

        É isso aí cara! As dicas do Manel realmente foram excelentes e complementaram esse texto.
        Felipe, Viseu também está na minha mira, na região dos maravilhosos vinhos do Dão, um pouco abaixo do Douro.
        Um abraço e boas viagens para todos nós. Valeu! Felipe

  4. Já publicitei o blog na minha página do Facebook. Serei um atento leitor.

    😉

    • Do Rio pro Mundo on 18 de agosto de 2013 at 15:59 said:

      Obrigado Manel! Tomara que os seus amigos e seguidores também gostem do meu trabalho.
      Uma vez mais te agradeço pelas pertinentes intervenções e aos gratificantes elogios oriundos de um amigo português como você, tão orgulhoso e conhecedor de sua terra.

      Grande abraço, Felipe

  5. Nao deixem tambem de Visitar o ALGARVE… Praias lindas… Costa magnifica no canto da Europa, Gastronomia fantástica… Historia e Muito Mais…

    • Do Rio pro Mundo on 31 de agosto de 2013 at 18:03 said:

      Obrigado por sua visita e comentário amigo Carlos.
      Com certeza o Algarve é fantástico, como falei no texto, uma riviera de praias maravilhosas e de mar azul e límpido ao sul de Portugal. Pretendo lá estar novamente em breve.
      Um grande abraço, Felipe

  6. Vania Moreira on 31 de agosto de 2013 at 18:02 said:

    Oi Felipe! Estou agora em Lisboa lendo seu post e já com saudade, pois amanhã deixarei esta terra maravilhosa e tão hospitaleira! Tudo aqui é muito “giro”! Nos vemos em breve! Até!

  7. Eduardo Guerra on 31 de agosto de 2013 at 18:07 said:

    Gostei do que li, e penso que a ideia do blog em relação aos nossos dois povos, e respectivos países, é muito útil, pois há preconceitos de parte a parte, que o aprofundamento do conhecimento mútuo faz desaparecer.
    Bem-haja pela sua iniciativa.

    • Do Rio pro Mundo on 31 de agosto de 2013 at 19:09 said:

      É isso mesmo Eduardo. Penso que é exatamente este o caminho.

      Um grande abraço e muito obrigado pela visita e comentário. Espero que sigas gostando, lendo e divulgando o blog.

      Felipe.

  8. Maria Matos on 31 de agosto de 2013 at 21:47 said:

    Obrigado por gostar deste pequeno Paraíso há beira mar plantado. Aconselho uma visita há Vila mais antiga de Portugal, PONTE de LIMA e as suas tradicionais Feiras Novas…As Feiras Novas, também conhecidas como a “Romaria de noite e de dia”, instituídas por provisão do rei D. Pedro IV, em 5 de maio de 1826, decorrem entre 4 e 9 de setembro. O mais antigo cartaz que se conhece das Feiras Novas data de 1896. Consulte: Coleção de postais – 185 anos das Feiras Novas: Festas do concelho (1896-2011)” – Arquivo Municipal de Ponte de Lima

    http://pontedelima.com

    • Do Rio pro Mundo on 31 de agosto de 2013 at 22:36 said:

      Obrigado Maria pela sua pertinente intervenção e pela bela dica sobre Ponte de Lima e as Feiras Novas.
      Certamente, eu e outros leitores brasileiros, consideraremos muito a possibilidade de conhecer este local por você sugerido.

      Um grande abraço e espero que sigas nos acompanhando em nosso blog de viagens.

      Felipe

  9. Felipe Gonçalves on 31 de agosto de 2013 at 23:02 said:

    Prezado, parabéns pelo texto. Muito envolvente. Com certeza, a descrição sobre os lugares e cidades para visitar é excelente. No entanto, se permite, gostaria de fazer apenas uma observação; Em boa medida, costumamos dizer que fomos “descobertos”. O Brasil, teoricamente foi descoberto e anexado por Portugal. Mas a maioria da população hoje do Brasil descende de europeus e africanos. Muitos de índios também, mas a miscigenação foi grande. O que chamo atenção é que se existiam “brasileiros” eram os primeiros habitantes daqui. Ou então consideremos brasileiros a mistura que cresceu com as imigrações. Muitos de nós, como eu, descendemos dos proprios portugueses e portanto somos também resultados desta expansão, passamos a existir a partir dela.

    • Do Rio pro Mundo on 31 de agosto de 2013 at 23:13 said:

      Valeu Felipe, você tem toda razão em suas colocações. O termo brasileiro por mim utilizado no texto não tem a pretensão em ficar adstrito ao termo técnico mais adequado, referente aos que aqui já habitavam. Uso-o, com a necessária licença poética.
      Muito obrigado pela visita, pelos elogios e pelo comentário. Um grande abraço,

      Felipe

      • Felipe Gonçalves on 31 de agosto de 2013 at 23:47 said:

        Vale lembrar que o Brasil foi a única colonia que virou sede do próprio império com a vinda da familia real em 1808. Acho este episódio fantástico. A história do Brasil está intimamente ligada a de Portugal. O idioma, a cultura, a ascendência. Somos também, em alguma medida, Portugal.Grande abraço Felipe.

  10. António M. T. Ferreira on 31 de agosto de 2013 at 23:46 said:

    Perdão! Nós, em Portugal, não falamos a vossa “língua”…Aliás, a língua É NOSSA! Pese embora qualquer tipo de acordo “ortográfico” é aqui, em Portugal, que se fala a nossa língua! Aí, no Brasil, país irmão (eu diria filho) usam uma variante bem pouco fiel ao Português genuíno… Só usam o “vc” e nunca o “tu”… Variantes como a do Brasil não serão NUNCA o Portugês de Portugal, essa sim é a nossa língua…
    – Quanto ao restante achei o conteúdo interessante, bem ilustrado, com uma coloração bem mais verdadeira do que se vê nos folhetos turísticos. Muito bem feito; sim sr. Está mesmo agradável… NÃO SE AMOFINE COM OS MEUS PRECIOSISMOS! Do coração, e desde sempre, benvindos a Portugal…O sítio onde se fala Português!

    • Do Rio pro Mundo on 1 de setembro de 2013 at 0:45 said:

      Obrigado Antonio por seu comentário e seus elogios. E ainda por me ensinar um novo vocábulo, Amofine, que, confesso, do alto de minha ignorância sobre Vossa língua mãe, não conhecia. Tudo bem, com toda a humildade, acredito sempre na possibilidade do crescimento e no debate civilizado de ideias. Na verdade, penso, sem pretender-me o dono da razão, que a língua melhor seria de todos nós, embora seja fato que vocês a inventaram. Se a variante falada no Brasil nunca será o vosso Português, ok, sem problemas. Se isso é importante e caro a ti, respeito muito seu ponto de vista.
      Um amplexo, Felipe

    • Felipe Gonçalves on 1 de setembro de 2013 at 0:49 said:

      Antônio, tens razão sobre o idioma. Mas esquece que mesmo em Portugal já passou por várias transformações. O idioma falado está em constante movimento, logo sofre variações regionais e temporais. Não fosse assim, estariamos a falar o latim. Não é assim ? Claro que também existe o problema de investimentos na educação. O que dificulta e muito o domínio da norma culta, da escrita correta. No entanto, é faCto que o Brasil hoje representa em torno de 200 milhões de pessoas que falam o Português, não 20. Muitos descendentes de portugueses. Portanto, acredito que um acordo para unificar a gramática para os dois países seja de interesse de ambos. (político, econômico e cultural). Não vejo razões para procurarmos “pêlo em ovo”. Não ganhamos nada com a discussão colônia-metropole. O Brasil tem hoje um papel no cenário internacional diferente do que tinha. Digo também que sou eternamente grato por ter o português como língua materna. E graças a isso, poder ler os poemas de Vinícius de Moraes e escutar as músicas do Chico Buarque. Não fosse em português, não haveria a mesma beleza.
      Um grande abraço

    • Fernando Oliveira on 16 de setembro de 2013 at 1:55 said:

      Desculpe meu caro colega, esse vosso nacionalismo me enjoa. O povo Português acha-se tão responsável pela evolução do mundo, mas descartam quem foram os responsáveis por muito do que está por detrás de todas as conquistas. O próprio povo Português não é mais do que uma mistura de Muçulmanos (Mouros), com o que sobrou do Império Romano. O Português junto com o Catalão é considerado pelos grandes estudiosos do latim, como a mais vulgar das variações que a língua clássica teve.

      As Caravelas, os seus Azeites, os seus Vinhos são todos produtos de técnicas e desenvolvimento de outros povos, mas vamos ficar apenas com os Mouros nesse comentário e relembrar tudo o que eles deixaram de ‘borla’ para vocês. A própria Escola de Sagres há indicações de que se mesmo existiu, foi fundada por Mouros do Norte da África.

      Em 300 anos de exploração pelo Brasil, talvez o território neste mundo com maior riqueza natural, o que alcançaram? O que conseguiram desenvolver aqui? Deixar que milhões de Índios morressem pelos seus e outros povos, em nome de uma falsa evangelização dos habitantes? Se não fosse a Igreja Católica (o que sobrou do Império Romano) bancar todos os custos dos descobrimentos, jamais conseguiriam sozinhos. Vocês traficaram e exploravam escravos durante anos nestas terras, até a poucos séculos atrás. Enquanto outros países como a Inglaterra, deixaram as suas colônias até que mais ou menos desenvolvidas, vocês só exploraram e cuspiram no prato que comeram. E gostaram de comer, por que enquanto ‘fornicavam’ nossas Índias, os Espanhóis levaram todo o Ouro que aqui existia. Parabéns.

      Desculpe meu caro amigo, os Portugueses fizeram muita coisa bacana pelo mundo, mas também fizeram muita porcaria. Vocês tem coisas absurdamente incríveis, como culinária, praias, Fado, todos os cantos com um encanto especial, de Norte a Sul. Morei 6 anos em Portugal e não vejo a hora de voltar. Adoro o vosso país, há uma conexão muito forte entre Brasil e Portugal, mas infelizmente há ainda muito preconceito por bobagens do tempo de Cabral.

      Vamos aproveitar o que há de melhor em ambos os países e juntos nos tornar uma grande nação com uma história que pode ter um final feliz, e aproveitar que ao menos, por mais estúpidas variações que possam existir nesta língua vulgar de origem do latim, nós conseguimos nos comunicar, ‘mais ou menos’ facilmente bem. E deixar isso tudo de lado, por que sinceramente, esse vosso nacionalismo me enjoa! 🙂

      • Do Rio pro Mundo on 25 de setembro de 2013 at 0:31 said:

        Boa noite Fernando, confesso que estou meio sem compreender o seu comentário. Não sei se você conseguiu captar, mas eu não sou Português, sou um Brasileiro, do Rio de Janeiro, que gosta de viajar e por isso relato as minhas viagens, numa tentativa de eternizar meus bons momentos e, quem sabe, ajudar alguém a planejar alguma viagem. Somente isso. A propósito, você deveria tentar conhecer Portugal. Quem sabe o seu PRE-conceito não arrefece. Um abraço, Felipe

        • Fernando de Oliveira on 25 de setembro de 2013 at 16:05 said:

          Caro Felipe, como você pode julgar meu comentário, sem nem ao menos leu o que escrevi. Primeiramente nem estava respondendo a sua mensagem, que por acaso nem havia lido, mas sim a de António M. T. Ferreira.

          Segundo como você pôde ler no meu texto, morei em Portugal 6 anos, minha esposa e meu filho nasceram lá, ainda tenho muitos amigos naquele país incrível e já planeio nosso retorno, mesmo com essa crise financeira terrível.

          Reveja o contexto das mensagens e caso tenha interesse em ‘discutir’ algo mais, será um prazer. Abraço!

          • Do Rio pro Mundo on 25 de setembro de 2013 at 18:55 said:

            Prezado Fernando,

            Ao contrário do que vc. disse, li o seu comentário inteiro, com bastante atenção. Desculpe, mas, realmente achei que estavas direcionando suas palavras a meu texto, por isso não entendi esta parte e respondi como se fosse para mim. Agora que você esclareceu, e realmente verifiquei melhor que você comentava em resposta ao leitor Antônio, reconheço o meu erro. Obrigado por esclarecer.
            No mais, tenha certeza que não julguei nem pretendo julgar o seu comentário. Se isso foi o que deu a entender, essa não foi a minha intenção. Neste espaço, acredito na liberdade do debate e das ideias, sempre com educação e de forma não ofensiva, preferencialmente. Estou sempre aberto a ouvir críticas e sugestões. Contudo, fiz questão de reforçar a minha posição sobre o quanto gosto de Portugal e do Povo português, apenas por não ter concordado com a sua crítica, o que também é um direito meu. Somente isso. Você esclareceu que morou 6 anos em Portugal e tem todo o direito a emitir sua opinião, e precisa ser respeitado por suas impressões, mas, também não deve se incomodar com as críticas eventuais. Um abraço e obrigado por visitar e prestigiar este blog.

            Atenciosamente, Felipe

      • Caro Fernando Oliveira, não sendo esta página da minha autoria, sou apenas um atento leitor, fiquei por alguns momentos na dúvida se deveria escrever algumas linhas ou não, decidi fazê-lo, espero que dentro da mais estrita boa educação porque acho que o seu comentário exige uma resposta que espero o autor deixe publicar, se entender que não vale a pena, não se preocupe Filipe, amigos como sempre. Espero também que possa servir o interesse genuíno de quem tem por hábito ler o brilhante trabalho do Sr. Filipe. Não quero parecer presunçoso nem estabelecer diálogos.

        O seu comentário, ao outro comentário infeliz do Sr. António Ferreira, que estou certo a todos aqui desgostou, não foi muito melhor. Foi redutor e até ofensivo porque decidiu esvaziar de conteúdo aquilo que se reconhece como um dos pontos fortes da velha etnia europeia de que faço parte. Fez outra coisa, referiu de forma que entendi deselegante e intencional que os portugueses não são mais do que restos de romanos e mouros. Fez isso porque sabe que nós não gostamos de ser referidos como tal. Não gostamos porque se trata de uma mentira histórica que muitas vezes foi dita ao ponto de na cabeça de alguns passar a ser uma verdade.

        Apesar de hoje existir uma forte pressão para branquear as fundações étnicas e culturais dos Portugueses e nalguns círculos apresentá-los como o produto de africanos e mediterrânicos, interessa esclarecer esse tema. Eu devo dizer-lhe que do ponto de vista de Roma, sim, culturalmente, tecnologicamente, judicialmente, o império trouxe, e de facto conseguiu, implementar uma sociedade radicalmente diferente da que existia mas do ponto de vista étnico nada mudou, os romanos que para aqui vieram foram, como já escreveu Pedro Silva, um historiador da minha cidade, com muita obra publicada e até extensamente vendida no Brasil: foram gotas de café na nossa chávena de leite. Não houve grandes migrações como aquelas que aqui chegaram quando o império ruiu. Do ponto de vista Mouro, não/muito pouco, porque quem sorrateiramente invadiu a península num momento de crise e guerras internas, não foram os matemáticos e astrónomos da Arábia e do Levante, de lá vieram apenas os generais e mais tarde os governadores de Granada. Quem nos invadiu foram pastores guerreiros berberes do norte de África e por isso basicamente, nada ficou de uma cultura inferior àquela que já cá estava. Do ponto de vista étnico foram mais gotas de café. Quero lembrá-lo que no território português estão catalogados mais de 9000 sítios romanos, gostava que me indicasse 1 sítio mouro. Eu por acaso até conheço 1 mas é o único a ter direito a projecto de musealização. Bem vê, essas pessoas eram muito diferentes de nós a todos os níveis, podiam ter deixado uma grande herança mas não. Em Portugal ainda existem pessoas, sobretudo por paixão, que acham que sim mas essa herança é a mais sobrevalorizada da nossa história. Na língua, de acordo com as opiniões de alguns académicos, são 500 palavras num total de 600000 (ref. Porto Editora). Cerca de 300 são toponímia sobretudo do sul e restam umas 200. Parte destas 200 nem sequer se usam, apesar de constarem do dicionário. O inglês tem 120 palavras árabes e os mouros nunca lá estiveram. Não há influências mouras na arquitectura tradicional portuguesa, casas brancas como as do sul há em todas as costas do Mediterrâneo e ruas estreitas, como alguns sugerem, existem em todo o mundo, da Itália à Suécia e ao Japão, o que existe é uma arquitectura Algarvia muito parecida com a do norte de África que inclui umas chaminés típicas. Não existem sítios arqueológicos, como antes referi. Não construíram estradas, pontes, edifícios que tenham perdurado pela grandiosidade, talvez o único exemplo seja a igreja de Mértola. Não nos deixaram religião, de facto a maioria dos muçulmanos eram eles mesmo Ibéricos sobretudo do sul e que não fugiram para norte com a invasão militar. O centro do meu país ficou despovoado durante cerca de 200 anos e nesses territórios, os mouros ficaram atrás das muralharas das fortalezas, mais ou menos como a ocupação Portuguesa do norte de África séculos mais tarde. Não nos deixaram cultura digna de realce, a nossa matriz continua a ser bem Europeia. Na música idem, embora admita que algum instrumento musical possa ter forte influência moura, não sei qual mas admito, não domino essa área do conhecimento.

        Eu não tenho motivações políticas nem sonhos de multiculturalidade bacocos mas também não quero parecer preconceituoso, gosto da verdade tal como ela é sem espasmos apaixonados, apenas constato aquilo que os meus olhos vêem. Sei que Lisboa e outras cidades dão relevo a essa presença moura e devem fazê-lo porque Lisboa seria o mais importante bastião mouro do norte das terras que eles ocupavam, mas Portugal é muito mais que isso. Historicamente a maioria do povo que mais tarde se chamou Português sempre viveu e ainda vive em terras onde a influência moura é próxima de nula e o seu tempo de controlo efectivo do terreno pouco terá superado os 150 anos, com assédio constante do Rei das Astúrias e dos condes de Portucale. Os mouros perderam o controlo do Porto em 868 e de Coimbra em 871(!!), existe condado de Coimbra desde esse tempo embora governado por moçárabes (cristãos descendentes da nobreza Visigótica que mantinham fortes relações comerciais com os muçulmanos, portanto eram cristãos amigos dos muçulmanos), Coimbra transformou-se no entreposto comercial entre o norte e o sul e só em 1064 passa para o controlo efectivo do rei de Leão.

        Portanto em relação a essa mania de chamar aos Portugueses mouros e refugo romano acho que estamos falados, não gostamos porque não somos isso, ponto final. Não tinha mal nenhum se fossemos mas nós somos uma coisa diferente. Achamos isso ofensivo porque os meus antepassados lutaram quase 500 anos contra mouros e quase 200 contra romanos e talvez não mereçam que alguém hoje nos compare àquilo que eles não queriam ser. Se ser romano e mouro fosse do seu interesse e tão bom assim, então não teria havido guerra.

        Noutra perspectiva, que para algumas pessoas pode também ser importante, tal como já referi, os portugueses são bem Europeus e curiosamente, muito pouco misturados, tal como os Irlandeses ou os Nórdicos, pela razão compreensível de estarmos num extremo da Europa, outros povos como Alemães, Franceses ou mesmo Ingleses, sofreram muito mais influências por estarem no centro da Europa. Não quero ser mal interpretado: ser pouco misturado não é particularmente bom, ao contrário do preconizado no início do Século XX através de algumas visões rácicas da genética humana. Ser misturado produz genes mais fortes, e isso é bom. No caso particular dos portugueses a influência genética do norte de África é marginal: 10% no sul e 4% no norte (igual ao resto da Europa) e ela é sobretudo neolítica e não moura, quanto aos Romanos eles são pouco diferenciáveis dos Ibéricos porque partilham uma ancestralidade comum mas isso, na minha opinião, pouco ou nada interessa é apenas para recentrar a sua visão do meu povo.

        Relativamente às outras barbaridades que referiu como a Escola de Sagres e as caravelas ou os vinhos e o azeite serem mouros ou que nos foram oferecidos, não tarda muito vai dizer que o fado surgido no século XIX, também é mouro. Caro Fernando, onde acha que os Árabes foram buscar inspiração? Olhe, a numeração dita árabe foi inventada na India, o conceito do zero é Indiano, a matemática e a astronomia é herança Grega. Quanto aos Romanos, a arquitectura e a arte em geral é influenciada pela Grécia clássica bem como parte do Latim. Ambos melhoraram o que receberam e juntaram ao que já possuiam, nós fizemos igual. Uma cultura é o corolário de coisas que vêm do passado. Portanto, não entendi essas referências mas devo dizer-lhe que os Lusitanos se untavam com azeite e bebiam cerveja antes dos combates e das festividades. O vinho era um produto mais do sul mas já era aqui usado nessa altura, cerca de 1000 anos antes de existirem muçulmanos. Não entendi também as referências ao Português e ao Catalão mas também não digo isto para que se explique, a língua é uma entidade “viva”, existe e é o resultado da interacção do latim com as línguas celtas indígenas que aqui se falavam antes de chegarem os romanos. As influências Germânicas são escassas e Árabes idem.

        Para terminar acho que deve pôr de lado os preconceitos, isso não é bom. Os meus antepassados como qualquer povo fizeram coisas boas e más, foram escravizados pelos Romanos e mais tarde escravizaram outros povos. Isso não foi bom mas é preciso entender que todos os impérios da história, todos eles, em parte, basearam a sua riqueza e expansão, na ocupação de terras e escravidão dos que lá viviam. Isso foi bem feito? Não, eu sei que não foi mas também sei que: nunca devemos olhar o passado com os olhos do presente.

        O que ficou foi este jardim à beira mar plantado que nós adoramos e que tem tudo para ser apreciado e valorizado porque é único e é onde vive um povo que teve essa ideia louca de explorar e conhecer o mundo e erguer um dos maiores impérios que a história conheceu. Isto são factos.

        Sei apreciar as outras culturas e entender o orgulho que sentem, eu gosto de ser Português e tenho um orgulho imenso naquilo que os meus antepassados fizeram e me deixaram e em pertencer a essa estirpe, não confunda as coisas, não há ideologia política alguma por trás disto. Admito que outras pessoas possam não apreciar a minha cultura, mas não o que gosto é que sejam redutoras e tentem esvaziá-la de conteúdo. Isso soa a provincianismo.

        Desculpem a extensão de texto. Cumprimentos para todos.

        • Fernando de Oliveira on 26 de setembro de 2013 at 3:42 said:

          Caro Manel,

          Muitíssimo obrigado pela sua resposta. Você me chamará de presunçoso, mas tinha a completa certeza que receberia uma resposta, não assim tão bem elaborada e escrita, como a sua, mas que tivesse esse mesmo tipo de conteúdo. Meus mais sinceros cumprimentos.

          Apesar de apreciar e respeitar seu texto, infelizmente o mesmo erro foi cometido ao não citarmos fontes “oficiais válidas”, ou seja, estamos apenas discutindo nossas ideias e nossos pontos de vista pessoais com base em algum tipo de educação prévia que tivemos onde pode ter vindo de fontes confiáveis ou não. Quem tem então a capacidade de julgar entre o certo e o errado no outro?

          É possível confiar em tudo que lemos sobre a nossa história antiga? Se hoje com toda tecnologia e avanço que existe, conseguem nos colocar situações como 11/9, por exemplo, imagine a alguns séculos atrás. Mas não vamos entrar em teorias da conspiração por que daí perdemos o foco. Isso para dizer algo que você sabe melhor do que eu, que muita de nossa história é com base ainda em pura especulações. Está sendo frequente que com os avanços tecnológicos, verdades que até então eram oficiais, não eram afinal tão ‘verdadeiras verdades’ assim.

          Infelizmente, sua grande honra pelo seu pedaço de terra que possui nesse espaço de tempo o nome de Portugal não lhe permitiu sentir que minha mensagem tratou-se do mais profundo respeito pelo seu país, não por esse tipo de nacionalismo barato que me enjoa, mas pela sua essência, o que é hoje, não digo da crise financeira, Passos Coelho, etc, mas da beleza que tem em seu país em cada canto e tudo que ele tem para oferecer.

          Sou muito feliz por ter conhecido e ter como queridos amigos, muitos portugueses de verdade (ou dentro da minha percepção pessoal do que é verdade), portugueses que sabiam ver seus defeitos, que entendiam as suas limitaçōes, que sabiam que o “Grande Império” não existe mais, e que conhecem e amam Portugal pela sua essência, e vivenciam a beleza de Portugal no aqui e agora, e não nas “conquistas” do passado. Portugueses que sentem orgulho sem serem orgulhosos, que não sentem-se superiores a nenhum outro povo (como o comentário que gerou a minha primeira resposta). Portugueses que sabem que fizeram muita coisa boa, mas também muita porcaria. Sabem ter o bom senso para se colocarem nos seus devidos lugares.

          E esses portugueses de verdade que eu conheci, eles estavam prontos para contribuir ao máximo para o agora e o que vem daqui para frente para seu país. Eles são fortes, e são esses que estão (ao menos tentando ao máximo) fazendo a diferença.

          Meus sinceros cumprimentos,
          Fernando de Oliveira

          • Caro Fernando
            Em relação a este assunto eu gostaria de, por mim, encerrar este capítulo dizendo-lhe que a contribuição do Sr. António Ferreira nada teve de nacionalista, ela foi simplesmente grosseira e desinformada. Também eu, nada tenho de nacionalista nem gosto de visões politizadas da história mas eu sou um patriota, sem dúvida. O que me interessa são as pessoas, a cultura, a terra e a sua história.
            Em relação às minhas linhas, elas não precisam de fontes, não se trata de um artigo científico mas eu penso que lhe apresentei evidências suficientes para corroborar a minha opinião que além de sincera e isenta de agenda política é partilhada por muita gente que tem dois palmos de testa para ver, pensar e tirar as suas próprias conclusões. O que os meus olhos vêm na terra, na gente e na cultura ancestral do lugar onde vivo são a melhor referência. Não há nada de especulativo nisto e se quiser ainda lhe apresento mais duas razões para afirmar que a importância da cultura moura na esmagadora maioria dos Portugueses e em Portugal é muito próxima de nula:
            – Não há nomes nem apelidos com essa origem;
            – O fenótipo dos portugueses continua bem neolítico, homogéneo e em nada se parece com o dos mouros do norte de África. Uma rápida visita a ambos os locais e alguma sensibilidade antropológica servirá para tirar as dúvidas.

            Isto não é especulação é evidência. Por isso, quando o prezado Fernando ler ou ouvir alguém dizer essa patetice que os Portugueses são descendentes de mouros, você fique atento porque quem o escreveu ou falou pertence certamente a uma facção política particular ou a uma região que sempre tenta impor aos portugueses aquilo que pensa serem a suas raízes desprezando por completo o país real.

            Com os melhores cumprimentos.

        • Felipe Gonçalves on 29 de setembro de 2013 at 0:02 said:

          Manel, bem escrito teu texto. Muitos brasileiros são descendentes de portugueses e conhecem pouco sobre a história de Portugal. Qual o historiador português de maior reconhecimento, que escreve sobre a historia de Portugal e também sobre o Brasil ?

          • Caro Filipe, eu já li muita coisa relativamente à história de Portugal. Li muita coisa boa e li outras que não “lembram ao diabo”… Foi editada uma história de Portugal em 2009 que confesso não ter lido mas que parece compilar muita da informação adquirida nas últimas duas décadas e como é óbvio, acaba por fazer luz sobre alguns temas não abordados até agora e ainda corrigir algumas ideias anteriores. Trata-se de uma história de Portugal que se debruça apenas sobre a nacionalidade, ela não cobre as épocas: pré-romana, luso-romana, visigótica e moura. Portanto trata-se de uma janela histórica razoavelmente bem documentada.

            http://www.fnac.pt/Historia-de-Portugal-RAMOS-RUI/a276261

            Eu pessoalmente, gosto da História de Portugal do Prof. José Mattoso embora ele se aventure pouco nos tempos da pré-nacionalidade à luz da nova visão do passado que a tecnologia nos permitiu inferir. Claro que a história de Portugal do Professor José Mattoso tem um volume relativo a essa parte da nossa história (Vol. I – Antes de Portugal) mas não podemos esquecer que esse fantástico trabalho em 8 volumes é de 1992.

            http://www.wook.pt/product/search/restricts//facetcode/temas/tipo/2/nome/Historia%20de%20Portugal%20-%20Jos%C3%A9%20Mattoso/restrictsinc/3251/facetcodeinc/coleccao

            A minha história de Portugal preferida é a dos Profs. António Oliveira Marques e Joel Serrão em 9 volumes, chama-se “Nova História de Portugal” e cada volume tem coordenação independente e os capítulos são actualizados por especialistas nas áreas focadas nesses capítulos. Pessoalmente já li os dois primeiros volumes: Vol.I – Portugal das Origens à Romanização e Vol.II – Portugal das Invasões Germânicas à Reconquista… muito bom!!

            http://www.presenca.pt/pesquisa/coleccao/Nova%2BHist%25F3ria%2Bde%2BPortugal/

            Espero que estas referências o possam ajudar.

            Sempre disponível.
            Com os melhores cumprimentos.

          • Do Rio pro Mundo on 4 de outubro de 2013 at 19:31 said:

            Muito Obrigado Manel, pela sua gentileza e pelas sempre valiosas dicas e colaborações.

            Um grande abraço, Felipe

  11. rachel amélia baptista cavalcante on 1 de setembro de 2013 at 2:29 said:

    Sou descendente de portuguêses, espanhóis, holandeses e italianos. Portanto, sangue do Brasil é nenhum. Somente sou brasileira porque nascí no Brasil.
    Estive inímeras vêzes em Portugal e tive a felicidade de conhecer de norte a Sul e de leste a oeste. Realmente é um país maravilhoso tanto quanto seus habitantes.
    Cada vêz que ia a Portugal permanecia por 3 meses.
    Conheço 11 países da Europa mas nenhum se compara a Portugal. Aliás, gostaria de destacar a culinária portuguesa, cuja qualidade é de primeiríssima, sem contar com a fartura.
    Tudo em Portugal remonta a nossa origem……
    Amo o Fado, amo muitos dos escritores e poetas portugueses.
    Pretendo, ano que vem, voltar a Portugal

  12. lurdes nobre on 1 de setembro de 2013 at 2:34 said:

    Gostei do seu comentário sobre Portugal, eu que gosto muito do Brasil so tenho pena de não conseguir ver esse País todo pois é enorme. Mas deixe-me deixar aqui umas informações sobre zonas que não estão nas rotas turísticas mas são lindíssimas, perto de Évora, a minha cidade que aqui referiu e eu agradeço, existe a rota dos castelos, que começa em Monsaraz e termina na Juromenha, é uma rota que nos leva a tempo medievais, com aldeias de pedras e castelos lindissimos, se puderem nao deixem de visitar! No baixo Alentejo, perto de Beja não deixem de visitar Portel e Castro verde, alem do Alqueva o maior lago artificial da Europa.
    Deixo também a informação a um dos comentaristas, Dezembro é um bom mês, apesar do Frio (para Brasileiro claro, é o País mais quente da Europa nessa época do ano, chove muito pouco e temos das sloarentos de uma cor estonteante!

  13. Eunice -Portugal on 1 de setembro de 2013 at 7:36 said:

    António Ferreira, que comentário tão infeliz e despropositado! A língua é de quem a fala!! Devíamos era ter orgulho no facto de outras nações falarem português. E que é isso de português genuíno? O de Lisboa?? Alentejo? Açores? Puârto? O de 2013? 1945? 1911? O de Eça? Camões? Gil Vicente? Abertura de espírito precisa-se. E alguma informação – nem todo o Brasil diz vc em vez de tu. E saiba que em muitos aspetos o português na sua variante brasileira é mais fiel ao português pré-1911 que o nosso. Do Rio pro Mundo, parabéns pelo blog! Muito bom!

  14. Diego Bridi on 1 de setembro de 2013 at 9:36 said:

    Bom dia!

    Moro em Lisboa a quase cinco anos, sou gaúcho e simplesmente amo Portugal! E depois as pessoas, não entendem porque não quero voltar. Lindo texto! Abraços…

  15. Ttt13, o rei Theodomiro, da frequesia de Norte Portugal! on 1 de setembro de 2013 at 13:09 said:

    Obrigado, Felipe, caminhante iluminado, por ler vossas verdadeiras e marcantes palavras sobre esta nossa <>, ‘…Já passa da hora de fazermos o caminho inverso, redescobrindo e reverenciando nossa Pátria Mãe…’
    Convido-lhe para conhecer ou retornar, se já por cá esteve neste sítio, um ‘verdadeiro Ex-Líbris do Minho. Neste sítio localizado junto as águas da margem esquerda do rio Cávado, um Monarca Suevo Theodomiro possuía, entre os lugares de Sobrado e Mire, o luxuoso Paço, onde costumava descansar, lá pelo espaço-tempo alargado do século XI. Mire derivado de ‘Miro’ que significa magno e bom, levando a supor que foi o ‘Rei Theodomiro’ que lhe deu o nome. É imperdoável deixar de visitar o Mosteiro de São Martinho de Tibães, desde o século XII ocupado pelos Benetinos. Um dos mais ricos e poderosos mosteiros do norte de Portugal, quando o condado portucalense começava a afirmar-se e os monges de Cluny introduziram a regra monástica de São Bento. Sua antiga e muito antiga floresta mediterrânea abriga a Energia que poucos iluminados sentem, absorvem e lhe fazem bom uso em causa própria e coletiva. Abraços do Ttt13.

    • Do Rio pro Mundo on 1 de setembro de 2013 at 20:38 said:

      Obrigado a você amigo Theodomiro por seus elogios e por suas excelentes sugestões! Certamente o Mosteiro de São Martinho de Tibães entra em minha lista e na de varios outros leitores, tenho certeza. Um grande abraço, Felipe

  16. Daniel amaral on 1 de setembro de 2013 at 15:36 said:

    Sou Português vivo atualmente no Espirito Santo. quero apenas dizer que a (Meca )dos Brasileiros, é sem duvida Portugal um dos berços da humanidade.

  17. Felipe, escapou a você o melhor de Portugal: SINTRA.

    Da próxima vez que suas botas o arrastarem até aqui, faço questão de te levar numa viagem no tempo até antes do anno da graça de 1500, o do achamento do Brasil.

    No Palácio Real da vila de Sintra, você vai estar debaixo do tecto onde se reunia o Conselho do Rey de Portugal. E onde se decidiu delegar em Pedro Álvares Cabral a tarefa de descobrir terras de Vera-Cruz. Mas vou já te prevenindo: você vai se sentir esmagado por esse tecto.

    Abraço! 😉
    Giuseppe Pietrini

    • Do Rio pro Mundo on 1 de setembro de 2013 at 20:32 said:

      Boa tarde Giuseppe, obrigado pela visita e pelos comentários.
      Amigo, não faltou Sintra não, visitei este maravilhoso local no ano passado quando estive novamente em Lisboa. Fui ao Palácio da Pena e subi as colinas de Sintra, passando também por Queluz, Cascais, Estoril e Cabo do Roca. Pretendo ainda elaborar um texto sobre esse maravilhoso passeio realizado. Um grande abraço! Felipe

  18. Muitos parabéns pelo seu trabalho!
    Como deseja vir à Madeira em breve…, nós aqui na ilha estamos também muito desejosos de o ter cá para, tal como diz, ter oportunidade de testemunhar as “possibilidades de turismo de aventuras, de cultura, de fotografias e tomar o delicioso vinho homônimo”. Adorei esta sua descrição!
    Por favor faça-nos uma visita e usufrua da natureza resplandecente e diversificada, das paisagens deslumbrantes, do clima ameno todo o ano, das gentes acolhedoras, das praias de areia e de calhau, da gastronomia, dos hotéis luxuosos, e dos alojamentos rurais de grande qualidade. Estes e outros tantos ingredientes fazem da Madeira um destino turístico apetecível em qualquer altura do ano e encantam quem nos visita.
    Ilha da Madeira espera-vos!

    • Do Rio pro Mundo on 1 de setembro de 2013 at 20:34 said:

      Muito obrigado Eva pelo seu interesse, por seus elogios e comentários. A ilha da madeira está na minha lista de prioridades e tenho uma grande expectativa em conhecê-la. Na próxima vez que estiver em Portugal, pretendo incluí-la em meu roteiro. Um grande abraço desde o Rio de Janeiro, Felipe.

  19. maria emília costa cardoso on 7 de setembro de 2013 at 18:43 said:

    Li seus artigos sobre Portugal e fiquei fascinada com a forma como conseguiu retratar tão bem este pequeno país da velha Europa, à beira mar plantado. Sinto-me muito feliz por perceber que aos poucos as pessoas vão descobrindo este pedaço de paraíso onde se consegue viver em paz, ter muito sol, mar, boa comida, bons vinhos e aliar tão bem a tradição com a modernidade. obrigada pelo seu blog. Está prestando um verdadeiro serviço de embaixador de Portugal.

    • Do Rio pro Mundo on 7 de setembro de 2013 at 19:33 said:

      Muito Obrigado Maria Emília por suas palavras. Esse país é realmente maravilhoso e, quero crer, tende a ser cada vez mais o destino principal de todos os brasileiros na Europa. Se depender de mim, e de meus textos, essa tendência é irreversível.

      E estou sendo muito sincero sobre minhas impressões, assim como em relação a todos os lugares que visito, pois em certos casos, quando não gosto muito do lugar, também falo e critico da mesma maneira, como por exemplo pode se ler no post sobre Los Angeles.

      Eu realmente acho Portugal um lugar absolutamente fantástico, altamente propenso ao Turismo e ao bem viver. Parabéns a toda gente de Portugal por tão belo país, de boa gente, de bons vinhos, de boa comida, muita cultura e tantas outras coisas positivas. Como vocês costumam dizer, bem haja!!!!

  20. Muito me preocupa que, em pleno século XXI, do conhecimento e da tecnologia, tenha ler palavras de arrogância de alguns participantes deste espaço e tempo, de boas dicas turísticas e de fortes opiniões, muitas da vezes ofensivas, porém, muito bem camufladas nas entre linha da linguagem escrita.
    As palavras ditas pelo Presidente do Uruguai, na Assembleia da ONU são claras neste sentido. Diz este presidente que devemos nos olhar como um todo, e jamais individualmente. Pois, somos a espécie humana com uma única origem genética, desde as formas de vida unicelular até complexa, como a nossa. Devemos ver o todo como sendo um único em defesa da vida de todas as espécies terrestres e de seu meio, a nave Terra. Neste momento, devemos pensar em uma Nova Ordem Social do terráqueo e, deletar o individualismo do tipo: sou <>, <><>, <>… A mensagem deste Presidente do sul da Terra, e daquela que li e recomendo no livro <>, de Angelino Pereira, de Guimarães, sintetizam esta Nova Ordem Social, em construção e em andamento. Boa leitura! Abraços, do norte da Terra: Ttt13. O qual em 21/9/13, no equinócio de Outono, completou 2 anos de vida mutante!

  21. Este video caiu-me hoje nos braços e decidi partilhar convosco… é um piscar de olho e uma achega às linhas do Filipe.

    https://www.facebook.com/photo.php?v=369497183183976&set=vb.220851461381883&type=2&theater

    Um abraço para todos.

    • A hora chegou: o Brasil é o Portugal e o Portugal é o Brasil! Leiam <>, de Angelino Pereira, um português de Guimarães, que deitou suas asas sobre São Paulo, anunciando o Novo Brasil, que surgira nos braços do povo brasileiro, nas ruas de todo o pais.

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